8 DE DEZEMBRO - DIA DA JUSTIÇA
10 DE DEZEMBRO - DIA MUNDIAL DOS DIREITOS HUMANOS

 




16ª CIRANDA ESPECIAL
Comemoração
Dia da Justiça- 08 de dezembro
e
Dia Mundial dos Direitos Humanos- 10 de dezembro

Ressaltamos que Cirandas especiais, na CAPPAZ, eventos comemorativos às datas especiais, vêm crescendo significativamente. O crescimento numérico se mantém na mesma média. Contamos nesta Ciranda com 39 participações. Entretanto, a qualidade e o cuidado como são elaborados os textos devem ser comemorados e aplaudidos. Nossos agradecimentos ao confrade Flávio Martinez- Diretor de Divulgação por seu empenho na divulgação da CAPPAZ e das criações literárias e artísitcas de seus membros. Agradecemos aos participantes da 16ª Ciranda Especial:


-JUSTIÇA E DIREITOS HUMANOS-

Nosso convite foi aceito por significativo número de CAPPAZ(es), que apresentaram suas reflexões em prosa e verso e arte plástica.

Tratando-se de Ciranda Especial, que não consta do dispositivo regulamentar -Regimento que prevê a participação de todos os membros da CAPPAZ, como é o caso da ciranda mensal, apresentamos os parabéns aos participantes pela dedicação.

O tema desta Ciranda, embora seja de grande significação para a CAPPAZ, não é dos mais atraentes aos poetas, especialmente.

Assim sendo em nome da Diretiva Nacional-CAPPAZ e em meu nome apresento-lhes meus agradecimentos e meus sinceros aplausos!!

Alguns textos desta Ciranda já foram lidos, na Radiosol..

Deixo nosso agradecimento especial ao confrade Leonardo André, autor da música e letra que estamos ouvindo.

PARABÉNS CAPPAZ!!

(Durante o evento que será realizado no próximo dia 10/12, na cidade de Balneário Camboriú/SC, sede da CAPPAZ, serão lidos e distribuidos textos que integram esta Ciranda Especial.)



Abraço fraterno,

Balneário Camboriú, 08 de novembro de 2010.- 01h14min.

Joyce L. Krischke
Presidente Nacional CAPPAZ






PARTICIPAÇÕES


01.
Paz e Justiça Social: Direito ou Utopia?
J.J. Oliveira Gonçalves

"La justice sans force, et la force sans justice:
malheurs affreux!"
(Joubert - 1754/1824 - Pensamentos - Cadernos)

A vida é feita de dualidades. Portanto, há o ponto e o contraponto. Da mesma forma que a moeda tem duas faces. Que há o Bem e o Mal. A Treva e a Luz. E assim por diante. Não sou do meio jurídico. Poderia ter sido. Todavia, como ensina um velho dito popular: "O homem põe e Deus dispõe." Trabalhei 30 anos enquanto professor de sala de aula, no magistério público estadual. Durante todo esse tempo, não apenas minha consciência me diz que cumpri, dignamente, meu modesto papel de professor, mas diz, ainda, meu coração, que cumpri, de forma fraterna e amorosa, esse belo e escabroso papel que vim desempenhar neste Enigmático Plano Terreno.
Para minhas classes lhes levei conhecimentos necessários sobre nossa mui fascinante e, paradoxalmente, desamada Língua Portuguesa e, também, a beleza - em forma de Prosa e Verso - de nossas Literaturas Portuguesa e Brasileira. E quando estamos ministrando uma aula de Literatura, estamos, na verdade, falando à nossa platéia sobre Arte. Pois, Literatura é a Arte pela palavra. Assim como a Música é a arte pelo Som. A Pintura é a Arte pelo traço e pela cor, a Escultura é Arte pela forma, a Dança é a Arte pela expressão corporal, etc.
Feitas essa considerações, pergunto se o Direito não é, também, uma Arte. Apesar dos tantos ramos que o Direito abrange, o Direito é uma Arte. Eis que, em certos desempenhos, ele exige o bem falar - a Arte da Oratória. Além, é claro, de argumentação lógica e de um feeling notável. Enfim, competências de um advogado, de um promotor, de um procurador, de um juiz, enfim, de um jurista. Então, mergulhado num mundo de argumentações e de Leis, o Direito assume seu papel de Arte e deve buscar, na eloqüência da palavra e no amparo, não apenas legal, mas moral, o brilho necessário para ver triunfar a Justiça!
Este despretensioso texto é tão apenas tentativa acanhada de ensaio pelo mundo emaranhado e belo do Direito. Do Direito substantivo - eis que não existe a figura conflitiva do "mais Direito", "menos Direito". O Direito, simples e magnanimamente, é! E é assim que ele vai bater à porta da Justiça. Vai clamar por ela. Igualmente, vai exigi-la. O homem nasce nu. E o direito à Vida, à Dignidade, à Liberdade, por exemplo, já lhe está assegurado pelo Direito Natural. Com o tempo, esse homem pode tornar-se rico: em suas vestes, em seus bens, em seu dinheiro. Entretanto, essa riqueza toda que, inquestionavelmente, lhe torna poderoso, não pode cercear, por exemplo, o direito aos mesmos Valores que lhe asseguraram dinheiro e poder, a um deserdado da sorte, a um indigente, a um mendigo.
Infelizmente, quanto Sofrimento pelas ruas, pelas calçadas, pelas esquinas cinzentas e sombrias de nosso País? Aonde foram a Saúde, a Educação, o Salário, a Segurança Pública? Quem surrupiou o sagrado direito de manter corpo e mente sãos? De adquirir conhecimento e saber? De, com o suor (salgado!) do próprio rosto, ganhar um salário decente - ao invés de um apêndice populista e humilhante que corrompe e estimula à preguiça e ao não-fazer? De, na rua ou em casa, ter sua pessoa protegida do assalto, da mão assassina?
Homem-comum, nasci poeta. E um tanto filósofo. Faço muitas perguntas. A mim mesmo profundamente questiono. Minhas próprias respostas são desalentadoras. Tristes. Pessimistas? Creio que nem tanto... Realistas, sim. Nosso Brasil vem passando mal. Muito mal! Do Oiapoque ao Chuí! Com certeza, a Terra (continua) bela e generosa! Temos (ou tínhamos?) tudo, aqui. Mas a ambição desmedida e a falta de vergonha permitem a corrupção descarada, a orgia, a roubalheira, o empestamento do ar, a morte das águas, a extinção da fauna, a derrubada da mata! Crimes hediondos - em minha mui modesta percepção! O clima é de guerra. Sim! Uma guerra social escondida sob o tapete da dissimulação, da hipocrisia, do cinismo! As cenas que envergonham e deprimem, lá, no Rio de Janeiro mostra a inércia (conivente!) e a podridão instalada em palácios e casas legislativas - onde o tráfico de influência é o pior e o mais bandido de todos os tráficos!
O Câncer, na pele Verde-e-Amarela, começou a sangrar! O que pensarão governantes e legisladores sobre nosso inalienável Direito de sermos tratados como cidadãos brasileiros e trabalhadores? De termos acesso ao médico e ao medicamento? De freqüentarmos a sala de aula? De trabalharmos e recebermos um salário - e não uma demagógica e perniciosa esmola? De andarmos pelas ruas deste Brasil, degustando-as, sem medo? Cética e indignadamente, não acredito nem que cheguem a pensar nesses Direitos. Todavia, pensam e praticam sua vontade voraz e obcecada de nos explorarem - nos massacrarem com impostos, taxas e outros que-tais. Ardis e competências não lhes faltam em suas sórdidas tramóias!
Ah, Castro Alves, audacioso e eloqüente Poeta que cantaste a Liberdade da Raça Negra... Vê: para tua tristeza e a minha, a Escravidão, hoje, não tem Cor nem Raça! Simplesmente, é a Escravidão do homem pelo homem. Tivera eu teu brilho e tua Lira Condoreira, cantaria, dolentemente, um Réquiem à Servidão do nosso pobre e desprezado Povo Brasileiro! (Saudade do teu Condor a planar sob os Céus vestidos de Azul-Anil!)
"Paz e Justiça Social: Direito ou Utopia?" Inspirando-me, subitamente, em Shakespeare, diria: eis a questão! Tenho minhas respostas. Algumas já estão neste texto. Umas, metaforicamente. Outras, literalmente. Sei que todos temos respostas para a pergunta. O Direito existe. A Utopia faz parte. Falta a coragem para o embate de idéias. Ouvido para ouvir os clamores. Brioches não substituem o pão. Não há PAZ sem Justiça Social. Francisco - Santo e Poeta - nos traz e ensina uma Canção de BEM! E, em seu incondicional e fraterno AMOR, nos exorta à Igualdade - um outro nome para Justiça! Arthur - o Rei da Excalibur - não nos traz a Guerra: mas a Luta incessante e sagrada das Idéias para que se busque e se efetive a Justiça entre os homens! Enfim, se "Direito ou Utopia", cada qual responda segundo seu olhar - profundo e perscrutador - sobre a Vida, o Mundo, o Homem, alicerçado na Razão e na Consciência que seu senso de Justiça lhe permita, debruçado sobre o penoso e sombrio panorama sócio-político brasileiro.
Minhas palavras não têm compromisso com nenhuma cor política-ideológica. Tampouco se situam, geograficamente, na direita, esquerda ou centro. O que, deixando de lado, toda e qualquer modéstia que eu possa ter, seria explícito desmerecimento à minha pessoa, pois que, hoje, no Brasil, existem siglas que nada dizem e envergonham a chamada Arte de bem governar ou administrar o Bem-Público: a Política. Que os então Partidos Políticos jazem, quais fantasmas, em tristonhos e macabros mausoléus!
Dito isso, embora muito, ainda, para dizer, antes de assinar este singelo texto, ficam meus desejos franciscanos de PAZ e BEM. E este lembrete encorajador de Santa Paulina, quando, amorosamente, nos diz: "Nunca, jamais desanimeis, embora venham ventos contrários!"

Porto Alegre, 27 de novembro/2010. 00h11min - ha
Porto Alegre, 28 de novembro/2010. 11h33min - ha


02.
Queremos Paz e verdade
Diná Fernandes


Eu vejo a guerra vencendo estradas
Armas, como aves cruzando o céu
A vítima caindo com a vida diluída
Nessa visão de guerra, corpos ao léu

Mãe terra chora a rega sanguinolenta
O sangue empoçado do filho banido
A morte indesejada em tarde pardacenta
Pela mão cruel de um ser descomedido

No peito de quem fica, fica a esperança
Daqueles que cultivam o bem e a
Que se renovem registros de temperança
Abaixo as armas, erga-se a bandeira da Paz

Encontrar um abrigo livre do veneno
É o maior desejo da humanidade
E que as Leis cumpram-se em estado pleno
Que esbanjemos nessa vida, Luz, Paz, Amor e verdade.

03.
PAZ
Renata Rimet


Se deseja PAZ
Não esqueça ...
Dê o primeiro passo
Insista...
Invista na Solidariedade!

++++

Para cessar a fome, pão
Para cicatrizar feridas, atenção
Para ser feliz, união
Para amar, abra o coração
logo o pranto cessa e a tristeza finda
Perceberás que apenas o amor dignifica.

Salvador/BA

04.
ELA
Andrade Jorge

Criador em sua infinita e divina percepção da fraqueza de caráter dos seres viventes numa de suas tantas moradas do Universo Cósmico, previu a necessidade de haver Justiça, Equilíbrio e Harmonia entre eles. Assim nos primórdios da existência Ela surgiu. Ele em sua incomensurável Sabedoria a concebeu feminina, como deveria ser. Inseriu em sua natureza cinco essências vitais: Sensibilidade, Compreensão, Complacência, Tolerância e Amor. E por motivos que simples mortais não compreendem plasmou a fragilidade em sua estrutura. Lá estava Ela no limiar dos confins da Terra, a espera de um chamado. Até que seus sensores captaram os sinais vindos nas ondas do éter. Clamavam por Harmonia e Equilíbrio entre os seres. Preparou-se então, para uma solitária viagem. adornou-se da delicadeza, revestiu-se de bondade, iluminou sua natureza e partiu. Pequena, tímida, mas resoluta. Árdua caminhada a esperava. Logo no início Desertos intermináveis se apresentam à sua frente, e Ela convictamente vai atravessando, até que fortes tempestades de areia atiram-na em todas as direções. O vento ruge conclamando os grãos de areia a açoitá-la com mais vigor. Ela sente a força das chibatadas, mas segue em frente. Depara-se com Oceanos e Mares, sem hesitar mergulha nas águas profundas, ora tépidas, ora gélidas, balança no marolar das ondas, resiste as inevitáveis mudanças de humor de Netuno, e águas bravias lançam-na de Oceano a Oceano. Mas consegue a travessia. Prossegue o caminho, quando recebe a chuva, não chuva comum, mas um grande temporal. Trovões troam no céu, faíscas magníficas riscam o firmamento, num sonoro aviso ao iminente desfecho. E raios caem sobre Ela de todos os lados. Subjugada pela fúria das descargas elétricas, sente sua essência estremecer, mas recupera-se e continua. Ela não desanima. Mal sabe o que ainda está por vir. Mas descobre logo. Sua rota tem encontro marcado com os Vulcões do planeta. Ela não passa incólume. Os Senhores do suspiro do centro da Terra lançam sua incandescência, que infiltram em sua essência. Contudo, consegue absorver esse abraço letal. Retoma a viagem, às vezes pára e olha para trás, surpreende-se com o caminho já percorrido e os perigos passados. Surge as Selvas, Matas, Florestas à sua frente. Nestas plagas reina o paradoxo som do silêncio, no canto mavioso dos pássaros. A Fauna e a Flora contemplam com admiração a sua passagem. Aqui Ela encontra a Harmonia e Equilíbrio, essa calma única faz adormecer seu íntimo, descansa então, por breve fração de segundo. Segue a jornada e eis que avista o seu objetivo: a Urbe. Lá está a Urbe ao seu alcance, mas logo percebe que nuvens densas, carregadas, pairam sobre a humanidade, e o sol timidamente desponta aqui, acolá, alhures. Passeia entre os povos, recebe a alegria dos humildes que a clamaram. Sai então em busca das causas de tanto clamor. Repentinamente se vê em meio ao caos, guerra, conflitos, balas, mísseis, ponta de faca, explosões. O cheiro da morte. Ela rapidamente percebe que todo horror serve para acobertar escusos interesses econômicos, sangue de gente inocente girando a roda financeira. Vê a miséria assolando a chamada "civilização". Vê execuções com nome de guerra santa. Vê fanáticos explodindo-se e explodindo outrem, em busca do reino dos céus. Ouve choro e ranger de dentes. Vê insanos levando a juventude à insanidade. Vê sangue escorrer pelas ruas e campos. Procura então os homens poderosos, senhores da vida e da morte. Pseudo Senhores do mundo. É impedida pelos fantoches submissos ao poder, mas consegue ultrapassá-los. E frente a frente com os "donos" do mundo pede a eles que parem com a violência, pois os seres estão se matando e nem sabem o porquê. Como resposta recebe a ironia e o desprezo, risos ecoam pelos palácios e Ela sente o escárnio e humilhação. Nada consegue. Cansada e amargurada, impotente, retorna para os confins da terra. E tomada de súbita comoção e de uma estranha indignação, já que não é de sua índole, interpela o Criador:
___ Pai Celestial, Senhor do Universo, Criador do céu e da terra, por que me criaste? Acaso criaste-me para ser desprezada e humilhada? Passei por muitos castigos na minha jornada, mas segui adiante, contudo fracassei na minha missão. O que sou afinal?
E prostrando-se ao chão, quedou silente. E assim ficou, até que no céu um estrondo fenomenal agita as nuvens, parece que o firmamento funde-se com a terra. Ecoa no ar o som de trombetas divinais, e um facho de luz com matizes jamais vistas a envolve. De repente tudo se aquieta, o silêncio divinal. E Ela ouve o Criador:
___ "Filha amada não te criei para as agruras. Não te criei para o desprezo e humilhação, mas terá esse desígnio em teu caminho, porque dei o livre arbítrio ao seres da Terra. Tens a essência do bem que há de reinar sobre o mal. Não te foi imposta provações e castigos na tua viagem, na verdade os elementos foram teus benfeitores, segundo a própria natureza de cada um, assim os grãos de areia movidos pelo vento não te açoitaram, mas lapidaram a jóia rara que és, e burilaram o brilho da tua luz, as águas dos Oceanos e Mares não se revoltaram contra ti, renovaram teu espírito. Os raios que te atingiram era a energização que necessitavas e as águas da chuva lavaram tua alma translúcida. Os vulcões do Planeta não demonstraram ira, incandesceram tua luz para torná-la mais forte. A Fauna e Flora ofereceram descanso. Tudo fizeram para que pudesses bem cumprir tua missão. Tudo fizeram para que pudesses enfrentar o mais terrível dos animais: o Homem. E no meio do caos, guerras, conflitos, quando sucumbias milhares tombavam contigo, quando te elevavas centenas de milhares eram salvos. Conseguistes plantar no seio dos povos as sementes da Harmonia e Equilíbrio. O teu destino será perenemente este ir e vir, e por milênios continuaras, porque és a minha eterna e sagrada Justiça e Paz."


2000
Direitos autorais registrados Biblioteca Nacional

Diadema/SP

05.
Justitia Mater
Ana Teresinha Drumond Machado


"In his quae contra ratiomen juris constituta sunt
nom possumus regulam juris sequi."

Justiça! Não há maior que a divina,
a humana ora burla, ora se engana
por ações perpetradas na surdina
de míseros homens de mente insana.

Vendem-se cast’almas inonimadas,
Como animais - pelo teu puro sangue,
E sob teu peso, antes que vingue
rui toda culpa em lágrimas abafadas.

Oh, Soberana deusa da justiça
Tens em tuas mãos a imparcial balança:
Faze com que o direito ao grande
Julgue; ao pequeno, alcance e ande.
Por fim, no duelo da iniquidade,
Crave a lei à humana realidade.

Alvinópolis/MG

06.
TENHO CULPA; TENHO MEDO!
José Antônio Gama de Souza-Balzac


Penso nas crianças esquálidas africanas
Nas crianças sem norte, nordestinas
Nos pais ignorantes, nas sinas
Eu tenho culpa; tenho medo!

Penso nas mulheres com suas pernas abertas
Com seus olhos abertos, suas bocas abertas
Com seus sentidos fechados
Não tenho culpa; tenho medo!

Penso nos homens com suas contas cheias
Suas mentes vazias, seus sentidos tolhidos
Seus valores distorcidos
Não tenho culpa; tenho medo!

Penso nos políticos com suas idéias dissimuladas
Incapazes, corruptos, disponíveis
Néscios, falsos, insensíveis
Eu tenho culpa; tenho medo!

Penso nos índios, nos negros, nos velhos, nos fracos
Espoliados, discriminados, desassistidos
Desrespeitados e esquecidos
Eu tenho culpa; tenho medo!

Penso nos jovens, pobres sem oportunidade e instrução
Ricos sem limites e sem atenção
Estudantes sem rumo, sem noção
Eu tenho culpa; tenho medo!

Penso no povo enganado e nos seus sonhos
Em sua passividade, em sua docilidade
Em sua ingênuidade
Não tenho culpa; tenho medo!

Penso nos poetas, em seu sofrimento e decência
Em sua tristeza, em sua impotência
Em sua pureza, em sua inocência
Não tenho culpa; tenho medo!

Penso nos sábios e em sua consciente importância
Em suas teorias inertes, em sua arrogância
Em sua ignorância
Não tenho culpa; tenho medo!

Penso nos ricos e em sua egoística ambição
Em sua decadência, em sua desilusão
Em sua concupiscência
Não tenho culpa; tenho medo!

Penso na fome dos sem-teto das marquises e da periferia
Em sua sede de justiça, em sua paralisia
Em sua exploração, em sua exclusão
Eu tenho culpa; tenho medo!

Penso nas mulheres não amadas, mal amadas
Nas sem voz e abandonadas
Sufocadas, humilhadas
Não tenho culpa; tenho medo!

Penso nos homens sem trabalho, sem terra, desonrados
Em sua desintegridade, em sua indignidade
Em sua insalubridade
Eu tenho culpa; tenho medo!

Penso na humanidade e em sua idiossincrasia
Em suas crenças, preconceitos, doenças
Na pedofilia, na hipocrisia
Não tenho culpa; tenho medo!

Penso na sociedade e nos seus princípios rotos
Em sua moral dúbia, em seus mortos
Na atitude espúria, nos abortos
Eu tenho culpa; tenho medo!

Penso;
Não tenho culpa...
Penso;
Eu tenho culpa...
E tenho medo!
Então tenho culpa!
Então tenho medo!

Leopoldina, MG.

07.
A FACE DA VIDA (E DA MORTE)
José Antônio Gama de Souza-Balzac


Vê a terra que me nega
Vê a face que me nega
Vê a terra que me negas
Vê a face que me negas

Nega a face que me beija
Nega a terra que me beija
Nega a face que me legas
Nega a terra que me legas

Face a face com o beijo
Face à terra que me legas
Face a face com a terra
Face à face que me legas

Vê a face que me beija
Vê a terra que me beija
Vê a face que me legas
Vê a terra que me legas

Vê a morte que me legas
Vê a sorte que me beija
Vê a morte que me beija
Vê a sorte que me legas

Beija a fome que me beija
Beija a sorte que me beija
Beija a face que me beija
Beija a morte que me beija

Beija a fome que me espreita
Beija a sorte que me espreita
Beija a face que me espreita
Beija a morte que me espreita

Vê a vida que me negas
Vê a vida que me beija
Vê a vida que me espreita
Vê a vida que me legas...

Leopoldina, MG.

08.
NÃO NOS PREOCUPEMOS!?
José Antônio Gama de Souza-Balzac


Os pequenos das ruas
Dos sinais, dos morros
Dos cantos, das armas...

Eles têm que saber
Que não podem sonhar
Que não podem ter
Que não podem comer
O que vêem na tv.

Eles não deveriam estar aqui
Eles não deveriam existir
Eles nem nos incomodam
Eles despertam apenas piedade
Eles são apenas pedras no caminho de nossa indiferença
Eles são apenas palavras sem sentido em nossa filosofia
Quem os gerou são irresponsáveis

Drogados, marginais, criminosos e inconseqüentes!

Que os outros sejam, por eles, responsáveis
Não são problemas nossos
Não nos preocupemos!
Eles têm destino definido:

Drogados, marginais, criminosos e inconseqüentes!

Eles morrerão antes de viver
Antes, matarão os outros
Antes, seqüestrarão os outros
Antes, estuprarão os outros
Antes, roubarão os outros
Antes, incomodarão apenas os outros
Antes, violentar-se-ão.

Nada que nos incomode
Que preocupem os outros!
Que se preocupem os outros!
Não nos incomodarão!

Amanhã, tudo será como é hoje e foi ontem... (???)
Não nos preocupemos!
Não?

Leopoldina, MG, 18 de setembro de 2001.

09.
JUSTOS DIREITOS HUMANOS
Fernando Alberto Salinas Couto


Ó sublime deusa da Justiça,
eu sonho com o momento
em que tua precisa balança
e o reflexo de tua espada,
ao canto dos anjos no firmamento,
extirpem, da terra, toda cobiça,
com a plena paz implantada.

Ó heróis dos direitos humanos,
incansáveis e sábios lutadores
em prol da verdadeira igualdade..
hão de cessar todos os desenganos,
se, além dos direitos, os deveres
formarem os alicerces da felicidade.

SP-01/12/10

10.
Paulo Rodrigues


“Apesar das barbaridades que vejo
correndo em grandes passos nos noticiários
ainda acredito no Amor
e na Humanidade."

*********

Cidade Quase Maravilhosa
Paulo Rodrigues


Por que?
Te pergunto?
Oh, poderosos Senhores do Tráfico!
Senhores do adultério, senhores da devastação!
Pergunto o porquê das ruas solitárias.
O porquê do silêncio silenciado.

Cadê o a folia dos carnavais fora de época das crianças?
A alegria compartilhada na boemia carioca?

O Cristo Redentor não sorri
Chora o MEDO
Que habita os subterrâneos
Que invade as muralhas
Do inconsciente humano
Causando infortúnio
Eternos danos...
Adúltero total.

Sorocaba SP

11.
Mães que se Calam... Lágrimas Que Rolam!
Akasha de Lioncourt

Hoje deveria ser um dia especial, afinal, é véspera do dia das Mães, uma data excelente para ir ao shopping comprar um presente bem especial para aquela que nos dá sua vida nos trezentos e sessenta e cinco dias do ano. Entretanto, alguns filhos não poderão fazer isso hoje, e suas mães não têm qualquer motivo para festejar o domingo que chega...

Hoje, essas mães viram a ordem natural da vida se inverter, e preto é a cor que vestem, pelo luto da dor maior que é perder um filho... filhos estes que estavam cumprindo seu dever, trabalhando, com ou sem a farda que diferencia uma polícia de outra, e tiveram suas vidas ceifadas por uma força maligna oriunda de uma facção criminosa chamada Primeiro Comando da Capital... PCC.

O motivo? Retaliação... por conta de uma decisão governamental de isolar os líderes dessa organização a fim de anular as ações que vem acontecendo dentro das penitenciárias do estado.

E, por ironia do destino, isso acontece justamente quando muitos destes integrantes estão saindo em indulto para visitar suas mães, que, certamente, devem ser muito melhores e mais dignas de comemorar o dia quatorze de maio do que as mães dos policiais que eles assassinaram na noite de ontem. Estas mães terão que carregar consigo a dor de verem seus filhos serem baixados à terra, após uma cerimônia solene, aonde as bandeiras estarão a meio-mastro e uma salva de tiros será disparada em honra aos que partiram cumprindo seu dever de manter a lei e a ordem. E o final de semana está apenas começando!!! Será que virão mais surpresas por aí?

Qual a diferença entre essas mães? Não mereciam elas ter um dia feliz e de Paz? Não sei... nem questiono os desígnios de Deus, mas, de qualquer maneira, choro por essas mães que, neste exato momento, sofrem com a dilaceração do seu ser, vendo um filho ser sepultado.

Certa vez, ouvi uma frase que sempre me vêm à mente: “os pais não deveriam jamais ver seus filhos partirem antes deles”... e entendo o que quiseram dizer com isso... é doloroso saber que a dor irá se transformar em saudade, e essa saudade jamais será diminuída nessa existência, até que possam reencontrar-se além dos limites do perceptível pelos olhos humanos. Essa saudade é a que mais dói... a saudade que se iguala a sentir uma dor em um membro que não faz mais parte do corpo... essa amputação sentimental é de cicatrização longa e dolorosa, e deixa marcas permanentes.

Essas mães são verdadeiras heroínas, e merecem todo o meu amor, o meu respeito e a minha homenagem, bem como esses filhos que partiram de maneira tão violenta e repentina... filhos estes, policiais civis, militares, guardas metropolitanos, agentes penitenciários, que foram vítimas de um sistema governista que, durante anos, primou pelo sucateamento da segurança pública em um dos estados mais ricos desta nação.

Sim, foi exatamente isso que vivemos nos últimos doze anos: a cada ano que passa, mais aumenta a violência e os desmandos de quem vive do lado contrário às leis, e são eles quem se armam com dispositivos poderosos, enquanto a polícia vive com um salário medíocre, péssimas condições de trabalho, escassez de meios para que a persecução criminal seja levada adiante para a solução dos crimes, com ausência total de incentivo ao desenvolvimento de uma política de inteligência policial e, principalmente, sem o apoio da comunidade, que cobra providências que nem sempre são possíveis de serem cumpridas.

Hoje, quero dedicar esse texto, ou essa prosa poética, para as mães que estão neste exato momento chorando a perda dos seus filhos, ou mesmo das mães que também foram ceifadas nesse confronto, deixando filhos que chorarão sua ausência e sentirão a perda irremediavelmente. Quero rogar a Deus, nosso Pai Todo-Poderoso, que tudo pode e tudo vê, para preencher esses corações sofridos de amor e conforto para suas almas, pois não será fácil seguir adiante depois de tamanho trauma...

Mães que se calaram por força das lágrimas que lhes rolam pelas faces: nada no mundo poderá lhes trazer novamente o mesmo brilho no olhar que havia outrora, mas, ainda poderão sentir o calor de um novo tempo, que virá certamente, quando a dor mais forte for amenizada, e, mesmo que a saudade insista em latejar, trará consigo as lembranças que as fará recuperarem o viço nas faces e a força de vontade para caminhar.

É, hoje deveria ser um dia especial, e, no final, não o deixou de ser... mas, a entonação com que este dia foi ungido me leva a pedir que cada um faça um minuto de silêncio dentro de si mesmo, para refletir sobre um ponto muito importante em tudo isso que aconteceu nas últimas vinte e quatro horas: será que os Direitos Humanos só funcionam em mão única? Será que algum representante do Comitê de Direitos Humanos irá visitar as famílias desses homens e mulheres que lutavam ao lado da lei e foram mortos no exercício regular da profissão? A quem as vítimas do silêncio e da impunidade poderão chorar a sua dor?

Enfim, por quanto tempo ainda precisaremos chorar por essas mães que se calam para que as lágrimas rolem?

(sábado, 13 de maio de 2006).

(Dedico esse texto aos servidores públicos que tiveram suas vidas roubadas por conta de atos de impunidade, e às suas mães que, valentemente, choram e velam por seus filhos nesse momento de dor e tristeza)

São Paulo/SP

12.
Paz e Justiça
Marco A.Amado


Como anseio eu poder cantar uma canção,
E que ela transformasse o mundo.
Talvez possa ser simples quimera
Ou apenas de um simples rascunhador uma ilusão,
Queria que essa melodia,
Transformasse a mente dos oprimidos e de nossos dirigentes.
Se for necessário, gritarei e cantarei a esperança
Para que ocorra a paz.
Desejo que ela se enraíze nos corações
Não quero ser conhecido como semeador,
Nem protagonista da paz.
Pois apenas sou um simples devaneador
Que anseia que a paz supere conflitos,
Transforme ódio em reconciliação.
Quero que meus netos vivam
Num mundo onde a paz e a justiça prevaleçam
Onde não exista vencedor e nem vencidos
Talvez ela pudesse se iniciar agora
Se me acompanharem,
Mas somente com a certeza
Que encontraremos muitos empecilhos,
E também enormes sofrimentos
Pois não se fica impune por cantar a justiça e paz.
Mas fazer o quê!
Somos apenas devaneadores
Então cantemos em união
Mesmo que tentem aplacar nossa voz
Cantemos a esperança, a justiça e o perdão.
Vamos ao mundo demonstrar que somos capazes
Através de nossos devaneios
Que é possível a paz
E que ela não é simples utopia
Basta que haja simplesmente união e harmonia

Ocram 28/11/12

13.
Paz
Elio Candido de Oliveira


Constrói-se a passos lentos
Institui com carinho e acalantos
Provoca-a com o silêncio extenuado
A calma em resposta quando argumentado.

É estado de espírito
O tom da voz a não sugerir agressão.
Assim se evitar tanto conflito
Palavras que incita até mesmo a emoção.

Guerras é presença da intolerância
Da humanidade a falta de consciência
Paz surge da benevolência.

Traremos a nós pela humildade
Fartamos muitas vezes pela nossa
Paciência e até mesmo

“Paz não é ausência de guerra mas sim presença de amor”

Ibia -MG

14.
Espelho
BRitaBRazil


não há justiça
por não haver amor próprio

a guerra externa
é a interna

pesquise o homem
e haverá progresso

se importaram com números
e esqueceram a humanidade, vazia.
Tudo é hipocrisia

a paz externa
é a interna

tudo é ligado
numa só união

15.
Justiça, deveria ser divina
Lenir Castro


Justiça, vilipendiada
Desolada, perdida
No meio da confusão de um
Mundo cruel, competitivo
Isolado, mascarado, menor e
Desumano.
Justiça que forja
O direito de uns,
E consagra o direito
A outros,
Que nem tanto assim
O merecem.
Justiça que já foi
Verdade, mas que hoje
Se consagra tão falha, tão inócua
Desestrutura, desengajada.
De todo modo, clamamos por ti,
Clamamos por nossos direitos
Temos sede de ti e sabemos,
Que, muito breve, haverá em
Prol de ti, uma chuva e entendimento
Para que volte a ser nossa,
Conosco, lutando os nossos
Direitos, defendendo os cidadãos,
Nossos irmãos!

02/12/2010
Às 15:03
Niterói-RJ

16.
JUSTIÇA E PAZ
Neneca Barbosa


Desejamos um mundo renovado
Onde a justiça tenha uma medida
Para que exista a paz merecida
E o homem possa viver sossegado.

Ver a esperança nos sonhos da criança
Que caminha em busca da liberdade
Cultivando a semente da verdade
Para ter um futuro de bonança.

Vamos plantar no coração o amor
Acreditando que vai florescer
Em cada manhã podermos colher
Frutos da luta do nosso labor.

Unidos seguiremos na jornada
Confiantes na justiça divina
Com a luz do sol de cada matina
Que aquece nossa alma na caminhada.

João Pessoa, 02/12/2010

17.
Não Se Cala O Poeta
Sidney Santos


Poeta calado
É vida sem emoção
Triângulo de um só lado
Sangue sem coração

Com as mãos atadas
Apesar de tudo mantêm a fala
Continua a empreitada
O poeta não se cala

Enfrentando amarguras
Proibido o cantar
Na boca ataduras
Mas ainda sobrou o olhar

Por mais que lhe tirem a luz
A missão segue andamento
E o protesto conduz
Pois lhe resta o pensamento

Pensar, do homem a essência
Derrubando desigualdade
Jóia de alta valência
Empenhando por liberdade

18.
Eu Vos Desejo Paz
Pinho Sannasc


Ei, vinde todos!
Dai-me um abraço fraterno
Concórdia nunca é demais

Ser feliz implica denodo
Fazei todos o que vos peço
E eu? Eu vos desejo paz!

19.
Paz para a humanidade
Pinho Sannasc


O sorriso de uma criança
Adoção, uma linda doação
Pra um órfão é esperança

Nobre gesto de bondade
Um lar que o fará desejar
Paz para a humanidade

20.
ACRÓSTICO
Silvia Benedetti


J-ustiça!
U-m nobre, belo e sublime
S-entimento que irmana,
T-razendo à tona o fraterno,
I-ndiscriminado, equanime,
T-ecendo arpejos de luz,
I-ncentivando ao bom e ao certo
A-s sendas da humanidade.

Porto Alegre

21.
O Abuso de Poder Faz a Justiça Injustiça
EstherRogessi.
Prosa Poética.

O que é justiça?

Pense e medite comigo, para injusto não ser.
É o correto, a ética e a moral, de tudo enfim, o equilíbrio;
é o supremo poder, do poder não é abuso.
O certo, será sempre certo, porém, vemos muitas vezes, o abuso do poder, perverter a justiça.
Advogados, por dinheiro defendendo, colocando em liberdade, quem muitas vidas tirou. E, ainda chamamos a esse senhor: doutor.

Perigosos criminosos, libertos para matar, estuprar e vender drogas, aterrorizando quem solto está.
Por símbolo, uma balança: Imagem do equilíbrio.
Um juiz equilibrado, empunha uma arma na mão, espanca e tira a vida, de um pacato cidadão; outro juiz bate o martelo, depressa encerra a questão: condena um inocente, e, o manda para a prisão. No convívio, com marginais, conhece de perto o inferno. Perde bens e família, também a visão. Depois de tudo perder é posto em liberdade, para na rua viver.

O abuso do poder gera a injusta justiça.Quero só entender: é crime a cumplicidade, acobertar o crime é crime.
Porém, o mau uso do poder torna tudo legalidade. A verdade se torna em mentira, e, a mentira em verdade!

Seccional Recife-PE

22.
A bala perdida pode te achar
Roberto Bordin


Tu sentes medo
Eu sinto medo
Uma bala perdida
Pode te achar
Caminhas
És um alvo móvel
A bala procura
A mim
A ti
A criança
Alguém
Não importa quem
E ficamos acuados
Trancamo-nos
Nas casas
Nos apartamentos
Prisioneiros do medo
Do nosso medo
Eles estão tomando
As ruas
As avenidas
As praças
A nossa vida
Eles estão soltos
À vontade
Matando inocentes
Cuspindo na lei
Execrando a Jusitiça
E nós presos
em nossas salas
em nossos quartos
janelas fechadas
não vendo o sol
quadrado ou redondo
Começam os tiros
Só nos resta rezar..
Para aquela bala
não nos achar.

Gramado-RS

23.
"Árvores da Justiça"
-em acrílica sobre eucatex-
Tânia Maria de Souza



(Essas duas árvores gêmeas lembram, de certa forma, o equilíbrio, a balança- símbolo da Justiça, além do que as árvores representam abundância, a que todos têm direito.)

Balneário Camboriú/SC

24.
O Sonhar De Um Mundo Melhor!
Deomídio Macêdo


Em uma das casas do Pai Celestial - Planeta Terra!
Vislumbro ao longe através do sonho, em várias dimensões, tudo o que ocorre entre os habitantes de diversos credos, etnias e classes sociais.
Vejo homens bombas se explodindo e matando em nome de Alá;
Assaltantes planejando seus crimes audaciosos;
Mulheres e médicos ceifando vidas indefesas através do aborto em clínicas clandestinas;
Pessoas adentrando pela porta falsa e enganosa do suicídio, querendo fugir da vida que é eterna;
Policiais dignos e outros corruptos, que maculam a classe de trabalhadores do bem.
Palacetes esplêndidos que nascem ao meio das favelas, demonstrando as disparidades sociais;
Rapazes que agridem pessoas de bem, em plena rua, sem nenhum constrangimento, praticando o preconceito;
No meu sonho percebo jovens sendo destruídos pelas drogas: tabaco, alcoolismo, crack...
E nesta visão observo, também, missionários do bem trabalhando na vinha do Senhor, enxugando lágrimas, curando feridas do corpo e da alma, estabelecendo a Justiça dos homens baseadas na Justiça de Deus que é imutável.
No meu sonho uma câmara especial me leva a focalizar um personagem importante.
As imagens mostram cenas de minha vida. Cenas boas e tristes, episódios que retratam um emaranhado de coisas negativas no meu coração por causa das minhas imperfeições.
O que eu tenho feito para mudar este quadro, para melhorar este Planeta, para ajudar meu irmão?
Para a minha transformação, a evolução do meu irmão e a melhoria deste planeta, é preciso colocar em prática os ensinamentos do Cristo: fazer o bem, colocar no lugar do outro, dessa forma, estarei contribuindo para um planeta melhor.
A Justiça Divina está nas nossas consciências, e dela nunca poderemos fugir!
Ao refletir e entender a minha grande responsabilidade perante a vida, com Justiça e Direitos Humanos para todos, gritarei:
“Gloria a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”.


25.
Direitos Humanos
Sônia Rêgo


Foram cartas e outros mais
Documentos confusos e especiais
Mas por fim foi confirmado
E em bom momento declarado
Direitos Humanos confirmado.
Desde 1948, já com 62 anos
Não tão bem executado
Mas nossos direitos estão
Cada dia mais explanados
Conquistados
Agora meu cidadão
Venha nos dar a mão
Juntos na caminhada
De uma vida mais perfeita
Vamos agora a colheita de
Tudo que foi plantado.

RJ/12/2010

26.
Dia da Justiça- Dia-08/12.
Sônia Rêgo


Virtude que inspira o respeito
Aos direitos de outrem.
Em todos os momentos da vida
A justiça se faz presente
E por ser assim tão ampla
Nossas ações são justas
As leis das mais variantes
Julgam imparcialmente
Para honrar a justiça

Que neste dia da justiça, os homens detentores
do poder saibam que eles devem respeitar
a Constituição e As Leis de seu país e
dar exemplo aos jovens e as crianças.

RJ/ 12/2010

27.
O Direito dá o direito
Haydée S. Hostin Lima


A palavra Direito
não tem a doçura poética
da palavra açucena.
Mas é com o Direito
que temos o direito
de ver açucenas
(e as tristezas)
das praças e das ruas

E

alcançar o povo
a falar aos muitos ventos
o quanto voaremos em azul
para vestir
a justiça e a liberdade.

Santa Maria-RS

28.
GUERRAS
ou
Visões particulares de Justiça e Direitos Humanos
Marina Martinez


Em todos os conflitos surgem notícias.
Falam de Direitos Humanos e Justiça.

Dizem que a História sempre
é escrita pelos vencedores,
por isto é unilateral em sua verdade.
Os pratos da Justiça, vendada,
pendem para os que historiam primeiro.

Pergunto: o que é Justiça?
Quem determina os Direitos Humanos?
Por que chegam, quase sempre, tarde?

Paz? Apenas um intervalo
entre a guerra de ontem e a de amanhã.
Não importando seu local,
sempre há estragos, perdas, dores.

Depois dos combates, pura dor,
quem irá oferecer respeito, lenidade,
confiança para os perdedores?

Vitória é feita também de derrota
e toda derrota contém muita vida,
e, a cada dia, outra cruz no chão brota,
marcando mais uma esperança traída,
chama sobrepujada que não mais arde.

Vitoriosos estarão comemorando.
Alguns, com dor; outros, sem pudor.
Resta perguntar o que brindam.
Talvez por serem vencedores.

Não importa idade nem lado,
algo todos perdem. Até a alma.

Cada soldado ou civil aniquilado
é apenas mais uma peça subtraída
do xadrez chamado Humanidade,
onde há justiça de todos os tipos
-mulheres apedrejadas ou enforcadas-
afinal isto é justo, previsto em lei,
e direitos humanos para criminosos.
Como água no deserto, Direitos preciosos.

As vítimas? Seguem numa terra sem rei,
amparadas por justiças particulares e cegas
e com direitos quase humanos,
feitos por alguém que se acredita certo.

29.
Reflexão
Flavio Martinez


Justiça é a lei da moral e do cumprir com dignidade cada qual seu dever.

30.
Sobre a justiça
Odilon Machado de Lourenço


Há justiça para o pescador, para o mar não há justiça!
Há justiça para o campesino, para o sangue não há justiça!
Há justiça para o cego, para o sonho não há justiça!
Há justiça para o lanho da carne, para a marca deixada não há justiça!
Há justiça para o petróleo, nos desertos não há justiça!
Há justiça para o proletário, para as fumaças no mundo enfunadas não há justiça!
Há justiça no Plutônio, para o átomo louco não há justiça!
Há justiça na guerra, para a fuga migrante não há justiça!
Há justiça nos muros, para os territórios não há justiça!
Há justiça na cor da tarde calma, na imensidão da noite não há justiça!
Há justiça nas leis, na cara da vida não há justiça!

31.
Sem Justiça não há paz social
Karina Salerno Gonçalves


A sociedade da desigualdade é a sociedade de cada um. Ninguém enxerga o outro, ninguém vê o sofrimento que o rodeia, ninguém se comove com a dor alheia.

Mas como querer a paz enquanto o outro sofre na esquina, enquanto o outro rouba para alimentar um filho que chora de fome, enquanto o outro se sente agredido por mendigar aquilo que há muitos sobra, enquanto o outro se vandaliza, se marginaliza para manter sua sobrevivência??

Quem pode entender que tem que viver na miséria enquanto o vizinho mora em uma mansão, que assistir aos entes queridos sofrendo na fila aguardando atendimento em um hospital é normal, é da vida... que fugir de bala perdida é rotina do dia a dia, que perder um filho para a milícia ou para as drogas é apenas uma questão de tempo??

Os espíritos inquietos não se podem consolar com situações tão bárbaras. As mentes mais aguçadas sabem que não é possível conquistar a paz sem perseguir a justiça. A justiça tem que tornar os desiguais mais iguais, tem que ser capaz de incluir os excluídos, tem que dar voz àqueles que nunca tem vez e equilibrar os dois lados da ‘balança’ social.

O mundo não pode mais viver dividido entre aqueles que têm tudo e aqueles que nada têm. As pessoas morrem por toda parte, de fome, de doença, de violência, mas também morrem de exclusão, de desigualdade, de falta de justiça. As pessoas todas querem ser seres humanos, criaturas dotadas, acima de tudo, de dignidade. Mas dignidade só é possível quando a todos estão garantidos os direitos mais elementares à manutenção da vida.

Seremos todos dignos quando houver saúde, educação, trabalho, moradia, lazer e felicidade possíveis de maneira indiscriminada. O homem nasceu apto para buscar sua felicidade, mas a sociedade lhe obsta cada vez mais esse propósito, amputando-lhe aos poucos o espírito humano, tirando-lhe seus direitos mais sagrados e brutalizando sua essência. A lógica não é capaz de explicar como pode haver paz e harmonia quando tantos têm em suas mãos praticamente tudo enquanto a esmagadora maioria está de mãos vazias. O respeito aos direitos e à dignidade do outro só se realiza quando vejo no outro um igual. Se meu direito é lesado e minha dignidade maculada, como posso respeitar ao outro que me agride com sua ostentação, à sociedade que me aleija de meu espírito humano??

A justiça tem o dever de estar em defesa da sociedade, como um todo. Deve ela buscar promover e proporcionar o justo para cada um, mas, sobretudo, para a sociedade, amparando e sendo porta-voz daqueles que ainda são excluídos, discriminados e que estão à margem das condições mínimas de manutenção da dignidade humana. Sem justiça não pode haver paz social, pois sem ela o bem comum não pode ser alcançado e persistirá existindo a distinção entre seres humanos e seres ‘desumanos’.

POA, 08 de dezembro, 2010 – Dia da Justiça.



32.
O Dia da Felicidade
(Justiça e Paz)
Kátia Pérola


A paz irradie neste planeta chamado "Terra"
chegue em força, união e solidariedade
E as promessas divinas de esperanças
se propaguem e realizem com amor
nos lares, de braços abertos e sonhos mil...
Do firmamento estrelas de prata são velas
reluzentes iluminando toda a gente
Contaminando, os mais duros corações
que a paz se expanda com magia e encanto,
nos olhos de cada um de nós e persevere
a esperança com a semente do amor
Surja o dia da felicidade com justiça e dignidade
Sobre o povo e os filhos desta minha e tua,
grandiosa nação.

33.
Partido do direito humano
Alzira Souza


Quisera eu fazer um partidário
Então seria dessa forma.
Vamos à lista dos candidatos
Antes que mandem caçar
Todo esse mandato
Verifique esse fadário.

Vereador: feijão
Prefeito: azeite
Governador: pão
Presidente: saúde
Senador: educação.

Todos seriam eleitos
Mais esse é apenas um sonho
Não pode ser desse jeito
É fruto da minha imaginação
Todo voto é computado
O meu seria mais um anulado.

Não teria nenhum poder
Ele seria uma cadeira vazia
Pois não basta o querer
Essa é a verdade dura e fria
Não é direito do cidadão
Diante de tamanha jurisdição.

É apenas meu protesto
Diante de tanta fatalidade
Se juntos fizesse seu manifesto
Não teria tanta mortandade.

A saúde seria prioridade
Para todo brasileiro.
Não teria a fatalidade
Que vive o Rio de janeiro.

Criciúma/SC

34.
Canto de Paz
Letra e música- Confrade Professor Leonardo André

(Plano de fundo musical da Ciranda)

35.
Sonho de Justiça
Gislaine Wachter


quisera ter o poder...
nem que fosse por um momento
de transformar o mundo
com justiça amor e fé
e como por milagre
criar uma vida melhor
sem diferenças sociais
com paz consciência e felicidade
com respeito carinho e dignidade....

Blumenau/SC

36.
Paz e Justiça
Kátia Pérola


Tendo muitas formas a se configurar.
das inteligências vem a se formar
Direitos a quem devem se concretizar,
na certeza que a paz vem se firmar

Não se doa a justiça,
ela provém em nome pessoal
da sociedade organizada na forma legal.
Assim no momento real sua presença se fará.

Direitos dos humanos a se proclamar.
É básico, estruturas do bem viver
que a todos é fornecida de modo peculiar.
No mundo a vida se tornará um grande prazer.

Para reafirmarmos a paz,
inteligência e sermos perspicaz,
de combates já sabemos demais
que sem vencedores só há derrotados.

Se só a justiça gera a paz esperada,
a paz é a justiça sendo real e bem executada

37.
O Direito e Justiça
Carlos Reinaldo


Entre o DIREITO e a JUSTIÇA
há uma grande diferença:
o DIREITO traz a liça,
a JUSTIÇA traz a crença.

Quem da JUSTIÇA precisa,
o recurso é o DIREITO;
aquela é sempre concisa,
este nem sempre dá jeito.

Muita injustiça sofri,
sob a égide da LEI,
paradoxo senti
e vítima eu me tornei.

O DIREITO é cego e surdo
aos clamores da JUSTIÇA;
este grande absurdo
tem como causa a cobiça.

A JUSTIÇA é divina,
o DIREITO é soberano;
a mentira é a ruína,
ameaça o ser humano.

Assim, diante da LEI,
todos nós somos iguais
e por isso proporei
as verdades capitais:

Propor sempre o que é certo.
Favorecer a Razão.
Desconfiar do esperto
e propor a BOA AÇÃO !

Lafayette – 08/12/2010.

38.
Justiça de Platão e Aristóteles
Joyce Lima Krischke


A justiça é a exigência
De respeito à personalidade
de cada um, de todos na existência
E para todos a igualdade.

Homem de qualquer raça, credo ou cor
É legítimo em seus próprios atos.
Sim, homem reconhecido: senhor
Ator desencadeante dos fatos.

Aí estão Equilíbrio e Harmonia
Fundamentais à Justiça de Platão.
Aristóteles além da harmonia...

Traçou o binômio com precisão:
Justiça manifesta Igualdade
E manifesta Personalidade.

Legado ético do passado
E hoje nem sempre observado.

Balneário Camboriú/SC, 08 dezembro de 2010. 03:22
- Dia da Justiça-











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