ENCERRAMENTO E AGRADECIMENTOS

Animais - Companheiros de Jornada...
J.J. Oliveira Gonçalves

"O que é o homem sem os animais?
Se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito."
(Grande-Chefe Seattle)

No Colo...

No colo de meu pai, de minha mãe - ou de minha avó materna - esses seres vivos e enigmáticos chamados animais já chamavam minha atenção e me encantavam... Quando nem eu mesmo sabia de mim, eu já sabia desses manos que, mais tarde, foram me ensinando o be-a-bá da inocência, do companheirismo, do respeito, da solidariedade, do Amor... Eu iniciava, pois, a folhear as primeiras páginas do ABC do misterioso e hermético Livro da Vida...
Nesses primeiros tempos - engatinhando minha Jornada que não imaginava longa e dolorida - a criança que eu era se confundia com minha criança-interior... No enorme jardim de minha avó materna - cheio de cores, sons e fragrâncias - eu brincava com meus bichos-de-estimação e acariciava, com a curiosidade gentil de meus dedos infantis as pétalas feitas de seda e de veludo das rosas, das açucenas, das violetas, dos cravos, dos jasmins... Afinal, era tanta flor, tanta cor, tanto perfume falando ao meu coração infante e cativando minha Alma muitíssimo antiga... Eu corria por entre os caminhos dos altos canteiros com meus irmãozinhos animais - tão ou mais crianças do que eu... Olhava com desassombro os passarinhos e embalava ledas fantasias infantis com seus cantos - múltiplos e singulares... Conversava com meu amiguinho imaginário que sei: colorido e sorridente Querubim... Era uma vez - então, lá - uma singela e magnífica "história da carochinha" com pequeninos personagens em carne-e-osso onde eu era Curumim... Ah, mas isso foi naqueles longínquos e queridos tempos-garatuja de uma poesia inegavelmente concreta, colorida e musical, que guardo bem viva nos rincões amorosos da Alma - nos escaninhos suspirosos do coração... Sim: naqueles idos tempos indolores de ternura e calmaria, começava - com esses sábios e divertidos Companheiros de Jornada - a Jornada enigmática e única de minha Vida! Equivocadamente, diria que o Tempo passou - acelerado - ante meus olhos ainda feitos de encantamento e fascínio pelos irmãos-animais... Na verdade, eu é que passei - a galope - cavalgando a Linha Imaginária do Tempo... Uma Linha Existencial de Éter e de Infinito - onde meu corpo se desmorona, meu coração se metamorfoseia em Dores e Saudades e minh'Alma é o Pássaro resfolegante que ensaia Vôos de Leveza e Liberdade!

Lições-Animais..

Pois, é... Quando eu era criança, ouvia dizer que os animais não tinham inteligência... Não era o que eu via, quando brincava com meus bichos-de-estimação! Depois, ouvia que os animais não tinham Alma... (Parece-me que até era pecado pensar que tivessem...) Não era o que eu percebia quando via demonstrações de Amor e Companheirismo nos animais! E isso me "encucava" muito... O tempo passou... E fui procurar respostas para minhas "encucações" adolescentes... Encontrei, li e tenho vários livros que tratam do assunto - espiritualmente. Então, me senti gratificado, recompensado - lá, naqueles tempos de crassas ignorâncias e tabus... O que vemos - diuturnamente - são lições de desamor - dada pelo "racional" bicho-homem... E Lições de Amor - tantas! - dadas pelo "irracional" bicho-bicho! Um dia, (será que chegará??), quem sabe, o prepotente e ganancioso bicho-homem se dê conta de que Deus, em Sua Infinita Sabedoria, criou mesmo o mosquito antes do homem... Talvez, aí, então, o homem reencontre sua identidade... E, finalmente, aprenda que toda Vida é Preciosa!
Vejo, notoriamente, os irmãos-animais dando Lições de incondicional Amor, de inegável senso de Fraternidade, de Solidariedade... Tanto a um "parente" seu quanto a um chamado humano!! Aliás, os animais estão, a cada dia, se humanizando mais. Os homens, ao contrário, se embrutecendo, pois se insensibilizado mais - visto que perderam sua própria identidade... Com certeza, as poucas alegrias que ainda cultivo - entre uma ruga e outra de desgosto - vem dos animais... A tristeza (crônica!) desenhada em meu rosto - vinda da Alma - fica por conta do bicho-homem que, DESALMADO, abandona, maltrata e mata, (tão fria e diabolicamente!), essas meigas e inocentes Criaturinhas de Deus... Ah, antes que me esqueça: quanta mãe-de-faz-de-conta, por aí, DESALMADA e cruel!! Quanta mãe-de-verdade, com sua ALMINHA ANIMAL, socorrendo filhos alheios... E os adotando, AMOROSAMENTE, como se foram seus!

Filhos...

Retrato os animais como se fossem uma espécie de criança. Penso além: são crianças desde bebês-filhotes até ficarem velhos, bem velhinhos. Então, nascem e morrem crianças. Possivelmente, por este meu jeito de vê-los e de senti-los, eu me identifique aos meus bichos-de-estimação como seu "pai" ou, seu "vô" - se forem de minhas filhas. Aos de rua eu os chamo de "manos" e chamo os meus de "filhos".
Às vezes, me rio (interiormente) quando alguém diz, do alto de sua sabichonice: "Não sou pai de bicho." "Não sou mãe de bicho". "Não sou tia de bicho." "Não sou avô de bicho." Enfim, creio que se acham "animalizados" com tais parentescos... Eu as acho pessoas muito pobres - de inteligência e espiritualmente. Quem sabe, já esqueceram que o Pai-Maior é Deus, também chamado de Criador. Com certeza, nem lhes passou pela cabeça - ou pelo coração - que Deus é a Fonte de todos nós, pessoas e animais e de todas as coisas. Mas, infelizmente, o homem sempre se julgando acima das outras Criaturas de Deus, não admite - em sua arrogância e sua prepotência cada vez mais exacerbadas e deletérias - seu "parentesco" sequer de irmão dos animais, da Natureza... Em meu Bairro - a três quadras de minha casa - temos a Igreja de São Francisco de Assis. Sei que é uma Igreja muito freqüentada, porém, quantos "cristãos" que ali vão comungam, na prática, dos Ensinamentos Fraternos de São Francisco? Neste exato momentos, lembro-me da anedota aquela da plaquinha-aviso no portão de um hospício: "Nem todos os que estão são. Nem todos os que são estão." Pois é...
Evolução tecnológica. Involução humana e espiritual do homem! (Infelizmente!) O homem se robotizando. O homem se brutalizando. Os animais se humanizando. Os animais se solidarizando não importa com que raça - mesmo com o homem em seus infortúnios. Basta ver fatos (e fotos) dessas ações solidárias que acontecem pelo mundo, patrocinadas - naturalmente - por nossos irmãos-animais. (Então, como posso chamá-los de "irmãos-menores" ou acreditar que suas Almas sejam rudimentares? Ou será que as "posições" na escala animal se estão invertendo?) Seja como for, continuarei a chamá-los de "filhos", "manos", enfim... Assim me sinto perfeitamente bem, pois emana uma Energia de Paz e Amor entre eles e mim. O que posso querer mais, num mundo frio, materialista e violento como o nosso?

Gratidão

Os animais são nossos companheiros de Jornada. Desta Jornada complexa e doída - apesar de bela. Digo bela porque Deus - que é Poeta e Pintor - nos oferece diariamente um singular Óleo-Sobre-Tela e escreve um Poema de Encantamento e nos convida a contemplá-Lo e a recitá-Lo no generoso esplendor de Mãe-Natureza! Essa Pintura e essa Poesia, no entanto, poucos de nós consegue ver e cantar - eis que a maioria já esqueceu até do próprio Deus... Se não consegue sequer enxergar, como poderá sentir a Obra do Criador na inocência de um bichinho, na pureza de uma flor, na beleza de um olho-d'água - mesmo no existir silencioso de uma pedra que pode ficar sua vida inteira no mesmo lugar, sem se queixar - apenas cumprindo sua Jornada no Planeta?
Tenho que os animais são os seres mais humildes. Igualmente, os mais frágeis. Uma criança, por exemplo, pode dizer o que sente, o que quer, o que dói... Um animalzinho, seja filhote ou já velhinho, não.
O que o bicho-homem tem que entender é que os animais sentem tristeza e alegria, sentem Dor e bem-estar. Que eles têm coração e têm Alma. Que eles sorriem e choram, como nós. Enfim, que esses nossos manos têm Sentimentos! São Sentimentos Puros, desinteressados. Seu único interesse somos nós mesmos. Ou seja: seu dono, sua família humana, quando têm. Para os de rua - que Sofrem na diária Peregrinação de sua dura Jornada, deveríamos, todos nós, ser sua grande família de humanos - o que não acontece, infelizmente.
Pessoalmente, sou grato aos animais. Sou grato aos meus, de estimação. Sou grato a todos que Deus colocou sobre a Terra - para deleite nosso e Aprendizado... Aprendo muito com eles - principalmente sobre as Dores e os Consolos da Vida - e procuro lhes ensinar o que sei, o que posso, o que meu coração sente, o que minh'Alma já aprendeu - eis que minh'Alma é muito, muito antiga!
Precocemente aprendi - com a Dor inconsolável da Perda - que não passo de um Sopro - uma Sombra que se vai com o entardecer... Que sou o zéfiro que chega e se desfaz, se estiola, se desfaz... Que sou apenas um Ser da Natureza cumprindo estoicamente sua Jornada Terrena... Eis o que sou: um Tudo que, não mais que de repente - como bem disse o Poetinha - faz-se em Nada... (Em meu primeiro vagido, compreendi que já estava voltando...)
Com certeza, gosto dos animais. E não, apenas, de animais... Há, aí, uma grande diferença! (Essas partículas fazem uma diferença enorme!) E, por isso mesmo, esse meu gostar e esse meu querer bem me levam mais além: me levam ao Sentimento sincero de AMOR! Tenho Amor pelos animais e pela Mãe-Natureza! Aí, reside minha Inspiração Franciscana de Paz e Bem! E, em minhas Crenças Xamânicas - saudando sempre respeitosamente as 4 Direções! - tenho Seis Palavras que são Sagradas, para mim: Paz e Bem, Luz, Amor, Justiça e Misericórdia!
Esta é uma das mais belas Cirandas da CAPPAZ! Há, nela, muito Sentimento. Muita Beleza. Há singulares e múltiplas experiências de vida. Singular Solidariedade. Na verdade, através do verso, da prosa e da imagem, há uma espontânea troca experienciais desta Mística Jornada do bicho-homem - em companhia dos manos animais - em sua Enigmática Caminhada no Planeta-Azul!
Ao encerrar esta "40ª Ciranda CAPPAZ", parabenizo a todos que aqui vieram dizer: "presente"! Parabéns, CAPPAZ! Dever cumprido. Cumprido com expressiva dose de espontaneidade, sinceridade, AMOR! De coração, desejo um bom, belo e feliz Outono para todos! E finalizo com este sonetinho em que expresso - de maneira mui singela, mas sentimental! - minha GRATIDÃO aos animais - esses MANOS nossos e SÁBIOS COMPANHEIROS DE JORNADA que sempre exerceram sobre meus olhos doce Encantamento e sobre meu Espírito singular Fascínio!

Sou Grato aos Animais!
J.J. Oliveira Gonçalves

Sou grato aos animais por existirem
Neste teatro da Vida (de exclusão!)
E aos bichinhos meus por me assistirem
Em minha silenciosa Solidão!

O que seria eu sem tais amigos
Que ternura me dão sem me cobrar?
O triste fim-de-tarde dos domingos
Quando o Sol (que brilhou!) vai-se apagar!

Seus olhos (tão acesos!) dão-me a Paz
Que em humanos olhos fez-se em guerra
Mata o irmão, o animal e extingue a Terra!

Por razões tantas e outras agradeço
Aos irmãos-animais... E não me esqueço
Do grande Bem que o seu Amor me faz!

Porto Alegre. 14 de fevereiro/2006. 09h37min – HS

"Minhas palavras são como as estrelas... Jamais empalidecem!"
(Grande-Chefe Seattle)

J.J. Oliveira Gonçalves
Presidente de Honra/CAPPAZ
Porto Alegre, março/2012.





Introdução à Ciranda
"Animais: nossos companheiros de jornada".

Quando sugeri como tema de uma de nossas Cirandas algo relacionado à defesa dos animais que são vítimas de maus tratos, abandonados e que perambulam pelas ruas, fiquei imensamente feliz ao sentir a receptividade para acolhê-lo entre os maravilhosos confrades e confreiras da CAPPAZ. Mas não parou por aí: fui convidada a fazer a introdução dessa Ciranda e então meu coração regozijou-se pois é uma honra que não tem preço emprestar minha voz e meu coração à causa daqueles que não podem falar por sí próprios: nossos companheiros de jornada!

Vejo pessoas dizendo que há tantas crianças, idosos, adolescentes que foram lançados à própria sorte, vítimas de pedófilos, maus tratos ou simplesmente marginalizados, então pra que preocupar-se com animais? Como ser humano, também me sensibilizo com todas essas causas, trabalhei como voluntária com crianças, não consigo ver um idoso passando fome e recolhendo comida no lixo para matar a fome. Entretanto, há leis que garantem o direito dessas pessoas como cidadãos, enquanto não vemos a mínima preocupação com esses pequenos seres que, como nós, sentem fome, sede, frio, dor e principalmente, são capazes de amar como poucos de nós.

Vemos milhares de animais sendo sacrificados de forma brutal para que algumas mulheres possam usar casacos de peles caríssimas. Levamos nossos filhos ao circo para rir do domador de leões, ver o elefante fazer poses, sem termos a real noção do quanto eles são submetidos a maus tratos para obedecerem a vontade de seus treinadores. Não temos ideia do que seja para os animais viver completamente afastados de seu habitat natural, cercados por telas de arame apenas para que os possamos ver nos zoológicos espalhados por todo o planeta. Muitas pessoas conseguem ficar alheias a um cãozinho que sofre de fome e sede simplesmente porque não tem raça, isso quando não os enxotam com pontapés e gritos que os deixam assustados e cada vez mais temerosos de que exista alguém com bondade suficiente para resgatá-los e trata-los com amor e respeito.

A nossa ciranda vem falar do quanto aprendemos convivendo com esses pequenos peludos no dia a dia. Eles são capazes de adotar como seus filhos de espécies diferentes das suas sem perguntar se isso é moralmente correto. Arriscam suas vidas para salvar sua prole do perigo e mesmo seus donos, por quem nutrem um amor verdadeiro e absolutamente incondicional. Eu aprendi isso com a Malu e agora ganhamos um novo professor de amor: o Guri. São nossos bebês felinos e fazem parte da nossa vida, acho que não conseguiríamos nos imaginar sem eles por aqui hoje. Queridos poetas e poetisas, cantem seu amor pelos animais, contem suas histórias de amor com eles, ajudem-nos a defender os direitos deles com a sua voz, pois somos capazes de modificar a triste realidade legal de hoje que pune tão brandamente quem maltrata e mata sem piedade esses pequenos com requintes de crueldade Vamos elevar nossos sentimentos mais puros para mostrar ao mundo o quanto eles são nossos companheiros de jornada, mesmo quando deixam de fazer parte das nossas vidas. Até mesmo a saudade deles nos faz mais humanos e com isso, amamos mais. Sem qualquer sombra de dúvida eles nos tornam melhores e contribuem para a nossa evolução individual.

Akasha De Lioncourt – 09 de março de 2012.
Confreira Seccional São Paulo/SP





PARTICIPANTES

Akasha De Lioncourt
BRita BRazil
Carlos Reinaldo de Souza
Daniel Brasil
Deomídio Neves de Macêdo Neto
Diná Fernandes
Edécio Mergener
Eliene Dantas de Miranda Taveira
Élio Cândido de Oliveira
Eloísa Antunes Maciel
Edvaldo Rosa
Estela Frutos Braud
Esther Gonçalves
Fátima Peixoto
Greg Pinheiro
Haydée S. Hostin Lima
Isabell Sanches
João José Oliveira Gonçalves
Jonas Krischke Sebastiany
José Augusto Silvério
Joyce Lima Krischke
Judite Krischke Sebastiany
Kátia Claudino Caetano Pereira
Malú Ferreira
Marcelo de Oliveira Souza
Maria Fernanda Reis Esteves
Odilon Machado de Lourenço
Paulo Rodrigues
Pinho Sannasc
Roberto Bordin
Rosana Carneiro
Roseleide Santana de Farias
Sidney Santos
Sílvia de Araújo Motta
Sílvia Silva Benedetti
Sônia Dias Freitas
Tânia Maria de Souza
Varenka de Fátima Araújo
Vera Passos




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PARTICIPAÇÕES

-01-
Minha Malu Gatinha
Akasha De Lioncourt



Há alguns poucos anos,
Deus me deu um presente divino,
Ele me trouxe a doce Malu,
Pequeno bebê na forma de um felino.

Quando ela se aconchegou em meu seio,
Aqueceu-me e deixei de ser sozinha,
Eu, que por eles detinha certo receio,
Rendi-me completamente à doçura dessa gatinha.

Malu me ensinou a amar,
Sem qualquer tipo de retorno esperar.
Esse é o sentimento incondicional,
Que caracteriza o verdadeiro amor fraternal.

Doce, meiga, cheirosa e delicada,
Essa é a minha felina, tão educada.
Esconde a unhas para não me arranhar,
E não abre mão de sempre vir brincar.

Malu faz parte do meu dia-a-dia,
Minha companheira, o tempo todo presente.
Sempre me fazendo companhia,
Torna minha vida mais contente.

Agradeço a Deus, a benção recebida.
Aprender a amar esses pequenos animais.
Quem não consegue conceber esse amor em sua vida,
Não conhecerá a completude jamais.

São Paulo/SP, 23/11/2009



-02-
Livre e solto
Sidney Santos

Um andar de mansinho
Olhar sempre brilhante
Disposição ao carinho
Um amigo constante

Meu amigo felino
Negro, branco ou malhado
Cores no sonho menino
Silhueta no telhado

Livre no ir e vir
Altivo e independente
Sem nada em troca pedir
Alegria da gente

Poeta Dos Sonhos em 12/03/2012
Santos/SP



-03-
Puf...Meu amiguinho
Varenka de Fátima Araújo

Puf,meu vizinho me deixou, saudade
Procuro um cachorrinho na lembrança
Nas minhas andanças tenho esperança
De encontrar por sinal da tal saudade

Na minha porta sinto o seu perfume
Ao chegar do pet shop os pelos lisos
Com sua boquinha para alto a ganir
E a demarcar seu terreno pelo cheiro

Ficava na varanda sentindo o frescor
Com minha aprovação virava às patas
Vibrava com sua esperteza e seu viço

Puf,um macho de uma raça puríssima
Para uma belezoca de cadela cruzar
E eu queria um filhote de bela casta

Salvador/BA



-04-
O peixe cego
Marcelo de Oliveira Souza

Comprei um peixe cauda de véu, ele teve os dois olhos comidos pelas carpas, pensei que fosse morrer, pois ele começou a ficar no canto, sem comer. Já estava dando a extrema-unção, tentei dar comida até na boca, mas ele não aceitou e acabou caindo no chão. Contudo ele melhorou e fica comendo os restos dos outros peixes, o animalzinho lutou diante das dificuldades e apesar de todo o seu problema, que para a gente não é nada, se tratando de um animal tão miúdo, ele nos ensina muito, pois na vida também somos assim, apesar de tanto sofrimento e de tantas "carpas" no nosso "aquário", temos que dar a volta por cima, lutando para superar os nossos problemas, senão a vida nos engole, só assim atingimos a verdadeira vitória.

-05-
Meu Cão*
Haydée S. Hostin Lima

Meu cão late em inglês medieval
para me chamar ao compromisso
de lhe ser fiel.
Rói o osso da minha caveira
rindo da ignorância que tenho
dos ossos e seus ruídos.
Meu cão é metáfora porta a fora
explorando o terreno do meu segredo
ficando serenamente
calado ouvindo os meus ganidos.
Meu cão me traz na coleira
abana seu rabo inusitado
sabendo desde sempre
que é meu dono.
Meu cão não se queixa
da pulga que sou
quando lhe ordeno gracinhas
e elogios atiro
com minhas unhas de afagos.
Meu cão guarda
e lambe as madrugadas
senta-se solene à porta
da casa que é minha por sinal.
Meu cão humaniza o bicho que sou
marca o território
em que posso uivar
e por saber tanto de mim
é meu irmão: animal.

*dedicado ao meu cão Love Júnior Special

Santa Maria/RS

-06-
O Gato e o Planeta
Tânia Maria de Souza

Obra: O GATO E O PLANETA
Técnica: Mista sobre Eucatex
Dimensões: 1,00 x 0,70m

Balneário Camboriú/SC

-07-
Didi
Maria Fernanda Reis Esteves

Faço minhas as palavras da minha tartaruga. Ela, hoje de manhã,
disse-me como sou importante para ela. Como o simples facto de lhe chamar carinhosamente por Didi a faz feliz. Como é que eu sei disso? É simples, quando passo por ela e me esqueço de a mimar, ela arranha o aquário com toda a força e desespero de quem se sente ignorada. Quando lhe dou os camarões secos, que são a base do seu alimento, primeiro encosta a cabecinha ao aquário para que eu, do lado de fora, faça uma festinha junto à sua cabeça de réptil, que vá-se lá saber por quê, com a fobia que eu tenho a estes bichos, deixou de me fazer impressão.
Mas, voltando ao que me trouxe a esta divagação sobre relações
homem/animal, a Didi que era pequenina, tem crescido a olhos vistos e eu continuo sem saber se é macho ou fêmea, mas o nome é unisexo, não acham?
Cerzindo e rematando, o que ela me diz sempre que me vê é:
Ainda bem que chegaste!
Como é bom sermos importantes para alguém!
E se há pessoas importantes para mim, não é que o raio do bicho também é?

Setúbal/Portugal



-08-
Nosso bebê Guri.
Akasha De Lioncourt



Ele chegou meio assustadinho,
Casa nova, quem é essa gente?
Embaixo da cama, escondidinho,
Foi ficando até sentir-se mais confiante.
Mamãe o enchia de carinho,
Deitava com ele sob a caminha.
Servia-lhe até o papazinho,
Para saber que sua confiança ela tinha.
Atum foi seu primeiro pratinho,
Comeu todo educadinho,
Hoje, é nosso desengonçado,
Espalha atunzinho para todo lado.
Papai é seu predileto sempre.
Nos dengos e nas molecagens.
Mas é com a mamãe que fica,
Dormindo gostoso todas as tardes.
Guri é nosso bebê caçula,
Nosso felino crianção,
Chegou e mudou nossas vidas,
Hoje é nosso pequeno furacão.
Com a irmã ele tem muito tato,
Ciumenta, ela briga um bocado.
Mas após quatro meses de contato,
Já se dão bem e até brincam de fato.
Mal podemos esperar,
Para vê-los dormindo agarrados.
Delícia vê-lo pulando,
Para lá e para cá com seus ratos.
Piruetas no ar e as artes do Gugu,
Conseguem pôr fogo até na nossa Malu.
Gugu chegou bem de mansinho,
Mas já era dono do nosso amor e carinho.
Hoje, já sabe que tem uma família,
E nos recompensa com muito jeitinho.

São Paulo/SP, 13/03/2012



-09-
Lição de vida
Silvia Benedetti

Tufão era um cãozinho
Esperto como ele só!
Encontrei-o em plena rua,
Tão sujo, de fazer dó.

Lavei-o, dei-lhe comida,
Dei carinho e amizade,
Ele foi meu companheiro,
Dos passeios na cidade.

Cuidava da minha casa,
Como eficaz guardião
E, quando eu vinha da escola
Me esperava no portão.

Do outro lado da rua,
Morava o senhor João Mariante,
Que pouco parava em casa,
Porque era viajante.

O vizinho tinha um gato,
Bichano de estimação,
Que logo ficou amigo,
Do meu saudoso Tufão!

Rolavam os dois bichinhos
E brincavam de "pegar",
Para os que não sabiam,
Dando a impressão de brigar...

Naquela tarde distante,
Brincavam o gato e o Tufão,
Fazendo muita bagunça,
Corre o gato e o segue o cão!

O vizinho, interpretando
Ser briga o que enxergou,
Sacou da arma e um tiro,
No meu cãozinho acertou.

Que tristeza! Quanto pranto
Tão sentido derramei,
Por ter perdido o amigo,
Tão fiel, que conquistei.

João Mariante, envergonhado
Pelo gesto impetuoso,
Se desculpou e me lembro,
Do seu proceder nervoso.

Quem mata um cão, mata gente
Fico sempre a meditar;
É preciso mais cuidado,
Para tragédia evitar.

Aprendi com tudo isso,
Que pensar, antes de agir,
Dá melhores resultados,
Do que MATAR ou FERIR.

Porto Alegre/RS



-10-
Companheira de Jornada
Soninha Poetisa



Pituxa, uma poodle,
Charmosa, branquinha e pequenina.
Sabe conquistar um carinho,
Com seu jeitinho, todo meiguinho.
Chacoalha o rabinho.

Rola com sua bolinha,
Corre saltitando por cima,
Mais parece sua irmãzinha.

Adoro meu cãozinho,
Amiga de todas as horas.
Parece uma bola de algodão,
Corre como furacão.

Pituxa corre por toda a casa,
Brinca com seus brinquedinhos.
Singela com seu cãozinho.
Faz carinho com seu focinho.

Quem não tem um animalzinho,
Não sabe o que é receber carinho,
E sair de um desalinho.

Dourados/MS


-11-
Um cheiro da minha infância
Roberto Bordin

Quando meu pai anunciou a mudança, sinceramente não gostei. Morávamos em São Cristovão, um tranquilo subúrbio do Rio de Janeiro e iríamos para uma outra rua no mesmo bairro, que ostentava o nome de um General: Cordeiro de Farias, antiga Jaraguá, distante do antigo local, uns bons dois quilômetros.

As explicações paternas para o que eu entendia como um completo absurdo eram até justas. Precisávamos desocupar o local, o dono do imóvel exigia. O filho dele ia casar e queria morar lá. O novo apartamento recém adquirido pela família não estava pronto. Portanto...

Os motivos da minha revolta também eram justificados. Deixaria de encontrar sempre à mão, os meus amigos, o campinho de futebol, a lourinha de tranças e sardenta, etc., etc. Alguém discorda que um menino de oito anos tem os seus compromissos e que seu círculo de amizades que não se pode romper?

Amuado ou não, mudei. A rua era feia, meus novos amigos eram apenas companheiros de brincadeiras. E, não havia nenhuma lourinha de tranças e sardenta. Porém, o pior de tudo era que o prédio estava cercado por todos os lados por um verdadeiro monstro que ocupava todo o quarteirão: uma fábrica que dia e noite exalava um cheiro incrivelmente ruim. O prédio pertencia aos donos da fábrica e tinha sido morada de alguns funcionários mais antigos, que acabaram se aposentando e indo para outros lugares. Os novos empregados nunca se interessaram em morar perto do local do trabalho.

Para compensar a trauma da hedionda mudança, meu pai presenteou-me com um cachorrinho, que o bom filho de italiano aqui resolveu batizar de Garibaldi. Gariba, como acabei por chamá-lo era fruto de uma pulada de muro de um pastor alemão com uma cadelinha sem eira, nem beira, mas com muito charme para atrair alguém de tão nobre raça.

Pesei os prós e os contras e acabei concordando que tirara algum lucro em morar na rua do general e da fábrica. Garibaldi ou Gariba era o primeiro cachorro.

Naquele tempo ter cachorro em apartamento não era tão pecado assim. Nenhum síndico mal encarado esbravejava com um pobre menino por ter um amigo peludo que latia minuto sim, minuto também, incansável. Para suavizar a situação de um animal no apartamento, esclareço que morávamos no andar térreo e nos fundos um quintal imenso era o local destinado para os afagos com meu cão.

Só encontrei uma justificativa para os latidos nervosos: os cães possuem um faro incrível. Só poderia ser uma forma de protesto pelo cheiro desagradável multiplicado por dois ou até por três, para as suas potentes narinas. Meus traumas em ser dono de um cachorro não paravam por aí. Nas ruas, espalhava-se o terror na forma de uma pequena camioneta popularmente chamada de “carrocinha”. Sua função era prender todo cão sem dono, sem coleira, fosse ou não fosse vira-lata. Uma caçada sem trégua imposta por homens trajando um uniforme amarelo berrante com o dístico: ”SAÚDE PÚBLICA”. Execráveis seres sem um pingo de humanidade, que não esmoreciam nem com choro de criança, nem com súplicas femininas. Perseguiam e prendiam sem dó os enjeitados animais. Havia uma polêmica na época. Para onde levavam os cães depois de serem presos? A lenda dizia que eram entregues para serem aproveitados como matéria prima de produtos que serviam para a higiene e limpeza.

Para evitar maiores transtornos, além da coleira, Gariba desfilava com uma papeleta que meus garranchos infantis produziram. Nela constava um “pertence” em letras garrafais, seguido de meu nome e endereço. Carrocinha nenhuma no mundo ousaria pegá-lo.

Aos poucos fui transformando companheiros em amigos e substitui tranças de cabelos louros e sardas por uma moreninha com um sorriso de covinhas e cabelos encaracolados. As únicas coisas realmente desagradáveis eram aquele odor nauseante e o mais novo temor infantil: alguém havia jurado que a maléfica carrocinha lotada de cachorrinhos havia entrado nos portões da fábrica e saído totalmente vazia.

As crianças da redondeza mobilizaram-se. Formamos um exército de vigias que se revezavam dia e... Não, à noite nenhum dos heroicos e bravos vigilantes obteve permissão paterna para a empreitada. O resultado da vigília foi totalmente nulo. A questão foi arquivada na pasta dos mistérios inexplicáveis e das acusações sem provas. Acabei acrescentando nessa história toda mais uma teoria: Garibaldi latia, lamentando os seus irmãos sacrificados pela hedionda unidade industrial.

Mas minha raiva e desprezo transformaram-se em ódio, quando numa fatídica quarta-feira, enquanto ajeitava o meu mascote para um passeio. Não sei o que lhe moveu a soltar-se de minha mão e disparar pelo apartamento, ganhando o pequeno corredor que servia de entrada e sair pela rua afora.

Minhas pequenas e curtas pernas não foram suficientes para alcançá-lo. Naquele momento desejei ter asas para arrancá-lo do seu triste destino. O meu cachorrinho acabou sendo colhido pelas rodas de um caminhão que saía da fábrica.

- Mataram o meu cachorro! - foi o grito estridente que ecoou pela antiga rua Jaraguá.

A raiva e a revolta eram grandes. Hoje, passados tantos anos, acho que deveria ter me travestido de ambientalista e portar um cartaz na entrada dela:

“ALÉM DE FEDER, É ASSASSINA!”

Mas defesa de meio ambiente na década de 50, tinha um toque de ficção científica. Acabei por não fazer nenhuma demonstração, apenas chorei a perda do meu companheiro.

Para tentar sufocar aquele desespero, minha mãe ofertou-me Anita, uma cadelinha que uma vizinha tirou de uma ninhada. Digamos que Anita era legal e fez de tudo para que eu esquecesse Gariba, mas confesso que foi em vão. Não dava a mínima para ela e a recíproca acabou sendo verdadeira. Num dia qualquer, ela se foi sem mais lambidas ou menos ganidos. Sua atitude provocou uma resolução: decidi nunca mais ter nenhum animal de estimação. Curtiria sozinho meu ódio e meu sentimento de vingança contra aquela fábrica monstruosa.

Diz o dito popular: “Não há mal que sempre dure.” Esta é uma verdade pura e cristalina. A prova disso aconteceu num domingo à noite.

Rodeados em frente à televisão preto e branco, a família via um não sei que programa, porém por mais bobo que fosse não tinha nenhuma baixaria.

Primeiro foi um forte estalido, seguido de um potente estrondo e finalizando o evento, um deslocamento de ar que estilhaçou os vidros das janelas e triturou os poucos cristais que nós tínhamos.

O pânico tomou conta de todos os vizinhos. A redondeza saiu à rua para ver o que estava acontecendo. O cheiro era o mais insuportável possível.

As perguntas: “O que houve?” e “O que está acontecendo?” foram respondidas por um dos vigias da fábrica: uma das caldeiras explodira e o perigo de novas explosões pairava no ar.

Fechamos o apartamento e fomos para um hotel. Pelo menos por uma noite nosso olfato não sofreria. As férias para os narizes acabaram durando uma semana, tempo da interdição do local.

Quando voltamos, a boa notícia. Os donos foram intimados a fechar o recinto e transferir para outro local: a beira de uma estrada bem longe de mim e de meu olfato.

A dúvida persistiu por muito tempo: toda vez que eu tomava banho, não sabia porque me lembrava de Garibaldi. Hoje isso passou...

Gramado/RS

-12-
Escada Evolutiva
Deomídio Macêdo

Os espíritos para atingirem o livre arbítrio, passam por um processo de evolução durante milênios.

Parafraseando Leon Denis “A alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e acorda no homem".

Com esta frase de Leon Denis, entendemos a necessidade de cuidarmos dos minerais, vegetais, animais e da natureza.

Percebemos a beleza dos animais quando vemos o amor que eles têm pela sua prole, pelos seus donos, pela sua própria vida.

Muitas espécies estão em extinção por nossa culpa que invadimos seu habitat numa matança desenfreada.

Muitos seres humanos continuam dormindo e ainda não acordaram para a vida, para o amor, para a sensibilidade.

Os animais que são sacrificados para nos alimentar sentem através do seu olhar, dos berros a aproximação do seu fim.

Com um instrumento ferimos a sua veia arterial e o sangue jorra estremecendo todo o seu corpo. As pernas fraquejam e o animal tomba e dar os últimos suspiros.

Nós insensíveis, continuamos apáticos com seus gritos de socorro.

Quando é que vamos despertar para vida?

Com essa narrativa entendemos porque ainda estamos no segundo degrau da evolução, num planeta de provas e expiações.

Amemos, pois, “os animais, companheiros de jornada”.

Salvador/BA

-13-
Crer
Esther Gonçalves

Há tantos sinais de esperança, de vida pelo ar...
Borboletas azuis, amarelas e vermelhas a voar,
As flores colorindo os jardins da vida, a perfumar,
Os peixinhos dourados a nadar nas águas do mar.

O arco-íris borda o céu azul com todas as cores...
Nuvens brancas a passear pela imensidão do céu,
Beija-flor, andorinha, bigode, sabiá, brincam ao léu,
Na terra, a fauna e a flora festejam com as flores.

Margaridas, girassóis, orquídeas, rosas, se abrem,
O sol aparece tal qual miragem com seu reflexo,
Aquecendo os seres vivos, as plantas, os animais;

Crianças, jovens, adultos, velhos: todos aplaudem!
O céu, a terra, o mar, o ar, formam um complexo,
Que se une à imensidão do Universo e nos satisfaz!

São Luís/MA

-14-
Pingo ,um Pinscher, e as Muralhas da China...
Edvaldo Rosa

Tenho um amigo, que só não é mais meu amigo por falta de empenho... Ele é às vezes um chato!
Nos últimos dias ele tem vindo com um bordão à tira colo: - “Sou aposentado”.
Ele é um trabalhador esforçado, consciente de suas obrigações, e me espanta quando em todos os momentos lembra-se que é um aposentado...
Fico imaginando o que significa o tal bordão...
Fico incerto quanto ao que o amigo quer realmente dizer com o tal “Sou um aposentado”.
Seria fácil supor que ele não vê a hora de se desvencilhar de suas obrigações e enfim gozar a sua propalada aposentadoria...
Acho graça toda vez que ele fala dela!
Um dia desses falou-me de seu desejo de conhecer as muralhas da china!
Disse-me que ainda estaria lá junto da esposa, e que me mandaria algumas fotos da visita, como prova da consumação de seu desejo...
Poxa! O cara quer conhecer a muralha da china, a única construção humana que pode ser vista da lua!
Um grande homem, um grande sonho!
Mas o meu amigo, tem um outro amigo, o Pingo, um pinscher, com mais de vinte anos, quase cego das vistas, que só não é submetido a uma cirurgia, por medo de seus donos, de que não suporte a anestesia...
A foto do cachorro, envolto em um pano vermelho, tipo um gorro de Papai Noel, sempre esta nos olhando da tela do computador de seu dono...
Quando ouvi falar que o meu amigo, o que é aposentado, queria ir ás muralhas da china, também o ouvi dizer que para lá iria, possivelmente só após a morte do cachorro ancião...
Um sonho a espera de concretizar-se após um pesadelo...Isso mexeu comigo, e comovido fiquei a pensar...
Quem entre nós, deixaria para depois um sonho tão grande, por causa de um problema aparentemente de fácil solução? Não que a morte do cachorro seja uma solução fácil, mas sim, que outro cuidasse do pingo por uns tempos.
Quem entre nós, deixaria para depois um desejo tão ardente, levando em consideração as necessidades de outros?
Talvez seu sonho não seja tão grande assim!
Mas, por outro lado o seu amor e o seu carinho, pelo pingo, sejam verdadeiramente gigantescos, tão espetaculares quanto as muralhas da china!
Tanto quanto o seu respeito pela vida!
Fiquei imaginando calado, como poderia ser o relacionamento de meu amigo, com o Pingo, e fui buscar em mim lembranças que pudessem remeter meu pensamento para esta direção...
O amor que tive pelos animais que já tive; cachorro, gato, periquito,veio a tona com um sabor de saudade... Hoje estou só, meu cachorro, meu gato, meu periquito são só lembranças e ainda de um tempo bem longínquo...
Olhei para o rosto de meu amigo, após ele ter proferido tal sentença, e devido o seu semblante plácido, calado fiquei! Mas, o meu pensamento ficou focado na estranheza das palavras e embevecido na beleza do gesto... “Só depois que o pingo morrer...”
Meu amigo não transfere para outro a guarda do Pingo... E os cuidados que ele venha a requerer!
Meu amigo não dispensa a companhia de seu animal de estimação, e em sua fala exalta as qualidades dele, a alegria, a esperteza...
Como seria bom, se entre as pessoas, houvesse mais sentimentos assim...
Mais cumplicidade, menos egoísmos?
O tamanho dos sonhos, nunca deveria ser maior do que a extensão dos sentimentos que temos pelos outros, e o desejo pessoal, pode vez ou outra ceder espaço para as necessidades dos que vivem a nossa volta...
No fim, seja a vontade de conhecer as muralhas da china algo passageira, a preocupação com o destino do Pingo, é muito mais encorpada... Uma sólida amizade, construída durante muitos anos.
Quantos de nós vivemos anos e anos juntos, e não temos tal cumplicidade?
Por fim, os homens podem ter construído monumentos grandiosos, como a muralha da china, mas a sua maior obra, em importância ainda esta para ser construída, para que seja vista por todos de qualquer distância que for...
O amor!
O respeito pela vida!
E todos nós, só precisamos de um esforço a mais para superar nossas diferenças...
Quanto a muralha da china, neste contexto, não passa de uma cerca gigantesca, uma barreira contra a aproximação de desafetos...
Enquanto o Pingo, o cachorro ancião, significa aconchego, comunhão!
Talvez, em minha relação com o meu amigo, afinal, o chato seja eu!

São Paulo/SP, 27/11/2010

-15-
O Pingo se foi..
Edvaldo Rosa

E entre lágrimas uma triste verdade, o Pingo se foi...
Vinte anos depois, ele não mais acordaria o meu amigo, com seus latidos, com suas lambidas, com sua corrida desesperada ao prato de comida ou à porta da sala, quando da chegada de seus donos...
Agora é só silêncio e mais nada!
Disse-me cabisbaixo, o meu amigo: - Meu pequenino não vai mais para a muralha da china...
Em silêncio, pensei com meus botões... Mas ele vai! Ah! Vai...
Em suas memórias o Pingo, estará sempre vivo, empreendendo as suas corridas, latindo de fome e de alegria, lambendo as faces de seus donos, seus amigos, seus pais!
E no coração de todos, sempre crepitará aquela velha chama, tão conhecida, nascida logo ao primeiro encontro, na primeira troca de olhar...
Empatia!
Fiquei pensando em como são estranhos os caminhos da vida, Deus coloca a nossa frente tantas maravilhas, às vezes ocultas em coisas suntuosas, e noutras em outras tão simples.
Se é que uma vida é menos suntuosa do que simples!
Imaginei quantas pessoas tem a sua frente tudo aquilo de que precisam para seguir com a sua caminhada, e nem se apercebem disso...
Quantos na falta de um contato humano não se apegam a coisas... E esquecem os animais...
Quantos não confundem amizade e respeito, com coisas de aparências, e se esquecem do que pode ser mais importante, um contato, um carinho, meigo e franco!
Um latido espontâneo, ao invés de uma conversa forçada...
Um comportamento vivaz e não mecânico e insosso...
-Meu pequenino não vai mais para a muralha da china, disse-me quase em prantos o meu amigo... Que vá as favas a muralha da china e os seus milhares de anos...
Ela é um amontoado de pedras quase inertes... Matérias quase amorfas... Quase mortas... Que nunca irão despertar nele o que despertará vez e outra as lembranças de seu Pinscher...
Amizade!
Contou-me o amigo, que em épocas passadas, quando a idade não pesava nas costas do Pingo, fizeram juntos algumas viagens, conheceram novas paragens...
Agora os amigos se desgrudam um pouco, seguem aparentemente caminhos diversos, mas será que neste universo criado por Deus, as almas não se encontram?
Ou haverá algum louco que dirá que os animais não as têm?
Sei, apenas que meu coração sentiu o peso da perda de meu amigo... Afinal, quantas perdas em minha vida já não computei...
Teve o caso de meu pastor levado pela carrocinha, e eu ainda criança, sem forças para fazer algo, apenas chorar e gritar...
Teve o caso do Trovão, um meu vira latinha, que na porta de minha cozinha, morria, sem que eu nada pudesse fazer... Ou a quem apelar!
Meu Deus como doe estas perdas... Feridas abertas, que custam em cicatrizar!
Estas amizades construídas com certa inocência, são bem mais profundas, são bem mais agudas, do que algumas que entre as pessoas se fazem brotar.
São amizades baseadas na simplicidade, na reciprocidade, na existência de necessidades que dinheiro algum pode comprar... E isentas de obrigatoriedades...
Amor!
Assim, a vida que anima pessoas e animais, cumpre o seu ciclo, com inicio, meio e fim... Embora, eu particularmente pense que ela não finda não... Transforma-se!
Morrer é assim renascer para outra realidade!
Que vá às favas as muralhas da china!
Que seja acompanhada a este degredo as aparências, as falsidades, as mentiras, os egoísmos... Que me chamem de louco, que digam que divago que gritem que eu mais amo animais e menos as pessoas... Não se trata disso... Mas sim, da verdade nos relacionamentos, na entrega entre entes viventes, que mesmo distintos tem os seus sentimentos e sensibilidades!
Ver as lágrimas nos olhos de meu amigo, ninguém viu!
Sentir o tom de sua voz, ninguém sentiu...
Respeito!
Quantos de nós não precisam aprender com a simplicidade?
Quantos não necessitam sentir as vibrações de uma verdadeira amizade?
Quantos não precisariam ser menos humanos e mais animais?
Quantos não precisariam ser mais humanos, compreensivos, racionais, tolerantes, inteligentes, e menos bestas soltas a esmo, passando por cima de todos a sua frente?
Sei que me dirão que me atrapalho que troco as bolas, escrevendo aqui muitas bobagens... Que seja!
Tudo é sentimento de alegria e perda! Inconformismo pela inconstância da vida... Já que tudo muda... Por mais que saibamos que sempre foi e será assim...
Mas comigo trago uma fé, que me dá a certeza, onde quer que meu amigo vá o Pingo estará com ele, mordendo a sua canela, latindo na sua chegada, chorando na sua ausência...
Andará com ele, estará com os seus, pois será uma constante presença, alegre, feliz e vivaz...
A lembrança constante do Pingo, ainda será uma prova inconteste, das maravilhas criadas por Deus...
Muitas delas escondidas na inocência... Atreladas em grandes significados...
E são mais permanentes do que as tais muralhas da china, estes sentimentos de amor,de carinho e cumplicidade, embalados nas saudades...
E os levaremos sempre conosco, aonde quer que estejamos!
E que sempre serão partes integrantes da nossa própria eternidade!

São Paulo/SP, 15/06/2011

-16-
O Pingo se foi... II
Edvaldo Rosa

Entre abraços, o meu amigo comovido, entre lágrimas escorrendo de seus olhos, disse-me:
- O Pingo se foi! Agora eu posso ir ás muralhas da china.
Recostei-o ao meu corpo por instantes, para sair de sua presença, repleto de pensamentos desencontrados...
O Pingo era um Pinscher de vinte anos, cego, que passou por um procedimento veterinário e não resistiu...
Contou-me o meu amigo, que antes da internação, ele o Pingo corria pela casa, esbarrando nas coisas devido à falta de visão... Mas que enquanto as panelas fumegavam no fogão, ele a sua frente se postava na espera de alimentação...
Quando todos estavam á mesa, bastava estender a mão com um bocado de comida, que para ali feliz da vida, viesse o Pinscher sabichão!
-Agora eu posso ir ás muralhas da china... Frase pequena, com um enorme significado; com a partida do idoso cão, abrem-se brechas para uma maior locomoção de seus donos... Libertos das amarras da responsabilidade com o Pingo, e assim as muralhas da china, independente da distância é um objetivo possível de se alcançar...
O que discuto aqui não se trata de se estar liberto de uma responsabilidade, mas sim do que significa amar.
Entre meus pensamentos ocorreu-me a passagem do Pequeno Príncipe, em que ele em conversa com a raposa fala da responsabilidade que se tem quando se cativa um ser vivo, semelhante a si ou não...
E assim, tocou-me o coração!
Quantos desistem de assumir responsabilidades perante outros, familiares ou não, animais domésticos ou não, que guardadas as devidas proporções são seres vivos, com sentimentos e necessidades próprias... A extrema individualidade nos dias de hoje, que dá o tom dos dias que correm, corroem os laços sentimentais entre todos os seres vivos, e dentre as pessoas constroem enormes abismos, quase intransponíveis...
Amar também é ter alguma responsabilidade sobre o ser amado, mesmo que em nível de se ter apenas alguma consideração pelo outro.
Neste caso, o ser amado era o Pingo, um pinscher, um cão, um animal, dito irracional...
Mas, enquanto não se der o devido respeito a todos que nos cercam e uma devida atenção, quase nada importa quem sejam...
Assim, a morte do pequenino, só traz alivio pelo fato de que ele não mais sofrerá, pois deixou marcas indeléveis no coração de meu amigo e todos de sua família. E por consequência direta, esta libertação será acompanhada pelo alivio dado por um trabalho realizado, cheio de respeito e carinho... Esta libertação será acompanhada de sensações alegres e edificantes!
Quantos se recusam em assumir responsabilidades perante si mesmas e outros? E privam-se da maravilhosa experiência que é se doar... Seriam passiveis de se decepcionar, mas também de se engrandecerem e serem pessoas melhores, com uma experiência a mais na bagagem que levarão consigo á eternidade.
O Pingo se foi! Como todos, dia menos dia irão! Fica, no entanto a grata sensação de amor compartilhado, carinhos trocados, sinceros afagos em muitas almas e corações...
Viver é isso... Doação!
E amar é uma atitude que necessita de doação, com certa pitada de auto valorização...
Amar sem se doar é egoísmo!
Que meu amigo vá ás muralhas da china, vá onde quiser, a presença de Pingo consigo sempre estará!
Quem poderá afirmar que diante de uma panela fumegando lá nas muralhas o Pingo não estará?

São Paulo/SP, 24/09/2011

-17-
Acróstico - À minha “ESTRELA”
Roseleide Santana de Farias

As tuas patinhas mimosas me buscam quando
Ostentas a alegria ao ver-me. O meu coração exulta,
Sua alegria me encanta, e de ti não posso esquecer-me!

Ao aproximar-me te afago, e me abraças com o teu carinho
Nestes pelos macios me perco, minhas inquietações se vão.
Insistes aos meus afagos, me buscas ansiosa, querendo colo
Meus pensamentos se perdem ao ver o teu olhar amoroso.
Ao tempo que nos é dado, aos outros (as) que se foram, que
Impregnaram-me de carinhos, paz; minha profunda gratidão!
Seus olhares de luz, ternura especial, apazigua-me o coração.

Cabedelo/PB

-18-
À “Estrela” e “ Yasmim”
Roseleide Santana de Farias

Há meninas, vocês são tão belas, por que brigam tanto assim?
Estes ciúmes me matam, me irritam, e afastam vocês de mim.
Porque se atacar em vez de brincar, se eu amo vocês demais!
Vocês têm o meu carinho, amor, afeto; isto não lhes satisfaz?

Ah!... Minha Estrela, tão branca, tão bela, parece o algodão!...
Ficou você de uma única ninhada, és especial ao meu coração.
Te amo muito, menina!... Não precisas ser tão agressiva assim
Isto não me satisfaz, preocupa-me, mas não me esqueço de ti!

Os animais são como as flores, enfeitam, alegram o nosso viver
São amorosos, amigos e ternos companheiros; é preciso dizer!
Na caminhada terrena, durante a lida, suavizam o nosso sofrer.
Meus queridos, obrigada, eu nunca vou poder lhes esquecer!...

Cabedelo/PB

-19-
Vovô – Um cão vivido e agradecido...
Eloísa Antunes Maciel

Ele surgiu à porta dos fundos de minha pequena propriedade, numa tépida madrugada de outono. Num primeiro momento, surpresa, fiz um gesto manual para que

se afastasse. Minha surpresa se fez mais “tensa” quando ele, ao recuar suavemente, parecia abaixar a cabeça num sinal semelhante ao de submissão... Imediatamente, coloquei a mão direita sobre a sua cabeça e pronunciei a palavra: “filho! Que há contigo”? Com um leve movimento de cauda – e cabeça baixa - o estranho visitante me comoveu e eu me dispus a “hospedá-lo”, acreditando que em questão de poucas horas ele retornasse ao seu verdadeiro dono, uma vez que portava uma boa coleira (embora sem identificação), era robusto, ostentava uma pelagem saudável, olhos e ouvidos aparentemente bem cuidados...

“Vovô” foi o protagonista de um conto um tanto longo, que não publiquei. Nesse conto detalhei seus hábitos, ressaltando suas habilidades quase humanas e prevendo o seu afastamento, dado o inusitado de sua presença em minha pequena propriedade.

Com efeito, numa certa manhã em que meu velho carango enguiçou, alguém da vizinhança se dispôs a fazê-lo “pegar”... E eu, no volante, tentava fazer a minha parte (mas sem consegui-lo)... Vovô seguia o carro, como a zelar pela minha pessoa... Inesperadamente, surgiu uma matilha de cães matutos, que o atacaram... Vovô fugiu arrastando uma das patinhas traseiras... Céus! Teria morrido às margens de uma estrada desprovida de recursos? Buscas em vão... Nem sinal do “Vovô”...

Decorridos cerca de seis meses, aproximadamente, um cão, aparentando idade avançada, aproximou-se de minha porta, cauteloso e um tanto hesitante... Não o reconheci. Chamei um irmão meu que reside na minha propriedade e mostrei o visitante, cuja aparência em quase nada se assemelhava ao robusto cão por mim denominado “Vovô...

Meu irmão foi enfático: “este é o Vovô, agora carente e diferente”... De fato, após os primeiros cuidados, esse cão, agora com evidentes sinais de carência, demonstrava os mesmos gestos de atenção e companheirismo antes manifestos...

Acompanhava-me com o rabo em abano quando eu me deslocava do interior de minha casa... Olhava-me e olhava ao meu redor, como se desejasse me proteger... E nessas visitas repetidas, “Vovô” permanecia cerca de algumas horas alojado em minha área de serviço ou adjacências... Quase não aceitava alimentos. Apenas comia algo quando eu insistia para que o fizesse.

Após esses curtos espaços de tempo, “Vovô” se despedia com a agradecer as “breves hospedagens”... Não antes de olhar-me atentamente... E, nessas ocasiões, passei a notar que ele havia chorado antes de “despedir-se” (o que ainda faz).

Ultimamente, “Vovô” parece menos debilitado (ostenta um pelo mais saudável), e somente se retira após “festejar-me” com um gesto de aparente agradecimento ao sair com o rabo em abano e com um olhar retroativo à minha pessoa... Gratidão canina? Tendência ao companheirismo inato de cães em relação aos humanos? Quem sabe...

São Martinho da Serra/RS

-20-
Os animais!
Élio Cândido de Oliveira

Amigos, mesmo considerados irracionais
Trazem em si nos seus habitats tranqüilidade
De formas diferenciadas são os animais.
E quando se vão deixa saudade.

Cães e aves sempre em graciosidade.
Mostram-se às vezes irreverentes
Porém com atitudes elegantes
A nós humanos dedicação e amizade.

Animais amigos, grande e pequenos
E por vezes de natureza felinos.
Sendo exterminados torna raridade.

Manter sempre eles serenos.
Assim se tornam companheiros eternos.
Amigos se tornam, com referências e verdade.

Ibiá/MG

-21-
Meus bichos
Vera Passos

Da minha janela ouço a sinfonia
E me deixo levar
Os bichos de asas me fazem sonhar

São tão pequeninos, são belos, franzinos...
E bailam no ar
São livres, são tão amarelos
Como o sol a brilhar

Eles cantam felizes
E suas matizes espelham amor
Eles brincam libertos
Eles cantam sem dor

Eles voam na mata
Eles fazem seu ninho
No velho quintal
É tanto carinho e não faz nenhum mal

Eles cedo me acordam
Nas asas eu sigo
Eles fazem seu ninho
No alto me abrigo

Seu canto me atrai
Não corro perigo
São livres, não matam, nem traem
São ternos amigos

Salvador/BA

-22-
O beija- flor
Fátima Peixoto

Todo o dia canta na varanda,
Seu canto encanta o meu dia,
Fala da esperança,
Fala do amor,
Fala da saudade,
Fala do abandono,
Fala da dor.

Mas o que gosta mesmo...
É de uma rosa para seu néctar sugar.
A rosa o abandonou...
Não ouviu o seu lamento de amor,
Para não sofrer,
Canta, canta para esquecer essa dor.

Cabedelo/PB

-23-
O pássaro em mim
Vera Passos

Minhas asas nasceram lentamente, pena por pena
Fui menina sonhadora, vadiava nas ruas vazias
O vento muitas vezes se fez furacão, ventania
Me empurrava pelos caminhos dos sonhos
Quando as folhas caducas se desprendiam para sua jornada
Na sinfonia chacoalhava pela Cidade, em noite de luar
Subi barrancos de mãos dadas com a poesia
Do alto vislumbrava a planície e os meandros de um rio
Saltitava entre os seixos-rolados, no esconde-esconde
E eu na minha viagem dei asas ao meu pensamento
E seguia as estrelas, como Ícaro, me abduzia, o espaço.
Sonhava a liberdade da palavra, das estórias encantadas
Das crônicas pertinentes com os meus ideais.
Lá vou eu livre, que nem o pássaro que atravessa a vida sem medo
De cara limpa, sem máscaras, atesto a minha liberdade
Sigo com segurança a minha consciência, meu segredo
Eu conquisto meu livre arbítrio, para semear
Estou certa que colherei tudo que plantei
Já tenho no tempo, os amigos que ficam ao meu lado
Outros voaram para outros rincões e de quando em vez,
Retornam nas asas dos pássaros do meu quintal, cantam e seguem
Revoam nas borboletas coloridas que beijam a jardineira
Outros fazem seu voo rasante nas grades, ouço o farfalhar das penas
Vivo na redoma da minha gaiola de cimento armado
Pela manhã sobrevoo o tumulto da avenida e pouso
Cumpro o compromisso assinado com minhas escolhas
Ao retornar, para o meu ninho, entro no burburinho
Sacudo a poeira, volto à rotina, volto à clausura
E eu pássaro de arribação, me detenho à prisão
Até que chegue a noite, ao ensaiar a morte, me liberto
Ultrapasso o teto e lá distante vejo o mar azul
Vejo o firmamento, milhões de estrelas e a lua nua...
Vejo o que restou das matas, as fadas se foram
Os duendes não sobreviveram, os contos se exalaram
Resta o invisível, a matéria quintessenciada
E aí só os olhos da alma , percebem, entendem, veem.

Salvador/BA

-24-
Pássaro no Jardim
Joyce Lima Krischke

Cão late sem cessar, insistente...
Preocupada vou ver se há gente.
No jardim, vejo um pequeno periquito,
Que, caído ao chão, tenta escapar-aflito.

Lindo filhote com cabeça machucada!
Brado revoltada! Concluo: levou pedrada.
Bichinho lindo! É verde e azulado!
Não mais consegue voar o pássaro amado!

Penso que ao ferimento não resistirá.
Ou na gaiola, depois de tratado, voará?
Surge o problema. Não voa mais o periquito.

Alimento-o, como nenê, pra não morrer.
Está mais forte... mas, na gaiola ficando.
Surpresa! Agora está no céu voando!

“In”- A Volta da Lu@zul--página 52
(2 ª. Edição)


Balneário Camboriú/SC

-25-
Um afago
Jonas Krischke Sebastiany

Brusque/SC

-26-
Pombas
Joyce Lima Krischke

Balneário Camboriú/SC

-27-
Na piscina com Piu-Piu
Judite Krischke Sebastiany

Porto Alegre/RS

-28-
Bem que te vi Beija-flor
Malú Ferreira

Hoje acordei com assim
Com ganas de voar
Desvendar o ego do saber
Trilhar livremente.
Fui então trilhar sobre as páginas do saber
Lá o encontrei sugando o néctar açucarado do viver
Imaginei tuas asas sobre as minhas
Porém me vi assim
Pressa às raízes do chão
Foi então que fixei tua imagem sobre a minha
Que por ironia do destino
Estavam de asas podadas
Éramos então, Dois em Um.

Salvador/BA

-29-
Ilusões
Malú Ferreira

Enquanto miro o cálido traçar de tuas asas.
Um raio surge não sei de onde
Perfura m’alma
Deixando transparecer células de ilusões

Uma vez livres escapam
Aglomeradas agarram aos braços do vento
Rumo ao globo terrestre
Céu...terra...mar

Pobre de ti prisioneiro do ser
Cantarolando, esquecendo seu poder
Enquanto busco na filosofia
A resposta exata;

Do querer e não ter
Do ter e não poder.

Livro:Ritual De Vozes.
Revista ArtPoesia Março 2010
Poema a um pássaro engaiolado
(Assim como os pássaros o ser humano tem direito a liberdade)


Salvador/BA

-30-
A coragem de voar
Rosana Carneiro

O mundo é grande
Cheio de coisas lindas e belas
Mas...viver sem companhia é difícil...
Olhar o céu, as árvores, as cachoeiras, sozinha...
Então, me aparece de repente
Um presente de aniversário
Era você, pequenina
Cheia de dengo e manias
Macia, dependente, carente...
Cuidei de você
Nos tornamos confidentes
Amigas
Companheiras
Mas um dia, você teve coragem
Sacudiu as asas
Levantou vou
E foi conhecer o mundo...
Sei que você teve coragem de partir
Você, na sua inocência
Mostrou como devemos agir...
Deve-se partir, sempre que precisamos...
Deixar até quem nós amamos...
Correr riscos...
Mas temos que seguir...
A vida é uma obra de arte, e
Quem faz a pintura ficar mais bela
Somos nós mesmos...

Um dia minha calopsita voou
Voou, mas voltou...

São Paulo/SP

-31-
Meu estimado Cãozinho
Diná Fernandes

Átila, meu estimado e inesquecível cãozinho, um Fox Terrier que ganhei de presente e tratei com todo carinho, que linda padronagem. Preto , amarelo, marrom e brilhante, colorido que lembrava as folhas de outono. Lembro até hoje, comprei um par de sapatos que combinava com meus acessórios para usar numa festa de casamento, deixei em lugar acessível, percebi que ele estava quietinho debaixo da cama, pensei está dormindo, de repente ele me aparece com o salto do sapato na boca, chegou desconfiado e colocou aos meus pés, e numa carreira desmedida foi se esconder na sua casinha. Ele não podia ver sapato fora do lugar nem roupa sobre a cama, entendia que eu ia sair, escondia tudo na casinha dele ou debaixo da cama, à noite, pegava meus chinelos e fazia de travesseiro, de uma inteligência bárbara, gostava de crianças, mas era preconceituoso com pessoas de cor, era meu forte defensor, se por acaso meu marido exaltava a voz, agarrava no tornozelo dele e só largava quando do ele parava de falar, era muito engraçado. Não dormia sem antes me dar um cheiro.
Contraiu germe de cachorro nas areias da praia, e isto lhe causou hipermegalia, morreu aos oito anos vítima de infarto, e eu quase morri junto. Neste momento as lágrimas me descem no rosto. Foi uma dor muito grande, ele foi um grande companheiro... Saudades eternas Átila.

Cabedelo/PB



-32-
Daniel Brasil

Estas linhas não são versos,
apenas reflexão,
quantos peixes morrendo,
pela poluição,
animais mau tratados,
por causa da ambição,
será que "humano" tem razão?

Porto Alegre/RS

-33-
Branquinha
J.J. Oliveira Gonçalves



Toda de branco chegaste
Branquinha - cor do algodão!
Só eu sei quanto me Amaste
Te abriguei no coração!

Ai, quantos Sonhos levaste
Que contigo, então, Sonhei!
Os teus olhinhos deixaste
N'Alma escondidos - eu sei!

Era "mi casa tu casa"
Bichinho-de-estimação!
Se o olhar, hoje, me embaça
É que me dói a Emoção!

Saudade, Kika querida
Dos miados me chamando!
Hoje, sem ti, minha vida
Só por levar... vou levando!

A casa guarda um vazio
Que ficou de tua partida!
Meu cotidiano é sombrio
E a Esperança anda perdida!

Se, um dia, ao mundo voltares
Quem sabe, voltes pra mim!
Quem sabe, para escutares
O Canto de um Cisne - enfim!

E nesta última estrofe
Minha querida "Branquinha"
Fica meu verso que Sofre
Rimando com Dor daninha!

Porto Alegre, 21 de março/2012. 12h32min
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-34-
A luz da razão.
José Augusto Silvério

Já nasci sem um lar.
Fui amamentado num canil,
Ate um dia fui por uma família adotado,
Lembro-me bem era o mês de abril.
Queriam algo pra distrair os filhos,
De brinquedos tinham enjoado.
Queriam um animal de estimação,
Foi para isto que fui arranjado.
Fiquei contente teria um lar,
Brincavam comigo sem parar,
Tive casa, comida e carinho,
Tudo que eu podia imaginar.
Fazia parte daquela família,
Um brinquedo vivo e desejado.
Aprendi a pegar um objeto,
Todas as vezes que era jogado.
Trazia sempre pro dono,
Cachorro dito ensinado,
Obedecia a todos os comandos,
Deixava os filhos do dono animados.
O tempo passa, no bater do relógio.
A vida e viva, portanto segue assim.
E quanto mais eles ficavam moços,
Eu infelizmente caminha para o fim.
Fui deixando de ser atrativo,
Pra distração dos agora jovens,
Foram aparecendo outros motivos.
Fui perdendo a atenção
Fui perdendo o carinho,
Passei a ser um estorvo,
Algo ruim no caminho.
Mesmo assim eu me dedicava a eles.
Vigiava a casa, esperava todos chegarem,
E com cada um que encontrava fazia festas,
As vezes ate trazia a bolinha pra jogarem.
Mas... Pareciam se aborrecerem comigo.
Esqueceram que sou ser vivo que tenho sentimento.
Meu tempo todinho foi sempre dedicado a eles.
Mas sentia que pra mim não havia mais momento.
Meu ciclo de vida do deles é bem menor,
E com a tristeza do abandono parecia pior.
Fui perdendo a agilidade e também a alegria.
Sentia que não teria ali mais nada de melhor.
Um dia fui colocado no carro para um passeio,
Ao entrar no carro peguei a bolinha no terreiro,
Pois sempre que saímos brincávamos na grama.
Ali começava meu drama, um passeio derradeiro.
Paramos num lugar bem distante,
Onde nunca estive antes, pude notar.
A bolinha foi assim arremessada.
Corri eufórico pra mais uma vez buscar.
Quando voltei já tinham ido embora.
Tentei ir atrás mas não consegui.
Fui abandonado na estrada.
Meus donos, nunca mais os vi.
Andando com dificuldade acabei atropelado,
Quem atropela é obrigado a que socorrer
Ouvi dizer isto no estatuto dos humanos,
Mas eu era um cachorro, podia ficar pra morrer.
Feridas ocupavam agora o meu corpo,
Andar era uma dificuldade muito dolorida.
O tempo passava, a fome e a sede,
Eram os infortúnios deste meu fim de vida.
Muitos de mim fugiram, com nojo,
Bichos muito cruéis vivo me comiam.
Nem andar mais eu agora podia.
Tomara que morra logo muitos diziam.
Mas tem pessoas, que Deus olha todos os dias.
Que vieram na terra pra nos livras da agonia.
E por elas fui acolhido quando achava que morria.
Dou a eles o meu olhar de gratidão,
Deixo que sintam o pulsar do meu coração
e um dia as pessoas ruins vierem lhes ferir,
Carrascos criados nesta nova geração
Darei com orgulho a minha vida por vocês.
Pois tenho nesta vida uma certa convicção.
Podem ate me considerar um pobre animal.
Mais eu os considero todos como irmãos.
Poucos de vocês neste mundo sabem,
Que Jesus nos deu muito carinho.
No dia em que foi preso, latimos avisando,
ELE pediu nos acariciando, pra seguir seu caminho.
Esta mesma mão nos encontramos ,
Nestas pessoas que nos dão gratidão.
É Jesus guiando os também com jeitinho,
Para o glorioso caminho da salvação.

-35-
A casa deles foi invadida
Edécio Mergener

A invasão do homem por ambição
Sem permissão e sem licença
A sua presença foi cada vez maior
E o pior... As máquinas hoje, tudo arrasa...
Até a casa deles foi invadida sem precedente
Infelizmente é cada vez menor.
Que pena dos animais... Coitados...
Encurralados... Não tem pra onde ir...
Estamos a perseguir para lhe caçar.
Sem raciocinar; vem chegando... Mansinho
Esperando nosso carinho... Delicados...
Como se eles fossem os culpados
Por tanta judiação.

São José dos Pinhais/PR

-36-
Saudades da Preta
Greg Pinheiro

Doce e meiga criatura,
amiga pra todas as horas,
protetora, até ciúmes tinha
dos braços estendidos,
abraços apertados
de amigos meus.

Logo ela se impunha
e sem reservas ficava
atenta, vigilante, pronta
para atacar se preciso fosse....

Que saudades da preta...
tão dócil era essa criatura,
amiga inseparável era a preta,
seus sentimentos ultrapassava
os limites de um simples animal,
era puro, verdadeiro, insofismável...

Um belo cão,
uma linda imagem
que me faz sentir
saudades da preta.

Grande foi a minha dor
um espanto sem espera,
quando o veterinário disse:
é precisa sacrificá-la:

Então ela foi-se embora
dessa idas sem volta
que deixa apenas a gente
com saudades da preta...

Recife/PE

-37-
King...
Isabell Sanches

Há algum tempo em que eu ainda estudava, num certo dia ao chegar da escola, havia surpresa pra mim feita pelo meu querido esposo. Ao entrar me surpreendi, tinha comprado um computador para me presentear fiquei muito feliz, presente fora de época eu nem estava aniversariando...
Logo fui mexendo no computador ele disse:
Calma, tem mais presente!
Ops! Uma caixa de sapatos o que seria pensei...
abri a caixinha e logo pulou dela uma coisinha muito pequena e frágil, era um cãozinho da raça fila que lindo! o nome dele me veio à mente tão logo o vi passei a chama- lo de “King”. Os dias foram passando...
E aquele cãozinho crescia em demasio, não pensei que fosse crescer tanto, King crescia e crescia;
Anos depois, King adulto era um perfeito amigo e guardião da casa, valia qualquer ração ou cuidados especiais ele era muito fiel, impunha respeito ao recinto. Eu sempre tirava tempo para brincar com ele e interessante é que ele mesmo adulto curtia as brincadeiras, era muito alegre, forte e sadio. Quando ficava de pé e jogava suas patas sobre a gente se déssemos bobeira ele nos arremessava ao chão, tive a alegria de poder tê - lo por algum tempo e um dia ao sair de casa no meu regressar tive a decepção de não mais encontrá-lo, meu esposo esperou que eu saísse para doá-lo a um amigo, para que este o levasse para uma fazenda distante; chorei tanto...
Implorei para que King fosse trago de volta e meu esposo desconversava e argumentava que King havia crescido muito e o espaço já não era propício a ele. Era muita dor ficar sem King por perto, eu sonhava com seus agudos latidos. Meu cunhado que foi passear na fazenda me trouxe notícia:
Olha, o King está uma caveira amarrado numa enorme corrente...
Aquilo cortou meu coração, exigi para que o King retornasse para casa; meu esposo prometeu a devolver-me após longa discussão só que, quando ele foi à intenção de desmanchar a maldade que tinha me feito veio à má surpresa:
O King, ele morreu...
Não pude conter minhas lágrimas, King foi tirado de mim a força, essa separação do meu amável cãozinho foi sentida por nós dois, ele morreu talvez das muitas saudades que sentira de casa...
Jurei para ele: King nunca mais terei afeto por animal algum
Jura que faço, nunca nenhum outro animal te substituirá!
A jura é mantida, King onde quer que esteja saiba que esse lugar jamais será ocupado...
Recordando King aqui estou a falar sobre ele com os olhos nadando nas lágrimas pela dor dessa eterna e dolorosa saudade. Os seres humanos às vezes cometem atos impensados, meu esposo nunca parou pra pensar no quanto sua ação para comigo e meu bichinho de estimação fosse vista como algo tão cruel, tudo bem o perdoo, mas, haverá sempre uma dorzinha guardada dentro de mim causada pelas suas mãos, diria:
Pequena ferida sem cicatriz.

Cachoeiro de Itapemirim/ES

-38-
Boêmio Sabiá
Joyce Lima Krischke

Boêmio sabiá na madrugada vem cantar
Embalando meu poema e a me acompanhar
Começa as três de mansinho o seu belo trinar
No galho da laranjeira canta... Canta sem parar

Fico ouvindo e nele busco inspiração
Das teclas do meu PC brota a minha canção
Canto de amor ele entoa e de tristeza também
Enquanto eu o escuto silente e sem ninguém

O dia já vem chegando... O sol nascendo
E o canto do sabiá desaparecendo
Há gente apressada passando na rua
O sol veio ocupar o lugar da lua

Ah, sabiá- companheiro de jornada
Meu amigo e “muso” na madrugada
No galho da laranjeira ele não mais está
Aguardarei a noite à volta do boêmio sabiá.

“In” Navegando Poesia- pág.- 44
Releitura pela autora em 25/03/2012

Balneário Camboriú/SC

-39-
Animais: nossos companheiros de jornada
Carlos Reinaldo de Souza

O King, a Sessi e a Luna
foram três lindos cãezinhos,
que partiram da comuna,
como reais amorzinhos.

O primeiro, preto e branco,
a segunda, acinzentada,
e a terceira, pra ser franco,
era negra e apimentada.

Estes três daqui partiram,
deixando amor e saudade,
com suas mortes feriram
meu coração, de verdade.

Encerro assim estas trovas,
mantendo em minha lembrança,
profusas e ricas provas
que minha memória alcança.

Carinhos, mimos e gestos,
recordo destes amigos,
e deixo aqui meus protestos,
suas mortes foram castigos!

Conselheiro Lafaiete/MG

-40-
*Não Doía...
J.J. Oliveira Gonçalves

*Este poeminha ofereço à minha gatinha "Branquinha/Kika" que, apesar de suas Dores e Sofreres silenciosos - pela doença traiçoeira que a pegou - se esforça para passar com seu "pai-humano" e sua "família-humana" este (tristonho) Natal de 2011.
GRATO, Querida "Kika", por teu Amor!!! Habitarás - para sempre! - meu coração-menino!!!! (JJ)

Porto Alegre, 15 de dezembro/2011. 11h - HS
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-41-
Saudades de um Níveo Amor!
J.J. Oliveira Gonçalves



A duas tiras de terra
De jardim eu batizei!
Ilusão Sonho descerra:
Esperançoso eu sonhei!

Essas nesgas paralelas
Com terra preta adubei!
Pequenas flores, singelas
Com mão fraterna plantei!

De manhazinha a garoa
Pra parceira convidei...
E estando na vida - à toa
Pedrinhas brancas peguei!

À flor da pele a Emoção
No úmido olhar disfarcei...
Cabisbaixo o coração
Quase a chorar, eu pensei:

Como me dói a Saudade
Da "Branquinha" que criei!
Meu consolo é que "sou tarde"
E amanhã só pó serei!

Com pedras brancas (Lembrei:
Da alvura da "Branquinha")
Duas tirinhas debruei
Com Dores que eu não tinha!

Meu jardim pequenininho
Deste aprendiz de artesão:
Em cada canto um Carinho
Em cada flor: Solidão!

Porto Alegre, 15 de janeiro/2012 - 15h33min - HS
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-42-
Meus Queridos Animais
Kátia Pérola

Os domésticos gatos, cães...
Os silvestres coloridos e graciosos...
Os aquáticos nadadores, aos olhos
Lindos, flutuante aquarela.
Os meus peixinhos...
Ah, quanta saudade...
Quando brincava com eles no aquário...
O velho pangaço comia na minha mão.
E as caldas véus com seu lindo balé dançante
enfeitavam o belo aquário.
O aquário explodiu indo tudo ao chão...
Que decepção... Chorei tanto.
Ah!... Meus animais...
O gato Zulu, correndo de lá para cá
com sua bolinha de lã vermelha
todo serelepe era a atenção
e alegria geral das crianças.
Os meus cachorrinhos
que corriam alegres na grama
fazendo grande festa ao meu redor,
algumas vezes eu ralhava com eles
mas sempre me perdoavam.
Eu amava-os como se ama um amigo.
O que será de mim sem eles?
Meus queridos animais se foram,
deixaram boas lembranças
e eternas saudades.
Amigos irracionais,
mas de grande sensibilidade
e enorme fidelidade.

Ourinhos/SP

-43-
Animais.
Kátia Pérola

Assim são serelepes e engraçados,
e estão alegres a nosso lado.
Amigos são e de verdade, se juntam
e transmitem a nós felicidade.

Muitos aqui estão em extinção,
Caçados e exterminados
por um mundo de maldade humana
Governos e nós mesmos vivemos
essa triste e cruel realidade.

Todos são chamados irracionais,
será que a nós acham normais.
Estão sempre a nós festejar,
quando a eles carinhos podemos dar

Há se fossemos mais reais, nesta
nossa dimensão.
Aos animais seriamos mais atenciosos e
retribuiríamos melhor dando carinho
cuidados, amor e atenção.

Ourinhos/SP

-44-
Fiel, Companheiro
Estela Frutos Braud

Lá no longínquo passado
Achei lembrança tesouro
Do animal querido,
Um cachorro perdigueiro.
É o primeiro que recordo,
De nome Fiel, verdadeiro.
Sempre tão estabanado
Querendo ser o primeiro,
Quebrando de enxerido
A cara e bem lampeiro!
Protetor intrépido,
Latia e rosnava ligeiro,
Qualquer perigo avisando.
Com seu apurado faro,
Era caçador conhecido.
Defendia o galinheiro,
Deixando na porta do fundo,
As provas de defensor certeiro...
Para merecer o amigo amado,
Havia tarefa no duro:
Manter o Fiel asseado.
Para levar ao banheiro,
Resistia desconfiado:
Para se entregar faceiro
Ao que virava agrado...
Fiel, saudoso companheiro,
Seu lugar no Céu é merecido!

Balneário Camboriú/SC

-45-
BRita BRazil

Rio de Janeiro/RJ

-46-
Minha cadelinha Jade
Paulo Rodrigues

Que coisa mais linda, mais cheia de graça!
A criançada algazarram para vê-la.
Todos querem pegá-la no colo,
acariciar sua macia pele sedosa.

Desde que ela chegou aqui em casa
Ninguém consegue acalentar tenramente
No silêncio da madrugada fria.
Ela chora a noite toda.

Mas seu choro é suave melodia doce
Aos nossos ouvidos sensíveis
Que imploram pelo tão sonhado silêncio raro
depois de um corrido dia urbano.

Ela é o novo jubilo do nosso lar.
Brinca com os gatinhos
Que ainda estranham sua espécie canina
e olham desconfiado o abanar de seu rabinho.

Que quer apenas demonstrar confiança
e conquistar a amizade de quem passa.
Suas orelhas em pé demonstram atenção.
Suas pequenas presas afiadas segurança.

Seu meigo nariz negro é pequeno e chato.
Mas nada escapa de sua visão atenciosa.
E as palavras não conseguem dizer
a graciosidade da minha cadelinha Jade.

Sorocaba/SP

-47-
Amigo Bem–te-vi
Eliene Dantas de Miranda Taveira

Saudades... saudades de ti
Não te ouço mais à minha janela
Encontraste um solitário, bem mais longe daqui?

Pássaro bendito, que a cada dia
Cantava para alegrar minha alma
Uma simples e repetida melodia.

Hoje, não mais cantas.
O que houve? Fostes para outra região?
Ou esta criatura, não mais te encanta?

Deixaste-me vazio o peito.
Teu canto singelo e cativante
Fazias-me sonhar por um instante.

São Paulo/SP, 26/03/2012

-48-
Dos companheiros
Odilon Machado de Lourenço

Quando venho do fundo do mundo e volto pra casa
Tem um cão que não late quando chego
Desaguado de muitas derivas volto pra casa e tem um cão que não late
É meu amigo esse cão que faz silêncio quando chego
É pêlo negro como a noite e a noite quer dele a sua cor para uivar
Buscar dentro o exercício de ser noite rasgada de uivos
Ser a serena brisa que lampeja o escuro num encontro de amor
E das escurezas trazer névoas sem cor quando chego
Nos olhos do cão a noite tem paz, a impávida paz.

Florianópolis/SC, 29-03-2012.

-49-
Guliver
Joyce Lima Krischke

Balneário Camboriú/SC

-50-
Animais, nossos companheiros de jornada.
Akasha De Lioncourt

As pessoas me perguntam por que defendo os animais contra a exploração e os maus tratos. A resposta poderia ser simples mas acaba sendo sempre refutada por argumentos egocêntricos e com a frase célebre: tem tanta criança abandonada e você se ocupa dos bichos!
A verdade é que amar os animais e querer o seu bem estar não me impede de lutar pelos seres humanos. Não querer que eles sejam tratados como mercadoria e explorados para encher os bolsos de mercenários que os subjugam e maltratam não me impede de denunciar uma criança vítima de maus tratos ou um idoso abandonado à sua própria sorte.

Sugerir que as pessoas adotem animais vítimas de abandono ao invés de compra-los apenas para ter um pedigree e dizer que pagou uma fortuna pelo bicho de estimação é uma maneira de explicar que esses pequenos sentem frio, sede, medo, dor e não são bichos de pelúcia que podemos descartar quando ficam velhos ou doentes. Animais de estimação são companheiros para toda a vida. Eles nos amam e nos consideram sua família.
Os animais não matam por prazer, não lutam por poder e aquela história de rei das selvas é invenção do bicho homem. Eles possuem sim uma cadeia alimentar e só caçam para matar a fome. Isso é a lei da natureza. Eles são capazes de adotar como seus filhotes de outras espécies sem questionar a origem desses bebês e nós temos preconceito em adotar uma criança cuja mãe renegou porque ela pode ser uma psicopata assassina ou simplesmente porque ela não tem a mesma cor da nossa pele.
Não consigo me divertir vendo animais fazendo gracinhas num circo porque sei que eles passam por torturas imensas para aprender aqueles truques e repeti-los por medo do sofrimento das chibatas. Menos ainda em vê-los em jaulas apertadas nos zoológicos, totalmente fora do seu habitat, apenas para que possamos olhar e dizer: olha que bonitinho!

Detesto rodeios e touradas! Acho que os animais deveriam se rebelar e inverter as posições uma só vez... Seria engraçado ver um touro montando um humano debiloide que se diverte cutucando-o com esporas para deixa-lo bravo por alguns segundos de fama.

Cultural ou não, o homem precisa aprender a respeitar as criações divinas como seres que precisam de amor e carinho, porque eles aqui estão com o mesmo intuito que nós: evoluir. Então, eu faço campanhas de adoção de animais, não vejo diferença entre um poodle e um vira-latas e acredito que castração é uma boa maneira de evitar que eles cresçam desordenadamente e o abandono aumente. Pais que dão animais de presentes aos filhos precisam fazê-lo conscientemente ao invés de abandoná-los quando crescem e as crianças enjoam ou simplesmente porque eles latem demais ou fazem sujeira. Nós também falamos muito e sujamos muito mais do que eles.

Também não me agrada usar um cosmético sabendo que eles foram testados em animais antes de chegar ao mercado de consumo.

E pensar dessa forma, auxiliar protetores que recolhem esses animais e buscam lares adotivos para que possam ter uma vida digna, não me impede de fazer o mesmo pelos humanos mas sempre alimentarei o sonho de que um dia a humanidade evolua a ponto de pensar como regra que os demais seres vivos que habitam o planeta Terra são nossos irmãos de jornada e merecem ser tratados como tal.

E é por isso que eu amo tanto os animais.

São Paulo/SP

-51-
Akasha De Lioncourt

São Paulo/SP

-52-
Akasha De Lioncourt

São Paulo/SP

-53-
Lições do cãozinho Zebob
Poesia para ZEBOB nº 2762
Por Sílvia Araújo Motta

1-Maria Olívia Tejada (4anos)
2-com dupla nacionalidade,
3-tem Certidão registrada,
4-em Nantucket, in USA,
5- e em Belo Horizonte,in Brazil,
6-está agora cuidando
7-daquele lindo cãozinho
8-lá do Mercado Central...
9-Na Família, agora, é hobby
10-brincar com este animal...
11-Por um bom preço comprado:
12-cento e cinquenta reais...
13-Com dois meses, coitadinho,
14-escorregou nos degraus...
15-Foi triste ver o cãozinho,
16-bem dolorido chorando,
17-olhando para a patinha...
18-para reclamar colinho...
19-“Vodenise” no Hospital
20-pagou pelo atendimento,
21... “oitocentos” no total...
22-Valeu pelo “sofrimento”
23-que viram diminuído...
24-E pelo medicamento
25-ao ZEBOB tão querido...
26-Agora ele tem três meses...
27-de bobo, ele não tem nada...
28-Espera uma DONATELA
29-para ser a namorada...
30-ZEBOB foi passear
31-de carro, em várias cidades
32-de nossas Minas Gerais,
33-com a família reunida
34-e com Dona MARIA OLIVIA
35-que lhe oferece vaidades...
36-Visitaram Tiradentes,
37-Ouro Preto, Mariana,
38-até São João Del Rey...
39-Voltaram de lá contentes
40-trazendo até “rocambole”
41-lá de Lagoa Dourada,
42-com cem anos de tradição,
43-“é bão demais, sim, uai...”
44-O Vopedro sorridente,
45-comeu e logo aprovou...
46-com receita extraordinária,
47-vai tentar fazer igual...
48-pela ARTE culinária.
49-Trouxeram para os “priminhos”
50-Ronaldo,Tide e Juninho,
51-e para a Tia Silvinha
52-“rocambole de carinhos”
53-delicioso, doce de leite...
54-pão de ló todo fofinho,
55-com açúcar, bem pouquinho...
56-Quero agradecer à VODÉ,
57-À MARIA OLÍVIA querida,
58-pela visita “de fé”
59-e de alegrias da vida...
60-Eu dormia no sofá,
61-com a televisão ligada,
62-“ficar sozinha não dá,
63-numa tarde ensolarada...”
64-Na coluna, eu tinha dores,
65-tomei remédio e dormi...
66-Acordei, com meus “amores”
67-“batendo à porta, a sorrir...”
68-Eu juro até que esqueci...
69-que anteriormente, eu gemia...
70-Em ZEBOB pude ver
71-a “vontade de viver”
72-espertinho, “porque é magro”
73-“com orelhas sempre em pé”
74-“olhos vivos pra tudo conhecer”
75-“olhou-me logo também...”
76-“queria sempre caminhar...”
77-Do sofá eu me levantei,
78-fiquei feliz, pode crer...
79-e com ZEBOB brinquei
80-até meu “medo perder”
81-Estas lições vou guardar...
82-que neste dia ganhei...
83-Quero sempre “caminhar
84-pra poder emagrecer...”
85-Bem sei que daqui pra frente,
86-mais um “AMIGO” ganhei.
87-Só quero ver lá na “quadra”
88-se o ZEBOB vai correr...
89-Correr atrás não consigo...
90-mas sei que eu vou tentar...
91-Venha MARIA OLÍVIA
92-para correr com ZEBOB...
93-porque sei que no parquinho
94-nós poderemos brincar.
95-Tem gangorra de balanço,
96-e até escorregador,
97-traga a bola pra jogar...
98-para o ZEBOB correr...
99-Vamos chamar a Gabriella?
100-sua querida priminha???
101-ela é minha sobrinha
102-temos muito amor por ela.
103-Obrigada, MARIA OLIVIA.
104-e OBRIGADA “VODÉ.”
105-Avise logo ao VOPEDRO
106-e à querida VODIDI
107-que eu “adoro rocambole...”
108-Entenderam meu recado?
109-Envio a todos, com carinho
110- os meus Beijinhos mais doces,
111-Sou a Tia Professora,
112-bem feliz, aposentada,,
113-violonista e escritora
114-pela vida apaixonada.
115-Mensageira da alegria,
116-cativa da arte e cultura
117-vivo a divulgar poesia
118-música e literatura.
119-Beijabraços, com carinho
120- da “Poetia Silvinha."

Belo Horizonte, Brasil,
Minas Gerais, Domingo



-54-
Pequeno pássaro
Judite Krischke Sebastiany

Agradeço-te essa visita,
Pequeno pássaro.
Agradeço-te a visita
Nesse local de trabalho.

Dia cheio de “emoções”
Uns gritam, outros choram.
Cada um tem suas razões.
Todos querem, mas não oram.

Ambiente carregado, tensão.
Problemas para resolver.
Tudo espera minha decisão.
Só de longe quero ver...

A cada palavra, a cada passo
Busco instaurar serenidade e paz
Aos poucos se desfaz o laço
Um por um, cada nó a gente desfaz.

A responsabilidade e o compromisso
Não deixam relaxar, nada vejo.
Sem curtir do processo o progresso.
Mas, quando o pássaro chega eu vejo.

Meu visitante amigo, alegra e traz leveza.
Sinto-me bem, me invade natureza.
Sua presença me diz que está tudo bem.
Ele não entraria ali para sofrer, ser refém.

Consigo respirar devagar e sorrir
Cautelosa, chamo outros para ver
Sorrisos se abrem, se põe a rir
Cena tocante, para não esquecer.

O pequeno pássaro voa pela sala,
Pousa no ventilador desligado
Olha para os lados, quase fala.
Nos acompanha, e voa para o lado.

A janela aberta é sua garantia de liberdade
Por ela ele entra, por ela ele sai.
Naquele dia, grande felicidade!
Com sua presença a dor se vai.

Agradeço a Deus pelo socorro
Pois sozinha, me perco e morro.

Porto Alegre/RS

-55-
Os animais agradecem!
Pinho Sannasc

Quero apenas alguns minutos
Da vossa atenção e nada mais
Para locupletar este tributo
Que ora rendo aos animais

Parceiros de caminhadas
Amigos por tantos amados
Companheiros de jornada
Que merecem todo cuidado

Devemos ser bem cordiais
E livrá-los das armadilhas
Entender que alguns animais
São membros da nossa família

Alimentá-los quando preciso
Garantir-lhes total liberdade
E não tratá-los como bandidos
Que se põe atrás das grades

É só justiça, nada demais
O que aliás eles merecem
Vamos ser mais racionais...
Os animais agradecem!

Salvador/BA





SELO DE PARTICIPAÇÃO












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Música de fundo: "Samba dos Animais"
Autor: Jorge Mautner
Intérprete: Lulu Santos

O homem antigamente falava
Com a cobra, o jabuti e o leão
Olha o macaco na selva
Não é macaco, baby
É o meu irmão
Porém durou pouquíssimo tempo
Essa incrível curtição
Pois o homem rei do planeta
Logo fez uma careta
E começou a sua civilização
Agora já é tarde
Ninguém nunca volta jamais
O jeito é tomar um foguete
É comer desse banquete
Para obter a paz
Que a gente tinha
Quando falava com os animais



Arte e Formatação Rosângela Coelho
Exclusivo para CAPPAZ - Confraria Artistas e Poetas pela Paz
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