CAPPAZ - Confraria Artistas e Poetas pela Paz
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À GUISA DE ENCERRAMENTO E AGRADECIMENTO

Aqui estamos..., poeticamente falando. Cirandeiros a cirandar e a cumprir o proposto colocado às nossas mãos, nesta 13ª Ciranda Especial do Dia Nacional da Poesia... Agradecidos, enternecidos, irmanados e enfim, ligados por uma única meta: “A Estruturação de Vidas Através das Letras.” A Paz e Bem!

Nesse cá e lá, para além, para aquém, para nós, para alguém com certeza é o nosso poetar.

Lutamos o bom combate, usamos às letras na formação das palavras, frases, versos e poemas... Em gêneros diversos, oriundos da multiplicidade das mentes que, de forma alguma nos deixou indiferentes... A todos nossa sublime gratidão.

Sabemos que nada temos se do céu não nos for dado. Deus capacita a tantos quantos, chama. E, fez CAPPAZ a cada um de nós, de fazer jorrar a fonte de água viva do mais profundo do nosso âmago. Água curadora é a inspiração poética; existência meta-física do ‘Belo’ em cada um de nós; nau santa é a forma corpórea do poeta a flutuar no imenso mar da sabedoria divina.

Somos tais quais, naus flutuantes...

No passado houve uma que navegou nesse mar. E, que se fez geratriz de “Espumas Flutuantes”, “Navio Negreiro” e outros textos mais... Uma nau baiana, fonte cristalina, inquietante. Misto do lírico-amoroso, fruto da alma sensível – característica do verdadeiro poeta – e da poética em prol da luta pelas injustiças sociais; independência da Bahia e abolição da escravatura no Brasil. Ele, o “Poeta dos Escravos”: Castro Alves! Aquele que o conforto de berço, a luxúria e/ou a cultura, não pode fazê-lo ser indiferente a dor, aos sofrimentos dos negros.

Na sua curta passagem terrena, se fez guerreiro das letras e amante ardoroso de suas musas. Poeta de transição entre o Romantismo e o Parnasianismo.

É a ele – Castro Alves – que no dia 14 de março do ano de 2010 homenageamos através da musa de todos nós – A Poesia No Seu Dia Nacional – .

É a você, caríssimo confrade ou confreira... A todos os CAPPAZES que contribuíram quer direta ou indiretamente, se doando a esse empreendimento poético, no qual, por fim, registramos os nossos agradecimentos e apreço, por poder contar hoje e sempre com o vosso navegar tranquilo nas águas da sabedoria divina.

O nosso, o meu muito obrigado!

EstherRogessi /Presidente Seccional CAPPAZ/Recife-PE

Recife,16/03/2010

 

 

 

PARTICIPANTES

01. João José Oliveira Gonçalves (três participações)
02. Marco A. Amado
03. Fernando Alberto Salinas Couto
04. Eurydice Meimei de C. Corrêa
05. Verney Ferreira Naves (duas participações)
06. Vanda Ferreira
07. Esther Rogessi
08. Sidney Santos
09. Stella Vives
10. Eloísa Antunes Maciel
11. Kedma O'liver
12. Jonas Krischke Sebastiany
13. Tânia Maria Souza
14. Paulo Rodrigues
15. Judite Krischke Sebastiany
16. Eliene Dantas de Miranda Taveira
17. Aparecida de Lourdes Micossi Perez
18. Sérgio Martins Pandolfo
19. Sílvia Silva Benedetti
20. Joyce Lima Krischke (duas participações)
21. Marly Feliciano Tamani
22. Odilon Machado de Lourenço
23. Ana Teresinha Drumond Machado
24. Akasha De Lioncourt
25. Carlos Reinaldo de Souza
26. José Antônio Gama de Souza - Balzac
     (duas participações)
27. Marina Martinez
28. Ana da Cruz
29. Rosângela Coelho
30. Léon Lambert
31. Celso Corrêa de Freitas

 

 

 

PARTICIPAÇÕES

01.
14 de Março.
J.J.Oliveira Gonçalves

Após aludir-se a musas, aluda-se, agora, a poetas. No caso, a um poeta em especial: Antônio Frederico de Castro Alves. Nascido a 14 de março de 1847, na fazenda Cabaceiras, na então freguesia de Muritiba, comarca de Cachoeira – a poucas léguas de Curralinho, na Bahia.

Em seus escassos ( e gloriosos!) 24 anos, viveu intensamente – amando e sonhando sofregamente... Seu canto vem de longe... Vem com o despertar do nativismo na sua Bahia do século 17. E seu canto continua belo e grandioso, até hoje. Pois que encarna o amor à Liberdade. Defendendo o escravo, imortalizou seu canto. E, voando nas asas imensas do condor, não se fez apenas o poeta da raça (ou de uma raça!) mas o arauto legítimo do valor Liberdade. Magistral e aguerrido (mesmo atrevido!) em O Navio Negreiro e Vozes d’África. Sublime, meigo, ingênuo (mesmo sedutor!) em tantos de seus versos de amor... Lírico, romântico... sonhador...

Poeta pequeno, fico a imaginar Castro Alves no contexto de nosso conturbado País... Seu canto de Liberdade ecoaria – mais que retumbante. E sua Lira cantaria (ou choraria!) não apenas a Dor dos grilhões da escravatura na pele negra... a Dor do açoite, a Dor do tronco... a Dor da senzala... Mas a Dor da Exclusão da grande maioria do povo verde-e-amarelo... A Dor da Mãe-Natureza, explorada, dizimada e morta... A secular e diuturna Dor dos povos da floresta – verdadeiros donos destas terras de riquezas (roubadas!) e farturas (cobiçadas!)... A Dor diuturna da Mãe-Gentil! Mesmo a Dor pungente do Deus Crucificado! Que o próprio Cristo acena nas indigências, nas esquinas sombrias das cidades – em suas favelas... E cata no lixo a (sobre)vivência minguada e indigna... Com certeza, Castro Alves levantaria a voz do Verso e a rima da Lira contra a servidão humana da Ordem e Progresso...

Exaltemos, seu verso social: firme, contundente. Degustemos seu verso romântico – colorido de fragrância e mel... E ao Espírito-e-Verdade do Poeta alcemos um brinde de Eterno Amor, na taça sagrada e ardente do Coração!

Porto Alegre, 04 de março/2005.11h45min
jjotapoeta@yahoo.com.br - www.jjotapoeta.art.br

02.
Convite ao Dia da Poesia...
Marco A. Amado

Quero fazer-lhe um convite:
Vamos de olhos abertos sonhar?
E esquecendo o limite...
Vamos ao mundo cantar
Que este dia não pode acabar?
Pois a poesia está em todo lugar...
Viva o dia da poesia!

Mas não liguem na métrica acima
Pois o poeta pode e deve
Rasgar as convenções!
Extrapolar em seus devaneios...
Rascunhar e rascunhar...
Sem se importar se a rima está certa
Ou a palavra correta!
Talvez tenha esquecido a vírgula ou a reticência...
Mas o que isto importa!
Se o texto é um devaneio...

Ou talvez ele só queira contar
Como seu coração
Sabe amar...
Vamos lá: continuem a divagação!
Rascunhem sem parar!
E ao dia da poesia vamos homenagear...
Todos são poetas é só ousar...
E no papel às vezes toscas linhas traçar.
Que se dane a métrica, rimas, estrofes e etc...
A lingüística e até o português
Que quer por limites nas nossas ousadias.
Vamos lá: rascunhem ou escrevam
Sem medo ou remorso...
Ao poeta tudo é permitido!
Ele só deve nos fazer delirar...
Ou até chorar!
Pois a poesia está em todo o lugar...
É só saber escutar!

Ilha do Governador (RJ), Ocram 26/02/10

03.
Paz, Amor e Poesia
Fernando Alberto Salinas Couto

A vida tem mais emoção
neste dia tão iluminado
em que todas as cores
fantasiam com inspiração,
até mesmo ao amargurado
que esquece suas dores.

Todas as flores e perfumes,
numa mesma e bela sintonia,
obra prima do Nosso Criador,
unem todos povos e costumes
na mais densa harmonia,
numa ode à paz e ao amor.

A inveja perde o seu espaço.
A discórdia, agoniza, desfalece.
O belo ganha a supremacia,
enquanto o ódio vai ao fracasso
e às almas só prevalece
o amor, através da poesia.

São Paulo (SP), 06/03/10

04.
Brincando com Versos
Meimei Corrêa

Um verso
Disperso
Na calada da noite
Pensou ser esperto
E passou de mansinho
Caminhou no meu leito
Bateu forte no peito.

Invisível aos olhos
Sorriu para o coração
Que na distração
Do sonho acordado
Dormiu nessas linhas
Que fingem ser minhas.

Um poema sem métrica
Sem réplica se fez
Escorreu pela alma
Em forma de tintas
Colorindo a madrugada
Que foi enganada
Pelo sono que não veio
Estando em recreio
Com os pingos da chuva
Que uma nuvem esqueceu
No telhado da imaginação!

Campos Gerais (MG)

05.
Dois poemas encenando o poeta e sua musa

Quem sou... Quem é!
Verney Ferreira Naves

Você inquire qual dos irmãos sou...
Enfim, digo: aquele que a amou!

Revivida em noites mal dormidas
Nunca foi, nunca será esquecida.

Encontro-a onde meus pensamentos ponho,
Incontinenti sempre invade meus sonhos...

Mas que atroz tragédia vivida
A iniciativa da abordagem tolhida.

Refém da timidez, do medo
Insistindo guardar tudo em segredo.

As palavras – te amo – inconfessadas
Linda sinfonia aos ouvidos negada.

Um ao outro talvez devemos
Cúmplices talvez, talvez calados vivemos.

Ínvios sonhos, um amor intenso
Abortado nesse covarde estúpido silêncio!

Campos Gerais (MG)

06.
Serei... Será!
Verney Ferreira Naves

Mas que surpresa, meu poeta!
Arensa como cisne, lírico esteta.

Revive na rima desses versos
Iâmbicos, intempestivos, nesse momento controverso.

Aquele amor que abortado diz
Livre pinta em difuso matiz.

Uma tragédia com certeza vivemos,
Compartilhando paradoxo tamanho, juntos perecemos.

Incansável, por todos os caminhos procurei
Até que decidido amor encontrei.

Vem trazendo fora do contexto
Estroços escritos em versos bissextos.

Renasce dessas rimas mal traçadas
Nume divino, deusa sempre adorada.

Enfim, desnudos, me deixa confusa
Ilaquear tenta serodiamente sua musa?

Campos Gerais (MG
)

07.
Sonho de poeta
Vanda Ferreira

Quer mais que ossos e pele
Visa mutações,
Sangue verde florestal
Seiva de planta rasgando a terra,
Natalina flor de guavira;

Visa prazeres de bicho de asa,
Penas, pelo ou couro.
Deseja deter a fidelidade canina,
O simples da felicidade por ter um dono
-somente um dono-

Almeja sossego maternal
De cadelas paridas
Serve colostro em devassados mamilos
Guarda bens preciosos,
Território de particular jardim
Cala-se para contemplar estrada vazia

Trecho do livro inédito "Olhações"/vanda ferreira/prosa poética

Campo Grande (MS)

08.
Poema a Poesia
EstherRogessi

Doces lembranças...

De todos os meus amores,
Das paixões, e ilusões, dos sonhos concretizados,
... e, de todas aspirações; dos amores já vividos,
tantos outros esperados... Há um que é sublime...!

Afirmo...

Sempre me encanta, me acalma, acalanto do meu pranto,
E amante de minh’alma!
Minha doce companhia, meiga e eterna...
O teu fluir é melodia... És musa, és lira, és ode.

Os sentires que explodem, és a água e o fogo,
És a rosa e a espada!
O controverso da sorte...
Surreal, sensual, lirismo e concretismo,
Tornas os mortais em imortais...

E ainda...

Reverso do verso és, beleza universal,
Dás vida as minhas dores,e aos meus dissabores
... transformas em lirismo!

Essência nobre...

Desconheces o ciúme, em meio aos queixumes,
fazes o feio ser bonito..., dores, melancolia
...Beleza ao novo enredo!
Imenso é o nosso amor em tudo me satisfazes...
Doce encanto, bom enlevo,
Qualidades que jamais em alguma outra vejo....


EstherRogessi,Poema a Poesia,Confreira CAPPAZ/ Seccional Recife-PE, 10/03/10

09.
Nascido Poeta
Sidney Santos

Poeta desde a essência
Mesmo em tenra idade
Vive com inocência
Mundo de felicidade

Sem saber escrever
Ainda sem declarar
Deixa transparecer
Seus versos no olhar

Com o primeiro passo
Base quer encontrar
Seu forte um abraço
A quem lhe vem apoiar

Infância já um libelo
Primitivo panfleto
No desenho um castelo
Coração um todo viço
Nada o fazendo amuleto

Juventude com parar
Mágica de doce feitiço
No encanto de saber amar

E assim a vida trilhando
Escrevendo com alegria
Beleza da mulher exaltando
Vivendo amor e poesia

Santos (SP)

10.
Poesia...
Stella Vives

Palavras soltas não levam a mensagem
sem que o vento da imaginação
venha juntá-las, um dia...
Numa folha de papel,
a tinta noticia a poesia!

Porto Alegre (RS), 10/03/2010

11.
Reinante Poesia...
Eloisa Antunes Maciel

Do mar encapelado, aos píncaros dos montes,
Da noite sem luar, ao sol no horizonte,
A vida ela contempla em singular magia...
Magia que desvenda sua invulgar beleza,
Que plena se revela, por sua natureza,
Que expressa essa mensagem por ser poesia...

E essa poesia faz-se sombra e luz,
Revela-se num tema que o Amor traduz,
E a todos sua mensagem vai disseminar...
Adeja sobre os mares, entre tempestades,
Inspira seresteiros a cantar saudades
Que ante o seu bafejo vão se desvelar...

A noite ela ilumina, prenunciando a aurora,
Conforta o desgraçado que consolo implora,
Induz ao despertar, à luz do amanhecer...
Transforma a escuridão em luminosidade,
Alenta a vida humana na adversidade,
Espelha-se na lua, ao anoitecer...

E assim no seu império, pleno de magia,
Transforma toda noite em luminoso dia,
Com sua claridade vence escuridão...
Em sua missão de paz a Eterna Poesia
Desvenda os horizontes, como estrela-guia,
E reina soberana sobre a Imensidão!

Santa Maria (RS)

12.
Poesia
Kedma O’liver

Palavras soltas ao vento
Ditas com muita emoção
Trazem lembranças felizes
Aquecem o coração
Rimas ou simples versos
Escritos sem sentidos
Mas que descrevem a dor
De um sentimento dorido
Poesia é como o poeta
Fala ao querido leitor
Expõe segredos em versos
Desnudando seu amor
Ou apenas deixa ver
Parte de sua emoção
Poesia é para o poeta
Seu “eu” em comunhão.

Santos (SP)

13.
Quintana, este ser humano
(Para Mario Quintana)
Jonas Krischke Sebastiany

Quintana, inteligência infinita
Teus versos me fazem pasmar
E ao olhar no fundo de teus olhos
Teu sorriso me agracia com a luz
Que emana do teu olhar
Do teu lento andar
Da tua tragada trêmula
Da tua caneta ingênua
Que desconhece a harmonia de teus traços

Que delineiam a vida
Dos teus e dos que esperam
Um dia te conhecer
Para tecer o amanhã
Que tu conheces de ontem

De teus versos
De tamanha expressão
Não sinto inveja
Mas profunda gratidão
Aliada à vontade
Do impossível
De encontrar-te
Quem sabe,
Um dia,
Neste teu sangue
Em que verte poesia.

Porto Alegre (RS), 1985

“IN” Espreitando- Páginas 27/28- 1985
(Editado por Jonas Krischke Sebastiany aos 18 anos de idade)

14.
Metapoesia
Tânia Maria Souza

Seria feitiçaria
em forma de cantoria
a fazer alegoria
ao dia que se inicia?

Seria uma romaria
de formas em sinergia
a cantar a vida vazia
do João e da Maria?

Seria a suave harmonia
do canto da cotovia
a soar na rodovia
da nossa periferia?

Ou seria a doce poesia
com palavras em melodia
a nos trazer alegria
ao nosso dia a dia?

Balneário Camboriú (SC)

15.
A Poesia é
Paulo Rodrigues

Poesia é

Prazer
DOR
Abandono.

Prazer que
Acariciaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
DOR que transforma.

Poesia é a voooooooooz,
é a expressão,
a sublimação,
a condensação
do
inconsciente
Profundo.
Poesia
é
v i a g e m,
d
i
a
l
o
g
o
com a
ausência
Súplica ao vazio.
Poesia
é um modo de falarrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
de
dizerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
É a linguagem dos
solitários
dos amantes
dos VIVOS,
DOS ABANDONADOS!


Sorocaba - São Paulo
Em 12 de março de 2010 12:59

16.
Em busca da paz...
Judite Krischke Sebastiany

Silencio.
Mergulho dentro de mim,
Descubro o que me irrita,
O que me angustia e porquê

Desejo a paz
Para mim
Para os meus
Para o mundo.

Então,
Silencio.
Mergulho na fonte
Do amor incondicional
Do amor que me ensina a AMAR.

Porto Alegre (RS), 2009

17.
Amiga Poesia
Eliene Dantas de Miranda Taveira

Quando sonho desfeito.
Instala-se no amargurado peito
Sempre presente está
Solícita a consolar

Fiel diuturna companheira
Sensação agradável e calma
Quando a dor vem e se instala
Versos alentam a frágil alma.

O que era sonho e fantasia
Rabiscos surgem no momento
Transformando-se na bela arte: a Poesia

Às vezes, eu consigo versos rimar,
Mas quase sempre e com pesar
Não ouso a métrica lhe dar.

São Paulo (SP), 14/03/2010

18.
Emoção
Cida Micossi

Onde jogo esta emoção
Que me explode aqui no peito?
Emoção que não tem jeito,
Cúmplice da solidão

Sigo assim, sempre sozinha
À espera d’alma minha
Gêmea, que se fará presente
Tornando-me dependente

De um amor lindo e maduro
Que espero viver um dia
Enfim, entregar-me ao jogo
Da sedução e alegria

Juntar nossos corações
Em compasso sincronizado
E assim, com o meu amado
Vivenciar essa paixão

Santos (SP)

19.
Dia Nacional da Poesia
Sérgio Pandolfo

Grande Dia, o da Poesia,
deixa a todos majestosos
com os versos da alegria
ou dos fatos desgostosos

Neste Dia da Poesia
é preciso que se diga
da poética heresia
de comer pão com formiga

Belém (PA)

20.
Poesia
Silvia Benedetti

"És tu Poesia" o calor da minha vida
és chama acesa de um fulgor capaz
de iluminar o sendero onde a lida,
transcorra em harmonia e muita paz.

"És tu Poesia" o despertar radioso
das manhãs primaveris plenas de sol,
do entardecer, que vem tingir airoso,
no céu, lá no horizonte o arrebol.

"És tu Poesia" a terna companheira
dos momentos sombrios, de aflição,
me consolando com sutil maneira,
de enriquecer bem mais a inspiração.

"És tu Poesia" a noite em que a esperança
alimenta de anseios meu viver
devolvendo n'alma os sonhos de criança,
ao dia, que feliz, irá nascer.

Porto Alegre (RS)

21.
Salve, ó, Poeta - em Espírito e Verdade
Cantor de Infinito e Liberdade!

Áureo Filho do Condor!
(Ao Poeta dos Escravos!)
J.J. Oliveira Gonçalves

Castro Alves - Áureo Filho do Condor
Sonhavas sob o imenso céu de anil!
Na mente arguta: o ideário varonil
Herdaste da Mãe-Preta a acerba Dor!

Teu verso tinha Sangue, tinha Luz
Era o Tronco que gemia... que implorava!
Era a Vela que o Vento enfunava
Era ele Chama e Flor... Espada e Cruz!

Calou-se a Musa na nua flor da idade
Cingindo-te a mortalha a mocidade
Ceifado o verso teu não te calaste!

Se no Vôo Condoreiro a Alma alçaste
Fica a Lição de Amor e Liberdade
Tonitruante no azul da Imensidade!

Porto Alegre, 02 de janeiro/2004. 00h25min - HS
jjotapoeta@yahoo.com.br - jjotapoesia@gmail.com
http://transmutacoes.zip.net

22.
A Poesia de Uma Gaivota...
Joyce Lima Krischke

Dia Nacional da Poesia?
Mas o que fazer se as rimas adormeceram?!
Saí, sem rumo, pela praia, ao encontro das rimas...
Não as encontrei!
Entretanto, encontrei as gaivotas... (Eu as chamo de amiguinhas.)
Foi quando descobri que as gaivotas e os pássaros celestiais voam e voam... Para comer, mergulham no mar e alçam-se satisfeitos pelos céus, sem rumo definido.
Quisera ser uma gaivota flutuando no ar, voando sobre o mar, brincando com os peixes na superfície do oceano!

A noite chegou e a gaivota se afastou...
Para onde foi?
Não sei dizer.
Noite linda estrelada! Luzes... Muitas Luzes!
Cujo brilho reflete nas ondas do mar...
Ao longe, um grito da gaivota noturna, solitária.
Serei eu a gaivota?
- Não sei... Talvez...
Ah, quisera ser uma gaivota que passeia à noite em praia deserta, esperando o vento que traz a lua!
Eu, gaivota sozinha, aguardando o barco que volta com peixes...

Chega a aurora... Amanhece: novo dia!
Eu, gaivota, ainda na praia deserta, esperando gaivotas vindas de qualquer lugar: barra sul ou pontal norte.
O raio de sol me fez descobrir, hoje, que a gaivota é a minha musa-poesia.
Na galáxia onde estou somente há, em mim:
A Poesia de uma Gaivota... (Sem rimas!)

Balneário Camboriú (SC), 14 de março de 2010.

23.
Perdi-me na Poesia
Marly Feliciano Tamani

Não me perdi numa ilusão!
Perdi-me na existência
dos sonhos da poesia...
de asas livres
como braços abertos
querendo abraçar
de uma só vez
o céu e o mar,
a vida...
num impulso
usando as asas desse ideal...
Acreditei que tudo que amo
caberia na poesia
onde a vida se resume
e se define.
Perdi-me no abraço
de minha poesia
perpetuando assim
a glória de ser feliz!

São Paulo (SP)

24.
Outono: Óleo-Sobre-Tela!
J.J. Oliveira Gonçalves

É um óleo-sobre-tela meu Outono
Pintado pela Mão do Criador!
Texturas e nuanças... Abandono
No colo de um Remanso Multicor!

Outono... Colorida Partitura
Onde a Batuta rege Paz e Amor!
Acordes de um Opus de Ternura
Que faz do coração um Sonhador!

Outono da Amada que eu já tive
Que num jovem Outono me encontrou
Que em meu silêncio, ai, suspira e vive!

As folhas já começam a cair
E eu sou a desgarrada que ficou
À espera do irmão Vento pra partir!

Bela Estação do ano... Nostalgia
Teu outro nome, Outono, é... Poesia!

Porto Alegre, 16 de março/2010. 14h01min
jjotapoeta@yahoo.com.br - jjotapoesia@gmail.com
http://transmutacoes.zip.net 

25.
Sobre a escrita
(Para Vilma)
Odilon Machado de Lourenço

Com o sangue escrevo
Enumero meus eitos de loucuras
Reuno meus destinos na estação do longe
Em palavras apavoro teus olhos com meus olhos.

Porto Alegre (RS)

26.
Conviteamigo
Ana Teresinha Drumond Machado

Poesia é como se brinca
com pipoca,
como se brinca
de esconde-esconde.
Hora a palavra pula ...
Hora a palavra se esconde.

Poesia é como pula-pula:
palavras vão, palavras vêm...
Como se brinca na internet.
Você se escorrega, navega ...
Pega o voo e vai...

E quanto mais vagueia,
brinca, bule e pula, esconde,
mexe e remexe
mais lindos chegam
os versos.

Poesia é como sonho:
você voa, viaja, vagueia,
cria e recria
e quando menos
se espera... opera...
Já vem ela:
alteira... faceira... inteira
im-po-nen-te ...
a fazer parte da gente.

Vamos brincar de poesia?

Alvinópolis (MG)

27.
Ser poeta
Akasha De Lioncourt

Ser poeta é desvendar cada palavra com emoção,
Cada sentimento que invade com imensidão.
Ser poeta é conseguir traduzir a paixão,
Com volúpia, sem cair nas armadilhas do coração.

Poesia é a música que vem de dentro,
Escorre pelos dedos, pousa no papel.
Poesia é paixão, é sentimento.
É expressar o que nos emociona em cada momento.

Quem escreve sabe bem o que eu digo,
Pois não é fácil ser poeta,
Não é fácil expor-se em palavras.
Menos ainda sentir-se invadido, acuado.

Mas, também não é fácil ser humano,
Doar-se em emoções e sentimentos,
E ainda assim, fazemos isso a todo o momento.
Em nome do amor que buscamos

Esse amor que não compreendemos, não assimilamos,
Mas mesmo assim, intensamente ainda procuramos,
E que talvez seja apenas para compensar a sensação,
De que era o que faltava para completar o coração.

Bauru (SP)

28.
Castro Alves
Carlos Reinaldo

Poeta, tu és imortal,
das raças és defensor,
da natureza és fanal,
ouves do mundo o clamor.

O eco da tua voz brilhante,
soou forte e alvissareiro,
foste, entre todos, gigante
do movimento negreiro.

Tua luta descomunal
em favor da natureza,
mostra bem teu ideal,
sempre ao lado da beleza.

Cantaste bem o civismo,
mereces a gratidão;
poeta do naturismo,
redentor da escravidão.

Foste a voz da liberdade,
nos poucos anos de vida;
sempre fiel à verdade,
poeta: missão cumprida !

Conselheiro Lafaiete (MG)

29.
Doido
José Antônio Gama de Souza-Balzac

Dizem que o poeta é um doido.
Ele oferece estrelas à sua amada!
As estrelas... pasmem! (Ele as ouve)
E sonha mesmo poder tocá-las... e dá-las!

Beija as paredes das casas de sua cidade
quando chega de longe, saudoso.
Brinca de pegar a lua com os dedos
como se não tivesse crescido,
como se ainda fosse lúdica criança.

Sobe num monte e fica lá imaginando
que acaricia as árvores de um bosque,
que toca o céu, as nuvens, Deus!
Abraça o vento, dança na chuva...
Feito louco... feito criança.

Gosta de se sentar à beira de um rio
e tocar com os pés a suas águas
como se estas pudessem, por eles, lavar
todas as impurezas do mundo.

Encanta-se com pássaros e com flores,
sustenta vidas, canta dores e amores.

Perguntaram-me uma vez:
- Pra que serve o poeta?
Aliás, doutra me disseram:
- A poesia é inútil!
- É utópica e alienante como a religião!

É... mas ao vivificar os sonhos
ou tornar a realidade mais nítida,
desperta nos céticos e pragmáticos
questões como sua própria essência
de forma contundente e profunda!

E assim, o poeta continua doido,
como ícone de esperança e consolo
em sua sina de amar a loucura.

Oh! doce loucura de ser livre
na alma e no pensamento!
Livre como pássaro cujas asas
são a expressão pura do sentimento.

Sem limites, sem fronteiras,
(pre)conceitos ou barreiras.

Doido... doido mesmo
Doido sempre, por amor!

Leopoldina (MG)

30.
Ser Poeta
José Antônio Gama de Souza-Balzac

Ser poeta...

É ser muitos
E preservar-se.

É dissolver-se
E multiplicar-se.

Ser alguém que gostaria
Ser alguém que não gostaria.

Estar com alguém bem perto
Mesmo que bem distante
E nunca distante
De quem está perto.

Jamais estar só
Mesmo com ninguém por perto.

Sentir e sofrer
Mesmo que solitariamente
Ainda que não seja
Sua própria dor...

Amar intensamente
Viver sempre um grande amor...

Mesmo que virtualmente
Ainda que não seja
Seu próprio amor.

Leopoldina (MG)

31.
Parto
Marina Martinez

Dentro do meu ser há um feto.
Pressinto-o em seu movimento,
em suas manifestações sutis.

Percebo o crescimento num compasso
diferente daquele em que penso.
Cresce não apenas no ventre,
mas em tudo o que faço.

Não lembro quando foi concebido.
Apenas sei que germinou.

Está pronto para nascer a qualquer momento.

Procuro um lugar cômodo, conhecido,
coloco-me em posição de recolhimento
e sinto que está vindo ao mundo.

Percorre-me o corpo inteiro, atravessa o coração,
passa rápido pelo cérebro, num segundo,
não quer ser analisado- apenas apreciado,
e segue seu caminho.
Sinto-o no meio dos meus dedos, nascendo,
formando, letra a letra, verso e rima.

Trabalho terminado, parto concluído,
o nascituro em uma folha virgem aninho
e fico à espera de nova gestação.

Porto Alegre (RS)

32.
Metalinguagem Poética
Ana da Cruz

Que texto é esse flui livre
do sentimento mais íntimo,
um momento re/vivido,
cheio de rara beleza?

Poema.

O trabalho com a palavra,
com o sentido que ela produz,
com a forma que é colocada,
com a expressão que nos seduz.

Poesia.

O dom que Deus lhe deu, os seus poderes,
que ser é esse que lapida e traduz
e trabalha o sentimento em saberes,
repassados como raios de luz?

Poeta.

Dentro da minha concha alma, onde ermo,
mexo, modifico, tocado, vivo,
tendo íntimo contato com o verbo,
ao me desenvolver, falado ou escrito.

Humanidade.

33.
Poesia
Rosângela Coelho

Quão simples é a poesia
Como uma cantiga de ninar
Mistura o real e a fantasia
E nos conduz a sonhar

Quão bela é a poesia
Canta o amor e a natureza
Pode ser uma utopia
mas nos agrada com certeza.

Curitiba (PR), 20 de março de 2010 - 10:37hs.

34.
Roses
Léon Lambert

35.
Inconstante
Celso Corrêa de Freitas

Passos que passam
fazendo barulho
mãos que se apertam
em torno de embrulhos
bocas que se amassam
noutras bocas

Seios que se eriçam
ante o olhar de alguém
que louco de desejo
beira as raias da loucura
vivendo
da sua própria luxúria

Carros
que voam matando
a vida dos que vão levando
esta vida sem parar para pensar
no bicho que vai dar

(Publicado na coletânea "POESIA E LIBERDADE")

36.
A Poesia: Nosso Bem!
(Para o amigo escritor-sonetista- JJotaPoeta)
Joyce Lima Krischke

Por quem os sinos dobram - cantou alguém
Suas rimas são líricas: primorosas!
Poeta, seus versos são belos, também!
Suas musas têm charme, são formosas!

Sim, os sinos dobram pelo poeta
Dobram na tristeza... na alegria!
Bem disse: sua alma é inquieta
E, poeta, perde amores dia-a-dia!

Se hoje o céu está encoberto
Nuvens cinza... céu com melancolia
Voltará brilhar o sol outro dia!

Ah, poeta no Parnaso a poetar!
Voando em brancas nuvens com seu Bem...
Deixa na Terra Poesia: Nosso Bem!

Balneário Camboriu, 04/01/2008-01h25min

 

 

 

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Arte Joyce Lima Krischke
Formatação Rosângela Coelho
Exclusivo para CAPPAZ - Confraria Artistas e Poetas pela Paz
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CANTINELA (1a. Parte da Ária - Bachianas Brasileiras Nº 5)

Melodia: Heitor Villa-Lobos