CAPPAZ - Confraria Artistas e Poetas pela Paz

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15ª CIRANDA MENSAL CAPPAZ

"Nossos passarinhos... Onde?
Para onde foram nossos passarinhos?"



 

AGRADECIMENTOS






 

 

INTRODUÇÃO

Ouçam...
Sons que poderão não mais ser ouvidos...
Imagens de passarinhos fazendo folia nas árvores
poderão existir apenas na memoria dos mais velhos...
Para onde foram nossos passarinhos?...

O tempo passa e as manifestações da natureza choram
as agressões do ser humano a elas...
Nossos pássaros e passarinhos são implacavelmente
perseguidos, caçados e exportados... Muitos morrem,
nem mesmo chegando a um desconhecido destino
que sequer escolheram para viver...
O que estão fazendo com os nossos passarinhos?

Longe da pátria, Gonçalves Dias
compôs, em 1843, a "Canção do Exílio", obra romântica
e um dos marcos na literatura Em seus versos, ele chora de saudade e nostalgia,
num vivo nacionalismo às coisas do Brasil,
cantadas em seus versos desde as palmeiras às aves
em seu gorjear, com destaque ao sabiá.
O que andam fazendo às aves que Gonçalves Dias cantou?

Confrades e Confreiras da CAPPAZ, temos, abaixo,
dois momentos para a sua profunda reflexão:

— a saudade de Gonçalves Dias, longe das
palmeiras, das aves e coisas do Brasil; e

— o enfoque realista, quase dramático,
do articulista Regis Mesquita sobre o
que já está acontecendo às aves, aos meigos
passarinhos no Brasil de hoje, quase uma
"crônica de uma morte anunciada"...
O que será de nós sem os passarinhos?...

O que pensa cada um de nós, integrantes de uma
CAPPAZ que cultua e prega o Amor pela Mãe-Natureza
em todas as suas formas e matizes?
O que ESTAMOS fazendo aos passarinhos?

O que se descortina desde o tempo em que chorou
Gonçalves Dias até este agora é o desmatamento
da beleza do cantar dos passarinhos... Onde estão
as árvores? Esta é uma das enumerações
de Regis Mesquita e de quantos têm sensibilidade
e Amor à Natureza e aos seus animaizinhos...
Em que árvore derrubada está a tal da "ecologia"?...

E, calando fundo o que tão bem diz o Cacique Seattle,
ícone da nossa CAPPAZ,
"... tudo o que acontecer à Terra,
acontecerá aos filhos da Terra" ,
Por certo uma Terra
Sem árvores,
Sem flores,
Sem pássaros,
Sem passarinhos,
Sem riachos,
Sem gente...
Será algo
Tão triste ...
Tão deprimente,
Que chora esta criaturinha
(In)Vestida de presidente
uma dor
que
deveras
sente...

Regina Coeli Rebelo Rocha
Presidente Nacional da CAPPAZ

Canção do exílio
Gonçalves Dias
(Maranhão, Brasil - 1823-1864)

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

De Primeiros cantos (1847)

Faltam passarinhos, sobram pernilongos
Texto de Regis Mesquita

(http://www.docelimao.com.br/site/planeta-terra/276-faltam-passarinhos-sobram-pernilongos.html)

Quem mora no interior de São Paulo está convivendo com milhões de pernilongos. Seca? Efeito estufa? Lixo? Falta de passarinho?

Ops! Falta de passarinho? Isto mesmo! Um passarinho come até 150 pernilongos/dia. Com a falta deles, os pernilongos fazem
a festa em nossas casas.

Faltam passarinhos por causa de desmatamento? Um pouco.

Faltam passarinhos por causa dos venenos que colocam nas plantações? Isto também contribui. Estes venenos agrícolas são verdadeiras armadilhas para eles, que comem e depois morrem envenenados.

Faltam passarinhos porque a casa de cada um de nós está cada vez mais anti-ecológica? Sim, com certeza! Você me pergunta: “Como assim? Minha casa está cada vez mais anti-ecológica? Por que?”

Faz tempo que eu tenho notado este fenômeno. São 4 mudanças fundamentais no quesito "jardim":

1) Cada vez mais as casas estão impermeabilizadas. Ou seja, progressivamente os lugares onde existiam plantas (grama, jardim, árvores, etc.) estão sendo cimentados. Isto diminui, obviamente, os espaços onde os passarinhos e outros animais podem encontrar abrigo, alimento, etc;

2) As grandes árvores em frente das casas fazem sombra, refrescam a casa, mas geram folhas (sujeira segundo algumas donas de casa) e diminuem a iluminação dos postes de luz. Ruas com muitas árvores grandes são mais escuras. Por causa do medo de assalto, as árvores, principalmente as grandes, estão sendo cortadas ou não substituídas quando morrem: ganha-se em luz e menos "sujeira".

Hoje são comuns casas sem árvores na frente. Andei por 3 bairros neste domingo e todas as árvores de grande porte que eu vi são árvores antigas, plantadas décadas atrás. Nada de árvore de grande porte plantada recentemente. Quando plantam, são árvores de pequeno porte e praticamente nunca árvore frutífera.

3) Existem poucas áreas públicas e estas áreas públicas estão com pouca ou sem árvores e arbustos nativos. Isto é importante! Os passarinhos de sua região estão adaptados a comer frutos de árvores nativas. Por isto é importante que estas árvores (arbustos, etc.) tenham preferência na hora de serem compradas e plantadas. Dezenas destas plantas estão desaparecendo. Quando foi a última vez que você comeu bacaúva? Talvez você nem conheça esta fruta, tão consumida há 60 anos.

Hoje, com a Internet qualquer um pode descobrir quais são as plantas nativas de sua cidade, arrancar o cimento do quintal e fazer um belo de um jardim. E ter a alegria de alimentar outros seres vivos.

4) A estética preferida nos jardins atualmente gera um deserto verde: coqueirinhos, coqueirinhos, mais coqueirinhos. Para quebrar um pouco a monocultura de coqueiros, se colocam outras plantas que não produzem frutos, nem flores e nem dão abrigo aos animais. Ou seja, um deserto verde.

Tudo isto diminui a quantidade de alimentos e abrigo para os passarinhos. Diminui a quantidade deles, que se alimentam dos pernilonogos que vão na sua casa te picar, que te fazem acordar à noite. Para contornar tal incômodo você coloca veneno nos quartos para você e sua família se intoxicarem.

Está na hora de cada um assumir a responsabilidade e transformar sua própria casa em uma área onde a ecologia é respeitada.

 

 

PARTICIPANTES

1. Ilka Vieira
2. Verney Ferreira Naves
3. Mariângela Rodrigues Repolês
4. Regina Coeli Rebelo Rocha
5. Humberto Rodrigues Neto
6. Eloísa Antunes Maciel
7. Fernando Alberto Couto Salinas
8. Sílvia Araújo Motta
9. Rosa Maria Athanásio
10. Balzac - José Antônio Gama de Souza
11. Marly F. Tamani
12. J.J. Oliveira Gonçalves
13. Joyce L. Krischke
14. Sidney Santos
15. Ana da Cruz
16. Vanda Ferreira
17. Ângela Torino Paletti
18. Akasha de Lioncourt
19. Gislaine Wächter
20. Marco A. Amado
21. BRita BRazil
22. Eurydice Meimei de C. Corrêa
23. Edson Lopes
24. Augusto Pitta
25. Dido Oliveira
26. Carlos Reinaldo de Souza
27. Odilon Machado de Lourenço
28. Rosângela da Silveira Coelho

 

PARTICIPAÇÕES

1. CANTO TRISTE
Ilka Vieira

Eu queria tanto continuar encantando
Viver livremente como passarinho
Entre árvores e lagos sair voando
Soltar meu canto de um ser mansinho

Queria tanto continuar vivendo
Escolher meu alimento com fartura
Buscar água sem receio minuendo
Não me tornar apenas uma gravura

Quem dera quem me vê ainda vivo
Tão frágil, suplicando um socorro
Algo fizesse pelo preservativo
A natureza despede-se sem forro

Por onde ando? Reflita!
Sou vítima do teu abandono
Já não sobrevôo a paisagem bonita
Não vi a primavera e o outono

Reproduzir-me, nem pensar
Enquanto faltar bondade humana
Serei história para se fazer chorar:
Findam passarinhos na terra brasiliana.

Rio de Janeiro (RJ)

2. E OS PÁSSAROS... ONDE ESTÃO?
Verney Ferreira Naves

Quando eu nasci, nasci chorando
Porém, todos estavam em festa.
Uma sinfonia de pássaros cantando...
Saudava-me essa maviosa orquestra!

Cresci... Criei-me nesse paraíso
De verdes matas, cascatas cristalinas.
Aprontava brincadeiras, perdia o juízo,
Assim eram meninos e meninas.

Machado, motosserra, fez aquela derrubada...
Seriemas calaram, desertaram da alvorada.
Por que calou aquela canção?

Estão presentes bandos de cigarras,
Grilos, gafanhotos, compartilham essa farra
E os pássaros... Onde estão?

Campos Gerais (MG)

3. DESALENTO
Mariângela Rodrigues Repolês

As águas falam sua linguagem,
nos rios, vales e paisagens
germina a flor aromática
pampas florescida, solitárias .

Nos olhos da noite sombreada
floração brilha rio orvalhado,
martela caminhar sem melodia
em campos e matas fronteiriças.

Povo descuidado, delinqüente,
devasta o meio ambiente
em ressaca de tantas orgias
deixa pássaros em ladainhas.

 
DESALIENTO
Mariângela Rodrigues Repolês

Las aguas hablan en su lenguaje,
en ríos, vales y paisajes
maduran la flor aromática,
pampas florecidas, solitarias.

En ojos de la noche sombreada,
floración brilla río rociado,
martilla a caminar sin melodía
en campos y mata fronteriza.

Pueblo descuidado, delincuente,
devasta el medio ambiente
en resaca de tantas orgías
deja pájaros en letanías.

Alvinópolis (MG)

4. A SABIÁ
Regina Coeli

Naquela casa, ah, eu vi
Alguém que não esqueci
Preso, sim, engaiolado
Olhar perdido e tristonho
Quem sabe um enlevo, um sonho
De voar bem ao meu lado...

Saltei de uma laranjeira
Pro galho da goiabeira
E tentei chegar mais perto
Pra ouvir o seu queixume
E talvez lhe dar meu lume
Pra tê-lo vivo e desperto...

Espiando de um galhinho,
Ouvi-o chorar baixinho
Num gorjeio de saudade
Dos felizes passarinhos
Nas palmeiras, em seus ninhos,
Desfrutando a imensidade...

Cheguei bem perto da porta
Correndo risco, que importa,
De ser presa e aprisionada,
Convidei-o prum passeio...
E novamente chamei-o
Pra cantarmos na alvorada...

Uma lágrima escorreu
Num soluço e se perdeu
No chão daquela gaiola,
Desvanecendo um desejo,
Qual boca que anseia um beijo
Sob acordes de viola...

As asas do sabiá,
Que voou de lá pra cá,
Já não podiam voar...
Pela tesoura cortadas
Eram andanças podadas
Em penas a soluçar!

Rio de Janeiro (RJ)

5. SABIÁ
Humberto - Poeta

Quando foste àquela casa,
ao sabor de cada asa,
que é que foi que viste lá?
Viste alguém de lindo rosto,
que se traja com bom gosto...
não foi mesmo, sabiá?

Pousaste na laranjeira
que se ergue bem fronteira
com seu quarto de dormir...
Que tem ela mais que as outras,
que vês nela mais que noutras
no teu eterno ir-e-vir?

Desconfio, meu sabiá,
que o que te leva até lá
é algum secreto pendor...
Sei que és dela o menestrel
cuja boca anseia o mel
que flui de tão linda flor!

Mas não vás mais atrás dela,
nem voltes à sua janela
se queres conselhos sábios.
Desfaz os teus sonhos, pois
alguém já privou nós dois
da corola dos seus lábios!

São Paulo (SP)

6. CANTA, SABIÁ...
Regina Coeli

Sabiá do canto triste
Meu coração te ouve e chora
Verto lágrimas no agora
Porque a dor no peito insiste...

Sabiá da laranjeira
Canta esse canto tristonho
Carrega contigo o sonho
De um dia eu ser a primeira

Leva o sonho, sabiá,
Pela brisa benfazeja
Por mais sofrido que seja,
Nunca o deixes por lá...

Sabiá do canto triste
Traz meu sonho pra eu sonhar
Canta o meu desabafar,
Que a tristeza não resiste...

Meu amigo sabiá
Em coro vamos cantar
Pras dores apequenar,
Que mal pra sempre não há!

Rio de Janeiro (RJ)

7. ... ELES VOLTARAM...
Eloisa Antunes Maciel

No meu pequeno sítio eu almejava
Ver muitos passarinhos pelo ar...
Mas, no entanto, eu observava
A sua variedade a declinar...

Além de bem-te-vis refestelados,
Eu via poucos ninhos de pardais,
E algumas andorinhas nos telhados,
E o voo de quero-queros nos beirais...

E pus-me a procurar, com persistência,
Uma razão para justificar
A pouca variedade, a impermanência,
Do passaredo - e do seu gorjear...

Em pouco tempo, então eu percebia
Que uma árvore – mãe estava à morte...
E que sua fronde já não conseguia
Ao passaredo fornecer suporte...

E por coincidência eu constatava
Que uma segunda árvore morria...
E essa dupla morte me alertava
Para uma decisão que eu assumia.

No topo dos arbustos florescentes
Alguns abrigos eu providenciei...
Tomei outras medidas, pertinentes,
“Casinhas” sobre hastes coloquei...

Surgiram variedades deslumbrantes
De pássaros cantantes, seresteiros...
E aqueles com plumagens cintilantes,
Que denotavam serem forasteiros...

E agora tico-ticos (re) emplumados
Cantam contentes, sob a luz do sol,
Enquanto que pardais e assemelhados
Revoam sob o manto do arrebol...

Notei que, em pouco tempo decorrido,
O passaredo se multiplicou...
O seu espaço fora restituído,
E o meu pequeno sítio se alegrou...

Santa Maria (RS)

8. CANTA NO EXÍLIO, POETA!
Fernando Alberto Salinas Couto

Onde estás, Gonçalves Dias?
Estou ansioso por te encontrar.
As aves aqui já não podem cantar
e eu me refugio em poesias.
Hoje, ouvir um gorjear é difícil...
Ver um lindo revoar, impossível.

As asas, que hoje, ao céu cortam,
não são daquelas formosas aves
que um dia dizias que cantavam cá.
São de dantescas espaçonaves
que, as distâncias, agora, encurtam,
só pela ganância de gente má.

Os ruídos que, então, se ouvem,
não são mais da nossa rica natureza,
nem as crianças conhecem estilingue,
pois qualquer um sabe, com tristeza,
que só os gases que se emitem,
toda espécie de pássaro se extingue.

Aqui, sobrevivem algumas palmeiras,
mas está morrendo o Sabiá,
de tanto maltrato e desencanto.
Poeta cafuzo, por Deus... não queiras
voltar, neste momento, para cá.
Só queremos, do exílio, ouvir o teu canto.

São Paulo (SP), 17/11/09

9. ONDE ESTÃO OS PASSARINHOS?
Acróstico saudosista nº 2596
Por Sílvia Araújo Motta

O-Os arvoredos da minha infância,
N-No quintal repleto de doces frutos
D-Deram-me tantas lembranças...
E-Especialmente, do canto dos pássaros;

E-Em Belo Vale, terra de rara beleza,
S-Sabiás, pintassilgos, canarinhos,
T-Tantos azulões, coleiras, gaturamos,
Ã-Andorinhas, pardais e rolinhas
O-Ofereciam sons à natureza...

O-Os tons diversos traziam emoções...
S-Sinfonias afinadas, muitas alegrias.

P-Passaram-se mais de quatro décadas...
A-Árvores escassas, poucas chuvas...
S-Silencioso encontrei meu quintal...
S-Saudades fizeram-me voltar...mas
A-A cidade cresceu! Asfalto chegou!
R-Rio Paraopeba com poucas águas...
I-Impossível esquecer!Cheguei a chorar!
N-Naquele instante fui ao jardim...
H-Havia mato, sem as cores das flores!
O-Os passarinhos não cantaram para mim!
S-Somente ao longe, ouvi um bem-te-vi!

Onde estão os passarinhos?Quantas Saudades!

Belo Horizonte (MG), 17 de novembro de 2009.

10. PÁSSAROS VOAM, PESSOAS PENSAM
Rosa Maria Athanásio

Se eu pudesse voar...
Poderia ver tudo de outra maneira...
Se eu pudesse voar...
Seria alegre e poderia até cantar...
Se eu pudesse voar...
Seria menos apegada aos detalhes e menos infeliz...
Se eu pudesse voar...
Eu posso voar, minha imaginação me leva
Sinto o vento sobre o corpo
Sinto a vida em minha vida
Eu tudo posso, portanto o se não existe
Existo eu, tranqüila feliz amando e tendo amor para dar
Colaborando com todos e respirando a própria alegria de viver.

Porto Alegre (RS)

11. HAICAI III
José Antônio Gama de Souza-Balzac

Na laranjeira,
- Trinta e oito sinhá -
Trina o sabiá!

Leopoldina (MG)



12. HAICAI IV
José Antônio Gama de Souza-Balzac

Tico-tico, sabiá:
Cantem, pousem, voem, vão!
- Beija-flor; bem-te-vi!

Leopoldina (MG).



13. HAICAI VI
José Antônio Gama de Souza-Balzac

Cela deixada;
Pássaro em vôo livre...
Fé renovada!

Leopoldina (MG)



14. BEIJA-FLOR
José Antônio Gama de Souza-Balzac

Beija, beija
Beija-flor
Qualquer flor
Do meu jardim
Só não beijes
Meu amor
Que esta flor
Pertence a mim

Beija, beija
Beija-flor
Toda flor
Que queiras, sim
Beija livre
Beija leve
Seja rosa
Ou jasmim

Beija-flor
Este teu beijo
Nada de
Inocente tem
É de língua
É de paixão
Eu quero
Beijar também

Beija-flor
Quando te vejo
No beijo
Sugando mel
Dá vontade
De beijar
E voar assim,
No céu!

Leopoldina (MG), 15 de setembro de 1978.

15. MINHA PAZ, MEU CARINHO
Marly F. Tamani

Ao pé da serra plantei um lindo cantinho,
mora ali a minha paz, ali mora o meu carinho,
despertando as manhãs, em frente, na paineira
o João de barro canta junto à sua companheira.

sob o telhado, na casa ao lado, um casal
de maritacas, anunciam num festival
seu apaixonado amor, aos quatro ventos,
atiçam em mim, anseios de sentimentos.

nas vozes dos João de barro e das maritacas
busco recordar uma saudosa união,
lindas lembranças, enternece meu coração.

meu cantinho, meu carinho...ali sozinha,
passarinheiros...meus eternos companheiros,
amores da solidão...da natureza prisioneiros!

São Paulo (SP)

16. VOLTARÃO OS PASSARINHOS?
J.J. Oliveira Gonçalves

As árvores: palácios encantados
Para os belos, tão frágeis passarinhos!
Tecem, nelas, seus trabalhosos ninhos
Para seus filhotinhos bem-amados!

As árvores, porém, em extinção
Os passarinhos, ai, sem moradia!
O canto ele se extingue... E a Poesia
Também morrendo vai... de inanição!

No coração do poeta há esta Saudade
A que lhe dói na Alma... E ainda invade
Os olhos marejados, sim, de Infância!

Flautins-de-mel eu ouço da Distância
Acordes tão contentes... musicais
Entre a alegre algazarra de pardais!

Um dia, os passarinhos voltarão?
Responde-me, ó, Senhor da Criação!

Porto Alegre, 20 de novembro/2009. 12h47min

17. ILHA SEM PASSARINHOS...
Joyce L.Krischke

Dia cinzento, nublado, sol sumiu...
As belas gaivotas: ninguém viu!
Vou à procura de outras aves
Onde estarão elas... não sabes?

Ilha das Cabras inspira canções
Morada de aves noutras gestões...
Lá, vi e ouvi os passarinhos
Hoje, vazios estão os seus ninhos...

Sob o mar, homem canalizou luz
A ilha: noite e dia reluz!
Lá, não se ouve pássaro cantar
Potentes luzes estão a brilhar!

Infelizmente, o povo pagou
E pássaros pra sempre afastou...
Nela, resta cartucho queimado
Que foi “foguete”, Ano passado!

Ah, nela há também um belo cão
Cuida do seu dono e desse chão
Sente saudades dos passarinhos...
Por certo, eram seus amiguinhos!

Oh! Bela Ilha sem passarinhos...
Onde estarão esses maninhos?
Voaram para o continente?
Onde os encontrarei, novamente?

Balneário Camboriú, 08/ 11/2009. - 17horas


(Desejo que a alma de quem iluminou a Ilha das Cabras
Seja iluminada e a luz artificial : apagada!)

18. MÁGICO ENCONTRO
Sidney Santos

Vivo o mundo da poesia
Sempre versos escrevendo
Brincando com a alegria
Tristezas refazendo

Nuvem branca passando
Trazendo ricas lembranças
Pássaros livres cantando
Doce canto de esperanças

Nuvem que segue o tempo
Porem sem hora marcada
Pára em certo momento
Pelo vento, enamorada

Nuvem mostrando o caminho
Onde a amada parar
Deixando sempre um carinho
Quando o poeta encontrar

Caminho de luz cintilante
Flameja brincando na cor
Nos olhos azuis fascinante
Na graça do teu amor

Poeta vento constante
Agitando na terra e no mar
Pára no certo instante
Calmaria pra te amar

São Paulo (SP)

19. FALANDO DE PÁSSAROS...
Ana da Cruz

Eu sou romântica,
dou asas à imaginação,
sou como o colibri
que nunca pousa no chão.

Belo Horizonte (MG)

20. QUEIMADA
Vanda Ferreira

(canção em parceria com
Reginaldo Sans e Gutemberg Honorato)

Um lagarto indeciso
de olhar impreciso
entre as cinzas esquecido
no chão depois da queimada
toda árvore tombada

Galho seco agora
devastação da flora
chão árido trincado
no veio não corre água
mas latente é sua mágoa

Ramagens retorcidas
fugiu a sombra amiga
a morada tão antiga
hoje é vida esquecida
já morreu o Beija-flor!

Campo Grande (MS)

21. BEM-TE-VI
Ângela Torino Paletti

Ah!... meu bem-te vi
bem que te vi
cantando feliz na paineira
e quanta emoção eu senti...

Ah!... meu bem-te-vi
bem que te vi
voando sem pensar no destino
e quanta emoção eu senti...

Ah!... meu bem-te-vi
bem que te vi
sentindo a brisa da noite
e quanta emoção eu senti...

Ah!... meu bem-te-vi
bem que te vi
regendo a orquestra da vida
e quanta emoção eu senti...

Ah!... meu bem-te-vi
bem que te vi
abraçando o mundo num vôo
e quanta emoção eu senti...

Ah!... meu bem-te-vi
bem que te vi
saltando nos galhos sem pressa
e quanta emoção eu senti...

Ah!... meu bem-te-vi
bem que te vi
fazendo um falsete pra amada
e quanta emoção eu senti...

Ah!... meu bem-te-vi
bem que te vi
ensina-me a esquecer cantando
as tristezas que já vivi...

Itamonte (MG)

22. CADÊ O BEIJA-FLOR?
Akasha de Lioncourt

Onde está o beija-flor, que vinha todos os dias,
Passeava pelo jardim e nos enchia de alegrias?
Beijando todas as flores, cumprindo sua missão,
E ajudando a natureza na polinização.

Beijava as flores ao sol, bebendo seu doce néctar,
As asinhas, lépidas, ligeiras, numa beleza sem par.
Enchia o jardim de cores, e o meu coração a pulsar,
Sentia a natureza, que me deixava até sem ar.

Onde está o beija-flor, que não veio mais beijar,
As flores estão morrendo, sem alguém para as acariciar.
O jardim está sem vida, ninguém o vem polinizar.
Nem o perfume que sentia, consegue meus sentidos despertar.

Onde está o beija-flor, que não tem mais o que beijar?
Acabou-se o jardim, só tem cimento em seu lugar.
As árvores foram retiradas, há construções para iniciar.
Uma selva de pedra, sem flores, sem folhas, sem ar.

Onde agora o beija-flor pode alimentar-se e cantar,
Cada vez mais distante outros lugares ele vai buscar.
As cidades estão morrendo, não há quem nos possa alegrar,
Não cantam pela manhã, nem nos colocam para deitar.

Aonde vamos procurar o canto do beija-flor,
Se ele não vem mais aqui, nem temos o que lhe ofertar.
Faltou em cada um de nós, um pouco mais de amor,
Para perceber a importância de vê-lo todos os dias a voar.

Não se vá beija-flor, ouve, estou a te chamar.
Olha as flores tão novinhas que estou a te plantar.
Elas precisam de ti, pois querem procriar.
Vem querido beija-flor, que estou cá a te esperar.

Bauru (SP), 23/11/2009

23. PASSARINHADA
Regina Coeli

Ei-los que acordam
Mistura jovial de sons
Entre pios, pipilos, chilreios, cicios e trinados
Pardais, rolinhas, sabiás, sanhaços e bem-te-vis
Soltam suas vozes de aguda cristalinidade
Beijam meus ouvidos e minha alma
E avisam que o dia começou!

Maravilhas da Vida
Seres encantados
Seres alados
Condutores de alegria
Sinônimo de poesia
Sonoridade divinal
Encanto que o homem ainda não desencantou...

Saltam daqui pra lá
Voam de lá pra cá
Arruaçam na velha goiabeira
Fonte de alimento e de refazimento
Parecem crianças em recreio
Ruídos plenos, gorjeios
Explosão de sons e movimento!

Vão à cata de comida
Bicam goiabas maduras
Catam gravetos, fazem ninhos
Trinam e trilam sem parar
Espalham sementes para o futuro
Pois o espetáculo da Vida tem que continuar...

Vivem intensamente
Livres de gaiolas e clausuras
Singram o espaço alegremente
Buscam novas paisagens
Abandonam o conforto dos ninhos já formados
Para cumprir sua missão de liberdade!

À tarde, quando o dia se despede
Aterrissam seus voos suavemente
Desligam o canto e as asas para o descanso
Ponto final numa aventura de poesia
Para recriar a Vida no novo dia.

Rio de Janeiro (RJ)

24. PASSARADA
Gislaine Wächter

quando criança observava
os passarinhos passar em bandos
voando juntos de um lado pro outro
num balé fantástico...
tantas epécies
tanto cantar
tanta cor
tanta beleza

hoje tenho passarinhos
na caixa do meu ar condicionado
nas praças, nas praias
urbanos
sem árvores
nem voam
andam por entre as pessoas
procurando migalhas

hoje vejo árvores serem derrubadas
pássaros desabrigados
sem lar sem lugar
já nem ouço seu cantar
já nem sei o que falar
saudades daquele tempo
que acordava escutando
a farra da passarada...
pro meu dia alegrar...

Balneário Camboriú (SC)

25. TRINAR DAS AVES...
Marco A. Amado

O trinar das aves ao amanhecer
Desperta meu ser.
Olho minha mangueira...
Apinhada de flores
E em seus galhos
Os pássaros cantores...
É tão lindo este despertar
Com as aves em coro
A cantar!
Ensaiando a cada dia
Nova melodia...
São sanhaços, sábias, bem-te-vi e beija-flores
Que despreocupados, cantam seus amores!
São acordes celestiais.
Que se harmonizam com a natureza
Mesmo combalida pela destruição...
Ainda nos traz alegria com sua beleza...
Por isto vamos nos conscientizar...
E está perfeita harmonia:
De mãos dadas...
Devemos preservar
Para que no futuro...
Nossos descendentes
Possam apreciar
A grandeza que em união...
Fomos capazes de despertar
Na alma da sociedade...
Que a preservação
Não é apenas uma utopia!
Mas, sim, uma necessidade
Para a humanidade...

Rio de Janeiro (RJ), (Ocram 27/11/09)

26. ONDE ESTÃO OS PÁSSAROS?
BRita BRazil

http://www.youtube.com/watch?v=VgMHiy88azk

Rio de Janeiro (RJ)

27. OS PASSARINHOS
Meimei Corrêa

(Poema em resposta à música “EU TE AMEI”
de autoria do confrade e afilhado, Edson Lopes )

Tais quais os passarinhos, os amores
Vem alvoroçar nossas emoções;
Enchem-nos de alegrias, luzes, cores,
Deixando-nos repletos de ilusões...

Tais quais os passarinhos, nossos sonhos
Se aconchegam nos ninhos de noss’alma;
Embriagam-nos com seus cantos risonhos
E sábios, eles sentem, nos acalmam...

Tais quais os passarinhos, sentimentos
São ameaçados pela incompreensão,
Assim fogem buscando outros alentos...

Tais quais os passarinhos, esperanças
São mortas por prazer de uma agressão,
Deixando-nos apenas as lembranças...

Campos Gerais (MG)

28. EU TE AMEI
Música de Edson Lopes



Eu te amei
Como a lua ama o céu
Como a abelha ama o mel
Como a noite ama as estrelas.

Eu te amei
Como a terra ama o chão
Como a vida, o coração
Como a flor, a primavera.

Eu sonhei
Eu sonhei sonho de esperança
Eu sonhei feito uma criança
Que diz “Chazan” e quer voar
Eu sonhei com felicidade
Que pudesse ter verdade
Sonhei como um sonhador.

Eu te amei
Como a brisa ama a manhã
O encanto, o talismã
Como a lenda ama a sereia.

Mas chorei
Eu chorei choro de partida
O choro de uma despedida
O choro de não ver jamais
Eu chorei choro de saudade
Como chora um covarde
Que diz adeus a um grande amor.

Eu sonhei
Eu sonhei sonho de esperança
Eu sonhei sonho de criança
Eu sonhei como um sonhador.

E chorei
Eu chorei choro de partida
O choro de uma despedida
O choro de não ver jamais.

Guarulhos (SP)

29. SEI
Música de Augusto Pitta



Sei que a solidão me apavora
Sei que você já foi embora
Sei que passei por poucas e boas
Sei que o nosso amor não foi à toa

Mas se você soubesse ouvir
Não precisava se iludir
Ninguém tinha que se ferir
Mas você preferiu partir

Sei que a confusão foi armada
Sei que a dor já foi processada
Sei que tanto amor deu em nada
Sei que sempre será lembrada

Mas se você soubesse ouvir
Não precisava se iludir
Ninguém tinha que se ferir
Mas você preferiu partir

Salvador (BA)

30. JOGO DA VIDA
Música de Dido Oliveira



A gente viver nesse mundo
É pra sempre reagir
Não encobrir a realidade
Que existe aqui
E ver que essa chama acesa
Que habita os corações
Consegue sim
Fazer a paz sem destruir
Basta um pouquinho de vontade
Cada um fazer a sua parte
Que lhe couber
Com amor e arte
Aqueles que não pensam dessa maneira
Não entendem que essa brincadeira
É o jogo... o jogo da vida
Mas então se a gente não tentar
Quem pode fazer a tempestade
Que lava a alma suja de petróleo
Olho para longe onde está
O sentido de uma guerra suja
O que pode trazer
A paz com armas?

A gente viver nesse mundo
É pra sempre reagir
Guerra jamais
Plantar o amor
Colher a paz
Basta um pouquinho de vontade
Cada um fazer a sua parte
Que lhe couber
Com amor e arte
Aqueles que não pensam dessa maneira
Não entendem que essa brincadeira
É o jogo... o jogo da vida
Mas então se a gente não tentar
Quem pode fazer a tempestade
Que lava a alma suja de petróleo
Olho para longe onde está
O sentido de uma guerra suja
O que pode trazer
A paz com armas?

A gente viver nesse mundo
É pra sempre reagir
Guerra jamais
Plantar o amor
Colher a paz

Rio de Janeiro (RJ)



31. PÁSSAROS EM FUGA
Carlos Reinaldo de Souza

Onde estão bem-te-vis madrugadores?
Nas minhas janelas vinham, bem cedo,
cantar teus cantos, cheios de esplendores,
porém, com certa sensação de medo!

Que tenham partido estou temeroso,
sem ao menos de mim se despedir!
Deixaram um sentimento doloroso,
é sempre triste a hora de partir!

Onde foram os alegres pardais,
que cantavam tão belas melodias,
alegrando o entardecer dos quintais?

Sem árvores, sem ninhos, desprezados,
muitos fugiram, tristes são seus dias,
é porque se sentem ameaçados!

Conselheiro Lafaiette (MG)

32. DAS ASAS QUE NÃO VOAM
Odilon Machado de Lourenço

Voado de nuvens o canto dos pássaros
pousa silenciando amanheceres
Nos deslimites do céu revoam solitários
olhos ensasados de paisagens
Celestes miragens engastadas de azul
anunciam voares perdidos
Sóis enfurecidos revelam cantares
lanhados de ares
Luares serenados encorujam os olhares
do esmo
Ventos ermos navegam sem asas ao
rumo dos bandos
Aninha-se na relva a cor do meu pouso.

Porto Alegre (RS)



33. O JOÃO-DE-BARRO
Rosângela Coelho

Meu João-de-barro querido,
Em todas as manhãs eu o observava,
Trazendo um pouco de barro no bico,
Para construir sua morada.

Muitas árvores em seu caminho,
E por pura desatenção,
Resolveu fazer seu ninho
Num poste de iluminação.

O homem impiedoso,
Sua casa derrubou
E o João-de-barro, choroso
Sem entender nada ficou.

Hoje não mais o vejo,
Para onde foi? Eu não sei
Tenho somente um desejo,
De ouvir seu canto outra vez.

Curitiba (PR), 29/11/2009 - 13h21min

 

 

 

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Formatação Rosângela Coelho
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