Encerramento e Agradecimentos - 50ª Ciranda Mensal CAPPAZ


          Na 50ª Ciranda Poética - com temas livres, o privilégio me foi dado através da nobre presidente-fundadora da CAPPAZ, Joyce Lima Krischke, para aqui deixar as minhas expressões de agradecimentos a todos os confrades e confreiras participantes, cabendo também à mim, realizar com justiça e generosidade, o encerramento da mesma.
A cada texto poético que leio, encanto-me com a beleza dos versos e imagens das telas dos poetas expositores, criadas e carinhosamente escolhidas referentes às essências e magias dos seus textos. Como é bela, criativa e esplendorosa a alma humana, pois se sobrepõe as limitações e as próprias adversidades!... Em temas diversos, livres, e mesmo que assim não o fosse, os poetas enriquecem a si e a nós mesmos com o brilho d´ouro e das estrelas, ao amorosamente exporem esta Ciranda Poética às flores e o perfume de suas almas, a beleza, a ternura, o amor, a natureza bela e exuberante que nos rodeia e tão intrínseca em nós, as aflições dos seres vivos, o gemido de dor que assoma do planeta terra, a transcendência espiritual, as crises ou dilemas existenciais de nós seres humanos.

Cânticos entoam na tênue brisa suave que nos cerca
Alento, ternura, fé, esperança em um mundo melhor
Paz, criatividade através da mente, espírito, coração.
Poesia é essência pura espalhada aos seres amantes,
Alimento, sopro divino na Saara desértica do homem
Zeloso a buscar o sonho na LUZ da Promessa Eterna.

Em nome da CAPPAZ (Confraria de Artistas e Poetas pela Paz), damos por encerrada esta edição e   agradecemos a todos os participantes que abrilhantaram a 50ª Ciranda Poética, trazendo as gotas de Luz benfazejas através dos seus versos e dissertações ricas de poesia, belezas sui generis, imagens ilustrativas, contribuindo assim para com uma humanidade mais aprimorada, evoluída, através da instituição e os seus meios sociais e tecnológicos que transformam o nosso mundo em uma aldeia global e de fácil acesso às informações.
PAZ e BEM para todos nós!
Abraços fraternos de

Roseleide Santana de Farias.
Cabedêlo-Paraíba









Introdução

Queridos Confrades e queridas Confreiras da CAPPAZ, estamos iniciando nossa 50ª Ciranda mensal CAPPAZ, que será abrilhantada com os pensamentos de todos, seus versos, contos, poesias... Palavras que saem da alma, do coração, que fazem parte da nossa essência como humanos, palavras essas que têm o poder de relatar experiência, devaneios, nos trazendo, reflexão, conforto, segurança, equilíbrio, esperança, fé , paz...

Viver requer sabedoria, que só adquirimos no decorrer dos anos e nada melhor do que dividi-la com outros, não nascemos com um manual, cada passo, cada palavra, cada gesto, cada ação, vamos nos tornando únicos e iguais ao mesmo tempo, quando temos objetivos, metas e ações coletivas, reunidos na Confraria de Artistas e Poetas pela Paz, somos capazes de pensar e idealizar um mundo melhor. Nossos sonhos estão registrados nos nossos escritos que se perpetuarão. Confrade e confreira, temos o poder de através das nossas palavras ajudar, informar, acalentar, trocar experiência de tudo que conseguimos aprender durante toda a nossa existência, que é muito pouca, só a convivência fará que este conhecimento aumente. Nossa participação na 50º Ciranda Mensal CAPPAZ será essencial, participem deixando transbordar o escritor, o poeta que existe dentro de cada um.

Fátima Peixoto
Cabedelo/PB - 07/02/2013









PARTICIPANTES

01-02- Elzio Luz Leal
03- Eliene Taveira
04- Tânia Maria de Souza
05- Cristiano Souza
06- Joyce Lima Krischke
07- Varenka de Fátima Araújo
08-09- Leon Lambert
10-11- J.J. Oliveira Gonçalves
12-13- Odilon Machado de Lourenço
14- Élio Cândido Oliveira
15- Estela Braud
16-17- Vera Passos
18-19- Rosana Carneiro
20-21- Esther Rogessi
22- Maria Fernanda Reis Esteves
23-24- Mariangela Repolês
25- Renata Rimet
26-27- Roseleide Santana de Farias
28-29- Weber José Vargas Müller
30-31- Judite Krischke Sebastiany
32- Fátima Peixoto
33- Michelle Szyndrowski
34- Valéria Lisita
35- Daniel Brasil
36-37- Sérgio, beija-flor-poeta
38- dinapoetisadapaz
39-40- Esther Gonçalves
41- Rosana Paulo
42- Silvia Benedetti
43-44- Paulo Rodrigues
45-46- Marco Amado
47-48- Akasha De Lioncourt
49-50- Marina Martinez
51-52- Edécio Mergener
53- Fernando Alberto Salinas Couto
54- Sônia Rêgo
55- Deomídio Macêdo
56-57- Malú Ferreira
58- José Otoniel da Costa-J.O.Poeta
59- Sidney Santos
60- Katia Perola
61- Carlos Reinaldo de Souza
62- Alice Luconi
63- Sílvia Araújo Motta
64-65- Antonio Carlos Francisco (Zíngaro)
66- Maria Júlia Guerra



PARTICIPAÇÕES



01.
Criação do paraíso
Elzio Luz Leal

Procurando no vazio existente,
Vejo o todo que em tudo é pertinente...
Como o sol, que o solo fertiliza,
A nossa mente, emprenhada realiza...

Em haustos, o vazio se preenche
E o ouro se separa da escória
E um tesouro se forma na memória.

Vivendo nesse processo criativo,
Todo homem se torna pró ativo,
Compartilhando com Deus da criação...

Deuses, um dia nós seremos,
Um novo paraíso criaremos,
Bastando ter amor no coração.

Rio de Janeiro/RJ



02.
Carinhos
Elzio Luz Leal

Os seus carinhos, guardo-os
Ainda hoje, na memória...
Foram momentos marcantes,
Época da nossa maior glória...

Diáfanos, eles ainda vivem,
Sinto-os na minha pele eriçada,
Em noturnas lembranças se movem,
Fazendo reviver a minha amada...

Suas mãos cálidas, umedecidas,
Tocando o meu pescoço, eu as sinto,
Causam-me calafrios de absinto!

E toda vibração que me percorre,
Se esvai com a maior delicadeza,
Porque o amor faz parte da natureza...

Rio de Janeiro/RJ



03.
Amigo Bem-te-vi
Eliene Taveira


Saudades... saudades de ti
Não te ouço mais em minha janela
Encontraste um solitário,
bem mais longe daqui?

Pássaro bendito, que a cada dia
Cantavas, para alegrar minha alma,
uma simples e repetida melodia.

Hoje, não mais cantas.
O que houve? Fostes para outra região?
ou esta criatura não mais te encanta?

Deixaste-me vazio o peito.
Teu canto singelo e cativante,
fazia-me sonhar por um instante.

São Paulo/SP, 26/03/2012



04.
"O Cálice", técnica mista sobre tela, 1,50 x 1,50m
Tânia Maria de Souza




Balneário Camboriú/SC



05.
Pingos de Ilusão
Cristiano Souza


O mar desce a ladeira
Como é lindo este mar
Como são lindas as suas ondas
E como são feias as ondas que ele trás

O mar cai do céu faiscado
As faíscas se chocam pelo chão
E em grupo elas rolam
De encontro ao porão

Quando não no porão
Aglomeram-se no chão
Formando grandes lagoas
Por causa da destruição

Vai querido mar
Tu que podes ser de rosas
Ou de desilusões

Mata esta vontade que eu tenho
De ver essa enxurrada mudar de direção
E inundar o nosso belo sertão

Mata essa dor que eu tenho
De não ver meu coração flutuar
Como as faíscas que te formam sem precisão

Salvador/BA



06.
Pensando Vida e Carnaval...
Joyce Lima Krischke


“... as colunas do templo
erguem-se separadamente.
E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.”
(Gibran Kahlil Gibran)


Vida- maior dos feitos do Criador!
Sopro Divino que tem a finalidade
De povoar o Mundo com Seres Felizes
Construtores da Felicidade no Amor e na Paz.

Carnaval- grandioso feito do ser humano!
Momentos significativos de Alegria
Das pessoas que constroem a celebração da vida.
Carnaval: povo festeja a Alegria em Paz...

Vida- criação infinita... além da matéria
Carnaval – criação para poucos dias de existência...
Vida em Paz, renova-se dia após dia
Carnaval – reinicia, anualmente...

Carnaval: música, dança, arte e poesia
Vida em Paz- é o caminho
Carnaval em Paz- é samba no caminho
Pensando Vida e Carnaval...

14/02/2013 - Terça feira de Carnaval

Cidreira/RS



07.
NÃO ESTAMOS PREPARADOS PARA NADA
Varenka de Fátima Araújo


Não adianta driblar o momento, somos feitos de moléculas vulneráveis neste tempo tão louco em que tudo se perde, sem que possamos ter controle. Acoimar, não acredito, sei que nascemos para um dia morrer, mas temos que acirrar o máximo para podermos permanecer na terra. Vida longa para minha mãe, Albanisa, a mulher bonita, mulher guerreira mãe protetora, acolhedora de muitos agregados.

Apesar de saber que o seu estado de saúde é delicado, contando com sua idade, este AVC que tanto temia veio sorrateiramente, embora tenha sido socorrida em tempo hábil ele é traiçoeiro, pode vir a melhora e em seguida uma recidiva.

Nunca estou preparada para nada, contudo, continuarei sendo a dama do xadrez em busca do alívio para minha família.

Salvador/BA



08.
Chemin
Leon Lambert




França



09.
Amigos para Sempre
Leon Lambert




França



10.
É Mãe e Irmã!
J.J. Oliveira Gonçalves


A Terra eu a trato com Carinho
Bondosa me dá Flores, me dá Frutos!
Pelos desdobres tristes do Caminho
A Terra consolou-me Negros Lutos!

A Terra eu aprendi - de menininho
A afagar-lhe o Corpo e a Nívea Alma!
À Terra minha mão é ledo ancinho
Na Carícia que a alegra e a mim acalma!

No Jardim da Branquinha - minha Kika
De atento jardineiro este aprendiz
Eu tento - ouvindo a Terra - ser feliz!

A Terra é de mim a Outra Metade
Aquela a me esperar na Eternidade
A Terra é Mãe e Irmã - singela e rica!

Quem sou? Um simples Ser da Natureza...
Sabiá louvando a Terra... em sua Beleza!

Porto Alegre, 12 de fevereiro/2013. 10h34min - RS
jjotapoesia@gmail.com - www.cappaz.com.br



11.
Um pianista dando concerto no Carnaval
J.J. Oliveira Gonçalves




Porto Alegre-RS



12.
Tamanho do mundo
Odilon Machado de Lourenço


Buscava o infinito quando me deparei com o horizonte.
(Paulo Guedes Machado)


O mundo é um fio de cabelo na cama dos dedos
Um náufrago sozinho em lonjuras de mar
mundo são os olhos de Elisa olhando outro mundo
São crianças brincando de outro mundo
Sem saberem de outro mundo entre tantos outros mundos
O mundo é sonho vivido e sonhado de novo
São luzes acesas sem que ninguém precise de mundo
O mundo é a bola de neve amassada nas mãos
O balanço das pernas da moça que vem sorrindo de braços
abertos num mundo de amor
O mundo é um barco sozinho no meio do mar
A linha do mar e do céu que chamam horizonte é o mundo.

Fortaleza da Barra da Lagoa Florianópolis/SC
22-11-2012



13.
Mudança
(Para Anne Abreu)
Odilon Machado de Lourenço

O vento virou de repente
Saiu a rumo do ir
Turvas nuvens sumiram com ele
Ao mundo que vinha levou brisas, calmarias...
Nasceu no céu azulado um sol mais raiado da dita alegria
O vento ventava o sonho nas relvas além brumarias
Nuvens bordadas de flores nasciam, floriam...
Ventanias fluíam nas folhas que riam
Galopavam cavalos com crinas ventadas ao léu da magia
Voavam com asas mais livres, mais belas, mais vivas
O vento ventava o sonho nas relvas além brumarias.

Fortaleza da Barra da Lagoa- Florianópolis-SC
7 de fevereiro de 2013.



14.
OBRIGADO VIDA!
Élio Cândido Oliveira

Eu posso ainda dizer.
Na expressão, um a rotina instigante
Contrapor as interrupções do sono,
Que se ofuscam a canção comove.

Alegria no tempo! Posso explicar
Se cair a noite, escuridão falta estrelas
Transita e trepidam ruídos, pelas ruas.
Perturbações, um trama, um confronto.

Os momentos de isso pronunciar
Ao lado que se passa, comunicar.
A ave rápida e no seu leve movimentar.
Dança a valsa de o próprio ser.

Vivi para tudo presenciar.
Das janelas, das portas que se fecharam.
Pedras que consegui fugir, a mim interpostas
Girando sobre próprio eixo. Resta assim dizer.
Obrigado,  e neste caminho aos céus agradecer
Antes mesmo de poder eu quis somente ser!!

IBIÁ/MG



15.
Homem maduro
Estela Braud


Homem maduro, com tantos sabores
que trazes da vida, quero teu beijo
com todos os volteios dessas viagens.
Amargos e doces compartilhar devorando
devagar e com pressa, transformando
palavras em ações, sonhos em verdades.
Homem maduro, saberemos ao provar,
se o sabores misturados permanecem
frutos no ponto de serem colhidos.
Mesmo que seja para seguirmos,
outros caminhos, novas venturas,
haverá em nossos maduros um sabor a mais...

Balneário Camboriú/SC



16.
Sob a árvore
Vera Passos


Tá vendo aquela árvore beijando minha janela?
É velha companheira da minha sesta
Sob os seus galhos eu me regalo de paz
Deito no solo frio, como no passado, ao pé da raiz
Vejo lá no céu as nuvens no seu levitar
A brisa quebra o meu silêncio
O chacoalhar das folhas é canção de ninar
Sinto o girar do Planeta, a cabeça rodopiar
Sigo o túnel do tempo, que me conduz ao mel
Me lambuzo na infância, vejo pipas,barcos de papel
Balões, bonecas, carrossel...
A chuva fina molha minhas tranças
E a criança livre, foge do papel
Ao meu lado sinto o farfalhar das asas prateadas
De um velho amigo cujo nome é Miguel
Fantasias  invadem a minha tela
Delas eu retiro as minhas alegrias
Fortalecem minha alma
Para  enfrentar o meu dia-dia

Salvador-BA



17.
À beira mar com Cecéu
Vera Passos


O mar engolia o Sol, era final de tarde, quando tudo era fantasia;
Quando a Lua cheia começava despertar no arrebol
Ao longe o canto da sereia fez tudo pra beber o mar,
Na areia eu me espreguiçava à espera da onda me beijar,
Foi puro encantamento, mera ilusão, terna alegria...
Na penumbra, mergulhei nos versos de Cecéu
Descerrei  janelas dos sonhos, piscar de olhos, beijos roubados...
Ruas estreitas, becos, vielas, outros tempos...
Às vezes belos, noutros escândalos, escarcéu... 
No cais a multidão negra escravizada à granel
Vida torpe, canto triste, dor, saudade...
Canto à Terra distante, canto africano... sem liberdade
Minha mão deixava a pena correr no papel
Vendo ao longe o barco voltar... subi e descer no balanço do mar
Um jovem lindo ainda menino no carrossel
Falava-me da luta que deveríamos enfrentar:
Eu, poeta na guerra e ele, poeta no Céu.

Salvador-BA



18.
FRAGMENTOS
Rosana Carneiro


E o coração senti-se fraco
Perdeu a noção do tempo
Desfragmentou-se em cacos
Explodiu de dor, num lamento
Chorou todas as mágoas
Deixou-se levar pelo vento
Criou asas, partiu
Juntou os cacos e ...
Voou
Apenas com a certeza
Que o tempo
É o melhor remédio...

São Paulo-SP



19.
O AMOR
Rosana Carneiro


O amor é
Felicidade que invade o peito
Que retira dor, mágoa e defeito
Ensolara a alma ainda pequena
Ganha força, cor e fica serena
Sorri contente, abre os braços
Abraça o mundo, ganha espaço
Torna-se imensa, sente-se plena
E sorri sem nenhum problema...
O amor cura feridas
Faz olhos cegos, enxergarem
Corpo paralisado, andar
Faz coração gelado, derreter
Faz o sol esquentar o peito
E faz chover  estrelas
No céu da boca do amanhecer...

São Paulo-SP



20.
Itimidade
EstherRogessi




Acrílica sobre tela, by EstherRogessi

Recife/PE, 07/03/10

MULHER UM UNIVERSO
EstherRogessi


Dispo-me do meu gênero – poeta não tem sexo – para falar sobre o ser mais que perfeito, criação inimitável, do Ser que é maior que o universo.
Tudo quanto Ele fez é a própria perfeição, e, o homem foi... Será, sempre, a sua criação maior – Adão foi criado para a Sua glória, porém, para criar Eva, o Senhor o fez dormir, para manter a fórmula em segredo. Ela, a mulher – humanamente falando, a única geratriz – é o ser mais invejado e copiado pelo próprio homem, que de todas as formas possíveis, busca encontrar a forma original, do ser que é, um universo em complexidade, possuidora de mistérios insondáveis – busca vã. Nesse particular, não há espionagem industrial que prospere; nenhum cientista, e/ou, ganhador de Prêmio Nobel conseguirá, tal intento: a originalidade de tal invento.
Aportar e, permanecer, em tal ser é como desbravar, o infinito rumo ao encontro, de outra desejada – a lua.
Muito fala-se, homenageia-se, escreve-se, descreve-se, e poetiza-se, sobre essa, que foi, é e será... A musa, lira, verso, reverso, controverso... Ode!
Mulher! Equilíbrio e loucura.
Natureza, mãe terra, Gaia, oxigênio, vida, morte, desdita e sorte.
Início e fim, o bom e o ruim; o fio da costura, o rasgo do saco, o arremate, o grito e o engasgo! Da navalha o fio, do faminto o desafio... MULHER!
Beleza, realeza, atenção, distração, sedução... Perdição!
O brilho que seduz; trilha para às trevas, e, o caminho para a luz.
Mulher, terra, montes, montanhas, vales, desaguar d’águas... Do encontro do côncavo com o convexo... Explosão, clímax, cataclismo... Emoção!

Dele, a musa; a inspiração - do arquiteto das formas boleadas - que, hoje, flutua em outro universo-Niemeyer.

Esther Rogessi, Escritora UBE, Mat. 9363, Crônica: Mulher Um Universo,Imagem:Intimidade.Acrílica sobre tela, by EstherRogessi

Recife/PE, 07/03/10



21.
A ESSÊNCIA DA VIDA
EstherRogessi

Medito sobre o que vejo a minha frente, pouco distante, um pé de cajá, aparentemente sem
vida; desfolhado completamente; galhos retorcidos - denodo de morte. O que mantém aquela árvore viva, são às suas raízes, adentraram à terra; canais de alimento, e, sobrevivência da mesma, tal ruptura seria morte iminente.
O pé de cajá está firmado nelas - as raízes -, no tempo determinado morrerá, em pé.
A preservação das nossas raízes – a ética e a moral –; o respeito concernente ao alheio evidencia a essência da vida, vital para um mundo melhor – o amor. Dele surge a multiplicidade de sentires – raízes fluentes de uma maior.
A ruptura desses marcos antigos¹, ou, raízes, evidenciados, através da “educação” moderna, constrange-me.
A abertura demasiada que os jovens vivem nos dias atuais, tende a degenerar-lhes o caráter.
A moderação traz o equilíbrio, em todas as áreas de nossas vidas. Fui partícipe de um diálogo, há pouco tempo, com um senhor desconhecido, até então, mas que estava sedento por um desabafo; estávamos em um consultório médico – na sala de espera – quando, aquele pai iniciou a conversa:
– Comumente, levo o meu filho, Marcos, ainda adolescente, à escola; moramos distante, temos que usar o nosso carro; continuamente escuto as suas murmurações – finjo não entender o óbvio – tentando-me convencer a deixá-lo seguir, precocemente, só. Pensa estar crescido, não quer ser visto pelos colegas, em minha companhia, ou, em companhia da mãe; não permite abraços, diz não querer “pagar mico,” devemos isso à modernidade, não é mesmo? Isso me entristece... Porém, algo tem mexido comigo: observo, sempre, um jovem, mais ou menos da idade do meu filho, que todos os dias, sentado na murada perto do portão de entrada da escola; quieto e solitário, nos olha de um jeito...Se o olhar insistente do garoto chama-me a atenção, mais ainda, é o fato de ele entrar, logo após o Marcos.
Imagine que, ontem, quando fui buscar o meu filho, à saída da escola, encontrei-o com um olho roxo. Fui à secretaria me informar sobre o ocorrido, a diretora falou-me:
– Na hora do intervalo, um coleguinha do Marcos perguntou-lhe o motivo de ele se esquivar dos pais e, entrar apressadamente na escola... Ele respondeu-lhe que não era criança, que os seus pais eram “um saco...” O garoto respondeu ao seu filho: – Bem que eu queria os dois sacos que você joga fora todo dia!
Queria ser abraçado, beijado; não andar tantos quarteirões, pra chegar à escola; você não merece os pais que tem!
– Ouvi em silêncio o desabafo daquele senhor... Enfim, falei: amanhã é um novo dia, espero que o garoto esteja no mesmo lugar...

Rogessi de Araujo Mendes, Recife-PE, Crônica: A essência da vida, 03/10/2012, pag.01
¹(... Não remova os marcos antigos...) Pv23:10. Hermeneuticamente falando trata-se, de não remover os limites de terras antigos, nem invalidar o campo dos órfãos.

Recife/PE



22.
Ilusão
Maria Fernanda Reis Esteves


Trago uma mão cheia de verdade
Faço dela o farol dos meus dias
Na alma um sol de alegrias
Caminho que me leva à liberdade

Desconheço o conceito de mentira
Creio que é apenas ilusão
Nunca me movi pela ambição
Nem vou me abalar por quem me fira

Não me cabem juízos de valores
Nem pretensos falsos moralismos
O bem é a luz universal

A verdade não é coisa de doutores
É abrangente e não tem preciosismos
Já a ilusão é o sinónimo do mal

Confreira CAPPAZ
Portugal



23.
De anjo vestida
Mariangela Repolês


Em minha janela à espera da madrugada - depois de ensaiar sua vinda - alongo meus dias em busca de tudo e em busca de nada porque meu tempo tem diminuído e não posso desperdiçá-lo nem perdê-lo de vista.
Um aroma de lembranças se propaga em profusão quando sento diante do computador.
Que resta a mim senão rezar ou escrever?
Ah… prefiro rezar escrevendo senão elas vão continuar em um passado esquecido e esclerosado.
Recordo-me vestida de anjo em pleno mês de maio subindo uma íngreme ladeira de barro batido rumo à Igreja Matriz.
As ruas ainda eram de pouca claridade devido à densa neblina existente, aliás, a energia elétrica era fornecida pela usina que pertencia à fábrica de tecido local e possuía a hora certa de desligar deixando toda a cidade às escuras. Era a hora do blecaute obrigatório.
Ah… quanto medo habitou o imaginário desprevenido das crianças! Cruz credo, ou melhor, dizendo credo em cruz!
Em toda a história de minha vida, Maria se fez presente. Presença delicada nos olhos de minha mãe a acariciar-me, presença silenciosa da mãe de Deus a abençoar-me.
Ah… tamanha e diferente emoção se sentia nas noites destinadas à coroação da santa protetora.
Ah… grandes foram os obstáculos até chegar ao pé do morro em que estava situada a Igreja, mas enorme era ainda a dificuldade de manter-me em perfeito equilíbrio sem rolar escada abaixo que ficava enfrente ao altar-mor.
Os degraus de grotesca madeira terminavam nas alturas ao redor da imagem da Virgem Maria.
As crianças eram assim como eu, vestidas de um branco angelical portavam nas costas asas feitas - com penas de aves - confeccionadas por habilidosas mãos artesãs. Muitos as copiaram tentando imitá-las, mas ninguém conseguiu fazer igual.
Ah… quantos gansos e patos morreram para a confecção deste adereço!
Antecipados meses eles já eram escolhidos e recolhidos tratados a “pão de ló” - para suavizar e dar brilho a suas plumas - até seu abate e arte final.
Era só pena que voava para a alegria das crianças, além de se comer um saboroso arroz com a carne das aves.
Em nossas cabeças coroas de alvas flores de pano engomado, com ligeiros fios prateados finíssimos e resplandecentes era o máximo para a maioria das meninas, mas para mim era de grande tristeza, quase um pesadelo. Nada parava naqueles cabelos macios e lisos.
Não havia nada que prendesse a coroa em minha cabeça. Mal sabiam minhas amigas que na noite anterior eu dormira com meus cabelos em cachos enrolados com o auxilio dos dedos, entre grampos metálicas e outros truques para que eles ficassem como a cabeleira dos anjos barrocos. Ledo engano.
Divididas em duas filas degrau por degrau, a legião de anjos subia cantando palavras inocentes de louvor como se estivesse realmente falando com Nossa Senhora. Toda a Igreja se calava quando as três meninas - ensaiadas previamente - se posicionavam ao entorno da virgem Maria.
A menina raquítica e arteira que iria por a coroa e estava no centro principal era nada mais, nada menos que eu. Ah… como o tempo demorava a passar para chegar minha vez! Eu sentia que os minutos estavam de mal comigo.
À esquerda era aquela menina destinada a colocar a palma. Como era linda a palma e como era difícil acertar o minúsculo orifício lapidado com esmero na mão da santa!
À direita a outra menina tinha que colocar um véu finíssimo e escorregadio em um pequeno alfinete afixado na cabeça da imagem. Ah… como doía em mim aquele alfinete e como tremiam minhas pernas!
Para completar esta cena litúrgica os demais anjos jogavam olorosas pétalas de flores naturais que se mesclavam entre o cheiro do incenso que pairava no ar, com o repicar dos sinos em alegrias.
Os fogueteiros de plantão com seus rojões em lágrimas de estrelas coloridas anunciavam que havia terminado a coroação da rainha.
Era o sinal esperado para os fieis dar prosseguimento à procissão com cada congregação religiosa carregando sua bandeira, seguida do cortejo dos anjinhos - verdadeiros querubins - enfeitados de rendas, cetins, sedas, organdis e o coral de cânticos em ladainhas.
No adro o povo se reunia para a quermesse, com direito à prenda mais bonita para ser leiloada ao som da banda musical Santo Antonio.
No meio do povo consigo visualizar a jovem morena, menininha demais para seus dezessete anos, com seu sugestivo sorriso - era este seu atrativo adicional - a provocar ciúmes em seu namorado.
Não percebia ele que apenas sua displicente alegria a distinguia das outras adolescentes.
Hoje posso afirmar que mesmo com tão pouca segurança dos degraus da escada, nenhuma daquelas meninas - mãos divinas as protegiam- se despencou do altar, assim como a jovem morena possuía naquela época a ingenuidade na alma e a inocência juvenil em um corpo pouco adulto.
Um verdadeiro milagre diria eu.

Alvinópolis/MG



24.
De ángel vestida
Mariangela Repolês


En mi ventana a la espera de la madrugada - después de ensayar su venida - alargo mis días en busca de todo y en busca de nada porque mi tiempo ha disminuido y no puedo desperdiciarlo ni perderlo de vista. Un aroma de recuerdos se propaga en profusión cuando siento delante de la ordenadora.¿ Que resta a mí sino rezar o escribir?
Ah… prefiero rezar escribiendo sino ellos van continuar en un pasado olvidado y esclerosado.
Me recuerdo vestida de ángel en pleno mes de mayo subiendo un escarpado ladera de barro Las calles aún eran de poca claridad debido a la densa neblina existente, mejor dicho, la energia que pertenecia fábrica de tejido local y poseía la hora cierta de desligar dejando toda la ciudad a las oscuras. Era la hora del blackout obligatorio.
Ah… ¡cuánto miedo habitó lo imaginario desprevenido de los niños!
Cruz credo o mejor diciendo credo en cruz!
En toda la historia de mi vida, María se hizo presente. Presencia delicada en los ojos de mi madre a acariciarme, presencia silenciosa de la madre de Dios a bendecir-me.
Ah… tamañas y diferentes emociones se sentían en las noches destinadas a la coronación de la santa protectora.
Ah… grandes fueron los obstáculos hasta llegar al pie del morro en que estaba ubicada la Iglesia, pero mayor era aún la dificultad de mantenerme en perfecto equilibrio sin rolar escalera abajo que se quedaba enfrente al altar mayor. Los peldaños de grotesca madera terminaban en las alturas alrededor de la imagen de la Virgen María.
Las niñas eran así como yo, vestidas de un blanco angelical portaban en las espaldas alas hechas - con plumas de aves - elaboradas por habilidosas manos artesanas.
Muchos las copiaron tentando imitarlas, pero nadie consiguió hacer igual.
Ah… ¡cuántos gansos y patos murieron para la confección de este aderezo!
Anticipados meses ellos ya eran elegidos, recogidos, tratados a “pan de ló” - para suavizar y dar brillo a sus plumas - hasta su abate y arte final.
Era sólo pluma que volaba para la alegría de los niños, alén de comerse un sabroso arroz con la carne de las aves.
En nuestras cabezas coronas de albas flores de paño engomado, con ligeros hilos plateados finísimos y resplandecientes era lo máximo para la mayoría de las niñas, pero para mí era de grande tristeza, casi una pesadilla.
Nada paraba en aquellos cabellos suaves y lisos. No había nada que prendiese la corona en mi cabeza. Mal sabían mis amigas que en la anterior yo durmiera con mis cabellos en rizos enrolados con el auxilio de los dedos, entre grapas metálicas y otros truques para que ellos se quedasen como la cabellera de los ángeles barrocos. Ledo engaño.
Divididas en dos filas, peldaño por peldaño, la legión de ángeles subía cantando palabras inocentes de loar como se estuviera realmente hablando con Nuestra Señora. Toda la Iglesia se callaba cuando las tres niñas - ensayadas previamente – se posicionaban al entorno de la virgen María.
La niña raquítica y artera que iría poner la corona y estaba en el centro principal era nada más, nada menos que yo.
Ah… cómo el tiempo demoraba a pasar para llegar mi vez! Yo sentía que los minutos estaban peleados conmigo.
A la izquierda era aquella niña destinada a colocar la palma.
Cómo era linda la palma y cómo era difícil acertar lo minúsculo orificio lapidado con esmero en la mano de la santa! A la derecha la niña tenía que poner un velo finísimo y resbaladizo en un pequeño alfiler fijado en la cabeza de la imagen.¡
Ah… cómo dolía en mí aquel alfiler y cómo me temblaban las piernas!
Para completar esta escena litúrgica los demás ángeles jugaban olorosos pétalos de flores naturales que se mezclaban entre el olor del incienso que pairaba en el aire, con lo repicar de las campañas en alegrías.
Los pirotécnicos de plantón con sus cachetes en lágrimas de estrellas coloridas anunciaban que había terminado la coronación de la reina Era el señal esperado para los feligreses dar proseguimiento a la procesión con cada congregación religiosa cargando su bandera, seguida por un cortejo de angelitos - verdaderos querubines - engalanados de encajes, satenes, sedas, organdíes y el coral de cánticos en letanías.
En el atrio el pueblo se reunía para la quermese, con la prenda más bonita para ser almonedeado al sonido de la banda musical Santo Antonio. En medio al pueblo consigo visualizar la joven morena, niñita demás para sus diecisiete años, con su sugestiva sonrisa - era este su atractivo adicional- a provocar celos en su novio.
No percibía él que apenas su displicente alegría la distinguía de las otras adolescentes.
Hoy afirmo que mismo con tan poca seguridad de los peldaños de la escalera, ninguna niña - manos divinas las protegían - se despachurró del altar así como la joven morena tenía en aquella época la ingenuidad en el alma y la inocencia juvenil en un cuerpo poco adulto.
Un verdadero milagro diría yo.

Alvinópolis/MG



25.
Faltou Poesia...
Renata Rimet


Rabisquei palavras diversas
Busquei rimas complexas
Tentei crer na ilusão

Retirei o véu da face
Olhei com frieza
Entendi a lição

De nada adianta escrever poesia
Se palavras não fluem do coração

Preciso acelerar o ritmo
Sentir o compasso
Rascunhar os delírios
Rimar com paixão...

De coração vazio
Oco de sentimento
Tudo que leio é palavra solta
Se escrevo, não há conexão

Preciso alimentar o corpo
Amar mais um pouco
Perder a razão...

Salvador/BA



26.
A TRILHA
Roseleide Santana de Farias


Busco-te amado Senhor, na estrada terrena desta minha vida.
Vejo-Te nas montanhas, rios, mares, verdes matas, sol e flores
Que irradiam sobre mim suaves bálsamos às tristezas e dores.

Sigo a trilha que me assoma aos olhos, sentidos e a percepção.
Minh´alma esvoaça entre a tristeza, fé e alegria de entregar-se
Sou a humilde libélula em busca do calor, chamas da Tua LUZ!

No fogo abrasador do Teu poder, molda-me o espírito, Senhor!
Imola-me, abriga-me em Teus braços, recebe tua pequena ave
Retorno ao Teu seio, busco força, aconchego do ninho, o calor.

Na trilha que me ofereces, necessito de Ti para prosseguir, PAI
Ansioso é o meu coração e sinto solidão, frio, o desalento, dor.
Impregna-me com o perfume da Tua Criação, Ternura e Amor!

Cabedêlo/PB, 16/02/2013

(Para a 50ª Ciranda Poética da CAPPAZ)



27.
A Trilha(excerto - imagem)
Roseleide Santana de Farias




Cabedêlo/PB



28.
Pedestal de Manganês
A Guaçuí, minha cidade menina!
Weber José Vargas Müller.

A Pérola do Caparaó desde sua pequenez
Fora cantada como pedestal de manganês
Guaçuí, no seio das montanhas altaneiras
Herdeira de sonhos e almas guerreiras!

Mil esplendores, jardins em flores
Cheiro de riquezas, frutos de seus moradores
Guaçuí, menina e sempre brilhante
Desponta no céu, como estrela cintilante!

“Surge et ambula” - Levanta-te e anda, Guaçuí!
Encrustada nas montanhas do Caparaó
És viva, audaz, me faz permanecer por aqui
Senti-la querida e amada- nunca deixá-la só!

Ipês floridos seduzem a nossa gente
Sou bairrista, amante da terra-mãe que me gerou
Menina, pequenina e viva, não sai da minha mente
Pedestal de manganês; sua riqueza, o meu coração conquistou!

Poesia publicada na Antologia Pérolas Capixabas

Guaçuí/ES



29.
Pedestal de Manganês(imagem-excerto)
Weber José Vargas Müller




Guaçui/ES



30.
VOLTANDO AO MEIO RURAL
Judite Krischke Sebastiany


Se...
Estamos cansados da agitação das cidades.
Estamos cansados do barulho constante.
Estamos cansados da luz da telinha/telão.
Nesse momento temos opção.
Momentos de silêncio e paz.
Encontro com o eu, com a natureza.
Para reintegrar o eu fragmentado.
Para encontrar e libertar
O eu/natureza encarcerado.
Caminhar na grama, entre árvores.
Respirar aromas vários do verde.
Ouvir muitos sons já esquecidos.
Colocar a mão na terra, na água,
Nas plantas, nas ferramentas
Suar na lida prazerosa.
Depois, se quiser ou necessitar
Se a vida na cidade te chamar
Voltar á grande cidade/trabalhar.

Porto Alegre/RS

31.
Voltando ao Meio Rural(Imagem-fotografia)
Judite Krischke Sebastiany




Porto Alegre-RS

32.
Não recue da vida
Fátima Peixoto


A vida é um presente valioso,
Você não está aqui por acaso,
Está para ser feliz.
Fez algumas opções,
Que a torna presa?
Se esconder não é o caminho,
Fugir da realidade não é o melhor,
A tristeza, não deixe te dominar.
Sonhe, acredite...
Tenha esperança.
Não vale a pena morrer de amor,
Guarde os melhores momentos,
Bem dentro do coração,
Vai te alimentar por um bom tempo.
O que te fez chorar, esqueça!

Não corra da vida
Agradeça por ela,
Você traçou seu caminho,
Se não estiver gostando,
Trace novamente,
Pode ser em sonhos
Só não pode recuar da vida.
Faça da sua vida,
Uma fonte de prazer

Cabedêlo/PB



33.
Carruagem dos Sonhos
Michelle Szyndrowski




Arte em balões

Balneário Camboriú-SC

34.
PALCO DO MUNDO
Valéria Lisita


Que mundo Deus no deu...
Basta olharmos em volta
Um firmamento anil...suspenso
Onde verdes revoadas se vão...mas voltam

E vento chega agitando
Árvores convidam ao dançar
Despreguiçar de folhas em leque
Maestria de sabiás a cantar

O dia fechando os olhos
Casal de andorinhas em enlace
Em sincronias de belas penas
Bater de asas pedindo... abrace

Pálpebras da noite ao abrirem
Encontram seres adormecidos
Descanso merecido...protagonistas
No palco do mundo... concebidos

Seguindo o curso da vida
Mãos da noite pintam estrelas
E lua em seu trono...rainha
Aguarda o sol aquecê-las

Goiânia/GO



35.
Lei e Leitura
Daniel Brasil


Da lei deriva a leitura
Por isso que esta cultura
faz parte da minha vida
A leitura foi entendida
Da forma que a interpretei
Fiz dela minha própria lei
Que nunca foi esquecida

Leitura é uma arte de ler
Muito com ela vou aprender
Até reconvertê-la como imagem
fazendo uma boa dosagem
Dados para processamento
Tirando dela bom argumento
Com interpretação da mensagem...

Porto Alegre/RS

36.
Silêncio
Sérgio, beija-flor-poeta


Cala-te, sei que podes,
Lê apenas a imensidão infinita
Dos pensamentos escondidos atrás da porta
De venezianas verdes e brechas nas paredes
Por onde a brisa se atreve a passear
Essa brisa que nasce no centro da mata
Vem apenas desvirginar esse meu silêncio
Onde converso comigo mesmo
E escuto a tua voz, rosa dos ventos,
E nada me pergunto,
Apenas escuto a perfeição das tuas palavras
Umas a me torturarem, outras a me libertarem

É em tua mudez, ó voz humana,
Que te escuto em mim, nos ares,
Nos alpes, nas florestas, nos campos.
Confronta-me com a minha realidade
E mantenho-me de lábios trancados
A escutar o fado nas batidas eloquentes
Segredos guardados nas entrelinhas de sete acordes
Esse espaço tão sedutor entre uma nota musical
É o mero pensar aflito
De querer te escutar e em teus silenciares
Grafar os mais belos sonetos de amor.

Alemanha



37.
As alianças do amor
Sérgio, beija-flor-poeta


Pois, noivaram-se as alianças
Deram-se o sim os seus lábios
A vida é cheia de esperanças
Fazem festa os homens sábios

Alegres, bobinhas as crianças
Poesia intensa do amor mágico
Em plena noite, lá pelas tantas
Escuta-se o canto feliz do galo

Sorrisos, amores, gargalhadas
Vivas, anjos brindam a união
Os lírios bailam na madrugada

Duas estrelas e um só coração
Bate no peito a unir duas almas
Pelas alianças na palma da mão.

Alemanha



38.
A Arte de Viver
dinapoetisadapaz


A vida é uma grande Arte, é um ensaio constante.
Arte, caminha com intuição e habilidade para criar e recriar.

Mas, antes de qualquer transformação é preciso
estar em sintonia com Deus.
Sem a sua luz, é viver sob os limites da involução.
Alicerçar a fé é se abastecer de ânimo,
é o bálsamo para a auto-estima.

A mente leve como pluma utilizada adequadamente,
A leveza em harmonia com a personalidade, trás a
Flexibilidade necessária para aceitar as mudanças.

Conhecer a si é descobrir o dons e o talento
Juntar os elementos, escolher os tons e trabalhar
A tela com amor,
Apostar no jogo esquecendo as inevitáveis perdas
sem perder, no entanto o otimismo.

Caminhar de um extremo ao outro,
Consciente que a corda bambeia, e que lá no fundo,
o abismo o espreita, e no palco, há uma platéia
que aplaude ou ignora.

Viver é uma grande Arte,
Há e sobra cores e pincéis
para dar os tons, basta saber
harmonizar dando o toque final.
Compete ao protagonista
Transformar o cenário
Que lhe renda aplausos.

É preciso Amar- se para
sentir o prazer de viver,
e o desejo de compartilhar.
Aí está, a grande Arte da vida.

Cabedelo/PB



39.
TEU NOME É DOCE
Esther Gonçalves


Nas madrugadas frias e sombrias,
Pego-me chamando o teu nome,
Em prece, clamo até o sobrenome,
Eu sei que tu não me esquecias...

Mesmo assim o teu nome ressoa,
Em meus lábios, meu Jesus amado,
Por ti, sempre, eu tenho procurado.
O teu nome em meu coração ecoa.

Tu és o meu refúgio, em ti eu confio,
O meu porto seguro, que me salva,
Aquele que me abraça e fortalece...

Quando a minha vida está por um fio,
Tu seguras minha mão e me libertas,
No momento certo, na fé, em prece!

São Luis/MA



40.
... ATRAVÉS DE UMA JANELA
Esther Gonçalves


Eu vejo os girassóis, o sol, o mar, a vida...
Um mundo, no infinito espaço azul do céu,
Diante desta graça divina eu tiro o chapéu,
Para abrir os braços, respirar e ver a vida,

De uma forma ampla, oh, natureza divina,
Que muito me faz admirar a sua beleza,
Majestosa fonte dotada de nobre realeza,
Que vem de Deus, bendita fonte cristalina,

Que me conduz e me faz olhar para frente,
Sem receio de tropeçar n'alguma pedra...
Sem receio da escuridão da noite sombria,

Pois o Senhor Deus me guia e eu contente
Sigo minha jornada, juntando cada pedra,
Para construir a paz, o amor e a alegria!

São Luis/MA



41.
Poema para Rafael
Rosana Paulo


Como dizes que não tens talento?
Se tu possues eloquência e
Ideias no pensamento?
A mente, meu filho, são asas
Que Deus concedeu aos homens
O dogma das religiões
É o fio da espada
Que impiedosamente
Mutila as asas divinas
Por isso, não te atormentes
Deixa livre o que imaginas
A liberdade não nega Deus
É pois sua afirmação
"Amar a Deus sobre todas
as coisas e ao próximo
comoa ti mesmo"
É o único mandamento
Deus está dentro nós
Somos Sua residência
A energia emanante
Que move todo o Universo
Não precisa penitência
Nem tampouco sacrifício
Só carece de amor
O resto é artifício
A Religiosidade e a Ciência
Os sentimentos e os experimentos
A crença e a experiência
Deus e Darwin
Criação e evolução
Em perfeita comunhão
Um não exclui o outro
Não procures a absoluta verdade
Que separa em vez de juntar
Estudes toda e qualquer possibilidade
Não aceites uma só versão
Faça uma análise crítica
Mas não esqueça o coração
Use seu livre arbítrio
Não aceite a prisão
O que procuras só cabe
A ti descobrir
O que queres tu mesmo
Tens que decidir
Não deixe que ninguém
Apague seu brilho, menino
Você é bonito por fora
E interiormente, também
Não é vaca de presépio
Para dizer sempre amém
Você é inteligente
Não se deixe rotular
Cada homem é diferente
E aí mora a beleza
A vida não tem certeza
Se permita caminhar
Você foi feito meu filho
Para ser feliz e amar!

Salvador-BA



42.
T E M P O
Silvia Benedetti


Foi pedido um tempo ao tempo,
Um tempo sem temporais...
Temporada sem coriscos,
Chuvaradas ou trovões.
Um tempo de águas mansas,
Sem excessos ou desgastes,
Sem tensões, apreensões.

O tempo logo passou
E mostrou que ele não passa,
Sem dores emocionais.

"A vida é tempo de luta"
Falou o tempo ao passar...
"Eu só sei andar em frente,
O que foi, não volta mais.

Aprenda que o tempo voa,
Leva sonhos, leva a vida,
Só deixa na realidade
Os frutos do que se planta:

Seja Amor, seja Amizade,
Seja Conforto, Pobreza...
Mas, em todo coração,
Deixa SAUDADE... certeza!

Porto Alegre/RS



43.
Doce Bellinha
Paulo Rodrigues


Um poema de amor
de alegres versos
aos seus quatro meses
desenhando a primavera
em seu meigo sorriso.

Meigo sorriso
que alegra e fascina
e semeia o amor
nos corações das pessoas
em doses de felicidade.

Doses de felicidade
encontrada em abundância
nos seus belos olhinhos
cor da tarde morena
e de doce encanto.

Doce encanto
e tamanha formosura
esboça sua serena face
de ternura e candura
pelo Grande Pai Celestial.

Grande Pai Celestial
que sempre estará cuidando
para que você cresça com SAÚDE
e muito AMOR
no seu alegre coraçãozinho.

Sorocaba/SP



44.
Médica
(Homenagem ao dia do Médico)
Paulo Rodrigues


Médica é um belo anjo
que veste branco
e cuida dos que choram.
Enxuga as lágrimas do que sofrem
com um belo sorriso.

Médica é uma profissão de dedicação
que cumpre a doce missão de salvar vidas.
É uma pessoa bondosa e gentil.
É uma mulher bela e amável.

É a imagem do amor ao próximo:
A representação da caridade e paciência
na bela fase serena
de mulher formosa e encantadora.

Médica é um belo anjo sem asas
que habita entre nós
para amar, cuidar e proteger
os corações carentes de afetos
lhe trazendo de volta a esperança
da colheita de doces sabores.

Sorocaba/SP



45.
NOVAS LINHAS...
Marco Amado


Traço novas linhas, sobre outras apagadas
Semeio esperanças em áreas duvidosas
Pois a vitoria esperada
Não são pétalas de rosas ressecadas

São novas rosas em botão
A desabrochar
Nascidas da emoção
Daquele que não teme errar

Quero é voltar a
Poder brincar
Sem medo de sonhar.

Ocram 20/02/2013
Rio-RJ



46.
TORTAS LINHAS...
Marco Amado


Tortas são as linhas
Em que escrevo
Nem sei se elas rimam

Ou se as estrofes fazem sentido
A única coisa que sei
É que deixo fluir os sentimentos

Sem tentar dominá-los
Sem ver a coerencia
Nem o ponto e virgula

É algo imprevisível
Que só faz crescer
Dentro da mente
Preenchendo meu peito
Com tão doce emoção.

Ocram 20/02/2013
Rio-RJ



47.
Ladrões de Sentimentos
Akasha De Lioncourt


Meus versos vem da alma,
Nos meus dedos criam forma.
Ao final da composição,
Escorrem, livres, para o papel.
São filhos das emoções,
Retém muitos sentimentos.
Não roubem de forma alguma,
Meus pequenos pensamentos.
Equivale a um sequestro,
Um crime de grande monta.
Não pelo valor da obra,
Mas pela dor da usurpação.
Por isso, defendo os direitos
De quem vive para compor.
Seja em verso, seja em prosa...
Rima rica ou rima solta.
Não se usurpa as emoções,
De quem expõe seu coração.

São Paulo/SP



48.
Ser Poeta
Akasha De Lioncourt


Ser poeta é desvendar cada palavra com emoção,
Cada sentimento que invade com imensidão.
Ser poeta é conseguir traduzir a paixão,
Com volúpia, sem cair nas armadilhas do coração.

Poesia é a música que vem de dentro,
Escorre pelos dedos, pousa no papel.
Poesia é paixão, é sentimento.
É expressar o que nos emociona em cada momento.

Quem escreve sabe bem o que eu digo,
Pois não é fácil ser poeta,
Não é fácil expor-se em palavras.
Menos ainda sentir-se invadido, acuado.

Mas, também não é fácil ser humano,
Doar-se em emoções e sentimentos,
E ainda assim, fazemos isso a todo o momento.
Em nome do amor que buscamos

Esse amor que não compreendemos, não assimilamos,
Mas mesmo assim, intensamente ainda procuramos,
E que talvez seja apenas para compensar a sensação,
De que era o que faltava para completar o coração.

São Paulo-SP



49.
DE ESPELHOS E OLHARES
Marina Martinez


Sensação estranha, de novo.
Há anos, algo me persegue.
Sinto e não consigo decifrar.
Busco ao redor, olho para trás. Nada.
Sigo minha vida. A sensação, também.
Decido acabar com isto. Paro e me viro.
Surpreendido, meu seguidor se revela.
Mais surpresa fico eu. Assombrada.
Um espelho, ofegante, embaçado, me encara.
“Ainda bem que te viraste”, disse-me ele.
“Cansei de ser teu fantasma ignorado.
Minha moldura? Envelheceu; junto, meus brilhos.
Sei que te exploras todos os dias. Agora, para.
Apenas observa meus olhos e abre os teus.”
Raspei a poeira que o revestia, de tanto tempo.
Conheci seus olhos, agora limpos, idênticos aos meus,
e entendi: sempre estive em mim, sem saber.
Ensinamento simples, mas sempre lição.
Olho para trás. Em vão. No imaginário, adeus.

Porto Alegre/RS, 10 de novembro de 2012.



50.
DE FLORES, PAZ E ÁRVORES
Marina Martinez


Paz, flores e árvores? Difíceis de preservar.
Necessitam de sementes para nascer e crescer.
Precisam do Homem para viver. Abençoadas.
E apenas sobrevivem se esses Homens quiserem.
O ideal? Plantar árvores que ofereçam flores de Paz;
defender a Paz para que Árvores possam sobreviver.
Infelizmente, alguns desses Homens não querem.
Para eles, quietude, aroma, alimento, tanto faz.
Pessoas viverão sem sombra nem sossego, excomungadas,
sem o perfume de árvores e flores que não brotaram.
Qualquer dessas obras, na mão do Homem, se desfaz.
Morre a Paz, hoje palavra sem prestígio, com certeza.
Não sobrevivem árvores, folhas, frutos, flores.
Causa mortis? Trucidamento impiedoso da Natureza.
Coroas de luto restarão nuas: tristes funerais.
Homens talvez se arrependam, quem sabe tarde demais.
Folhas e flores, no chão, esmagadas, lembrarão seu algoz.

Porto Alegre/RS





51.
Pensamentos
Edécio Mergener




São José dos Pinhais/PR



52.
Na Tua Ausência
Edécio Mergener




São José dos Pinhais/PR



53.
O CARNAVAL É DIFERENTE
Fernando Alberto Salinas Couto


Lá vem a comissão de frente
e as caboclas exibem sua beleza,
mas, nada é como antigamente,
diferente do carnaval de Veneza.

Máscaras não mais encantam,
pois hoje elas causam até medo,
usadas por aqueles que nos furtam
ou querem nos levar ao degredo.

Os bailes eram uma alegria pura
para a sociedade, em todos níveis.
Hoje, podem ser antro de loucura
de todas promiscuidades possíveis.

Como era bom cantar as marchinhas
que embalavam a nossa infância,
mas agora, o uso das camisinhas,
até nas missas, tem mais importância.
Os carnavais já não são os mesmos...
Meu Deus! Onde foi que nos perdemos?

São Paulo/SP



54.
A POESIA NO COR
Sônia Rêgo


Não tenho mais tempo pra poesia
mas ela tem todo tempo,
a eternidade pra mim.
Quando amanheço, a cada dia
vejo a poesia assim...

Nos primeiros raios de Sol.
No beijo do meu amor,
ao me desejar bom dia!
No café quente com pão.

Lá fora, muitos ruídos.
Os carros passando correndo...
Pássaros livres, à cantar.
Crianças se encaminhando
pra escola, estudar.

As primeiras notícias do dia,
ouço, pela televisão
Mas a sublime poesia
não sai do meu coração

São Paulo/SP, 19/12/12.

55.
A procura de mim mesmo.
Deomídio Macêdo


Entre milhões de pessoas que dirigem as movimentações corporais, nas aldeias e cidades de todo o globo, estou presente buscando o EU que integra este corpo universal das populações formadas.
No Minúsculo torno-me Maiúsculo, grandemente feliz ou infeliz, na balança da consciência, que nos chama para os deveres do ser em crescimento.
Calculo a essência divinal que paira no meu ser ritmicamente produzida no ser individual.
Abraça-me EU invisível e sinta o EU matéria, que unidos sensibilizam as células que veiculam na máquina humana, que transmite as características do ser espiritual.
Amplie a visão heterogênea desses seres e ali descubro a minha estrela brilhando entre milhões de estrelas, interagindo com o cosmo, que coordena e exprime as cadências calculadamente corretas das Leis Divinas.
Olá! Estou aqui junto de ti! Ao lado de você, que sente em nós o calor da solidariedade, dentro da fraternidade.
Abraça-me para sentir o meu coração, interligando com o seu coração em pulsação febril de amor. E assim vou à procura de mim mesmo, neste mundo que abrange poeticamente as nossas almas candidatas ao progresso.
Amo-te eternamente em mim.

Salvador/BA

56.
Busco
Malú Ferreira


Formas, meios, razões
Em águas navego
Em terras rastejo
Diante multidões entorpeço
Ao som do silêncio emudeço
Frente ao espelho fortaleço-me
Espelho – reflete, reflito.
Lapido Minh‘alma
Traços infinitos
Brilha os cristais
Vaga lumes universal
Mil formas
Razões, diversas
Busca infinita
Paz.

Salvador/BA

57.
“ASAS DA IMAGINAÇÃO”
Malú Ferreira


Teus olhos alcançam muito além que o infinito
Teu carinho aquece como fios de algodão
Tua voz abrange Retas, curvas,
Cerrados montanhas, rios.
Transita por entre gaivotas e segue
Muito além do horizonte

Através da imaginação
Tuas mãos dominam o prazer.
Através das verticais e horizontais
Círculos em movimentos fermentam
Do amanhecer ao anoitecer...

Em traços modernos modela
Altitude e labirintos
Lágrimas e sorrisos
Claridade e escuridão
Tu és Mestre
Mestre da criação.

Deposita...
Teus riscos e rabiscos
Nesta tela que cravou minhas emoções
Com olhos extasiados busco
O traço
Que traçou a dimensão
Da tua imaginação.

Salvador -BA



Tela By:Ewerton Matos
08 de Abril, dia do Artista Plástico.
Poema dedicado ao amigo: Ewerton Matos
Locutor, ator, Artista Plástico.
Publicado na revista literária; ArtPoesia _SSA.




58.
Veio do Céu
José Otoniel da Costa-J.O.Poeta


Sob a luz bem clara do luar e o vento solto às pastagens
Ao longe vi uma linda imagem igual fosse uma miragem
Estava de mim se aproximando e revelando seu encanto
Ficando eu ja emocionado em estar a lhe admirar tanto
Pude ver aquele momento ser de grande revelação
Porque já observei do seu rosto um sorriso no semblante
Que mais transparecia a alegria de um palpitante coração
Ansioso por querer amar a partir daquele exato instante
Aos poucos fui me convencendo em demonstrar interesse
Em apresentar-me a ela com respeito a ordem recebesse
Dela me aproximar pretendendo lhe declarar fiel
Ser seu admirador e sentir o perfume igual ao de uma flor
Imaginando que fosse seu beijo tão doce, igual ao puro mel
Somente de bem próximo dela estar, vi quão o seu esplendor!
Era como o botão daquelas vermelhas rosas dos lábios a cor
Daí observei serem suas vestes brancas como as nuvens do céu!

Jandira/SP



59.
Pensamentos
Sidney Santos


Se te fiz feliz um minuto, ganhei uma vida; se o fizer por toda uma vida, ganharei a eternidade.
Sidney Poeta dos Sonhos
Santos/SP

Tenha certeza, se consegui tirar um sorriso dos teus lábios, ele está guardado no meu coração.
Sidney Poeta Dos Sonhos
Santos/SP



60.
APAIXONADA
Kátia Pérola


Na beleza da terra
estou entre o azul do céu
e o verde das matas!
Meus olhos vibram.
A vida parece ter mais cor
na imensidão do amor.
Estou perdidamente apaixonada!

Fico parada
olhando a paz,
a vida a brincar de ciranda.
O sol vestido de dourado vermelho
brilha atrás dos verdes montes
desenhando sua face nas colinas.
O canto dos pássaros me alegra.
No sabor da suave brisa matinal
sinto o doce perfume das flores
misturada ao alecrim dourado do mato.

O meu sorriso se abre
em doce carinho
e escorre por minha face
banhada de felicidade.
Entre o belo reflexo
das cores do sol
num colorido vibrante
borboletas entrelaçadas
bailam no ar
dando cambalhotas
feito meninas
com vestidos de festa
ao domingo.

Em passos suaves
continuo caminhando
na brisa morna
sussurrando ternura.
chego ate a cachoeira
onde água desce cristalina
e abundante,
corre entre pedras amareladas
esverdeadas, meio azuladas.
Minha pele refresco na agora fria pura.
Paro... penso.
Deus, tudo e tão lindo
quanta perfeição
em sua criação!

Com toda paixão do momento
no celeste azul
sinto me livre,
cheia de esperança.
Abro os braços, rodopio.
Entrego-me!
Rendo-me... vôo!
Minha alma despida,
em paz,mergulha...
viaja na magia do encanto
da beleza perfumada
e respira por hoje.
So por hoje
tenho um pouco de felicidade.

Ourinhos/SP



61.
TROVA
Carlos Reinaldo de Souza


Querida amiga confreira
E presidente audaz!
Envio trova caseira,
Para a ciranda CAPPAZ!

Que bela meta alcançamos:
Cappaz cinquenta cirandas!
Tão orgulhosos estamos,
Com festas, mimos, guirlandas!

Esta meta alvissareira,
Nós conseguimos com amor!
Foi uma festa altaneira,
Com muito brio e calor!

assim ficamos unidos
E muito alegres também!
Cantando a uma só voz,
A paz, o amor e o bem!

E assim, queridos irmãos,
Louvamos tudo que é belo!
Usando as mentes e as mãos,
De modo simples, singelo!

Conselheiro Lafaiete/MG



62.
Emoções do olhar...
Alice Luconi Nassif


Sobe a montanha
Fica a olhar o mar
Que sussurra devagar
No marulhar das ondas
Convidando a navegar.

E os olhos saciam
A fome dos lábios
Que deseja escutar
O ruflar da doce voz
Que busca um lugar
Para se aninhar.

O coração explode
De sonhos [no olhar]
Deixa-os voejar
Alucinados... temerosos
Para o imenso azul do mar.

Na direção da aurora
Talvez, do crepúsculo
No encanto do arrebol
Começos ou finais
Sinais dadivosos

Emoções do ‘olhar’...

Rio de Janeiro/RJ



63.
VIDA É TAL QUAL BOM VINHO,
Acróstico-filosófico nº 4892
Por Sílvia Araújo Motta/Belo Horizonte/Minas Gerais


V-Vida é tal qual bom vinho,
I-Ingerido, nem a todos faz bem;
D-Da paz de um casal ao ninho
A-Até o fel da dor na taça também.

É-É sonho, se bebido com gente amada,

C-Com certeza, a pessoa apaixonada!
O-Os cálices vibram nos aniversários
M-Momentos inesquecíveis da jornada,
O-Ostentam os caminhos extraordinários.

V-Viver, às vezes é sofrer uma ressaca
I-Iniciada pela doença, ciúme, sofrimento,
N-Nostalgia que ao nos visitar, conosco fica.
H-Homens sábios sabem avaliar o néctar:
O-O sorriso,qualidade de vida e o bem-estar.

---VALE A PENA VIVER!---

Belo Horizonte/MG



64.
TEMPO PASSA
Antonio Carlos Francisco (Zíngaro)

Ainda me lembro brinquedos jogados,
No canto da sala, ao pé do sofá,
Nem sequer conhecia presente, passado,
Nem eu sabia o que era ser mau.

A cada momento o tempo a passar,
Sorrindo ou chorando era todo igual.

Corra, pule,ande, chore,
Deixa o tempo passar...

Depois de algum tempo a escola chegou,
Minha mãe achou bom o brinquedo guardar.

Contente dizia, a vida te espera,
E o argumento maior é sempre lutar.

Hoje a vida me, guarda um velho sistema,
No qual ninguém contra pode falar.

E ainda me lembro que mamãe dizia,
O argumento maior, é sempre lutar.



65.
AMÉM
Antonio Carlos Francisco (Zíngaro)

É parte da vida
Uma história de amor
Na noite no dia,
Na chuva, no sol.

Ouve-se uma musica
Que tem a melodia
De um músico inspirado
Na vocação que Deus lhe deu.

Através da canção
Olhando no céu as estrelas
As flores no jardim
Um eterno coro de vozes.
Vem pra iluminar
Nosso caminho, nosso coração
E os anjos com suas trombetas
Que sempre digam amém..amém



66.
A dor da ausência
Maju Guerra (Maria Julia Guerra)


Há seis meses ele se fora, havia deixado apenas o cheiro da sua ausência. À noitinha, quando voltava do trabalho, ela já se acostumara ao silêncio entranhado pelos cantos da casa. Dormia ao som da caixinha de música, companheira da infância, aconchego do tempo em que se sabia amada. As lembranças e a bailarina, dando voltas sem chegar a lugar algum, acabavam por lhe trazer o sono sem memórias.
Naquela noite, ao abrir o portão, deparou-se com a luz na sala. Cheia de receios, o desconhecido assusta, abriu a porta com cautela. Ele, sentado no sofá, sorria com as mãos estendidas para ela. Ela aceitou suas mãos e seu retorno, não lhe fez perguntas. Agiu como sempre agira antes da sua partida. Decidiu curar as feridas com a presença dele. Depois, depois seria somente depois... Sem dores, compreenderia melhor o que acontecera, aceitaria sua parcela de culpa na separação. O perdão haveria de preencher cada pedaço vazio dentro dela.


Salvador/BA





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