AGRADECIMENTO E ENCERRAMENTO

21ª ciranda Mensal CAPPAZ-QUINZENA DO MEIO AMBIENTE
Planeta Terra- Oceanos e Desertificação

Fechamos a 21ª Ciranda Mensal CAPPAZ, com 32 participantes da CAPPAZ e 38 participações entre os textos editados, as obras de arte pinturas) e as fotografias.
Agradecemos a sua participação, neste Evento significativo da CAPPAZ.
Esperamos contar com a participação daqueles que aqui estão e mais os que no momento não participaram.
Ao encerrarmos a 21ª Ciranda CAPPAZ, recebemos mais uma participação.
A confreira BRita BRazil com seu poema abaixo.

Balneário Camboriú, 17 de junho de 2010.
Joyce Lima Krischke- Presidente-Fundadora-CAPPAZ



CONSCIÊNCIA
BRita BRazil

Seja cappaz de atrever
a sentir o amor
que você tem
por você

Seja cappaz de aceitar
sua natureza interior
que sabe muito mais
do que você crê

Seja cappaz de entender
o clamor dos rios poluídos, chorando
a ingratidão dos homens, marchando
criando armas, ao invés de pães.

Seja cappaz de recriar a bondade
como antigamente,
no gesto diário,
abrindo uma porta, com um simples sorriso
pedindo licença e agradecendo a ajuda.

Enfim, seja cappaz de caminhar conosco,
os poetas da vida, pois somos todos iguais:
incapazes de viver
sem a incessante busca
da paz!

Rio de Janeiro

 

 

À GUISA DE INTRODUÇÃO

Amar Mãe-Natureza e os Animais
Sua Beleza Ver... Ouvir seus Ais!

Imagens Naturais de Deus!
J.J. Oliveira Gonçalves

Semana do Ambiente Natural:
Eu louvo no humilde verso meu
Esse Poema Concreto que meu deu
O Deus-Poeta... Criador Universal!

Semana do Ambiente Natural:
Eu teço em filigrana minha rima
O Óleo-Sobre-Tela - essa Obra-Prima
Do Deus-Artista... Mestre Imortal!

E assim eu canto a Pedra e canto a Flor
As Águas e o Pássaro Cantor
No Bucolismo ímpar das Paisagens!

E a sorver do Reino Vegetal
Acaricio o Reino Animal
Enfim, Amo de Deus Suas Imagens!


Porto Alegre, 06 de junho/2010. 10h22min
- Semana do Ambiente Natural -
jjotapoeta@yahoo.com.br  – jjotapoesia@gmail.com
http://transmutacoes.zip.net  – www.cappaz.com.br

 

 

 

PARTICIPANTES

1- Celso Corrêa de Freitas
2- Kedma O'liver
3- Tânia Maria de Souza
4- Adriana Pontes Mendes
5- Ana da Cruz
6- BRita BRazil
7- Joyce L. Krischke
8- Sidney Santos
9- Luciana Tannus de Andrade
10- Eliene Taveira
11- João José Oliveira Gonçalves
12- Aparecida de Lourdes Micossi Perez
13- Esther Rogessi
14- Ana Teresinha Drumond Machado
15- Marly Feliciano Tamani
16- Glória Dávila Espinoza
17- Marco A. Amado
18- Fernando Alberto Salinas Couto
19- Léon Lambert
20- Jonas Krischke Sebastiany
21- Marina Martinez
22- Rosa Maria Athanásio de Oliveira
23- João Batista Drummond
24- Akasha De Lioncourt
25- Daniel Brasil
26- Joyce Lima Krischke
27- Gislaine Wächter
28- Arthur Jaak Wilfrid Bosmans
29- Lenir Castro
30- Carlos Reinaldo de Souza
31- Sílvia Araújo Motta
32- Júlio Carneiro
33- Eloisa Antunes Maciel

 

 

 

PARTICIPAÇÕES

-01-
5 DE JUNHO-DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE E DA ECOLOGIA
Celso Corrêa de Freitas

Lá fora, vozes clamando no deserto pregam que precisamos cuidar do nosso Planeta Terra. Alguns apegados a religião buscam no Rei Davi e o seu salmo 37:29 a razão para não temerem:
“...Os justos possuirão a terra e residirão sobre ela para sempre.”
Com certeza Davi, ao compor tão belo cantito, não tinha a dimensão da capacidade destrutiva do ser humano nos dias de hoje.
Onde está o nosso compromisso com a nossa casa universal, a primeira e única morada pois dela viemos e a ela voltaremos.
Estamos todos os dias agredindo-a e depredando-a, sob o rótulo de conquistadores, desbravadores e construtores do progresso.
Viva o progresso, mas viva ainda mais aquele que cuida dos ecossistemas, cuida das águas, do solo, do ar, do mar e da totalidade da grande nave mãe denominada planeta terra.
Alguém além de alguns poucos já ouviram falar na Carta da Terra?
Um dos documentos mais importantes assinado pelos governantes humanos ao final do século XX.
Por acaso ela está afixada nas Escolas, nas igrejas e Templos, Nas repartições ao lado da foto dos senhores Prefeitos, Governadores e Presidentes?
Precisamos nos decidir, ou cuidamos da nossa casa ou ela vai cair. A chapa...quero dizer, o telhado está ficando cada vez mais quente. E as geleiras derretendo em níveis assustadores.Tal situação afeta até, embora passe despercebida a relação, as nossas relações sociais. Isso explica a nossa convivência tão diferente, injusta e destrutiva”.
Precisamos gritar...como diria Roberto...Um erro não concerta o outro...
Precisamos promover uma ação para proporcionar uma reação...Acabar com o desmatamento, por fim a poluição dos mares e dos rios. Preservar a água. Terminar com a poluição sonora e visual. Extinguir os agrotóxicos. Não jogar lixo nas ruas, calçadas e praças. Acabar com as drogas, parar de fumar e de beber. Abominar a promiscuidade. Transar com segurança e amor. Primeiro para não virar transmissor de doenças sexualmente transmissíveis, segundo para não gerar filhos por gerar. Banir as pichações em muros e prédios. Transformar pedintes em cidadãos. Deixar as aves livres no seu habita natural. Não pescar predatoriamente. Reurbanizar favelas e não permitir mais construções irregulares.
Humanos concientes, Deus contente e a terra seguindo em frente para todo o sempre!

-02-
ÁGUA
Kedma O’liver

Límpida e cristalina,
gostosa de beber.
Banhos refrescantes
pra mim e pra você.

Com ela lavo as louças
e as roupas também,
procurando economizar
e não faltar a ninguém.

Gelada ou natural
ela sempre faz bem;
gosto dela purinha,
mas tomo em suco também.

Temos que preservar,
ajudar o meio ambiente,
nunca desperdiçar
e todos ficarão contentes.

-03-
Caos
Tânia Maria de Souza

Obra "Caos", a tela mede 1,20 x 0,80m, em acrílica sobre tela. Participou da exposição MEU AMBIENTE (sobre o meio ambiente), que foi itinerante, e passou pelo Teatro Municipal de Itajaí, pela Galeria Municipal de Arte de Balneário Camboriú, pela Galeria Mun. de Arte de Blumenau e pela Biblioteca da UNERJ de Jaraguá do Sul, em 2007 e 2008.

Balneário Camboriú/SC

-04-
NOSSO CORPO
Adriana Pontes Mendes

Criação perfeita do Criador.
Obra.. que, conduz o homem a dizer: “Que perfeição!”
Quantos são perfeitos e não si dão valor.
Querendo sempre mudar a obra do criador...
Aperfeiçoar o que perfeito está.
Outros, destroem a obra que cientista algum pode fazer...
A existência humana.. o inigualável ser.

Até quando, homens cegos vão destruir seu próprio corpo
...trazendo para si um grande vazio na sua alma?

Com tantos progressos e vaidade o homem esquece-se do próximo.
Trazendo para si o seu mundo e, ansiando que, cada um se enquadre nele.
Sobreviver é preciso com tantas mudanças e evoluções.
E assim.. da mesma forma é a nossa natureza, gritando de várias formas por sua preservação –pela vida do seu corpo-.Chamado a atenção de todos, como que à dizer: PAREM DE ME DESTRUIR!

Nossa fauna, nossa flora, não suporta mais!
Choram, pedem socorro, mostrando que já estão nos seus limites.
Ó Homem! Não destruas aquilo que é teu.
Zela pelo que tens e o amanhã florescerá.
Os teus cuidados farão com que, todos os corpos estejam sempre perfeitos e vivendo em harmonia.

Até quando, homens cegos irão destruir os seus corpos?
Trazendo para si um grande vazio na sua alma
...a extinção do planeta e de si!

Pensemos nisso!

Adriana Pontes Mendes
Seccional Recife/ PE
07/06/2010 às 01:05hs

-05-

"Estejamos todos juntos, unidos em torno desses movimentos.
A consciência ambiental é fundamental."
Ana da Cruz

-06-
A chuva
BRita BRazil

Chove você, dentro de mim...
É água que brilha no solo
É mata na tempestade

Me encharco do prazer de te olhar
De ser água na tua onda
De ser barco na tua solidão

Questiono se a liberdade
É uma prisão.
Quero ser livre pra me prender

Mas corro em direção oposta
Pra de longe, melhor te ver

-07-
Navegando Poesia
Joyce L. Krischke

-08-
PINTURA NO JARDIM
Sidney Santos

O quadro
Tinta verniz
Marcando tua moldura
Vontade que ultrapassa
Toda cor e matiz

Eu
Pássaro amante
Em busca da linda flor
Instante constante
Na vida do beija-flor

Você
Manto de proteção
Pequeno ponto de luz
Flor que o pássaro conduz
Pra dentro do coração

Nós
Pássaro e flor
Instante proteção
Vontades amor
Pulsar de emoção

-09-

Gatinho Zion, fotografado por Luciana Tannus de Andrade.

-10-
O nosso capricho em satisfazer os nossos desejos, cada vez mais exigentes, nos torna vulneráveis e reféns de nossa própria ganância. Assim “caminha a humanidade”: estúpida, cega e cheia de si.

Luciana Tannus
Aracaju/SE
Brasil

-11-
Louvor à Terra
Eliene Taveira

Nesses versos sem métrica
Almejo a terra louvar
Alimento e puro ar
Fornece sem nada cobrar

Alimentos e remédios
Flores, néctar de beija-flor
Lindos cantos a ressoar!
Belas arvores, verde cor

Mar um espelho pungente
Sol que aquece a alma
Cachoeira que acalma.

Feitiço, clarão do luar
Estrelas refletem olhar
Poeta à terra louvar

São Paulo/SP

-12-
Canto aos Vegetais!
J.J. Oliveira Gonçalves

Saúdo os Guardiães da Natureza
Na Missão que lhes deu o Criador:
Da Criação zelar - Áurea Beleza
Semeada com Sagrado e Ledo Amor!

Na miscigenação de Tons e Cores
De Fragrâncias, de Sons e de Poesia
Que sejam minhas letras Beija-Flores
Em cálida e sensual Coreografia!

Saudando o Verde Dia da Botânica
Que Irmão Francisco bana a mão satânica
Das florestas, das selvas, dos jardins!

Meu verso é o irmão sapo a coaxar
E a Musa é essa Fada em seu Sonhar
E Elementais as rimas... Querubins!

Celebro a Natureza sem igual
A Vida a se expressar no Vegetal!

Porto Alegre, 17 - Dia Nacional da Botânica - abril/2010. 14h22min
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-13-
Água
Cida Micossi

Fresca: mata a sede e lava o corpo.
Morna: acalenta a pele, faz sentir conforto
Poluída: infecta os seres que nela vivem,
com manchas na pele, aspecto sujo, saúde frágil.

Essa mesma água
que como presente nos veio
da Mãe Natureza,
que brotou tão límpida
em uma nascente,
mas que em seu curso
encontrou poluentes
chegará ao destino
toda infectada
e sendo filtrada
servirá de alimento
pois, cumprindo o ciclo
voltará à Natureza.
É mister preservá-la!

Santos, 11/06/2010

-14-
O MERGULHO DA FOCA
EstherRogessi

Livre sou, corto os oceanos...
Livre vou..adentro os mares
...encanto com o meu triste canto.
Canto triste há em mim...
É um lamento é um triste canto,
Quantos dos meus chegaram ao fim?
Respondam-me homens...
Executores do meu, do nosso fim!
Amo às águas e os pingos em mim.
O mais terrível animal... A causa do maior mal,
O que tal qual, nós..é mortal, aniquila o pinguim!
Nas muitas águas riquezas há...
Sobrevivência, suprimento pra carência...
Mistério infindo no azul anil, ou verde mar,
Prateado, brilhante a luz do luar...
Mudanças contemplo nas tuas águas,
Na terra, no céu e no ar.
O animal mais feroz, não é nenhum de nós...
O maior predador, o que causa maior dor,
É a obra mais perfeita do Criador!

-15-
Súplica Oceânica
Ana Teresinha Drumond Machado

Choro a seco...
Minhas lágrimas emurchecem
gota a gota.
Gota a gota inundo o deserto.
Tua súplica!
A mim, ela é cara-seca!
Lamentações
não mais me comovem...

Sinto-me carente de zelo.
As águas nas torneiras
são cachoeiras desregradas.
Meus olhos sentem sufocados...
eclipsados pela poluição.

Falta-me ar...
Sinto-me debelado.
Ou o calor é vulcânico,
ou congela minh’alma.
Vejo ... sinto-me próximo a meu fenecer.

Nesta lamentável revelação saiba:
Não irei só. Tu irás comigo!
Não sejas surdo! Rogo-te!

-16-
SEIVA DIVINA
Marly F. Tamani

Meu grito é fraco demais
É! Ele é fraco e sem eco
meu grito é de silêncio
e este...
é fraco demais para sentirem
doído demais para suportarem
baixo demais para ouvirem
e...
suave demais para implorar
água...fonte de vida
o homem precisa entender
água não pode faltar

matar...
muitos irão chorar
escute!...

deixe eu te falar
água...seiva divina
eu não mato...
você não mata
e...

juntos
agradeçamos a Deus.

-17-
UMBRAL EN PASOS SÁNSCRITOS EN AZUL CIELO DE MAR
Glória Dávila Espinoza

Umbral en tus pies,
tus falanges y
tus olvidos sánscritos,
en tu morada que es la tierra
hirviendo en volcanes,
tu canto
en la rama
del árbol
de tánatos,
tu iris
que perfila
caminos al mar
y pasos;
los que desde antiguo
han teñido de azul el cielo
la duda
y el carcinoma
del alma en abetos.

Umbral el destierro se abre si no amas a la tierra
Esas que de mis penas
en despojos,
el roer
de los vientos
en cumbres
que sacuden
el zumbido
de los fuegos
a mis fauces,
el cataclismo
de ojos
rompiendo la vida en el mundo
en cuyos sueños
el paso
de elefantes, víboras y águilas
en esquinas y
veredas-ecos de azul se pierden si matas la tierra.

Umbral
De la sombra
de los deshielos,
la cornisa
de los fuegos,
la guillotina de sus
las almas,
la tubícula
del túnel
de mi trayecto,
el espiral correr
de espejos universos sin el alma de la pacha mama
no es ni será jamás vid sino muerte

¿Preguntas
de tanto no saber,
por qué escribo
en mis pasos perdidos en la tierra?
el azul color
de mi umbral hoy desvanece el reír
…porque tu epígrafe
no sabe sino de olvidos sánscritos
a campos en trigales
socavando esperanzas
a sus únicos vástagos
en raudos olvidos…
por eso el umbral
en azules pasos
hoy
se ha vestido de ti
hasta el morir anestésico,
y para que la culpa
no lo ahuyente más,
ha escarbado
tu sombra
para ser
usanza de axiomas
en afiebrados y mefíticos espejos
que dibujan
y rasgan tu amorfo génesis
en tu risa
que se pinta de filudas esquirlas.

Tingo María,10 de junio 2010

-18-
CLAMOR CONTRA A HIPOCRISIA DA PRESERVAÇÃO
Marco A.Amado

Por que continuamos sendo hipócritas, quando o tema é preservação?
Falamos em preservar... e lixo e mais lixo! Na terra, nas águas e no ar, continuamos a lançar: plásticos, vidro, papel, metal e poluentes...
que maltratam a Mãe Natureza e seus recursos em nome da sobrevivência!
Estamos a esgotar os recursos de maneira rápida e sem consciência, que não dá tempo à ela de se recuperar...
Quando, realmente, teremos aberta a nossa mente?
Quando iremos utilizar nossas fontes naturais verdadeiramente e de forma consciente?!
Devemos deixar de usar a palavra progresso como forma de explicar toda está agressão!
Vamos lá somos "capazzes" de diminuir a destruição!
Deixemos de ser onipotentes e sejamos onipresentes...
Vamos dar um basta ao louco consumo...
Vamos juntos e de forma consciente utilizar os recursos da Mãe Natureza, preservando desta forma para futuras gerações o ar puro: o alimento essencial
e esta exuberante beleza que nos é ofertada de graça e gentileza...
Vamos todos juntos deixando de lado a hipocrisia... e verdadeiramente...
Poderemos ao mundo gritar:
Que a natureza de forma consciente iremos explorar e preservar...

Ilha do Governador
(Ocram 09/06/10)

-19-
O OCEANO E A VIDA
Fernando Alberto Salinas Couto

Ó meu querido mar
que em teus arcanos
guarda tantos mistérios,
venho perdão implorar,
para nós seres humanos
que tantos impropérios
vivemos a te lançar.

Se há água dos palácios
às humildes residências,
devemos ao teu amor
que traz peixes e crustáceos
pra satisfazer a ganância
deste ser destruidor.

Ah! Oceano amigo querido
perdoa esta humanidade
que não sabe o que faz.
Que ela tenha compreendido
o que realiza de maldade
enquanto sugeres a paz.

Não quero tua destruição,
nem a tua água poluída,
pois tenho perfeita noção
de que a ti eu devo a vida.

SP – 13/06/10

-20-
NÓS E A NATUREZA
Fernando Alberto Salinas Couto

Será que haverá algo mais triste
do que dizer à alguém, de verdade
que aquilo que ela mais tem saudade,
por nossa culpa, não mais existe?

Quão horrível é mossa atitude,
destruindo toda natureza
e acabando com a própria saúde
que é nossa maior riqueza...

Será que diante desta paisagem
que deixamos a os filhos teus,
teremos um dia a coragem
de pedir nosso perdão pra Deus?

SP – 30/11/09

-21-
Léon Lambert

-22-
Léon Lambert

-23-
Passeio dos Patos
Jonas Krischke Sebastiany

-24-
Véu de noiva
Marina Martinez

No casamento Homem e Natureza
fui espiar o véu da noiva.

Caia pelas (em)costas, frio,
destituído da natural beleza
que adorna e traz encanto.

Deixou de ser renda.
Pendendo até o chão, desconsolado,
tornou-se simples tule esburacado.
Perdeu do volume a grandiosidade
e do viço, toda a lenda.
Sobrou pouca força. Desencanto.

Ela, a noiva, restou em sua senda,
expondo quase perdidos recantos
aos que ainda têm curiosidade.

Ele, noivo, predador inconseqüente,
já partiu afoito para outro lado,
deflorando virgens matas,
desandando em frio o ardente,
deixando mais noivas aos prantos.

Percebo, ao respirar,
sentimentos quase humanos.

Ela, sem mais amor ou harmonia,
perecerá, envolta em seu véu rasgado,
vítima de um casamento em agonia.

Ele, polígamo traiçoeiro e inveterado,
nem mesmo um singelo véu de espuma
receberá de tais enlaces profanos,
pois destruirá muitas vidas, uma a uma.

-25-
Minha sede e minha fome
Rosa Maria Athanásio de Oliveira

Eu tenho sede
Também tenho fome
Sede de beber nas águas dos meus rios
Fome de ver a natureza verde, coberta de flores e alimentos
... em que mundo estou?...
Alguém pode me alcançar essa informação?
Somos seres pensantes – únicos filhos de deus sobre a terra (hahahaha)
E os animais que são de longe melhores que nós...
Quando matam é para se alimentar; e nós esses filhos desse deus que um dia foi carnívoro, precisando sacrifícios para seu deleite.
Onde estão os humanos?
Onde estão os donos do Planeta?
Onde estarei no futuro próximo?
Quero que meus filhos, meus netos e os meus animais de estimação possam usufruir do ar, do mar, da vida sobre a terra
Continuo com sede
Continuo com fome
Continuo querendo meu planeta sem os predadores habituais
Eu quero que todos possam ter o ar melhor, a água mais pura, o céu mais azul
Bastará querer?

-26-
Lamento das Gerais
João Drummond

As serras da minha terra,
A um só tempo, protetoras e opressivas.
O que haverá além?
Berço que acalenta e aprisiona,
Como uma grande muralha da China.
A ultima defesa contra ataque
Dos cavaleiros dos metais,
E suas tropas medievais,
Na arena do grande sertão.

Serras que protegem em lânguido ninho,
Espelhos de reflexos profundos e distorcidos.
Túmulos profanados.
Escola de mestres vencidos.
Templo de vestais corrompidas.
Um acalanto puro transformado
Em grito angustiado de capital promiscuo.

Eis o que restou daquela promessa
Guardada a sete chaves,
No seio da terra, ao reflexo das águas.
Um paraíso queimado
Na fogueira impiedosa da ambição
E da vaidade
Filha bastarda do progresso vendido.

No culto ao bezerro de ouro,
Na destruição das matas,
Na poluição das águas,
Assassinato em massa
Dos valores e tesouros
Que a mãe-natureza
Nos legou de graça.

Serra rasgada, terra ferida,
Vertendo lagrimas de sangue.
Um caudal de lama avermelhada,
Saindo de suas entranhas dilaceradas,
Com um grito de puro desespero.

O que restou a nós, poetas da terra,
Alem de um triste lamento?
Se as engrenagens do progresso
Não podem parar,
Se sua bocarra enorme não pode se calar?
Talvez o silêncio dos rendidos
E a caneta revolucionária dos aflitos.

-27-
Planeta Água
Akasha De Lioncourt

Água que lava,
Limpa, asseia,
Refresca, sacia...
A sede... A sede...
Águas profundas,
Que guardam segredos,
Vidas e anseios,
Nos leitos dos mares.
Água marinha,
Que traz o sal,
Moeda de troca,
Tempero sem igual.
A água que brilha,
Ao pôr do sol, no horizonte,
É a mesma que te banha,
Ainda que pareça tão longe.
Água que se precipita,
Como chuva providencial,
Salva a vida das lavouras,
Mas também pode ser fatal.
Água que representa,
As forças da Natureza.
Não a provoque, fique atento,
Pois poderá sentir a tormenta.

Akasha De Lioncourt – 17/06/2010

-28-
Olhos do Mundo
Daniel Brasil

Amazônia Olhos do Mundo
Patrimônio Internacional
A tua flora e fauna
É riqueza natural
Través desta canção
Vai um alerta geral
Que este se concretize
Por favor, não martirize
Que disto se conscientize
Soberania Nacional

Espero que esta canção
Vá aos quatro pontos cardiais
Levando boa mensagem
Nestas notas musicais
Cientistas de outros países
Cobaiam os animais
Deixando vidas patéticas
Fazem bancos de genéticas
Com as faunas tropicais
Atém o bicho preguiça
E outros gens naturais
O homem está pesquisando
Fazendo seus coletivos
São pesquisas científicas
Que causam estes motivos
Amazônia não te chamou
Tudo que Deus semeou
Naquele chão prosperou
Esses lindos seres vivos

A mais forte expressão
A Mãe Natureza cria
Repele o que não é sua
É mistério e não magia
Disto que estou falando
A experiência dizia
A natureza é perfeita
Contrários não aceita
E Amazônia rejeita
Leis da tecnologia.

-29-
Oh, Mãe Terra...Ah, Mãe Terra...
Joyce-Lu@zul

Oh, Mãe Terra, de filhos desgarrados!
Ah, Mãe Terra, de irmãos “brigados”
Oh, Mãe Terra, deste-nos abrigo
Ah, Mãe Terra, acabam contigo...

Oh, Mãe Terra, dos rios poluídos
Ah, Mãe Terra, dos cortes proibidos
Oh, Mãe Terra, e os teus clamores?
Ah, Mãe Terra, sofres muitas dores?

Oh, Mãe Terra, dos cantos dos pardais!
Ah, Mãe Terra, não os ouço mais!
Oh, Mãe Terra, sem flores nos prados

Ah, Mãe Terra, não ouvem nossos brados!
Oh, Mãe Terra, deste-me a vida...
Ah, Mãe Terra, sinto-te sofrida!

Balneário Camboriú/SC

-30-
ADEUS MÃE-TERRA...
Joyce Lima Krischke

Nossas gaivotas onde estão?
Sua praia, pedaço de areia...
Nossas conversas sobre sereia...
Há aterro... corta-me o coração!

Perderam seu espaço... têm fome!
No lugar da praia há aterro
Gaivota foi pra o desterro?
Homem constrói e gaivota some

Quanto desamor à natureza!
Até sofá e fogão vi no mar!
Mas continuo... não canso de bradar:

Por favor, cuidem da Mãe Natureza!
Vejam o “bicho homem”: ele erra!
E gaivotas dizem: Adeus Mãe Terra...

Balneário Camboriú/SC

-31-
Rio e Mar
Gislaine Wachter

A cidade pode mudar com o passar dos anos.
Mas o rio nem por isso deixa de ser rio,
por mais barragens que construam para o adormecer.
É aqui que o rio entra mar adentro.
Mar igualmente, belo e perigoso.

Balneário Camboriú/SC

-32-
Natureza Viva
Jaak Bosmans

 

-33-
O DIA AO AVESSO
Lenir Castro

Destranco a porta
E recomeço.
O arremesso de pássaros em
Debandada é o começo,
Não me animo
Nem me acato,
Ferozmente, o homem lança
A garrafa no riacho...
...
A fúria das águas
É uma ameaça
Real, concreta, cruel.
Sangra o céu em
Desacato.
A natureza devolve
Em brados.
Todo excedente vira morte.
Mas o homem,
Na sua marcha lenta
E anestesiado,
Não detém seu passo.
O alvorecer e o crepúsculo
Não me bastam.
Desanimo e volto
O olhar ao riacho:
Objetos, detritos e
Seres indiferentes,
Ao acaso...
O dia divergente me
Convence.
Tranco a porta,
Do lado de dentro
É mais denso:
O homem, a garça, o riacho...
E o medo.
Na solidão não há segredo.

Lenir Castro
Seccional - Niterói - RJ
19/06/2010

-34-
PÁSSAROS EM FUGA
Carlos Reinaldo de Souza

Onde estão bem-te-vis madrugadores ?
Nas minhas janelas vinham, bem cedo,
cantar seus cantos, cheios de esplendores,
porém com certa sensação de medo...

Que tenham partido, estou temeroso,
sem ao menos de mim se despedir;
deixaram um sentimento doloroso,
é sempre triste a hora de partir...

Onde foram os alegres pardais,
que cantavam tão belas melodias,
alegrando o entardecer dos quintais ?

Sem árvores, sem ninhos, desprezados,
muitos fugiram, tristes são seus dias,
pois eles se sentem ameaçados.

-35-
MÃE TERRA
Carlos Reinaldo de Souza

Nosso berço e moradia,
obra divina de Deus,
foi criada, com ousadia,
esta Terra e os filhos seus.

Um paraíso mui lindo,
destaque da natureza,
dentre os astros distinguindo,
mercê de sua beleza.

Mas o homem não soube usar
do Criador tamanha prenda,
e passou a degradar
esta bela oferenda.

É tempo de se rever
esta postura incorreta,
não se pode esquecer:
salvar a Terra é uma meta.

Então, nossos descendentes
poderão usufruir
do sol os belos poentes,
que a natureza exibir!

-36-
BELEZA NATURAL
Carlos Reinaldo de Souza

Terra, tu és a nossa casa,
Nosso berço e nosso lar,
tens o respeito da NASA,
lá no espaço a te guardar.

És azul mas tu carregas
o verde da esperança;
em teu seio, tu enlevas
muita paz e a bonança.

Tens a rica natureza,
exuberante e gentil,
por isso temos certeza,
a vida tem cor de anil.

O azul deste lindo céu,
que nos recobre de luz,
qual hino de um menestrel,
é beleza que seduz.

És Rainha, Majestade,
a ti rendemos a glória,
pois mereces na verdade
o galardão da vitória.

Compete ao homem, no entanto,
ser o eterno guardião
desta riqueza e encanto,
garantindo este florão!

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NATUREZA
Soneto-sáfico-heróico Nº 2051
Por Sílvia Araújo Motta

A natureza implora e pede paz;
dá seu exemplo claro, sofre... agora;
para o planeta TERRA grita e faz
sua defesa à água, fauna e flora.

Exploração terrestre do homem traz
efeito estufa que o universo cora;
aquecimento ao globo a dor refaz,
degradação do meio ambiente chora.

Desmatamento tem labor insano;
poluição do ar, produz tristeza.
É predador de si, o Ser humano:

Ainda resta a Fé e o Amor! Propostas
de AÇÃO serão bem-vindas, com certeza,
crer no poder Divino! Ter mãos postas!

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Quem já viveu no mar
Julio C. Carneiro

Quem já viveu no mar costuma dizer que:
“A cada dia que passa ele nos ensina algo sobre ele”,
Quem já viveu no mar aprendeu a respeitá-lo,
Quem já viveu no mar até consegue conversar com ele,
Quem já viveu no mar neste dia tão importante pede desculpa,
Pois nós homens não entendemos que os mares são seres vivos
Nós homens ignoramos e insistimos em destruí-los
Desculpa, desculpa mais uma vez.
Pois nós homens ainda não aprendemos a viver no mar.

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SOLILÓQUIO DE UMA TIMBAÚVA MORTIÇA...
Eloisa Antunes Maciel

Em primeiro lugar, devo identificar-me: meu nome extra-convencional é Timbaúba (variante regional de Timbó- uva). Sou árvore nativa, existente no solo brasileiro e, segundo verbetes alguns dicionários, também tenho parentes em outros países, particularmente na América do Sul... Minha origem? Ah! Que confusão! Prefiro não me manifestar sobre isso... Quanto à pronúncia usual do meu nome, noto que ouvintes e leitores estão habituados com a substituição do “b “(da sílaba final de Timbaúba) por “v”(Timbaúva), parecendo estarem mais familiarizados com este abrandamento, o qual parece conferir ao meu nome uma certa leveza...E, por uma razão afetiva, permito-me associar essa letra (”v”) ao murmúrio dos ventos suaves que levemente moveram meus ramos--- quando ainda verdes e abundantes...
Talvez, no bojo destas considerações, caiba ser aludida a motivação do meu desabafo neste estágio terminal de uma vida dedicada ao equilíbrio ambiental — minha função principal, além de outras contribuições que prestei à mãe–natureza e aos humanos que nela se inserem. Acredito que, embora minimamente, esses terráqueos estejam informados sobre minhas funções e de que elas consistem... Com base nestes pressupostos, estou a resumir a minha história quase centenária, procurando ater-me às circunstâncias de minha existência, sem deter-me em relatos exaustivos de funções exercidas em razão de minha destinação, e sem destacar os inúmeros efeitos advindos do cumprimento dessas funções, pois, como já mencionei, os humanos devem estar minimamente informados sobre isso... Eis alguns destaques de minha história:
Nasci e cresci na Região Central do Estado do Rio Grande do Sul, mais precisamente num dos municípios que se limitam com o município de Santa Maria, cuja cidade é por muitos considerada como sendo o “Coração do Rio Grande”. O Meu torrão natal, que antes era distrito de Santa Maria, atualmente é emancipado politicamente, embora mantendo a sua antiga denominação: São Martinho da Serra... (Acredito que a população martinense deve estar informada sobre o papel desempenhado por este meu torrão em embates relacionados às lutas que se qualificaram como definidoras da história rio-grandense...).
Em tempos nem tão remotos, eu tinha uma família bastante numerosa... Éramos inúmeras irmãs e primas espargidas ao longo desse solo verdejante e notavelmente promissor. Crescíamos e vicejávamos à luz de todos os sóis, nos tempos em que a poluição desenfreada era apenas uma possibilidade remota em relação à que hoje mal suportamos... No entanto, este é apenas um dos motivos do meu desabafo.
Quanto à minha particular localização, até este momento final, informo que ainda estou situada à frente (e ao centro) de uma fração de terras que pertenceu a diversas gerações de uma mesma família, sendo que os membros desta sempre me dispensaram especial atenção e, o mais importante, reconheceram minha condição de nativa e me preservaram como tal. Entretanto, com o decorrer do tempo, entre outros motivos obviamente compreensíveis, esse terreno teve, sucessivamente, vários proprietários. E eu, sempre frente à cerca demarcadora do dito terreno, acompanhei cada proprietário (ou proprietária), testemunhando as modificações que se processavam dentro e fora das demarcações deste local.
Vi diminuir sensivelmente o fluxo de carretas na medida em que caminhões, ônibus e caçambas tornaram-se verdadeiras “vedetes” na estrada que eu observava à minha frente... (Teria o excesso de gases tóxicos expelidos por esses veículos contribuído para o meu declínio?...Se o foi, certamente não teria sido a única variável concorrente para a minha degradação).
Reconheço que, entre os diversos proprietários, alguns deles procuraram preservar-me... Uma proprietária (a penúltima...) presenteou-me com uma nova irmã, plantando próximo de mim outra árvore para “me fazer companhia”; também procurou criar outras condições ambientais a minha sobrevivência; e a atual proprietária tentou extirpar da minha estrutura alguns “galhos doentes” que poderiam contaminar-me e assim apressar o meu declínio... Providências talvez tardias, pois eu passei a “secar”(inicialmente nas pontas e, posteriormente, nos troncos que sustentavam os meus galhos)... Enfim, estou moribunda, isto é, estou morrendo... No entanto, antes que um laudo oficial autorize a extirpação do que ainda resta de mim, resolvi expressar este meu desabafo em forma de solilóquio, pois se as árvores têm alma, conforme uma concepção metafórica (ou extra-natural), minha alma ainda subsiste – e me permite esta última manifestação, ainda que o faça nesta fase mortiça...
Reconheço também que, se antes eu era um lar de pássaros felizes, hoje (dizem) só sirvo para atrair insetos nocivos... Portanto, a minha hora chegou... Espero que outras árvores nativas—que a mim venham a sobreviver, ou a re-nascer, possam superar circunstâncias adversas e cumprir as finalidades a que se destinam em favor do equilíbrio ambiental e, por conseguinte, da sobrevivência do próprio ser humano sobre a face deste fecundo Planeta Azul.

 

 

 

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