Utilize esse comando para parar
a música de fundo e os respectivos
comandos para ouvir as demais
músicas.


 


AGRADECIMENTO/ENCERRAMENTO

Queridos confrades e confreiras, encerramos 55ª Ciranda Mensal CAPPAZ, mais uma obra prima coletiva, pessoas de vários lugares, até mesmo de outros países se encontram com o mesmo objetivo de pregar a paz, dividir seus conhecimentos, trocar experiências, sentimentos, emoções, através de contos, crônicas, poesias, cada um enriquece com a sua sabedoria, seu talento, seu dom. Queremos agradecer a cada um pela brilhante participação.

Sabemos que sozinhos não construiremos nada, mas juntos seremos capazes de traçar caminhos de solidariedade e PAZ.
Um forte e carinhoso abraço cabedelense para todos.

Fátima Peixoto







INTRODUÇÃO

Caríssimos confrades e confreiras CAPPAZ, adentramos o mês de agosto; às muitas águas passaram, em alguns Estados do nosso imenso Brasil, ainda persistem, porém na maioria deles, começa um friozinho gostoso, que tende a nos aproximar de quem amamos; induz-nos a buscar mais do que o calor da lareira, o que excede a todos os outros: o calor humano. Essa aproximação, e/ou reaproximação, é inspiradora, edificante e promissora.
O inverno das nossas vidas, certamente, trouxe-nos nostálgicas lembranças; os acontecimentos bons, ou nem tanto, que chegaram ao nosso conhecimento, durante a época hibernal, podem ser transformados em “estruturação de vidas através das letras”. Somos poetas, escritores, fazedores de milagres.
Nesta 55ª Ciranda Mensal, convidamos a cada confrade e confreira, a aquecer e enriquecer à Ciranda CAPPAZ, com a exposição dos seus sentires; e peculiar criatividade, na estruturação das letras, em forma narrativa, poética, musical, ou artística, cuja temática se nos apresenta livre, certamente, requerendo, apenas, o respeito ético – exigência CAPPAZ.
Com a certeza da exposição do belo existente, na multiplicidade dos nossos sentires poéticos, antecipadamente, agradeço-lhes pela participação, de tantos quantos fazem a Confraria de Artistas e Poetas Pela Paz (CAPPAZ); à diretiva CAPPAZ o meu apreço.

EstherRogessi
Seccional Recife-PE, 07/08/2013
Às 16h45min


 



PARTICIPANTES

01  Akasha De Lioncourt  07 e 08
02  Ana Maria Cardoso  49
03  Andrade Jorge  26
04  Antonio Carlos de Paula  34
05  Audelina de Jesus Macieira dos Santos  22
06  Carlos Reinaldo de Souza  33
07  Celeste Farias Dias  05 e 06
08  Daniel Brasil  04
09  Deomídio Macêdo  18
10  Élio Cândido de Oliveira  37
11  Eloísa Antunes Maciel  11
12  EstherRogessi 01
13  Fátima Peixoto  39 e 40
14  Fernando Alberto Salinas Couto  44 e 46
15  Humberto Rodrigues Neto  20
16  Isabell Sanches  53
17  João José Oliveira Gonçalves  54
18  José Otoniel da Costa  19
19  Joyce Lima Krischke  23 e 52
20  Judite Krischke Sebastiany  16
21  Kátia Claudino Caetano Pereira  50 e 51
22  Lourdes Ramos  47
23  Luiz Menezes de Miranda  15
24  Marcelo de Oliveira Souza  03
25  Maria de Lourdes Maia Gonçalves  38
26  Maria Fernanda Reis Esteves  17
27  Marina Martinez  29
28  Nádia Cerqueira  14
29  Nena Sarti  41 e 42
30  Odilon Machado de Lourenço  30 e 31
31  Paola Rhoden 02
32  Paulo André Moraes (PAMPOETA)  48
33  Paulo Rodrigues  09 e 10
34  Rosana Carneiro  27
35  Rosângela Coelho  32
36  Roseleide Santana de Farias  35 e 36
37  Sandramara Goulart dos Reis  43
38  Sidney Santos  21
39  Sílvia Araújo Motta  25
40  Sílvia Silva Benedetti  28
41  Sônia Rêgo  45
42  Vanda Ferreira  24
43  Vera Passos  12 e 13


 



PARTICIPAÇÕES

-01-
Escritor ou Escrevente?
EstherRogessi

Quanto se fala a respeito do que escreve, poderia dizer do escritor, mas após ter participado de um conceituado encontro literário, de âmbito internacional, onde tive a oportunidade de ouvir, mais que falar, e isso foi muito bom, fiquei a lembrar e não mais esquecerei, de certa palestrante que fez o seguinte questionamento: – Você se considera escritor, ou escrevente?
Ficou claro o denodo de desmerecimento ao que escreve, com paixão, mas que é anônimo, e pouco experiente.
Desse constrangedor questionamento -¹o meu posicionamento era o de palestrante convidada -, infelizmente aplaudido por muitos – a palestrante tem fama – , escrevi: “A linha escrita por famoso é obra literária; a obra literária escrita por anônimo é alinhavo.”
Nas minhas andanças primo pela observância – fonte dos meus escritos; aprendi a ser aberta para o aprendizado; cada experiência passada, boa ou má, acresce o meu conhecimento, dignifica o meu espírito.
Escrevente é o que copia a escrita; é um escriturário, tem a ver com cartórios e repartições jurídicas; é o que lavra escrituras, procurações e contratos.
O que escreve, o que expõe os seus sentires, de forma erudita, ou em linguagem simples, coloquial, é um escritor. Mesmo que não domine a língua pátria é um escritor, até então, fiel as suas raízes; não sepultou a sua história, os usos e costumes do seu povo, o seu sotaque, temendo a discriminação dos que se julgam eruditos, e palestram para mestres, sem a mínima preocupação de se fazerem entender, por todos.
Os menos favorecidos, os quase incultos, mas ávidos pela cultura, pela Literatura saem das palestras literárias, com a sensação de serem estrangeiros na própria pátria.
Alguns escritores de renome, não cursaram faculdades, mas alcançaram o reconhecimento público, pela beleza existente na simplicidade da exposição dos seus sentires.
O tempo aperfeiçoa; não matemos os pequenos, para não perdemos os gigantes de amanhã.

¹-o meu posicionamento era o de palestrante convidada- primo por boa formação intelectual,acadêmica, etc.; esmero na escrita e,boa fluência da língua pátria, porém inquietá-me o menosprezo pelos simples; pelos iniciantes, que devem ser respeitados e honrados, incentivados a prosseguirem; livres do constrangimento causado, por quem conseguiu chegar alto, por quem levanta voos, sem se importarem, em arremeter o seu próximo, para o fundo, quando na busca de alcançar às alturas.

EstherRogessi, Crônica: Escritor ou escrevente?, Recife, 17/07/13.

-02-
Cultura e Educação
Paola Rhoden

Num desses dias que se fica sem saber muito bem o que fazer, me flagrei a pensar na palavra cultura. Sem me aprofundar em suas raízes de formação morfológica, léxica ou gramatical, mas sim, em seu significado. Até pouco tempo me restringi a pensar nela como seria lógico, que estaria somente ligada aos conhecimentos, quer fossem eles literários, técnicos ou o saber sobre artes e muita coisa que rola por aí a solta nesse nosso mundo. Mas percebi que, a profundidade e o alcance da abrangência de seu som, vão além da fraca imaginação corriqueira que o dicionário propõe.
E após muito matutar, cheguei a uma conclusão particular, que é só minha: ser culto é estar coerente com as normas do mundo.
É não jogar lixo na rua, não jogar bituca de cigarro na cabeça de quem passa na calçada, não fazer desperdício da sagrada água, chamar só um dos elevadores do andar (mesmo porque só temos um corpo), não teimar em fumar quando tem alguém por perto (porque ninguém é obrigado a fumar por tabela), acatar regras e normas (como as de trânsito, por exemplo), comer pouco e com educação, e se encher a cara de álcool não dirigir.
Acho que também faz parte da cultura, ceder lugar para idosos, não xingar e buzinar nas ruas (um carro não toca a buzina sozinho), não deixar os detritos de animais de estimação nas praças, ruas e parques. Pagar conta também está no rol (afinal quem vende quer sobreviver), gastar menos do que ganha, sorrir para quem se encontra na rua, vestir roupas de seu número. Preservar a natureza não depredando as florestas (olhe nossa Amazônia), verificar o porquê que a UNESCO brindou algumas cidades como Patrimônio Cultural da Humanidade, e conservar esses atributos intactos. E por aí vai.
Em minha modesta opinião, Cultura não é só ter dezenas de diplomas e títulos, conhecer a herança cultural dos povos com seus quadros, estatuetas, dança, música, poesia, línguas entre outros.
Cultura, a meu ver, é saber usar o conhecimento obtido com sabedoria, mesmo que não se tenha diploma nenhum.
Porque cultura é educação, e educação é cultura.

Brasília/DF

-03-
O Rei do Sertão
Marcelo de Oliveira Souza

Não tem Virgulino
Corisco, nem Lampíão!
Segurando a lamparina
Tranquilo, está
o Rei do Sertão!

A seca aumenta
O juízo esquenta
O Rei do Sertão!
Com a enxada na mão!

Derruba uma , duas, três...
Quem disse que não é de uma ó vez?
Cada espaço com o seu feijão,
Ninguém o supera...
A chuva esparsa só cai ali
Naquele espaço!

O rei do sertão
Com sua superstição...
Vislumbra a “barra” do vento
Ao relento, ele manda.

O Reinatão ninguém supera
Com a clava forte “debulha”,
seca e ensaca,
O Valente Renatão
Das tarefas de Terra
Do milho que encerra
a safra e que conquista
Tudo naquela serra.

Salvador/BA

-04-
Cinquenta e cinco cirandas
Daniel Brasil

Cinquenta e cinco cirandas,
Num agosto com demandas,
De poetas e proseadores,
Todos artistas de valores,
Cada qual com sapiência...
Deus nos deu inteligência,
Como deu perfume às flores!

Nas cirandas, nascem poesias
CAPPAZ, uma das confrarias,
Que dá imaginações aos poetas,
Todos cumprindo suas metas...
Em suas inspirações...
Abrindo os corações,
Com palavras prediletas!

Deus abençoe à todos,
Herdamos dos rapsodos;
Desde a antiguidade,
No seio da humanidade,
Já nasceu a poesia...
Dentro desta CONFRARIA,..
Poetizamos com vontade!

Aos colegas confrades,
Cultivamos amizades...
Para termos harmonia,
Quando nasce cada dia,
É uma nova oportunidade,
Em dizer para a humanidade...
Em vez de guerra, cantem POESIA!

Porto Alegre/RS

-05-
Carta Poema – Sentimentalidades de Inanna Salomé
Celeste Farias Dias

Adorada Vida,
Acordei com uma imensa vontade
De escrever uma Carta para o meu Poeta
E sem saber o que iria escrever
Tinha somente a lembrança da noite passada.

Presenciei em sonho, uma festa, um encontro
De palavras e frases que pairavam pelo céu
Brincavam com os meus pensamentos
E transformavam as letras em sentimentos.

E cada vez que uma delas se encontrava
Um sentido se formava naquela imensidão
Parecia uma teia, um mar, pura conexão.

Eu, como uma Valquíria, passeava por entre elas
Louvava como um anjo, sorria e dançava como uma deusa
Totalmente surreal, elas me olhavam com firmeza
Beleza e liberdade em conjunto às sentimentalidades.

Curiosa que eu sou, questionei-as com fervor
Pura frustração, sem falas, só alegria e emoção
Não tive resposta pra questão, simplesmente ilusão!

O tempo parou, o céu silenciou!
De repente, estonteante, uma Palavra a chegar
Olhar de alteridade, beleza ímpar
Diante desse feito, meus olhos a deslumbrar.

Sensação inusitada, ela aproximava-se
Meu coração a pulsar, loucura insana
Sem nexo, confesso.

Como uma Soberana Rainha, elevava aquele lugar
Cujo nome “Ágora” onde as Letras, Sonetos, Palavras
Versos e Sentimentos, a reverenciava e a namorava.

Ela, majestosa Palavra, como sou me aceitava
Perfeito olhar de amor
Linda, serena, intensa, repleta em seu esplendor.

Aquém do litoral, literal, pedra filosofal, sentimental
Ai meu Deus!
Ela é mistério, loucura e prazer...
Uma dose anormal, um lírico divinal, imortal.

Permitiu-me viver um sonho em meu sonho
Transformou-me numa Era transversal do ser
Fazer que embriaga
Vagarosamente estava ao meu encontro.

Suspirei de espanto!
Naquele momento a surpresa
Certeza que sempre esteve aqui
Perto de mim.

(Celeste Farias Dias, BH/MG/Brasil/Planeta Terra, 30 de julho de 2013)

-06-
Uma Carta ao Poeta
Celeste Farias Dias

Deparei-me acordada, num turbilhão de emoção
Torrentes de pensamentos, vibrando os sentimentos
Encontrando-me no anseio de expressar, sem pirraça
O meu apreço por ti em forma de Carta...

De sonhos a minha alma sustenta
De paixão o meu coração ostenta
Eu menina, mulher faceira, quem diria...
Alimentada e encantada pela nobre POESIA!

Meu Poeta, o que dizer?
São inúmeras as palavras que eu tento escrever
Delas sei que todas são importantes
Pois completamente em mim, existe muito de ti!

Agradeço-te por ter vivenciado este sonho
Deu ter despido nesse simples papel
Um amor não mais inocente
Ter escrito sem nexo, riscando com a caneta
E saboreando um vinho em versos.

Nesse instante penso na sensação
Inusitada emoção, você sorrindo para o Carteiro
Rasgando o Envelope do Correio, abrindo as dobras do Papel
Saboreando as palavras e lendo este Poema...

Ternura, ousadia e encanto dançam...
Quem diria declarar em poesia
Descrevendo sentimentalidades, sem vaidade
Que serão descobertas por entre as linhas.

Ah, Poeta!
Se comigo viveres os seus dias
Viveremos o amor em versos, canções e poesias
Saberás que ao meu lado a sua vida será repleta
Pois veio um Anjo e me disse que “A Gente se Completa”!

(Celeste Farias Dias, BH/MG, 24/07/2013)

-07-
A idade do idoso
Akasha De Lioncourt

Há alguns meses eu estava viajando em férias e uma coisa me chamou a atenção: havia, em um determinado restaurante um estacionamento e dele tomava conta um senhor com cerca de setenta anos de idade. Fiz questão de fazer uma foto com o “jovem cuidador” de veículos estacionados e mostrar meu chapéu novinho em folha e meu sorriso “colgate” para o clique sem flash da minha máquina digital. E então perguntei a ele porque ficava ali, sob a chuva, cuidando de carros se nem sempre alguém o ajudava com um real sequer. E ele me disse que havia se aposentado por tempo de serviço e não encontrava mais nada para fazer. Isso me fez pensar no desvalor que nossa cultura ocidental tem com os chamados idosos. Aqui, nossos velhos são fardos tão pesados que costumamos transferir a responsabilidade a terceiros para que cuidem deles nos asilos e casas de repouso. Aqui, um homem com mais de 40 anos é inapto para buscar um novo emprego e sua experiência conta pontos (negativos, claro!) nessa busca incessante por trabalho digno que lhe permita o sustento de sua família. Aqui, um aposentado só serve para jogar xadrez na praça com os amigos e ser tratado como um inútil pelo resto da família e nunca paramos para pensar no potencial que eles possuem para contribuir para o nosso crescimento, seja pessoal, seja econômico, seja humanitário. Também não paramos para pensar nos nossos idosos na faixa dos 18 a 30 anos, talvez um pouco mais, talvez um pouco menos mas infelizmente os que mais preocupam. Esses idosos desperdiçam sua existência com dramas familiares, vícios diversos e, principalmente, falta de amor. Falta amor por si mesmo, falta amor pelo próximo e por Deus acima de todas as coisas. Eles também são idosos vítimas do sistema pois não há mercado de trabalho para quem nunca trabalhou na vida e então nos sobra uma faixa etária muito pequena de seres aptos a construir um país inteiro com seu trabalho e sua mão-de-obra especializada. E se nossos idosos ensinassem nossos pequenos idosos? Talvez a experiência que falta para uns sobre para os outros... Seria uma boa saída para readaptarmos nossos valores carcomidos pelo preconceito e pela mania de digerir os enlatados dos países de primeiro mundo?

Não sei... Não sou a dona da verdade absoluta e jamais tentei ou tive a pretensão de sê-lo, mas já passei pela fase idosa número um e caminho para a fase idosa número dois. Nesse intervalo procuro absorver todo o conhecimento que me for concedido e pretendo utilizá-lo mais adiante, quando ninguém mais quiser saber a opinião de uma pobre poeta proseadora cuja vida está se apagando... Só sei de uma coisa: não quero passar por esta vida em vão e muito menos ver a minha e a sua geração ser dizimada como se idade fosse uma doença contagiosa letal. A idade não incapacita, o preconceito sim. E viva a diversidade!

Akasha De Lioncourt, em algum dia introspectivo de 2007.

São Paulo/SP

-08-
Egotrip
Akasha De Lioncourt

Eis-me aqui, diante de mim!
Desprovida de todo o sentimento,
Alma nua, num eterno lapidar,
Buscando meu ego, meu EU, meu pensamento.

Olho-me no espelho, mas não me reconheço,
Há muito já não vejo em nós as semelhanças,
Quem sou eu??? Olho, analiso, repenso,
Sou alguém que sobrevive de esperanças.

Desnudando os sentimentos, a alma em festa,
Sobrevoando, leve, por todos os meus dias,
Revendo dores, alegrias, sonhos e dissabores,
Redescobrindo um velho baú com antigas poesias.

E, nessa egotrip de proporções poderosas,
Vejo tudo de mim: o belo e o feio...
Muito me assustam as sombras obscuras,
Mas, também me consolam as luzes maviosas.

Uma busca incessante, alucinada,
Mas, que a cada dia mais me entusiasma.
Afinal, sou eu dentro daquele espelho,
E, a qualquer momento, será inevitável, nos encontraremos.

Nessa luta, não há vencidos ou vencedores,
Apenas guerreiros cansados e enlutados,
Choram suas perdas, mas, festejam suas glórias,
Será sempre assim, sem vitória e sem derrota!

Akasha De Lioncourt, num dia muito autocrítico de 2005.

São Paulo/SP

-09-
Primeiro amor
Paulo Rodrigues

Lágrimas
de saudade
ao meu primeiro
beijo de amor:
minha infância
indo embora
entre as pétalas...
de seus lábios de mel.

Sorocaba/SP

-10-
Quando o amor acontece
Paulo Rodrigues

Quando o amor acontece
é mais que desejo
e atração física.
Basta uma simples mensagem
brilhando na telinha do celular
para que no frio da madrugada
corações se soltem dos peitos
e casais apaixonados
passeiem de mãos dadas
no céu prateado
tendo como morada
as estrelas dos pensamentos.

Sorocaba/SP

-11-
Paz consistente...
Eloisa Antunes Maciel

A paz que é consistente flui serena e ascende a esferas progressivamente mais complexas, sem perder a sua condição de paz construída de dentro para fora, “de baixo para cima”, no sentido vertical / horizontal.

Essa paz tende a caracterizar-se como individual-social. Sendo consolidada a partir do foro íntimo de pessoas e comunidades, orienta-se para a esfera coletiva e desta para objetivos e finalidades que tendem a alcançar os destinos das nações, tendendo a mover o eixo das grandes decisões em favor do progresso e do crescimento moral da humanidade com o um todo harmônico e consistente...

É paz solidamente construída que se instala em níveis progressivamente mais complexos, sem perder a sua condição primeira: a de paz genuína, sem discrepâncias ou contradições de base, sem perder a sua identidade como paz singular-universal, autêntica e multifacetária.

Não é a paz dos clarins que anunciam finais de conflitos bélicos... Tem a consistência da fraternidade e a dimensão da própria eternidade... É preciso dizer mais?

São Martinho da Serra/RS

-12-
A velha árvore
Vera Passos

Lá vem o batalhão de inconscientes, incompetentes
Marchando pra guerra
E ainda em terra
A velha inocente, alheia a tudo, vive.
No dorso tantas eras.
Admira a primavera e gera sementes.
Extraordinariamente linda! Exuberante...
Nos seus galhos tão fortes
Aninham os passarinhos
Machados e serras ferem seu corpo robusto
E com muito custo e enorme barulho
Tomba um galho.
Meu corpo estremece, meus olhos umedecem
O batalhão cumpre o trato
E apesar de resistentes, outros galhos desfalecem
E tombam depois, até a raiz
Desatam-se os elos.
E lá se foram as juras de amor
Gravadas nos troncos
As promessas a dois
Foi-se a história de uma vida de glórias

Salvador/BA

-13-
Ser poeta
Vera Passos

É viajar livre no pensamento
Usar o sentimento para cuspir versos
Colecionar meras palavras
Gestos solenes no momento raro
Buscar o amparo das frases belas
É pressentir ao longe a aquarela
Perceber na vida as jornadas livres
Da infância tagarela
É despertar sorrindo com o canto
Da ave canora
Levar a vida como a Primavera
Espalhar ternuras no Universo
Contar estrelas no firmamento
Viajar no romantismo da locomotiva
Na disparada vislumbrar flores perdidas
Imagens corridas, cores esfumaçadas
Sentir o aroma do jasmim despertar do lodo
Estando no meio do povo vê um rosto
Desejar detê-lo, apossá-lo, levá-lo ao sonho
Caminhar sozinho no silêncio da rua
Deixar o vento conduzir seus passos
Saldar a Lua em meio ao cimento armado
Abraçar o ar pensando no amor fugaz
O poeta é lúdico e louco
Ama sem saber a quem
Chora quando outros sorriem
Vive a agonia e a alegria
Sente saudade de quem nunca viu
Vai à luta pela utopia
Sangra o peito nessa nostalgia
Pelo desejo insano de ser feliz
De fazer feliz a quem ama.

Salvador/BA

-14-
Duelo de harmonias
Nádia Cerqueira

A música é a alma da terra
e fascinada, ela mesma nos compõe
e nos desperta para a eternidade
homogênea e incerta...

A ânsia não pode ser maior
e nem mais acelerada que o ritmo da vida
em seu desfecho...
Absorver, sem inibir as palavras, os sons
as formas e não ofuscar o que é perfeito...

O canto é a fonte que alimenta
e é mais forte que a própria morte...
O homem transpassa na sua singularidade
toda substância por Deus criada
na sinfonia para tingir o mundo plural
revitalizando a humanidade entoada.

A arte fala mais que um sábio em toda sua evolução
E assim, a música ocupa todo o espaço e a natureza
floresce, sem extinguir sua perfeição...
Aplausos sempre virão no final desse
duelo de harmonias, entrelaçando gozo,
acordes e fantasia!

Salvador/BA

-15-
Aprendizado
Luiz Menezes de Miranda

O mar é exemplo porque teve a sabedoria de se colocar alguns centímetros abaixo dos rios, se fosse ao contrário, seria simplesmente Ilha.
A perda faz parte
A queda faz parte
Errar faz parte
A morte é certa
É impossível só ganhar.
Não há acerto sem antes haver o erro
Também é impossível viver sem ates saber viver
Todas as quedas são necessárias, as consequências do cair, do errar e do perder é o aprendizado.
Mas o caminho é continuo, embora sempre se esteja a reclamar, ignorando o aprendizado da queda.
Sábio é quem recebe com naturalidade o ganho e a perda.
Enfatizo, nunca deixem de lembrar que o maior sucesso de alguém é ser feliz, o resto é consequência.

Salvador/BA

-16-
Quisera ser como Francisco
Judite K.Sebastiany

Quisera ser como Francisco:
Determinada, apaziguada
Desapegada da matéria.

Determinada a cultivar a Paz:
Em mim; e ao redor, no mundo.
Apaziguada, ser alegre, “do bem”.
Sorrindo, tocando, abraçando.

Sem roupas de seda, nem joias,
Por isso, sem medo de ladrões.
Sem nenhuma vaidade,
Feliz mesmo sem aplausos.

Quisera ser como Francisco de Assis
Mesmo morando aqui no Brasil.
Mistura de portugueses e guaranis,
De espanhóis e outros mais.

Quisera ser como Francisco,
Irmã do Sol e da Lua, na rua.
Irmã dos animais pequenos e grandes.
Irmã sim, de coração e de sangue.

Aquele Francisco de Assis, distante
Hoje se faz presente bem perto
Em todos aqueles que amam de fato.
Que se doam por uma “causa”: a Paz.

Porto Alegre/RS

-17-
Amparo
Maria Fernanda Reis Esteves

Sou eu
Por minha conta, num universo inatingível
Perdida num mundo de meias verdades
Átomo solto, querendo ser parte de um todo
Rio, que incessante, busca um mar de liberdade

Em mim
reside uma voz que me clama e orienta
Um sinal da cruz, um rosário de amor
Uma mão cheia de fé de água benta
Sei que és tu!
Mãezinha, o meu anjo protetor!

Mesmo que o mundo desabe à minha volta
E o chão se abra para engolir tanta maldade
Sei que vou estar sempre ao teu colo
A tua alma será sempre o meu amparo

Portugal

-18-
Pintura sem cor!
Deomídio Macêdo

O papel arde em brasa de emoção.
E a mão mágica do poeta descreve minuciosamente
em forma de canção, a poesia sertaneja,
que rasga a terra pelo sol escaldante,
tatuando na pele do sertanejo, sua história, sua missão.
O vento acaricia sua face e ameniza o sofrimento da seca,
que invade o agreste, provocando putrefação nas carcaças esqueléticas,
num quadro sem cor, sem brilho, estarrecedor.
Mas, eis que surge lá no fundo da estrada, esboçado pelo pincel do artista,
o sertanejo, corajoso, homem de fé,
sandália rasta pé, chapéu de palha na cabeça, facão a bailar,
marcando passos em movimentos constantes, e nesse caminhar
agiganta-se quase a saltar da tela com sua enxada na mão
que chameja a fé, do povo sofrido, do nordeste brasileiro.

Salvador/BA

-19-
Da Vida Minhas Fases
José Otoniel da Costa

Meditei, ponderei e a esta conclusão
Finalmente cheguei
A vida não pode ser definida por
Uma de repente fase
Levando em consideração
Detalhes de minha existência
De voltar ao lugar donde vim
Proximo dele já me vi quase
Ponho-me conforme acima expus
A meditar que obedecemos ao destino
Ou o Nosso Superior Senhor conduz
Os nossos passos, sempre respeitando Ele
A nossa pensada ou mesmo desgrenhada
Vontade
Mas, Ele, como Pai e Condutor de minha
Vida
Dar por estabelecida a fase que entre tantas
É a final
Não mesmo eu nem ninguém querer a isso
Determinar
O mais lógico e bem mais sensato é se predispor
A subjugar-se a Sua insdiscutível vontade
E, reconhecer sabiamente com muita humildade
Que quem comanda é Ele simples e somente
Não adianta querer ser bem inteligente
Ao ponto de mudar a sábia e prevista decisão
Daquele que origem a tudo deu e Criador
Foi e será de tudo, em da vidas nossas fases
Sejam elas de felicidades, alegrias ou mesmo dor
Prudência, sapiência, experiência de nada influi
Por que a delas final só Ele é quem sabe e determina
Esta é , ao meu ver, a mais lógica conclusão
Inclusive se estudando o assunto a Sabedoria
Nos ensina.

Jandira/SP

-20-
Pássaro só
Humberto Rodrigues Neto
(de um dueto dedicado a Regina Coeli)

Assim como essas aves solitárias
viver não logram se não for em bando,
cada um de nós é um pássaro buscando
não ser no voo da vida meros párias.

No afã de não ser sós vamos ruflando
no azul da vida as asas temerárias,
buscando, dentre as aves solidárias,
as que estão sós, na imensidão flanando.

Se tu’alma traz da solidão o pó,
e igual a mim és tímida avezinha,
causando às demais aves medo e dó...

vem desmanchar tua solidão na minha,
e nunca mais hás de voar sozinha
e nem meu voo se fará tão só!

São Paulo/SP

-21-
Sina
Sidney santos

Poesia não faço mais
Vou dar um longa pausa
Verso ficou pra trás
Agora tenho outra causa
No jardim sou plantador
Sementes de amor joguei
Espera de uma linda flor
Cujo nome não sei
Andanças e alguma espera
Por esse tempo andei
E ao chegar da primavera
Linda rosa encontrei
Com bálsamo do teu perfume
Do jardim era rainha
E pra não perder o costume
Na lembrança, sina minha
Enredar a linda flor
Com laços de alegria
Um bilhete de amor
Com versos e poesia

Santos/SP

-22-
Quem vence esse jogo?
Lina Macieira

A guerra só é vencida na paz
O ódio só é vencido no amor
A vida vence a Morte
O homem não tem sorte
O homem tem Deus
Se o homem não tiver Deus morre.
O homem só é vencido pela mulher
A mulher só é vencida pelo filho
O filho só é vencido pela teimosia
Que inato a desobediência.
A fome vence o homem
que com fome morre ou mata
Mas, a fé alimenta a sua alma
e lhe traz a calma.
O dia vence a noite com a sua poesia
A poesia não vence ninguém, é vencida
Pelas mãos que escreve
pela boca que declama
pelos ouvidos que ouvem
A voz que exclama!
Nos corações a emoção que transcende
a dor da saudade
a dor da partida
a dor duída
a dor da gente
A dor que não sente
que perdeu o jogo
E que foi vencida.

Salvador/BA

-23-
Chuva de inverno
Joyce Lu@zul

Nuvens cinzentas cobrem o céu...
Sem sol, o frio me invade agora.
Olho a chuva caindo ao léu...
Gotas escorrem na vidraça, sem demora.

Caem pingos de chuva no chão
E a água escorre pela sarjeta...
Água soando em forma de canção,
Num avançar que me inquieta.

Ah, canção de amor a chuva entoa
E de paz silenciosa, sinto-a também.
Aos meus ouvidos ela ressoa
Ouço-a calada, sozinha... ninguém!

Na sacada clarão neste instante...
Chuva cessou... Lua passa agora.
Enfim é dia- Aurora: sol brilhante.
Voltam os sons dos pássaros, de outrora!

Porto Alegre, 13/14/08/2013- 23h30min/11h10min- 5ºC

-24-
A senhora dona de mim
Vanda Ferreira

Estava passando por ela, a uma velocidade de atenção desprezível. Ela precisou falar alto, gritando e apressada para que desse tempo de ouvi-la antes que ficasse somente o rastro de minha ignorância.
- Ei, escuta este recado! Pensam, os que pensam, os humanos, que não responderei pelo descaso. Ledo engano. Tenho meu vocabulário próprio, falo em parábolas. Falo manso e agressivo, respondo compatível e de acordo com o respeito ou desrespeito. Ouviu o quanto sou harmoniosa?
- Quase me pesam os vômitos humanos sobre minha pele extensa impregnada de podridão. Os poluentes escarros que secam sobre meus poros. Quase me fede a defecação de suas inutilidades sobre meu límpido corpo, gigante e perceptível do imperceptível.
- Imagine um grão de terra repartido e vários micros grãos e estes em novo processo são repartidos em outros micros grãos. Aquele grão de terra que se repartiu e seus pedacinhos, cada um se repartiu também reproduzindo inúmeros outros grãos. É assim o lixo humano produzido por cada indivíduo. Um só homem produz milhões de resíduos, em número crescente de acordo com a evolução de sua idade.
- Necessário lembrar que as fezes, oriundas de humanos ou não, são alimentos da terra. A urina animal ou humana leva importância para a terra. Regurgitamento animal é alimento da terra. Afinal, o que são as inutilidades humanas? Onde está a fonte do mal que o homem oferece como perigo, danos e agressão à terra?
A senhora natureza ainda falou:
- Agressão à natureza é diretamente agressivo à integridade global. A integridade global é a garantia da continuidade de vida. Vida é a pulsação da diversidade. A diversidade é o único sistema que promove o equilíbrio e o equilíbrio é o bem essencial para a saúde global.
- Faço guerra, faço revolução e revido maldades. E faço paz. E, sem olhar a quem, faço o bem. Compartilho saúde, mato sedes e fomes, curo, abrigo invado de agradabilidade. Tudo por conta do respeito.

Campo Grande/MS

-25-
Rosas não devem ser colhidas do jardim
Sílvia Araújo Motta/BH/MG/Brasil
-
Soneto-clássico-sáfico-heróico nº 4.996
Rimando nos versos abab-abab-cdc-ede
Clássico na 4ª, 6ª, 8ª e 10ª sílabas fortes.

Mensagem no 2º terceto, no 14º verso.

Gosto de ver a Rosa cor-de-rosa,
por isso, vim contar-lhe meu segredo:
-Sendo regada fica mais airosa...
Atenção para não tocá-la ao dedo!

Rosa Amarela mostra mais cheirosa
se receber nos pés, só água cedo...
Quando plantada fica mais dengosa,
apaixonada prova ter enredo.

A Rosa Branca perde seu encanto
a cada dia, sofre, por descasos...
se for colhida, murcha esconde o pranto!

Jardim é belo, quando bem cuidado!
Não quero mais ver flor morrer nos vasos...
Rosa Vermelha lembra meu passado.

Belo Horizonte/MG

-26-
Cassação do Livre Arbítrio
Andrade Jorge

Até quando Deus de todos, seremos vítimas da desatenção? Até quando o “eu” falará mais alto que o coletivo? Até quando o egoísmo se refletirá no espelho do mundo? Deus de todos, por que o animal racional anda tão irracional? Perdoe-me por tantas indagações, mas agora vou ousar: Por que você não promulga um A.I. 5 e cassa o livre arbítrio da humanidade? A partir desse ato que seja feita sempre a Vossa santa vontade, porque nós já demonstramos não saber exercer essa capacidade que recebemos de mão beijada, senão vejamos:
• Criamos duas grandes guerras mundiais e estamos caminhando para a terceira;
• Mantemos estado de beligerância o tempo todo, em toda parte do mundo;
• Criamos o nazismo e o holocausto;
• Criamos outros governos déspotas e tiranos;
• Inventamos o socialismo radical e o capitalismo selvagem;
• Inventamos a bomba atômica com a finalidade de morte em massa;
• Incentivamos políticos corruptos, elegendo-os;
• Vivemos a lei do vil metal, quem tem manda;
• Conseguimos criar facções criminosas que exercem um governo paralelo;
• Inventamos as drogas e delas somos dependentes, e incentivamos o narcotráfico;
• Criamos doenças em laboratórios;
• Inventamos a miséria e fome;
• Escravizamos semelhantes;
• Estamos conseguindo acabar com o meio ambiente, consequentemente com o planeta;
• Incentivamos a prostituição em todos os níveis;
• Criamos os pedófilos;
• Roubamos e matamos o semelhante por prazer, enquanto o irracional mata pela cadeia alimentar; Quem é irracional?
Deus de todos, Você deixou escrito que somos a sua imagem e semelhança, hoje o homem acha que é Deus, mas como não é e nunca será, vivemos essa bagunça generalizada.
Bom, perdoe-me porque sou mais um que não sabe usar o livre arbítrio, em minha vida andei fazendo escolhas um tanto equivocadas. Socorre nós....

Fim

Diadema/SP

-27-
Amor desmedido
Rosana Carneiro

Sigo dias e noites
Com pensamentos e saudades
Que queimam no peito
Lembranças de grande amizade
Fazem-me sorrir, às vezes
Lembrando com doçura
Quanto me fizeste bem
Quantas doces loucuras
Sonhei tantas vezes
Com mãos, pele, boca
Com emoção e atrevimento
Quase fiquei louca
Ebulição de sentimentos
Ah...Homem atrevido!
Remexeu nos meus sonhos
Recriou imagens, desmedido
Fez-me novamente adolescer
Criar um novo final
Sonhos podem acontecer
A fé é um grande sinal

São Paulo/SP

-28-
O Palhaço Triste
Sílvia Silva Benedetti

Se eu fosse um palhaço de circo
Por certo iria fazer rir
Velhos, moços e crianças.
Por certo levaria alegria ao picadeiro.

O meu rosto pintado
Teria cores de festa;
Minha roupa estampada
Chamaria atenção.

Meus sapatos enormes,
Causariam gozação.
EU, palhaço no circo,
Agradando a multidão! ...

Sou palhaço e te direi porque
Tenho meu rosto tão tristonho!
Vês, que não estou pintado
Mas trago nas faces
Profundas rugas de um tempo mal vivido.

Minha roupa chama a atenção:
Surrada, descorada, encardida.
Sou palhaço _ Aquele que trabalha suado,
E que mal ganha para o pão...

O palhaço que sustenta o TUBARÃO,
E não esnoba às custas da NAÇÃO.
Sou o palhaço triste...
Meu nome?
ZÉ POVÃO.

Porto Alegre/RS

-29-
Fotografia
Marina Martinez

Um a um. Pegou cada pedaço no chão.
Em cima da mesa, o quebra-cabeça a olhava.
Partes de vida e ilusões misturavam-se sobre a toalha.
Sentou-se e começou a recompor a fotografia.
Estava destroçada, mas não tanto quanto sua intuição.
Respirando fundo, juntou as partes do mosaico.
Representação de um casamento. O seu.
Olhos desiludidos, visão embaçada, amor ludibriado,
suportou a mão sobre o vestido branco, agora amarelado.
De novo, respirou fundo, secou os olhos,
pegou os pedaços e dirigiu-se à cozinha.
De uma coisa tinha certeza: cacos podem ser colados,
reconstituídos, mesmo com marcas. Sobrevivem.
Cinzas, não. Podem poluir, mas não retornam.
Não podem ser refeitas, dispersam-se. Como a vida.
Acendeu uma vela e queimou todos os pedaços.
Pela janela, viu o vento espalhar seus equívocos calcinados.

Porto Alegre/RS

-30-
Âncoras
Odilon Machado de Lourenço

Na flor d’água o barco é corrente aliada da lua
Ao fundo as águas sedimentam pedaços de escuro
Nascem algas desesperadas pela luz
E sobem como raios ao encontro de raios
Outro sol rebate as águas do meio para o fundo
Vai a luz ancorar-se no limite do escuro
Mais abaixo aviões perdidos das rotas aterrizaram voos de âncoras
Galeões naufragados levaram tesouros ao fundo das águas
Ancoram perdidos pedaços no mar
Quinquerremes cravaram esporões em último ataque no corpo das águas
Remam Cartago e Roma um encontro de âncoras
Areias riscadas empoeiram os rastros
No fundo do mar os barcos são âncoras.

Florianópolis/SC



-31-
Demasiado silêncio
Odilon Machado de Lourenço

É difícil para vós entender o silêncio
Amanhece calada sua voz e não suporta multidões seu olhar
O silêncio olha e a vitrine irradiada em seus lábios é muda
Sonha lonjuras cruzando a memória em silêncio
Arrumando os cenários da vida vai habitando
Silenciado absorve a matéria do sol da manhã
E não fala quando queimam as nervuras dos olhos
O silêncio se guarda ao léu das imagens
Não revela o silêncio
O silêncio escuta
Ouve sua voz teimosa em dizer o que guardo
E nem desfaz aquilo que dizes pensando ser eu
O silêncio absorve palavras e não se importa.

Florianópolis/SC

-32-
Borboleta
Rosângela Coelho

Curitiba/PR

-33-
Astral do Amor
Carlos Reinaldo de Souza

Escrever sobre o que sinto,
é coisa fácil demais;
primeiro, porque não minto,
segundo, canto meus ais.

Meu coração bate forte,
é sinal bem positivo,
talvez porque minha sorte
pulsa pro lado afetivo.

Mas quando bate mui fraco,
o sinal não é nada bom,
tudo se torna opaco,
sem melodia e sem som.

Assim, amigos, garanto,
é todo mundo quem diz,
se temos paz e acalanto,
a vida é bela e feliz.

E recomendo pra todos,
tornar o amor mais real,
sem as mentiras e engodos,
seja da vida o fanal.

Por isso sigo cantando
a canção do amor total,
e deste jeito amando,
sinto melhor meu astral.

Conselheiro Lafaiete/MG

-34-
Cabelos ao vento!
Antonio Carlos de Paula

 

vou soltar as amarras
do barco da vida,
e vou navegar
pelas águas do amor,
deixando a tristeza
que sangra no peito
no porto seguro
desta solidão!

pode ser, até mesmo,
talvez, ninguém sabe,
que um dia a saudade
de tudo que fui,
me faça lembrar
do que eu não esqueço,
do pranto nos olhos,
da flor, da ilusão,
e até mesmo,
daquele sorriso,
brincando em seus lábios
naquele momento,
de amor infinito,
teu rosto bonito,
cabelos ao vento!

São Paulo/SP

-35-
A Trilha
Roseleide Santana de Farias

Busco-te amado Senhor, na estrada terrena desta minha vida.
Vejo-Te nas montanhas, rios, mares, verdes matas, sol, flores,
Que irradiam sobre mim suaves bálsamos às tristezas e dores.

Sigo a trilha que me assoma aos olhos, sentidos e a percepção.
Minha alma esvoaça entre a tristeza, fé, alegria de entregar-se.
Sou a humilde libélula em busca do calor e chamas de Tua LUZ!

No fogo abrasador do Teu poder, molda-me o espírito, Senhor!
Imola-me, abriga-me em Teus braços, recebas tua pequena ave,
Quando retornar ao Teu seio, anseio aconchego, ninho e amor.

Na trilha que me ofereces, necessito de Ti para prosseguir, PAI!
Ansioso é o meu coração e sinto a solidão, frio, desalento e dor.
Impregna-me o perfume de Tua bela Criação, no orvalho da flor!

Cabedelo/PB, 16/02/2013

-36-
Às crianças e aos adolescentes
Roseleide Santana de Farias

Crianças e adolescentes, presentes dos céus, são todos bem-vindos!
Têm reflexos das mais belas flores embelezando os nossos caminhos.
Alvorecer na noite escura, vem nos trazer felicidade, alegria, ternura,
Incensos, mirras, perfumes, sol que nos aquece, suavizando espinhos.

Espinhos da intolerância, ganância, sofrimentos a nos sufocar os dias.
Mas vós, crianças, são bálsamos que nos adoçam e dão lenitivo à vida!
Benditas forças, energias da alma, para enfrentar dores, adversidades
Que encontramos nas pedras, quedas, curvas, escarpas dos caminhos.

Às crianças devemos amor, orientação, ternura, cuidados, clemência!
Na carência dos pais, constantes ausências: o desequilíbrio, violência.
Vocês têm medo, fome de carinho, pão, disciplina, bons sentimentos.
Falta-lhes proteção, educação, afeto; isto provoca cruéis sofrimentos!

Sociedade transforma-se num caos, pessoas padecem injustiça social.
Falta trabalho, alimento, moradia, sossego, lazer, boa cultura e amor.
Os pequeninos adoecem, perdem-se nos caminhos, é difícil o retorno.
Famílias, cidades, sofrem violência de quem deveria apenas SER FLOR!

Apresentado na solenidade de posse do CMDCA, Teatro de Sta. Catarina,
em 13/05/2013.


Cabedelo/PB

-37-
Falar.
Élio Cândido de Oliveira

Numa ideia cadenciada, num horizonte a se perder.
Pensar, sorrir, avivar e buscando algo a se ter.
Preservar, terminologia do que se pode despontar.
Tormentas, avalanches, e formas de tudo cancelar.

Do ouvir, do imaginar, e quem sabe tudo se confiscar
Lavagens cerebrais que se processa, a estagnação
Um rolo compactador de superiores assim idéia acatar.
Necessidades urgentes não promover qualquer ação.

Palavras que se grita são proporcionais, e jeito rouco.
Busca-se o encontro, da força bruta com alguns loucos.
Instigados por holofotes de uma mídia incoerente.
Sem observar fato, o que é realidade, o faz insignificante

Entender o que as frases vêm soprar, delas momento!
Vem de outros lados, o proveito a ser angariado.
Disparos frios, bombas lacrimantes, feridas formando.
Veludos dos assentos! De lá sim parado sem se falar!!

Ibiá/MG

-38-
As sete maravilhas da Palavra
Maria de Lourdes Maia Gonçalves

A origem
da palavra é tudo. Não a etimológica, mas
a fonte dos sentimentos onde é semeada. A “genética”
da palavra está ligada à qualidade do “solo” da mente que a cultiva.
A palavra fraterna nasce no coração do homem sábio, desprovido da vaidade que
o impede de ver e ouvir o outro. O “adubo” fertiliza e gera ações capazes de transformar
as pessoas e o mundo. Porquanto simplicidade é essencial. Não a simplicidade subserviente
que danifica a dignidade, mas a lucidez própria dos que sabem que, uma vez lançada,
a palavra pertence ao mundo e, por isso, são prudentes e cautelosos. À medida que desenvolvem as virtudes, libertam-se do sentimento individualista, tornando-os
aptos para ouvir mais do que falar. Há momentos em que o silêncio é mais eloquente... E abrigar-se nas pausas dos sons é o mais sensato. A terra, em suas entressafras, faz repousar
o substrato para que as semeaduras sejam promissoras. Se ao
solo não for dado esse tempo, a cultura resultará prejudicada... A primavera é propícia à geração de sementes, de ideias e reflexão. Momento oportuno para se lembrar que nos jardins alheios também brotam flores viçosas e aromáticas e que os passarinhos e as borboletas visitam os jardins sem a preocupação de saber qual flor tem o néctar mais procurado
por abelhas. A árvore eleva seus braços para o céu como quem
agradece a vida e,
recompensada,
doa e recebe as
dádivas que
lhe foram
reservadas
pelo Bom
Semeador.
Assim é a
palavra que,
aperfeiçoada
através da história,
é apanágio reservado ao
homo sapiens. Depende de nós, cultivá-la em solo fértil ou deixá-la sucumbir na
aridez do deserto. Do solo ressequido nada brotará...

Itajubá/MG

-39-
O ser humano,
Fátima Peixoto

Ser pensante,
Criativo,
Capaz de transformar,
Capaz de produzir,
Capaz de amar.
A ambição pelo ter,
Pelo poder,
Torna-o irracional.
Destrói,
Rouba,
Mata,
Centraliza riqueza,
Multiplica a pobreza.

Cabedelo/PB



-40-
Fátima Peixoto

Seguro, confiante,
Céu azul, nuvens brancas,
Sinto-me leve,,
Encorajada a voar cada vez mais alto,
Se terei pouso segura, não sei,
O encantamento de abrir as asas e voar,
Já é alucinante.

Cabedelo/PB

-41-
Nena Sarti

Anoitece...
A lua surge maravilhosa,
Esplêndida como nunca.
Derrama surpresa a prata de seu olhar.
Olhar de quem admira,
Olhar de quem ama...
Pupilas dilatadas
No plantel da noite.
Lua menina,
Lunática perdida na Terra,
Sonar intergaláctico,
Som lunar.

Amanhece...

Campo Grande/MS

-42-
Reverência
Nena Sarti

Menino nasce descalço,
Nu exige tetas,
Derrame de seiva
Que salva.

Deleita-se,
Deita-se,
Dorme,
Acorda descalço...

Menino toma tamanho,
Larga das tetas,
Com suor e própria fé,
Anda calçado em leis
E termos vitais...

Descobre o poema,
Temas e lemas...

Despido das idéias gerais,
alça voo.
Em poesia descalça
Começa a viver!

Campo Grande/MS

-43-
Sandramara Goulart dos Reis

Meu peito sente, sente e não mente
Minha mente insana muitas vezes me engana
Dor ou amor
Seja lá o que for
Que invada meu ser
Eu quero viver
Eu quero te ver
E me perder
Sem temer
Te perder

Balenário Camboriú/SC

-44-
À Sônia Rego:
Exemplo de Mulher
Fernando Alberto Salinas Couto

Foste um exemplo de filha,
de mãe e avó também,
fazendo da vida uma poesia.
Qual anjo guardião da ilha,
luz no coração de quem vai ou vem,
serás sempre a Sônia Maria.

Mulher que só vive no extremo...
que ameniza, de todos, a dor,
ainda que maior, seja teu problema,
pois esse teu dom supremo
que transforma até pedra em flor
faz da tua vida um lindo poema.

Acredite, quem fala não é bajulador,
mas apenas, teu eterno admirador.

São Paulo/SP

-45-
Criação de Poeta
Sônia Rêgo

Fui escrevendo, escrevendo e lendo...
Um dia alguém leu...
Disse pra mostrar, publicar...
Deixem todos saberem
que tu gostas de escrever...

Não...
Tenho vergonha...
Assim eles vão me conhecer,
vão saber que sou sonhadora,
apaixonada, verdadeira...
Vão rir de mim...

Tu dizes isso, pois não sabes?
Todos nós somos assim.
Não só os poetas,
mas até os que não são...
Tem os mesmos sentimentos...
que tu tens no coração...

Mas não sei como fazer,
se é poema ou poesia,
se é soneto ou sei lá
como vou poetar?

Sem querer fazer poemas
eu fiz.
Se vai rir, gostar ou não,
não sei.
Mas podem ter certeza...
Aqui me dou
Aqui eu sou...

São Paulo/SP, 24/08/13

-46-
Onde
Fernando Alberto Salinas Couto

O Sol da tarde vai sumindo,
as primeiras estrelas a brilhar,
com o vento frio assobiando,
indicam a noite a chegar,
como sempre, suave e serena.

Na palhoça, acende-se a luz...
O canário aquieta-se na gaiola,
enquanto o caboclo feliz,
dedilhando sua velha viola,
canta para aquela sua morena.

Naquele tal recanto sertanejo
fica tudo que me dá saudade.
Coisas que, por aqui, não vejo,
morando nesta grande cidade,
onde só o concreto tem valor.

Eu quero voltar para o sertão,
onde a vida tem mais encanto,
pois lá ficou este meu coração,
ligado àquele lindo recanto,
onde sempre esteve meu amor.

São Paulo/S, 27/08/13

-47-
Ato Falho
Lourdes Ramos

Ele era um louro muito hilário, alegre e irreverente.
Sua simpatia cativava a todos que o conheciam...
Torcia pelo Vasco e odiava o Flamengo, o qual chamava de urubu... E o pior era a rima que vinha em seguida!...
Gostava de falar palavras de baixo calão e as pessoas riam e nem ficavam incomodadas com seu palavreado.
Amava músicas clássicas, e as acompanhava com muito ritmo e os seus olhinhos brilhavam ao som dos belos acordes.
Adorava me acordar bem cedo e por mais que eu tentasse ficar mais um pouco preguiçando, só o conseguia após dar-lhe seu “café”, que ele pedia em alto e bom som.
Era só ouvir a voz do gato que pulava em minha cama todas as manhãs, para ele começar sua cantilena matinal... Louro quer café!!!!!!
Mastigava tudo que pudesse alcançar e gostava de ficar de ponta cabeça quando fazia uma turnê de 360 graus, olhando tudo e todos a sua volta.
No dia em que se foi, fiquei como que estática e abismada, pois nem imaginava que poderia ir tão cedo e sem aviso...
Minha irmã disse que era assim mesmo e que ele morreu como um passarinho...
Fiquei meio sem chão e quando fui à rua, atravessei sem nem olhar para os lados. Só me dei conta quando um carro passou buzinando e tirando um “fino” de mim... Então pensei:
Ah! Foi você, seu danadinho que me protegeu em retribuição a tudo que vivemos e passamos juntos...
Maluquice? Sei lá! Para mim parece mais intuição ou uma voz interior.
Mas eu acredito que o mundo ficou um pouco mais triste sem ele...
Lá no céu dos amigos animais, o meu Louro que agora está livre e solto, está me olhando.
Ainda há pouco eu comentava lá em casa:
-O papagaio, agora não grita mais para ganhar atenção ou comida... Só fica de longe me observando!
E alguém me corrigiu:
-Você disse papagaio!?
-Ah! Não foi PAPAGAIO que eu quis dizer... Era gato!
(Eu quis comentar algo sobre o meu gato, mas falei do meu outro amigo que se foi...)

Snifffff...

Rio de Janeiro/RJ

-48-
Romancistas
Pampoeta

Em girassóis tão férteis delineadas as tocatas
Cascatas dos valentes, pérolas por serenatas
Romancistas das rosas adormecidas, queridas
Das pétalas aquecidas os abraços de guaridas

Margaridas por todas vidas, flertam os pardais
Estardalhantes paridas, das almas de colossais
E pelos álamos, as avenidas de paredes verdes
E bastamos amar somente, sentindo e crerdes

Romancistas das rosas adormecidas, queridas

Goiania/GO

-49-
Ser Feliz
Ana Maria Cardoso

Sorrir, a vida me diz
Viajar, claro que irei
Receber amor e ser feliz
Agora que te reencontrei

Eu que sou uma aprendiz
Sei que agora poderei
Deixar o que era infeliz
E ao amor retornarei ...

Novamente falarei de amor
Voarei como um condor
Sem rancor e sem dor

Nas asas do teu calor
O teu beijo saborear
E declamar o verbo “AMAR”

São Paulo/SP

-50-
No espelho da boia-fria
Kátia Pérola

A saudade aperta o peito.
Serão saudades chorando lágrimas
nos olhos tristes do Paranapanema?
Seu suor e seu cansaço se banharam
nas águas do Turvo e do Pardo
onde lavou a vasilha da sua vida de trabalho amargo
na doçura da cana-de-açúcar.

Vê no brilho do alumínio polido
com a areia fina do rio o retrato de uma mulher
que poderia ser fascinante
como as princesas dos contos de fadas,
como as damas das mil e uma noite
ou sonhar em ser uma donzela de Israel
a espera do Messias.
Mas é apenas uma boia-fria.

Mulher maior que as outras.
Seu suor virou melado de cana, álcool e rapadura
para adoçar a vasilha dos ricos.

É uma mulher fascinante.
Sabe cortar cana,
sabe chorar,
sabe sorrir
e sabe parir filhos para esta terra brasileira
e para este mundo que é de todos.

É mulher fascinante.
Tem orgulho de pentear seus cabelos
no espelho polido do fundo
de sua marmita de boia-fria.

Ourinhos/SP



-51-
Poema azul
Kátia Pérola

Vejo-me a olho nu
No espelho azul
Com ilimitados sonhos
Em forma de poesia
Ao sentir-me tão próxima
E iluminada por este amor
Ate me inebriar.

Olhar nos teus olhos ternos
E sorver devagar seus beijos
Envolventes e mui Cali entes.
Envolver-me com ardor
E nesta loucura profana
Inteira me entregar.

E na planície azul
Como em versos me atirar
Esta verdadeira paixão
Sem limites sacramentar
Revelar o doce mistério
Para sempre me doar.
E definitivamente te amar

De coração e alma, certeza ter
Que este sentimento forte e puro
Com amor foi inebriado
Sem medida alguma
Lado a lado vivenciar
Para este apaixonante poema
Realmente extravasar!

Ourinhos/SP

-52-
Árvore e ... Inverno
Joyce Lima Krischke

Árvore e Inverno presentes
Árvore despida... Flores ausentes
Poucas folhas amarelecidas
Parecem almas desiludidas

Árvore solitária... Folhas ao chão
Segredam amor e desilusão
Lembrança do amor que se esvai
Rápido qual estrela quando cai

Dia cinzento... Sol escondido
Dia sem brilho entristecido
Árvore esguia... Silhueta alongada
Inverno e árvore desfolhada

Árvore e... Inverno gelado
Busco o inverno temperado
Além do túnel há sol, mar e vida
Há árvore com folhas... Florescida

Porto Alegre/RS

-53-
Fé...
Isabell Sanches

Às vezes somos vestidos pelo esmorecimento, o vendaval de tristeza passa como se fosse nos devastar de vez. De repente somos ateados por uma força maior nos abrigando, capacitando e essa seiva chamada “fé” é a chama que se acende em nós, nos encorajando e fazendo assim nos reerguer e encontrar motivos pra seguir adiante e batalharmos por novos objetivos e finalmente:
Chegarmos ao topo da montanha chamada “felicidade”.

Cachoeiro de Itapemirim/ES

-54-
Amor ao Próximo...
J.J. Oliveira Gonçalves

Quinta-feira, (22), e ontem (26), são datas que mais do que na cabeça ficaram no coração... ainda que eu nada tenha escrito. Basta-me a lembrança. O recordar. A Emoção de reviver momentos inesquecíveis em que passamos juntos - por anos e anos. Embora esses anos e anos não signifiquem muito tempo, pois é apenas uma expressão retórica. Todavia, a diuturna convivência nos aproxima mais um do outro. Há um compartilhamento natural desnudado de intimidades, de usos e costumes, de entendimentos... Há uma soma de tantas e tantas coisas bonitas, espontâneas, inocentes, brincalhonas... que a gente se torna cúmplice - silencioso e mesmo barulhento - um do outro. E isso nos traz uma sensação tão gostosa... que nos acalma o coração e nos pastoreia a Alma! Ao fim e ao cabo, todos estes Sentimentos que aqui coloquei, em palavras, posso sintetizá-los numa única palavra e num único e Universal Sentimento: o doce e singular Sentimento chamado AMOR!!

E quando escrevo este pequeno texto, é o Amor quem escreve... O Amor do qual sou possuído. O Amor que ganhei dos meus pais. De minha avó materna. Dos Pedaços meus que me Amaram - eu sei! - e com os quais, de tanto Amor que ganhei, aprendi a Amar... Amar a mim mesmo, como ensinou Jesus. Amar ao próximo como a mim mesmo - também pregado pelo Divino Mestre. Assim, faz muito e muito tempo - mesmo! - que eu Amo o próximo como a mim mesmo... Não importa se o próximo é uma pessoa ou um bichinho, uma árvore, uma flor... Eis que esse é meu "formato" e é assim deste jeito que, um dia, quem sabe, eu ganhe a Graça da Crença dos índios norte-americanos de ir "Caminhar entre as Estrelas"...

Este texto - com esta imagem humilde e tristonha e esta frase pungente - é em lembrança das gatinhas "Tutuca" e "Branquinha", companheiras e cúmplices em todas as Estações, nos bons e maus momentos desta já longa e cansativa Jornada... Minha "Tuca" e minha "Kika" sempre cuidaram de mim - do jeitinho delas. E eu cuidei delas até o último momento de suas vidas. Assim como continuo a cuidar - franciscanamente - de todos os bichinhos com os quais divido minha modesta casa. E, ao dividir minha casa com esses amiguinhos, lamento, (profundamente e Sofro!), por aqueles que vivem a esmo pelas ruas, definhando ou enxotados - com fome e com sede - como se suas vidas vazias, tristes e abandonadas não valessem nada...

Ah, é verdade... "Amigo a gente guarda do lado esquerdo do peito"... Amigo a gente não joga fora - NUNCA!!!

Porto Alegre, 27 de agosto/2013. 11h44min

 


 



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