7ª Ciranda Mensal CAPPAZ

Não há caminho para a Paz, a Paz é o caminho.

 

Agradecimentos

A Paz é a Essência da Compreensão!
Sem essa Compreensão não existirá Paz!
Uma Compreensão que, em sua complexidade, deverá ceder aos Sentimentos.
Sentimentos de Solidariedade, Fraternidade, Igualdade, Liberdade – Amor!
A Paz é essa Utopia Universal que, por interesses eivados de Ambição e de Poder, por isso mesmo se encontra, lá, no Reino da Utopia.
O coração humano é fraco. E sucumbe ante o Materialismo ilusório e fugaz do dinheiro e do Poder. Ele é volúvel. E por demais vaidoso e arrogante.(Não é feito o coração animal!) A Alma humana, ainda que os séculos passem e os milênios, é de difícil aprendizagem. Imprevisível, quanta vez nos surpreende, nos choca, nos violenta. Má aluna no Plano Astral. Pior, ainda, neste Plano extremamente difícil, misterioso fugaz e terreno. Ambiciosa. Vaidosa. Invejosa. Na História Universal, vemos pegadas, rastros miseráveis de atos bárbaros da Alma humana em sua trágica Caminhada pelo Planeta- Azul. Quanta atrocidade! Quanto pecado! (Ah, a Alma humana não é feito a Alma animal!)
No encerramento desta Ciranda CAPPAZ, cujo tema é aziago e cético, venho agradecer a presença de cada CAPPAZ cirandeiro(a). Agradeço a cada fala pelas crianças que a brutalidade da bomba assassina matou. A cada criança que a execrável Patologia do Poder aleijou! A cada criança que a perversidade humana deixou sem pai, sem mãe, sem Família, sem Nada! A cada criança, enfim, que teve roubada sua Infância e, por terra, seu Futuro! Na oportunidade, deixo um agradecimento especial à Estimada Confreira Regina Coeli que, amorosamente, fez a introdução da ciranda e a coordenou. Igualmente, à Estimada Confreira Ilka Vieira que, também amorosamente, nos brindou com sua bela arte!
Queridos(as) CAPPAZ(es): quem somos? Somos pessoas. Somos gente. Somos corações guiados por um Criador que não nos criou para que nos matássemos! Mas, para que nos amássemos! Somos Almas – Girassóis feitos de Amor seguindo, sempre, os Rastros esclarecedores da Luz! E, ainda que sejamos tão poucos e mesmo possamos parecer pequenos e quase anônimos – diante do Sem-Fim do Universo – ainda assim cada uma de nós é um Ser Fraterno que, de forma mui singela, busca fazer a sua parte: através da Palavra, da Idéia, da Poesia, da Arte, do Trabalho, enfim, do jeito CAPPAZ do dizer e do fazer!
Mais uma vez, obrigado! Que o Espírito do Pássaro Fernão teça loopins de Luz e Sabedoria nos Sonhos de Encantamento de cada Confreira, de cada Confrade. Mas, principalmente, nos momentos mais difíceis do cotidiano de cada Irmã e de cada Irmão desta nossa Confraria ainda engatinhando em seus 10 meses de frutífera Existência!
Não poderia deixar de dizer, ainda, que a escolha que fiz do fundo musical foi proposital e, acredito, sim, adequado ao tema e ao momento inglório: A Lista de Schindler... Afinal, a trágica e deletéria ação dos desejos belicistas continua... A Lição do Amor não foi apreendida. Por isso mesmo, a Lista apenas passa de uma mão para outra... O Sofrimento e a Dor apenas mudam de personagens, de endereço... Porém, dia virá em que Deus - cansado de chorar seus Mortos! - extinguirá tal Lista! Nesse Dia, com certeza, o Criador repensará sua Obra-Prima – a quem Ele chamou de homem e que, (com entusiasmada Fé!), chegou mesmo a pensar que mereceria ser considerado, não Anjo, mas... Sapiens!


Presidente CAPPAZ/Nacional

Porto Alegre, 27 de janeiro/2009. 18h – HS

INTRODUÇÃO

"Não há caminho para a Paz, a Paz é o caminho."
(Mahatma Gandhi)
 

Atendendo ao solicitado pela Presidente-Fundadora Joyce Krischke, represento, com muita honra, o Presidente-Nacional e Amigo, o Poeta e Homem-Comum, JJota Oliveira Gonçalves, na abertura desta que certamente será uma ciranda da qual jamais nos esqueceremos — uma ciranda tingida pelo sangue do despropósito de mais uma guerra!

O avanço tecnológico nas comunicações permite que se acompanhe, em tempo real, o que acontece pelo mundo; e o horror de mais uma guerra agride, oprime e entristece, principalmente quando vem ilustrado pelas expressões de pânico e pesar nos olhos dos que ainda sobrevivem, especialmente as crianças.

Não há de ser o mesmo aquele que sofre com os efeitos dos pesados bombardeios na desconstrução material dos lugares, no desmonte dos sonhos, mas, principalmente, no estilhaçar desarrazoado das esperanças, em especial as mirins... Crianças que fomos, sabemos bem o que significam os brinquedos e os risos que descambam para gostosas gargalhadas. O riso é o troféu da infância, marca que atravessará os tempos, sempre sentida, porque impregnada...

Que risos têm as crianças palestinas? Ainda terão casas para morar? Onde estarão seus pais? Mortos? Como estarão os corpinhos dessa crianças? Mutilados? Que realidade insana é essa que desrespeita o sublime direito de uma criança de brincar e de sorrir? Como se sentem os que investem contra a pureza das brincadeirinhas infantis, munidos de bombas e outros artefatos homicidas? Quais as suas irrefutáveis razões?
Eles, por acaso, as têm?

Confrades e Confreiras, se me permitem, as razões que levam às guerras, se as existem, são NADA frente ao horror que esses desatinos provocam. E os que, um dia, foram massacrados e sentiram na carne o pavor da guerra ou os que herdaram de sua história as marcas desse estigma, hoje estão na posição inversa: fazem a outrem o que lhes foi feito... E pensam estar certos... Orientam-se pelo poder, e pelo poder são apoiados...

Deixo-me invadir por todo o pensamento de Gandhi, bastião da Paz para toda a Humanidade: "Olho por olho, e o mundo acabará cego"; e "O futuro dependerá do que for feito agora". Se vivo fosse, talvez Gandhi não se horrorizasse tanto com o que ora vemos, porque as atrocidades sempre aconteceram, e elas também massacraram a sua gente e os seus ideais de Paz. Entretanto, com as conquistas tidas pelo homem, muito provavelmente Gandhi se entristeceria ao perceber que ainda são muitos os que não conseguem ver o que ele tão bem viu: que as grandes conquistas acontecem no nosso interior, ao valorizarmos o que efetivamente deve ser valorizado; ao perseguirmos o que precisa ser perseguido e conquistado.

E o que viu e sentiu Gandhi, que tombou pelas mãos da violência que tanto repudiou? Que o sentido da Paz estaria no caminhar pelas aléias enfeitadas com as flores coloridas e absolutas do Amor, porque ele, Gandhi, o tinha, ao Amor, como a única e mais eficaz arma para vencer o adversário e resolver os impasses.

É preciso Amar! Mas ainda não é o que acontece, para temos uma humanidade mais justa e mais igualitária; direitos são desrespeitados... Mas que direitos, se no caso preciso desta guerra as famílias são esfaceladas, os sonhos desfeitos na poeira das bombas e nos destroços das casas e dos corpos voando pelos ares?... Como o homem pode fazer isso a um seu irmão?
Que homem é esse que não reconhece que tem direito à vida um outro que lhe é bastante igual? Que conceito de VIDA tem esse homem? Que homem é esse que nada teme?

Confrades e Confreiras, como cidadãos do mundo, as guerras nos atingem também. Somos uma grande malha e, se um fio dela sofre um abalo, todos os demais podem sentir... Se alguém morre, podemos morrer um pouco, também...

Ao crermos numa grande corrente que une toda a Criação, da qual somos elos, que desenvolvamos o Amor em nosso interior, trabalhando o dia-a-dia das nossas relações com nós mesmos e com os nossos semelhantes. Ao acreditarmos que tudo de bom poderá se propagar pelos demais elos, engrandeceremos nossa passagem pela Vida, fazendo jus ao direito a nós concedido de dela desfrutarmos em toda a sua beleza, mas que os horrores da guerra e da incompreensão, pelas mãos de insanos homens, insistem em matar...

Mas eles não vencerão, porque temos, sim, Esperança de que a Humanidade, a cada dia, esteja se soerguendo com os seus mais verdadeiros valores, a sua verdade, calcada unicamente nas leis do Amor e da Fraternidade. E, como disse Gandhi,"Não devemos perder a fé na humanidade que é como o oceano: não se suja porque algumas de suas gotas estejam sujas."

Pilares da nossa CAPPAZ, convido-os, Amigos Confrades e Confreiras, a se unirem aos que já deixaram o seu sentimento, por escrito, ao que de triste vem acontecendo no Oriente Médio (e em tantos outros rincões, em diferentes formas de guerra, destruição e desamor).

Venham, Amigos, façamos uso da palavra, porque ela tem a magia de voar no espaço e no Tempo... Escrevamos (quantas vezes quisermos), CAMINHEMOS EM PAZ com ela, porque é dever dos que escrevem e dos poetas defenderem a Vida e denunciarem o mal que é feito a Ela. Venham, há rosas para todos, rosas de Fé com doce perfume, porém maculadas pela dor e pela tristeza dos que se acham entregues a uma sorte regada a sangue, barbárie, ódio, cegueira e incompreensão; especialmente as crianças, cujo amanhã é obscuro e inimaginavelmente difícil, porque, em vez de risos na alma, já estão marcadas pela Dor!

Venham, Amigos, vamos caminhar juntos semeando palavras de Amor e do Bem, e já colhendo PAZ, porque...

"Não há caminho para a Paz, a Paz é o caminho."
(Mahatma Gandhi)

O meu abraço fraterno a todos.
Regina Coeli Rebelo Rocha
Presidente Regional-CAPPAZ-Rio de Janeiro/RJ

RELAÇÃO DOS PARTICIPANTES

01. J.J. Oliveira Gonçalves
02. Regina Sant´Anna
03. Regina Coeli
04. Humberto Rodrigues Neto
05. Cida Micossi
06. Kedma O´liver
07. Marco A. Amado
08. Rosa Athanásio
09. Sidney Santos
10. Ilka Vieira
11. Milton J. Pantaleão
12. Marina Martinez
13. Marli F. Tamani
14. Lenir Castro
15. Ana Teresinha Drumond Machado
16. Pablo Silveira
17. Eloísa Antunes Maciel
18. Joyce Lima Krischke
19. Gislaine Wächter
 

PARTICIPAÇÕES


01.
A Guerra!
J.J. Oliveira Gonçalves

A guerra dói... destrói... avilta... mata!
E ao próprio Deus inflige Sofrimento!
No coração da mãe: luto, lamento!
Que à Alma materna acerba Dor maltrata!

A guerra afia as garras... e sua boca
Escancara e devora a Humanidade!
Nódoa, crime, ambição, calamidade!
Mata Amores e Sonhos – fera e louca!

E vai, segue o bicho-homem – deletério
Edificando o Caos dentre os destroços:
Rega fantasmas a sangue! Colhe ossos!

Vertiginoso o mundo – fria Babel
Caminha para o Nada! E em seu papel
A guerra faz da Terra cemitério!

Porto Alegre (RS), 17 de junho/2005. 09h52min.

02.
Insanidade
Regina Sant´Anna

A guerra no Médio Oriente inicia o ano
Terra, céu e mar choram sangue derramado
O ser humano é outra vez dizimado
Consumido no poder dúbio e insano

O poder não tem medida de sua fome
Aos inocentes corrompe e consome
Pretere a vida em lugar da morte
Age sorrateiro na lei do mais forte

As mulheres choram os filhos perdidos
Os homens jazem ou caem feridos
De morte e vergonha em sangue carmim
Escreve-se a história em crueldade sem fim

Na faixa de terra desde tempos idos sangrada
Disputada em nome de uma posse sagrada
Invadida e ensurdecida por armas e gritos
As preces são abafadas na voz dos aflitos

A paz celebrada na esperança símbolo de janeiro
É trucidada nas asas negras de um bombardeiro
Na mídia a morte é manchete pelo algoz alardeada
O poder obtuso expõe suas garras em Gaza.

Rio de Janeiro (RJ), janeiro de 2009.

03.
Criança Palestina! (I)
J.J. Oliveira Gonçalves

Eu choro essa Criança Palestina
Sem brinquedo, sem lar, sem Paz, sem flores!
Me dói vê-la tão frágil, pequenina
Ao invés de Alegrias colher Dores!

Meu coração-poeta tão tristonho
Vendo a Infância, assim, desrespeitada
Rechaça o Assassinato, vil, medonho!
(Desfraldo ao Mundo a Alma enlutada!)

Soluço... E a cada lágrima caída
É Dor e ao mesmo tempo é Rebeldia
Por ver crimes - sem nome! - cometidos:

Por homens - vis carrascos - noite e dia!
(Que Mundo é este, ó, Deus? Ah, quão falida
É a Mente do Carrasco - e Apodrecida!)

Porto Alegre (RS), 07 de janeiro/2009. 12h51min - HS.

04.
Criança Palestina! (II)
J.J. Oliveira Gonçalves

Pranteio essa Criança desvalida
Que é morta, assim, sem dó - nessa frieza
Que desmascara a alma Infanticida
E inunda o Olhar de Deus (que é só Tristeza!)

E Deus - eu sei que chora! - envergonhado
Desse homem miserável... Predador
Movido à Ambição (tão desgraçado!)
Que com bárbaras bombas mata o Amor!

Criança palestina, eu peço a Deus
Que, um dia, Ele devolva aos olhos teus
O Brilho - hoje, defunto, infelizmente!

Do Ventre dessa Terra - um belo dia
Sinônimo de Flor serás... Poesia!
(E hás de colher a Paz, Fruto Inocente!)

Porto Alegre (RS), 07 de janeiro/2009. 13h17min - HS.

05.
Criança Palestina!
Regina Coeli

Pranteio a Dor, ferida que dói tanto,
No peito desabrido do Poeta,
Que busca em vão, na rima mais seleta,
Aquela que melhor rime com pranto.

Se cabe neste verso algum encanto,
Pois dele brota sangue que aquieta,
Desfralde ele a Esperança de um Profeta
No Amor vencendo, forte, o desencanto...

No olhar dos pais, as lágrimas escorrem...
Nos olhos dos filhinhos, quanto horror...
E tem quem comemore ante os que morrem...

Criança palestina, é tua a Flor
Nos versos que, das mãos, os Poetas colhem,
E adoçam o fel da morte com Amor!

Rio de Janeiro (RJ), 07 de janeiro de 2009.

06.
Gaza! Quem é o Culpado?
Humberto Rodrigues Neto

Culpados são os padres e pastores
e rabinos, também, e aiatolás
pregando deuses maus e vingadores,
a fomentar o ódio em vez da paz!

Ao se suporem do universo o centro,
fazem do engodo seus apostolados,
sempre a empurrar-nos, tímpanos a dentro,
falsos mitos de credos superados!

Da Igreja nunca mais será esquecida
a sua mais hórrida e venal tragédia:
os mártires aos quais ceifou a vida
nos fogareiros vis da idade média!

Protestantes, judeus e muçulmanos
sofreram as torturas mais horríveis,
enquanto os cardeais, nédios e ufanos,
às súplicas sorriam-se impassíveis!

Aos rabinos, versados no Talmude,
do qual supõem ter desvendado os lacres,
pouco importa se a mosaica juventude
se dê à carnificina dos massacres!

Aos muçulmanos a morte é um pretexto
que afirmam registrado no Alcorão!
Mentira, pois Alá, em nenhum texto,
pede a alguém pra matar um pobre irmão!

Toda essa mocidade promissora
que Deus fadou aos mais fraternos atos,
fica à mercê da sanha destruidora
dessa grei de assassinos e insensatos!

Assim age o que engendra atrocidades
e instrumento se faz de tal sandice:
mascara os livros sacros de inverdades
dizendo coisas que Deus nunca disse!

Mas quem da Bíblia e do Alcorão faz messes
das mais diabólicas cavilações,
precisa muito mais das nossas preces
que das nossas acerbas maldições!

São Paulo (SP), janeiro de 2009.

07.
A Paz!
Regina Coeli

A guerra é triste engano que maltrata
A quem, no coração, pretende a Paz;
É desencanto ao encanto que compraz,
Vontade de matar que vem... e mata!

A guerra é o homem mau que desacata
E afronta a Humanidade em tantos ais;
Liquida o sonho e da Esperança faz
Morto o sangue nos corpos em cascata...

Quem há de ser feliz ceifando a vida
A outrem, por qualquer seja a razão,
Ou mutilando o riso em despedida?

As lágrimas que caem, e cairão,
São as da Humanidade, entristecida,
Que tomba, pela PAZ, rosa na mão!

Rio de Janeiro (RJ), 07 de janeiro de 2009.

08.
Pela Paz
Cida Micossi

É difícil pronunciar-me a respeito porque nas palavras que li desses CAPPAZes, sinto já estar reunida toda a indignação, a dor, a tristeza, a revolta por tantos males irremediáveis causados a esse povo já tão penalizado. Muito já foi dito a respeito dos rostinhos espantados das crianças, muitos deles machucados e sobre a dor das mães e pais com seus filhos ao colo, alguns já sem vida; esse sofrimento todo me põe impotente e triste, principalmente por eu trabalhar com crianças, algumas discriminadas em sua condição social, outras pela sua cor e outras vítimas da irresponsabilidade dos adultos nas suas mais variadas formas.

Mas nenhum sofrimento deve ser maior que o das crianças daquele longínquo lugar. Consigo então, derramar lágrimas de tristeza pelo fanatismo desmesurado e elevar ao Pai Supremo, juntando com a de todos, minha prece, para que esse pesadelo terrível tenha um fim.

Meu coração oprimido, assim como o de todos que assistem a esse horror, pede Paz. Pede condições de vida dignas a essas pessoas tão penalizadas. CAMINHEMOS ENTÃO, UNIDOS, PELA PAZ.

Santos (SP), 11 de janeiro de 2009.

09.
A Paz é o Caminho
Kedma O´liver

Crianças gritam socorro
Mortes por todo lado
Pessoas vivem canhões
Tudo muito desolado

Brinquedos passam longe
Armas é brinquedo de adulto
Esquecem que existem pessoas
Fazem da guerra seu culto

Vamos estender as mãos
Em direção a Deus
Pedir pelos que estão em guerra

Fazer uma grande petição
Pelo Oriente Médio, pelos judeus...
Para que haja paz na terra.

Santos (SP), 11 de janeiro de 2009.

10.
PAZ
Humberto Rodrigues Neto

Se o Cristo voltasse à Terra,
seria veemente e loquaz
com os que preferem a guerra
em vez de tentar a paz.

Feliz de quem na pobreza
se contenta e satisfaz;
orgulho, fama ou riqueza
não combinam com a paz.

Muita gente ainda se aferra
a este ditado falaz:
“Prepara-te para a guerra
se queres manter a paz”!

Eu me recuso a crer nisto,
nem no mal que o homem faz,
que nunca diz, como o Cristo:
"Eu vos dou a minha paz"!

São Paulo (SP), janeiro de 2009.

11.
Tudo em Nome de DEUS!...
Marco A. Amado

São séculos, talvez milênios,
Que esta insanidade persiste...
Dizem que é em nome de Deus...
Uma guerra santa...
Enquanto oram...
Lançam mísseis aos céus ..
Levando rastros de destruição...
Insanidade ou loucura?...
Ou somente fome de poder...
O que são terras?...
Onde fica a dignidade do ser humano...
Onde em nome de Deus...
Andam os padres,
Os Rabinos,
Os pastores,
E outros,
Que falam tanto em Jesus Cristo ,
Mas em suas almas,
só vêem a cor verde,
Do vil metal,
São estes que a muito,
Matam,
torturam,
devassam,
arrasam,
Usando em vão o nome do Grande Arquiteto do Universo,
para satisfazer suas insanidades,
Ah!... Como chora lagrimas de sangue, o Criador...
Pela sua criação...
Sofre e não crê no que acontece,
Pois não foi o que ele preparou,
Para nós,
Quando!...
Estás loucuras terão fim?...
Mártires, falsos profetas...
Pregam as Guerras,
Em vez da Paz.
Cadê o Cristianismo,
O protestanismo,
O adventismo,
O judaísmo,
O islamismo,
Cadê as religiões que tanto falam do Criador.
Quando deixarão de pregar o ódio!
O racismo a divisão,
Ah! Qual bom seria que elas pregassem a União,
Dessem as mãos e caminhassem juntas,
Por um mundo mais justo,
Lanço agora um desafio,
Aos pretensos religiosos,
Seriam vocês capazes,
De promover a Paz,
Em vez destas guerras insanas?
E traduzirem a verdadeira palavra do Criador,
Paz, fraternidade e Amor.
Simples palavras capazes de mudar o Mundo.

Ocram, Rio de Janeiro (RJ), 11 de janeiro de 2009.

12.
Guerra Paz, Paz Guerra
Rosa Athanásio

O que é a guerra? – pessoas se matando por um ideal?

O que é a paz? – pessoas se matando por um ideal?
O que sabemos
O que pretendemos saber
Somos sobreviventes e ou nascidos após a 2º Grande Guerra
Nossas gerações que aí estão no comando do mundo
Nada apreenderam
Quem somos nós querendo saber o que é paz
Quando fechamos os olhos à noite às trevas nos mostram
Nossas guerras, nossas batalhas, nossas invejas, nossos ciúmes, enfim nossa pequenez
Seremos grandes quando nosso sentir for grande, enquanto só o falar for grande continuaremos pequenos fazedores de guerras pequenas ensejando as grandes.

Porto Alegre (RS), 14 de janeiro de 2009.

13.
Sem Muros
Sidney Santos

Crianças de triste olhar
Vamos cantar fantasia
Vem junto brincar
No mundo da alegria

Vamos cantar cirandas
Não importando barreiras
Rosas brancas em varandas
Enfeitando nossas floreiras

Escrevendo poesia
Afastando a intolerância
Em instantes de utopia
Sem guerra e ignorância

Santos (SP), 15 de janeiro de 2009.

14.
O Amanhã
Ilka Vieira

Não feches teus olhos, criança,
ainda que te doa assistir
ao sangue derramado,
aos conflitos armados,
à falta do bem querer.

Não embaces a visão,
faze da crise a experiência;
do desassossego, a alegria,
e plante uma flor na melancolia
até que o tempo
subtraia as dores,
adormeça os rancores
e inspire os novos homens
à doce forma de amar.

Vê como o hoje é curto
e ainda não tendo como evitar o luto,
tem gente grande demais para chorar!

Assim que esse hoje virar passado,
tuas sementes já terão crescido
e o mundo estará mais amigo
sem resquícios do eversor.

Purifica a tua visão do futuro,
acreditando que todos os muros
serão mãos dadas como
na brincadeira de criança,
sacudindo a esperança
para um novo amanhecer.

Rio de Janeiro (RJ), 16 de janeiro de 2009.

15.
Eufemismos e Sofismas
Milton J. Pantaleão

Guerra? Conflito? Hostilidades?
É com essas palavras que a mídia engajada
Denomina o massacre do Oriente Médio...

O povo que recebeu da ONU um território,
Não permite que seu vizinho receba o seu...
Quem controla os meios de comunicação
Vende ao povo sua mais conveniente versão.

Além de lutarmos pela PAZ,
Devemos lutar pela JUSTIÇA!
Uma não sobrevive sem a outra!

Os poetas e demais artistas,
Que representam a elite intelectual do país
Devem bradar aos quatro ventos:
Paz com Justiça! Justiça com Paz!

Porto Alegre (RS), 17 de janeiro de 2009.

16.
PAZ!
Regina Coeli

Deixem-me chorar as lágrimas do desencanto
Nascidas do estupor que esboroa o pranto
Deixem-me chorar as flores ressequidas
Pisadas em surtos de agressão e cruel investida.
Pois se o destempero machuca os frios corações
Que se levantam, revoltosos, a buscar cisões
O ideal de se darem as mãos é adiado outra vez,
E a Paz, tão desejada, não cabe nem em um talvez...
Se aqueles que comandam apelam para o açoite,
E os comandados trocam a dor pelo desdém,
Não ficará pedra sobre pedra, mundo de ninguém!
Esfaceladas as razões e tapados os ouvidos,
Não haverá amor, apenas sentimentos retorcidos...
Não! Procure-se a PAZ, quer no dia quer na noite!

Rio de Janeiro (RJ), 18 de janeiro de 2009.

17.
CRIANÇA
Humberto Rodrigues Neto

Criança, doce e meiga criatura,
a exibir um sorriso encantador,
vejo em tua face a exata miniatura
do rosto angélico do Criador!

Nem imaginas o quão espinhosa
é a missão que o Senhor a ti confia,
a cad'alma tornar mais carinhosa
e a vida do planeta mais sadia.

Tirar do clima os gases pestilentos,
aos rios legar toda pureza dantes,
nos descampados replantar rebentos
em restos de floresta agonizantes!

Gerir o Estado com honestidade,
co'a violência não ter contemplação,
às drogas dar combate sem piedade,
votando às guerras um perpétuo não!

Afronta, pois, criança, essa missão
que o Senhor do Universo te outorgou;
que consiga colimar tua geração
tudo aquilo em que a nossa fracassou!

São Paulo (SP), 20 de janeiro de 2009.

18.
Não há caminho para a Paz,
A Paz é o caminho (Gandhi)
Marina Martinez

Não há caminho para a Paz.
Concordo.
Todas as trilhas, mesmo as mais escondidas, estão atapetadas de corpos mutilados, roupas em frangalhos, sonhos destruídos, vidas menosprezadas.
O solo de quase todo o mundo é adubado por sangue e ossos e, ao invés de borboletas e pássaros, é visitado por abutres e cães esfaimados. Também vítimas das lutas.
Hoje é a Faixa de Gaza (ou de gaze, se preferirem); ontem, Estados Unidos, Iraque, Somália; pouco antes, Europa; na Idade Média, Cruzadas, Inquisições; Roma conquistando, Roma sendo conquistada; bárbaros (?) invadindo.
Mudam cenários, atores, efeitos (alguns se tornam muito especiais). Só não muda o roteiro. Pequenas alterações aqui e acolá, novos apelidos para velhos temas – libertação de Jerusalém, independência basca, Pearl Harbour, 11 de Setembro, Holocausto, busca de armas nucleares, invasões de fronteiras, independências e outros tantos-, alteram-se as vozes e as cores do espetáculo. “Extras” são ‘convocados’ pelos exércitos; crianças (prodígios, pois não sabem que são crianças, acreditam-se soldados) são treinadas com armas verdadeiras e os tanques não são de brinquedo. Não há ensaios. Há reality show, ao vivo, em cores.
Posso assistir guerras comodamente instalada na minha sala, enquanto aguardo o horário do meu programa favorito. Tenho direito de escolha: emocionar-me com as imagens (reais) das guerras, com o sofrimento de mutilados e aflitos, ou torcer pela “mocinha” ou “vilã” das novelas. O argumento? A guerra está longe, nada posso fazer; sinto muito o que ocorre, mas não me afeta diretamente. A novela, mesmo que ficção, atinge mais o meu cotidiano. Afinal, o assunto não me diz respeito e o máximo que posso fazer é rezar para que passe logo (até as guerras cansam).
E corpos continuam se acumulando nos (des)caminhos. Ao longo dos anos e da História. Por mais que a humanidade diga que não, luta sempre foi instrumento para alcançar a Paz, o que não deixa de ser um contra-senso (Si vis pacem, para bellum, já diziam).
Ghandi disse que a Paz é o caminho. Outra pessoa referiu que “caminhante, não há caminho; caminho se faz ao se andar”. Ambos estão corretíssimos, na minha humilde opinião: o caminho realmente se faz ao andar. Por mais que tenha sido planejado, nenhum trajeto está livre de situações fortuitas. Para Ghandi, o caminho para a Paz deve ser trilhado com Paz e em Paz. Para outros, “Paz” é um objetivo(concreto ou abstrato?), mesmo que seja alcançado por atitudes bélicas(Nagashaki/Hiroshima-fins justificando meios?).
Posso me estender sobre este assunto, mas creio que muito já se disse sobre guerra e Paz. Muitos desatinos já foram cometidos em nome das duas. Muitos corpos se desintegraram, muitas crianças não tiveram infância, muitos adultos não conheceram a velhice, muitos velhos morreram pela dor da vida.
Gandhi e outros (Martin Luther King, por exemplo) fizeram seus caminhos pela Paz e com Paz, sempre que podiam. Ironicamente, foram assassinados. Talvez pela Paz que sempre buscaram. Talvez por homens que fizeram outros atalhos, em nome dela.
Para mim, no fim das contas, restam sempre algumas perguntas: o que é Paz, afinal? Certamente, não é ausência de guerras. Se diversos fluxos podem conduzir a ela, e se várias pessoas/vários povos ‘lutam’ por ela, por que se torna tão difícil seu acesso? Aqueles que nunca viveram em outro estado que não seja o de guerrilha, como saberão reconhecê-la? Armas caladas não significam sítios pacíficos. Crianças-soldados que pegaram gosto pela morte, de que maneira aprenderão a respeitar a vida (sua e dos outros)? Existe realmente uma grande Paz ou o que temos são momentos de Paz, distribuídos ao longo da vida? Obterei Paz se souber essas respostas?

Porto Alegre (RS), 20 de janeiro de 2009.

19.
Vale de PAZ
Marli F. Tamani

Corra criança
por todo este vale
se solte criança
não pare pra ver,
sorria pra vida
sorria pra morte,
corra criança
não tente volver,
não esqueça
a tua coragem,
não deixe que fuja
na negra guerra,
na grande voragem,
senão o teu vale
será de sofrer,
corra criança
por este vale de paz,
faça do vale criança
a tua razão
de ser!

São Paulo (SP), 21 de janeiro de 2009.

20.
Não Importa Querer a Guerra, a PAZ Sempre Vencerá.
Lenir Castro

Oriente Médio geme sob a sina
Das explosões,
Sob o manto da incompreensão,
Sob o signo do arbítrio...
A mão facínora do homem,
A falta de respeito, o pranto...
Em nome de crenças, ideologias,
Aversão, xenofobia...se mata!
A impossibilidade do homem
Em lidar com o desconhecido
É uma barreira comum, "moderna"...
É o estopim, a fagulha a procurar
Seu paradeiro.
Sangram os corações,
Vidas ceifadas em latência,
Nem despontadas, abortadas
Por nada,
No clamor da
Batalha absurda...
A guerra, um sinal claro
Da ininteligência humana,
Profana...
Um sinal de frieza nos corações,
De "secura" dos afetos..
O caminho para a Paz
Fura o cerco,
Vence barreiras,
É o mais forte,
O bom transgressor.
Iluminados sejam
Os trabalhadores da Paz
Para e com Ela
Construírem
E solidificarem o
Entendimento humano
Tão vilipendiado
Nestes tempos desumanos...

Niterói ( RJ), 21 de janeiro de 2009.

21.
Quisera
Ana Teresinha Drumond Machado

Quisera ser um soldado de amor empunhado,
do ódio, desarmado,
um pacifista arrojado,
ao humano enlaçado.

Quisera ser um guerrilheiro soldado
da faixa de Paz (não de Gaza)
onde homens-vida (não bomba)
vivam pelo cessar fogo em anteparo
e respeito a velhos e crianças
que ignoram qualquer poder
e se convertem em alvo de ataques seculares
e duelos ameaçadores de almas puras
que jorram sangue e lágrimas de pânico.

Quisera ser um soldado cujos limites
sejam a liberdade, o fraterno amor e a paz,
e cujos ataques e contra-ataques sejam movidos
por uma força-bela (não bélica) de solidariedade
e de abnegação capaz de erigir a Paz como caminho.

Quisera ser eu um soldado
um forte combatente,
um ativista da concórdia,
um fértil edificador,
que usa suas pegadas pela
PAZ UNIVERSAL.

Alvinópolis (MG), 22 de janeiro de 2009.

22.
A paz do perdão
Pablo Silveira

“Amigo, perdoa-me, a vida merece um abraço!”
O afeto desarma o caçador ante a armadilha
Da premonição do laço de ódio infante
No epicentro do ataque de uma fúria presilha
Que desconhece a caça — paraíso calmante.
“Amigo, perdoa-me, a vida merece um abraço!”
A verdade suplanta uma mentira proferida
Como filete esperança em recôndito recinto.
Ninguém oculta a falha em uma descida,
Pois a rapidez da queda não aguarda o cinto.
“Amigo, perdoa-me, a vida merece um abraço!”
A paz reconcilia os mares com os pescadores
Sem as redes de uma injustiça intolerante.
Só as profundezas do perdão afogam dissabores,
Emergindo a pérola do respeito Almirante!

Bagé (RS), 25 de janeiro de 2009.

23.
Ruínas Instigantes...
Eloisa Antunes Maciel

Naquelas ruínas, num confim da Terra,
Persistem residuais de atrocidades;
Muralhas destroçadas pela Guerra
Lembram restolhos das hostilidades...
Castelos, com suas torres destruídas,
Evocam desespero e dissabor...
E mananciais que alimentaram vidas
Extinguem-se num quadro aterrador...
No entanto, mais adiante, "a céu aberto",
Avista-se um cenário promissor:
Campinas, transformadas em deserto,
Parecem retomar o seu verdor...
Em tétrico lugar de sofrimento,
Onde a tortura fez-se rotineira,
Agora se levanta um monumento,
Louvando a paz eterna e verdadeira...
E nas valas comuns dos perdedores,
Onde seus corpos se deterioraram,
A Natureza faz brotarem flores
Do insumo que suas mentes liberaram...
E outra luta faz-se persistente,
A fim de suplantar a antiga dor,
A luta pela vida consistente
Que tem por lema a palavra AMOR...
E as ruínas, que antes eram apavorantes,
Vão sublimando sua instigação...
E assim vão ofertar aos visitantes
Um belo exemplo de superação.

Santa Maria (RS), 03 de dezembro de 2008.

24.
PAZ, razão do meu cantar!
Joyce Lima Krischke

Não encontro palavras para versejar...
Paz, razão do meu cantar... de guerra falar!?
Levamos ao mundo a Cultura de Paz
"Não existe um caminho para a paz...".

Diz Gandhi:... a paz é o caminho ". Oh, Céu!
Hoje, guerra... criança e pomba ao léu...
Que rima encontrarei para a guerra?
Meu desejo é Paz e Bem nesta Terra!

Sigo a minha já assumida missão...
No caminho da Paz levo o coração.
Na mesa do bar, vejo jovens a cantar...

Outros na chuva dançam, cantam... beira-mar
Lembro Gaza, lágrimas... cessa meu sorrir
Crianças... pombas a guerra irá ferir!

Balneário Camboriú, 25/01/2009- 02:30(no guardanapo)
www.cappaz.com.br

25.

Tão simples viver em paz... cada um no seu espaço
na terra, no céu e no mar... nós humanos precisamos
aprender com todas as espécies...
ainda há tempo e esperança...

Gislaine Wächter

Balneário Camboriú (SC), 25 de janeiro de 2009.

26.
Adultos brincando de guerra, esquartejando a vida
e ceifando a Esperança do botão-menino em se tornar rosa.
Basta!
Crianças suplicam PAZ!
Ilka Vieira

Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 2009.

27.

Arte da 7ª Ciranda CAPPAZ

"Não há caminho para a Paz, a Paz é o caminho."

Ilka Vieira

SELO DE PARTICIPAÇÃO

Caros confrades e confreiras! A CAPPAZ entrega aos participantes da 7ª Ciranda Mensal - o selo comemorativo como lembrança de nosso Evento Poético. Clique com o botão direito e em salvar como, escolha a pasta e salve seu selo de participação na Ciranda.







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Arte: Ilka Vieira
Formatação: Rosângela Coelho
Exclusivo para CAPPAZ - Confraria Artistas e Poetas pela Paz