INTRODUÇÃO
 

Vamos lá confrades e confreiras CAPPAZ, soltem os versos, nessa CIRANDA, cantemos a liberdade de escrever conteúdos simples, agradáveis, poéticos; mensagens que estimulem a ARTE DO BEM VIVER. Muita PAZ!

Vera Passos
Presidente Nacional




PARTICIPANTES

01 Akasha De Lioncourt 35 e 36
02 Carlos Reinaldo de Souza 39
03 Celeste Farias Dias 19 e 20
04 Celso Corrêa de Freitas 12
05 Diná Fernandes 07 e 08
06 Eda Thereza Piccinin Bridi 28 e 29
07 Eliene Dantas de Miranda Taveira 15
08 Eloísa Antunes Maciel 01
09 Fátima Peixoto 27
10 Fernanda Carvalho Veiga 31
11 Fernando Alberto Salinas Couto 09
12 Gerusa Guedes dos Santos Marques 30
13 João José Oliveira Gonçalves 25 e 33
14 Joyce Lima Krischke 14 e 22
15 Judite Krischke Sebastiany 37 e 38
16 Luiz Menezes de Miranda 13
17 Maria da Conceição Castro 21
18 Marina Martinez 26
19 Michelle Zanin 34
20 Nádia Cerqueira 18
21 Odilon Machado de Lourenço 16 e 17
22 Paola Rhoden 04
23 Paulo Rodrigues 10 e 11
24 Rosana Carneiro 41
25 Sidney Santos 05 e 06
26 Sílvia Silva Benedetti 23 e 32
27 Tânia Maria de Souza 40
28 Vera Lúcia Passos Souza 02 e 03
29 Vera Trindade 24



PARTICIPAÇÕES

-01-
Alvorada na Serra
Eloísa Antunes Maciel

Um lusco-fusco surge lentamente,
Um novo dia vai descortinar:
Prepara o despontar do “sol nascente”
Que o dia vai decerto iluminar...

E Sol desponta por detrás dos montes,
E abraça a natureza ternamente,
Enquanto espalha pelos rios e fontes
A sua claridade reluzente.

E a Serra lentamente se ilumina,
Nessa alvorada que se dissemina,
Que reina majestosa na amplidão...

E num cenário todo iluminado,
A serra faz-se altar improvisado,
O dia nesse altar faz sua oração!



-02-
O outro lado
Vera Passos

Debrucei o olhar sobre muro, lá estava o sol, a despencar no ermo
A luz de repente faz-se breu, o deserto fez-se porto, fez-se termo
Arrancou do Oásis a alegria, o cais da minha fantasia.
Caminhei suavemente pela praia, o mar assustador reclama
Vieram ondas esmurrar velhas pedras
Espumas deslizavam sobre areia,
Imagem de infinita beleza!
Fez de mim um fantasma ou sereia
Despertei com o bando das gaivotas
O canto sinistro traz o grito que assusta
Aves loucas, abrem asas, cantam roucas, voam baixo,
No mergulho vão ao fundo, fisgam o pão de cada dia
O alimento a fome sacia.
Vence o forte, na cadeia alimentar
Eu aqui no meu breve passear
Busco um cais onde eu possa aportar
Aprendi que sobrevivem os que saibam se cuidar
A Natureza, reza a carta, é perfeita
Traz o peixe e ensina a pescar
Roga ao homem, que preserve o velho mar.



-03-
Saudade do Brasil
Vera Passos

Saudades das estradas de barro, do poeirão
Da chuva fina, da garoa, do caipira do Sertão
Dos trens vencendo trilhos, do vaqueiro, do aboiô
Do apito doído da locomotiva,dos lenços brancos,do som do amor,
Os sonhos de liberdade, aportam num cais sem dor
Desvendo horizontes, atravesso os montes da Chapada
Subo e desço ladeiras, escalo as pirambeiras
Vejo raios de sol entre as bananeiras,vejo aguada
Saudade do Brasil modesto, do Interior bucólico, da ingazeira
Do balanço, da amarelinha, das cantigas de roda
Da galinha de quintal, do São João, do Natal
Da Lua cheia, do caminho de areia, lá no Arraial
Da viola, da cantoria, da sabedoria dos ancestrais
Da inocência, da competência em educar
Do jeito simples de ensinar a amar.
Saudade do Brasil dos rios sem poluição
Saudade do respeito à vida e ao irmão
E veio a tecnologia, a utopia da globalização
O Capitalismo exarcebado, trazendo a escravidão:
A segregação das marcas, das correrias, das fantasias da televisão
Fecha os braços, seca os lábios, cega a visão
O encontro é bipolar, é virtual, tem bem e mal na sala-de-estar.
Aí faz a guerra, vende sonho, estupra o ser, mata a terra
A violência perdeu o freio, o Mundo feio, tem seu lugar
Saudade do Brasil velho, o evangelho do caminhar.
O velho e o novo se protegendo no engatinhar
Eu quero praças, burburinho, folhas secas, passarinho cantarolar...



-04-
Caminhada do Bem
Paola Rhoden

Acho que o mundo sorri
Para os que sabem viver
Não se apegam só em ter
E sabem perfeitamente
Que a força de nossa mente
Não para de construir

Pra esses, tenho certeza
Tudo se acerta com jeito
E o que já vem com defeito
É difícil consertar
Mas não nos custa tentar
Com jeitinho e com leveza

Em tudo que está por vir
Olhando com o coração
Na força de nossas mãos
Podemos dar molde certo
No sonho que está por perto
Fazendo o mundo fluir

Na luz de um pensamento
Traz a todos muito amor
Pois se vive com louvor
Quando se transmite a Paz
E assim o coração faz
O Bem em todo momento

Paz e Bem com muito Amor
E aos CAPPAZES uma flor.



-05-
Lábios do Poeta
Sidney Santos

Versos que dos lábios brotam
Canções de temor ou ninar
Palavras que almas soltam
Poesias que fazem sonhar

Poeta, um louco varrido
Existência com obstinação
Caminho suave ou sofrido
Nascente do coração



-06-
Fim
Sidney Santos

A ciranda da vida dancei
Em rodas do vai-e-vem
De peito aberto, cantei
Amores para o meu bem

Dança que deixou saudade
Vai-vem de emoção
Peito ferido, na verdade
Flecha no coração

Amor que fugiu de repente
Mas logo se arrependeu
Em volta mais que latente
Procurando o que perdeu

Louca e insensata jornada
Recosturando o rasgado
Porém a flecha cravada
Tinha dado seu recado

O sorriso com tua graça
Jardim daquela praça
Teu abraço, meu desejo
Sabor, só do teu beijo



-07-
Agradecimento
dinapoetisadapaz

O bem que pratico, faz-me sentir um ser muito melhor, sinto-me flutuando em nuvens de Paz quando um necessitado ajudado, abre um sorriso como se eu fosse um bálsamo a aliviar sua carência de afeto , é nessa hora que o desejo repetitivo de servir mais e mais se faz presente, sinto as forças redobradas para suportar os desafios que a vida naturalmente impõe. Que Deus conserve em mim a humildade que habita em meu coração para que eu possa sempre ser útil ao meu semelhante. Obrigada meu bondoso Pai por me dar o dom de não conhecer a indiferença, e dar-me esse olhar estendido para os lados e alcançar a dor do próximo.

-08-
Borboleteando
dinapoetisadapaz

Graciosas e habilidosas borboletas,
Frágeis, deixam seus casulos,
renascidas para o tempo
de polinizar, bailam e tecem fios,
rebordam as flores e o meu olhar,
que se alegra ante a beleza
das asas multicores
tatuadas pela mãe natureza.

Ínfimos seres,
brancas transmitem paz,
amarela, uma fatia de aquarela
azuis, lembram o manto de Maria,
pretas, que luxo!
verdes, um novelo de esperança
desenrolando-se no ar.

-09-
Ser Feliz
Fernando Alberto Salinas Couto

A arte de ser feliz
presume saber amar
tudo que nós temos.
Paisagens primaveris,
a vida, o céu, o mar,
todos bens supremos.

Sem dúvida, feliz é
dominar as tentações,
agarrando-se na fé
e realizando ilusões.

Pois saber viver bem
é superar as etapas,
evitando-se sofrer
e não deixando alguém
tirar, da alma, a paz...
É a arte de bem viver.

RJ – 24/07/17

-10-
Palavras
Paulo Rodrigues

Gosto de palavras!
Palavras que reinventam a vida
ao desfazer a rotina dos caminhos
e redesenhar a existência.

Gosto de palavras!
Palavras famintas pela serenidade da infância
ao contemplar na espelho da maturidade
o branco nas páginas da existência,
os amores esquecidos
e os sonhos abandonados
ao trilhar a rotina da vida
pelo sustento da família.

Gosto de palavras!
Palavras aflitas pelas calças e saias
para saltar as pedras do caminhos
e tampar os buracos das vidraças
depois do futebol das crianças.

Gosto de palavras!
Palavras desejosas pelo carinho
dos olhares enamorados
que ignora a urgência da vida
e o saldo negativo na conta bancaria
ao ficar sempre formoso e sorridente
para sua amada.

Gosto de palavras!
Palavras ansiosas para quebrar as regras
e viver o proibido
ao rejeitar os conselhos paternos.

Gosto de palavras!
Palavras inquietas para conquistar
novas amizades,
novos amores,
novos horizontes,
em buscar de novos sonhos.
Mas sempre serena ao findar cada poema.



-11-
A mulher
Paulo Rodrigues

"A mulher é como uma flor.
Se você a tratar com muito amor
ela desabrocha num lindo sorriso de beleza!
Mas se faltar afetos e cuidados ela definha em tristeza."

-12-
Crônica
Celso Correa de Freitas

25 DE JULHO Os meus sentimentos de saudades para com os escritores que nos deixaram, e os meus votos de sucesso aos escritores que continuam na luta. Por suas lutas e as do nosso País. “UBALDO ALVES SUASSUNA” Com Ariano Suassuna eu até me curvava em sinal de respeito a esquerda brasileira. Filiei-me ao Partido Socialista Brasileiro(PSB), sabendo que ele ali estava, como Cidadão e Escritor. Admirava sua pilar presença impondo-se sobre os vestais políticos do partido, dando-lhes discrição e lhes servindo de exemplo quanto ao comportamento moral que deveriam ter. Com sua partida, a Caetena nos espreita! Pois a nossa esquerda tanto quanto a Direita, são farinhas da mesma apreensão. Como não temos a esperteza de João Grilo e Chicó, sofremos em suas mãos. Ao contrário das Artes que sofre um enorme baque quando um dos seus, parte deste mundo, na Política os personagens desse palco de absurdos se multiplicam, tornando-se esses sim, imortais! De partida em partida, cada vez mais vamos ficando sem grandes homens para nos fortalecer culturalmente e nos apontar o caminho. A sociedade não percebe a exata dimensão de tais perdas. Perder Ubaldo, Alves e Suassuna, é ruim para qualquer cultura, mas é bom para qualquer ditadura. Não me iludo com os pêsames do lagarto, pois no seu interior ele está sorrindo.

Nota: Com esta crônica, eu completo dentro dos quesitos: Poesia, Citações, Contos, Cronica e Livros, 1000 Ações Culturais desenvolvidas, assim distribuídas: Poesia : 690 Conto : 40 Citações : 188 Cronica : 48 Livros : 34 Total : 1.000 Foi arte do destino, querer que eu completasse 1000 ACDs escrevendo uma crônica falando de Ariano Suassuna, João Ubaldo Ribeiro, e Rubem Alves.

-13-
Gaza, grita
Luiz Menezes de Miranda

Para quem apelar?
Para quem recorrer?
Para quem suplicar?
Respingou em mim não só de sangue, também em lágrimas
Fico envergonhado diante da minha impotência,
da minha pequenez e da fragilidade do ser humano
Me revolto por ser incapacitado de amparar esses meus irmãos,
infelizmente mortos por outros irmãos indignos, de serem o que são.
Quem deve socorrer limitam-se às ponderações.
ONU , tapa os olhos a essa direção
Olhem para GAZA!
Socorram nosso irmão!
PAZ,PAZ,PAZ
GAZA PRECISA DE PAZ

-14-
Ser Avó...(II)
Joyce Lima Krischke

-15-
Ser Poeta
Eliene Dantas de Miranda Taveira

É cantar com letras
Sentir calafrio
Ser um pouco arredio
Viajando, sentir arrepio.

É reviver o passado
Sonhar no presente
Projetar o futuro
Ser diferente.

É sem limite sonhar,

Amar... amar e sempre amar.

-16-
Os olhos de Quindimun
Odilon Machado de Lourenço

O tempo lhe veio nas pupilas, cravou-lhe belas memórias
Conhecera poeiras de estradas e horizontes de águas
Cresceram imagens de relvas nos seus braços
A terra tinha lhe dado aquela cor revirada de leivas
Ao redor nervos retinavam magmas e davam-lhe forma de homem
Sentia gratidão por haver sido feito à beira do fio
Sua fusão foi martelada nas lavas beijadas pelo mar
Fluíam luzes curvas na janela das córneas
Quindimun as abria e ouvia as dobradiças rangerem as cores
Fogueiras nasciam nas íris afrontando relâmpagos
Queimavam noites enluadas a uivos de raios e poemas-fogo
Focavam periferias de estrelas cristalinas
O preto e o branco coloriam delírios indeléveis no cosmos
Quando estrelas caíam guardavam nos subúrbios seus pedidos
No sono serenado viajavam as léguas na altura das águias
Acordavam na força do sol raiando folhas outonadas
Foram brisas azuis nas manhãs acordadas por pássaros
Não se abriam de chofre suas pálpebras
Regurgitavam a lembrança do sonho
Depois levantavam rente às veredas da face
Punham-se na prontidão renascida de lavouras brotando
Abriam-se ao entorno da luz como lanças em voo
Quindimun era pó que alçado ao ar lagrimava seus olhos.



-17-
Para saber do tempo
Odilon Machado de Lourenço

Em janeiro, quando a flor do verão for o auge do jardim, teremos
esquecido as névoas de agosto
Seguirá um fevereiro com pouco carnaval e os calores dos dias vão
descer pelas costas aflitantes do verso até o mergulho das águas de março
Seremos impávidos no outono e abril servirá para desprender as
folhas que secam lentamente
Quando maio chegar pássaros migrantes irão por cânticos e grasnos nos
olhos que viajam para junho
Trigais estarão dançando a ternura do inverno
Julho virá, alegres laranjais terão os campos
O sol navegará para setembro
Nascerão flores tingidas de esmero
Acordará outubro em meio à relva balançada pelos ventos
Luas claras brilharão na primavera animada pela brisa atenuante de novembro
Então por fim dezembro será um nome
Nome de coisa, talvez de nada
O tempo segue para lá depois das luas.

-18-
Dionisíaco
Nádia Cerqueira

Não é insano
vinho, arte, embriaguez
mente paradoxal.
Desde os primórdios
prazer é sublimação total.
Máscaras caem
durante o ato, desnudando o delírio
dos que se retraem.
Recriamos a história
sádica, doce, real...
Seguidores de Dionísio
exaltam a vida num elevo
no melhor tom, visceral.

-19-
No espelho da minha alma
Celeste Farias Dias


Sou um ser eclético, conexo
Assimétrico às sutilezas do amor.
Sem medo da efêmera sombra,
Dessa orgia que com hipocrisia
Faz a minha Gaya padecer.

Sinto para fora, olho para dentro,
Saboreio-me em espelhos,
Grito na leveza do ser,
Suplicando em luta:

- Oh Pátria amada, Pátria minha!
Sou mulher, sou guerreira,
De alma rosa, brasileira,
Amar-te-ei enquanto viver.

BH, 20/06/14

-20-
Poema foto
Celeste Farias Dias

-21-
Licença
Maria da Conceição Castro

Convido-lhe a viajar comigo
Lá para um lugar chamado... infinito!
Você não acredita?
Arrume as malas, e lhe vou fazer acreditar
Eu não,
o vento lhe fará crer
Ele lhe levará nas asas
e lhe fará príncipe e princesa
rei e rainha
dono e dona de todas as alegrias
do ser...
Não, não precisa colocar roupas nessa mala,
ponha apenas um sorriso...
e coragem...
Ah ponha também um par de lentes de contato
para enxergar o abissal
o abissal do seu coração
a essência do seu desejo
porque ela é o leme do seu barco!
Ei,
a viagem não era nos ares?
Sim,
mas é que a intensidade atravessa mares
E a vida...
também...
Saia, saia desse seu cantinho confortável
dê as mãos a tempestade
E verá que a sua disposição em enfrentar o mundo
é o seu agasalho
E que as pedras de granizo não queimarão a sua pele
E que o fogo é chama em vela
Quando você a si revela
A coragem de ser feliz!

-22-
Dia do Amigo
Joyce Lima Krischke

-23-
As Feras
Silvia Benedetti

Nos circos romanos
Homens
Eram jogados
Às feras...

Hoje muitos descobrem

Que convivem com elas
Em suas
Próprias casas.

-24-
No meio do caminho tinha uma palavra
Vera Trindade

Pelas ruas desertas
nas casas caiadas
no escuro dos pântanos
por onde eu passava
no meio do caminho
tinha uma palavra.

Entre cercas e muros
ela chocalhava
feito cabra solta ao cair da tarde.
Se fosse chuvisco
pouco me molhava.
E sendo feitiço
em mim já pegava.

Ah! que mundo surdo,
o mundo das palavras!
No meio do barulho
ela não gestava.
A palavra mágica
que me assediava
só queria ouvidos
pra não ser olvidada.
Si-lên-cio...

-25-
"A Catedral Ebúrnea dos meus Sonhos
Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"
JJota Poeta

Ah, esses dois versos ficaram para sempre em meus ouvidos. Em minha memória. Grudaram-se na Alma... Fundiram-se em meu Espírito adolescente. Nunca mais os esqueci. Versos de exuberante e perpetuada Beleza – sempre renovada! Sentimentos viscerais de um dos mais belos e apaixonados poetas brasileiros. Metáforas carregadas da realidade dura dos fatos. Dos fatos amorosos que viveu o poeta. Que marcaram o poeta. Que mataram o poeta, embora ele continuasse – assim feito um fantasma pálido, um esquálido zumbi. Uma sombra que faz morada no entardecer, apesar do Sol ruivo da idade em seu corpo de moço e em sua Alma alvorecida de Ilusões, de Sonhos. E de um idealizado e virginal Sonho de Amor... Um Sonho que não saiu do Sonho. Mas ficou, para sempre, no coração... Fez-se Lenda. Fez-se Mito!
Ah, desde que conheci o Poeta e sua bela e doída história de Amor, nunca mais esqueci daquela catedral ebúrnea, nem do pobre Alphonsus!! Da catedral tão clara, nívea. De uma brancura divina – infinita. Portanto, ebúrnea. Não imaginara que aquele Poeta - e seus versos e seus Sentimentos calariam fundo em minh’Alma. E se albergariam para sempre - e carinhosamente - em meu peito, onde então batia um coração adolescente e, agora, resfolega um coração encanecido, mas teimosamente adolescente.
Quando é tempo de namoros, de flertes, de namorados e enamorados - prenúncios de 12 de Junho - por alguma razão, resolvi escrever estas linhas. Claro, escrevendo nos moldes e com os Sentimentos do antigamente, eis que não entendo os moderninhos sentimentos do agora... Pois que, agora, o Lirismo do verbo namorar foi trocado pelo imediatismo de outro verbo que, igualmente de primeira conjugação, ganhou uma nomenclatura que deixou o romance (Romantismo) do lado de fora do cenário “ lírico e amoroso”...
Ah, pobre Alphonsus... Pobre de mim, também, que apenas posso acariciar - entre bucólicas e poéticas lembranças - a Ebúrnea Catedral de minha adolescência... Lá, eu te lia, magistral Poeta, sem sequer imaginar que eu rezava os Salmos da Vida. Salmos tão doces, tão coloridos e alvissareiros, que, em pouco tempo, iriam se tornando dolorosamente amargos... Lá, minha Catedral radiosa, esfuziante de Luz e deliciosamente cheirosa de Incenso, entoava gregorianos cânticos e deslumbrava um Sonho de Amor ad Infinitum! Aquele ardoroso Sonho morreu. Matou os Amantes. Todavia, e infelizmente, não os matou com a morte física, mas com a morte da separação! (Haverá morte pior?)
Ah, Afonso Henrique da Costa Guimarães - o homem. Alphonsus de Guimaraens - o Poeta. Dos mais belos e sofridos Poetas de nossa Literatura Verde-e-Amarela. Tem um tanto (ou muito?) de “dark” ou de “gothic” em sua Lira. Fruto de flores que não colheu, mas viu morrer pelo Caminho... E a sua Flor mais Bela - Metáfora de Amor e de Poesia – sua Musa de Encantamento e de Paixão! Essa Flor, de 17 anos, era sua prima Constança - por quem o Poeta se apaixonara - filha de Bernardo de Guimarães, seu tio-avô.
Constança morre, precocemente, de tuberculose. E o pobre Alphonsus, desde então, entrega-se à vida boêmia. E embora casasse, mais tarde, o Vazio daquele Sonho de Amor, irá permanecer no coração e na Alma do Poeta, até sua morte. Ah, pobre
Alphonsus... Que melancolicamente rico e visceralmente delicado este teu belíssimo, musical, doído e magistral soneto - que me toca o âmago da Alma e o recôndito do coração! Ah, Sofrido poeta-irmão, nesses versos e nessas rimas, choraste o vaticínio triste de tua Lira comoventemente delicada e amorosa:

Hão de Chorar por Ela os Cinamomos...
Alphonsus de Guimaraens

Hão de chorar por ela os cinamomos,
Murchando as flores ao tombar do dia.
Dos laranjais hão de cair os pomos,
Lembrando-se daquela que os colhia.

As estrelas dirão — "Ai! nada somos,
Pois ela se morreu silente e fria.. . "
E pondo os olhos nela como pomos,
Hão de chorar a irmã que lhes sorria.

A lua, que lhe foi mãe carinhosa,
Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la
Entre lírios e pétalas de rosa.

Os meus sonhos de amor serão defuntos...
E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,
Pensando em mim: — "Por que não vieram juntos?
Ah, pobre Alphonsus... Ao fechar esta crônica, deixo, aqui, como se fora no papel de idos tempos, quatro lágrimas sentidas e caídas de meu coração poeta... Uma, por ti... Outra, por Constança... Outra, por teu Sonho de Amor despedaçado... E, outra, por mim mesmo...
Porto Alegre, 04 de junho/2014. 18h

-26
Tema Livre
Marina Martinez

Nunca havia parado para avaliar essa expressão. Jamais pensei que ‘tema’ poderia ser enclausurado, enquadrado, engaiolado. Agora, raciocinando melhor, descobri: pode. E é! Desvendei o atrelamento contínuo sofrido por qualquer questão, manipulada por intenções, circunstâncias, reações, épocas, lugares. Meu tema pode ser ‘livre’ por escolha pessoal, mas, também, porque se tornou ‘libertado’ pela sociedade, podendo ser abordado com outros olhos e livres-arbítrios, diferenciados pelo decorrer dos tempos e conjunturas. A proposta é tão livre que entrei em divagações, ou em divagar ações, as quais acabaram por desconectar alguns neurônios meio distraídos. Escrever sobre algo definido é menos difícil: afinal, o assunto já está enquadrado, engaiolado, enclausurado, corroborando minha descoberta. Mas na dúvida, e por ser livre -o tema e eu-, transformarei em flores, pássaros, borboletas quaisquer versos, letras, improbabilidades, sinais, fantasias, interrogações, certezas, ambiguidades, e o que mais se apresente, para, libertos, harmonizarem algum recital descontraído.

-27-
O que custa...
Fátima Peixoto

O que custa ser gentil,
Educado,
Compreensivo,
Tolerante?

O que custa tratar bem,
Pessoas próximas,
Familiares,
Amigos e inimigos?

O que custa respeitar,
Religiões,
Crenças,
Raças?

O que custa,
Amar,
Cuidar,
Sem nada pedir em troca?

O que custa ser carinhoso,
Oferecer flores,
Fazer poemas,
Declarar seu amor?

-28-
Todos os Abraços no Dia do Amigo
Eda Thereza Piccinin Bridi

Uma lenda, por certo conhecida dos caros leitores, conta que dois amigos viajavam no deserto e, num determinado ponto da viagem, discutiram. Ofendido, sem nada dizer, um deles escreveu na areia: “Hoje, meu melhor amigo me ofendeu”.
Seguiram e chegaram a um oásis, onde resolveram banhar-se. O que havia sido ofendido começou a afogar-se, sendo salvo pelo amigo. Ao recuperar-se, pegou um estilete e escreveu na pedra: “Hoje, meu melhor amigo salvou-me a vida”.
Intrigado, o outro perguntou: Por que, depois que o ofendi, você escreveu na areia, e agora escreveu na pedra?
Sorrindo, o companheiro respondeu: Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia, onde o vento do esquecimento e do perdão se encarrega de apagar. Porém, quando nos faz algo de bom, devemos escrever na pedra, onde vento nenhum do mundo consegue desfazer.

Assim, é na vida real. Entre amigos, as ofensas são perdoadas, esquecidas, as mágoas superadas, e os atos bons, valorizados, fortificados, guardados no coração e na memória como a lembrança de bem-querer, de estima, de harmonia, de convívio fraterno, de sentimento de paz e amor.
A amizade é como uma joia preciosa; é cultivada por nobres virtudes: a lealdade, a bondade, o altruísmo, a compreensão, a doação, o companheirismo, a confiança mútua.O brilho dessa joia, a amizade, ilumina e protege a convivência entre os amigos, marcada pela sinceridade que permite que um aponte para o outro seus erros, e o ajude a corrigi-los, bem como o aplauda pelas boas ações.
Os verdadeiros amigos compartilham momentos difíceis, dão força, estendem a mão. Estão juntos nas derrotas e nas conquistas, compartilham dores e alegrias, e, juntos, comemoram o sucesso alcançado em suas realizações.
E, plagiando o cantor Milton Nascimento, dizemos:
“Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração...”

Comemoremos, ainda, enfaticamente, o Dia do Amigo, que transcorreu no dia 20, com um grande abraço coletivo. Quando abraçamos alguém, no mesmo instante recebemos um abraço de volta, e nossos corações e nossas almas se enchem de alegria, gratidão e felicidade.
Um abraço especial para todos, caros amigos, confrades e confreiras da CAPPAZ.

-29-
Aos Colonos e Motoristas Nossa Homenagem
Aos Avós Nosso Carinho
Eda Thereza Piccinin Bridi

Na data de 25 de julho, ao comemorarmos o Dia do Colono e da Imigração Alemã no Brasil, fazemos uma volta ao passado para lembrar os primeiros colonos que chegaram a Sobradinho, então 4º Distrito de Soledade, Rio Grande do Sul. Desbravaram, plantaram, povoaram, edificaram suas casas, e logo trataram de construir a escola e a capela, e foram os protagonistas da história da imigração e da colonização da região, hoje Região Centro Serra.
Os primeiros colonos de origem alemã localizaram-se em Arroio do Tigre e em Arroio Bonito, em 1898. Os colonos de origem italiana também chegaram em 1898, e foram se localizando na Linha Central, na Linha Guavirova e na Vila São Paulo, hoje Ibarama. Trouxeram com eles uma bagagem de conhecimentos, de esperança, de perseverança, de resignação, de princípios morais, religiosos, cívicos, de união e amor à família, e de respeito ao país que os acolheu, e muita saudade da terra natal.
A esses colonizadores, muitos outros se somaram sucessivamente, inclusive os descendentes, tendo ocorrido também a migração para outras partes da região. E no conjunto, participaram e participam do desenvolvimento econômico, social e cultural do município, com seu trabalho, dedicação e cidadania, embora por vezes, sujeitos às intempéries, frustrações nas safras, oscilações nos preços de mercado. E com coragem e determinação, mantêm-se firmes, e partem para novas plantações, sempre com a esperança de fartas colheitas. Parabéns, agricultores!
Parabéns igualmente aos motoristas, dignos de justas homenagens, pois como diz o chavão popular: transportam as riquezas produzidas nas lavouras. Que tenham sempre muita luz ao volante! Que tenham a necessária paciência frente às agruras nas estradas! Que São Cristóvão os preteja e os conduza!
Meus avós maternos, Luiz Librelotto e Lúcia Bagiotto, imigrantes italianos, também agricultores, depois de terem residido na Quarta Colônia Imperial de Silveira Martins, radicaram-se em Arroio Bonito, Sobradinho, no início do século passado.. Lembrando-os, expresso meu carinho a todos os avós, pelo transcurso do “Dia dos Avós”, 26 de julho. Parabéns a todos nós, avós, e votos de felicidade!
Encerrando esta matéria, quero me referir sobre a importância da criação do Comitê Municipal da Etnia Alemã, neste ano, e da reorganização do Comitê Municipal da Etnia Italiana, criado em 2005, pela Administração Municipal de Sobradinho, com a finalidade de promover e apoiar atividades relativas à preservação das culturas alemã e italiana, etnias que fazem parte da constituição da população de Sobradinho/RS.

-30-
A paz universal.
Gerusa Guedes dos Santos Marques

Os homens desejam a paz e fazem a guerra
Dividindo em classes sociais o povo da terra:
Tem a classe dos brancos dos olhos claros,
Classe dos pretos de cabelos bem enrolados,
Classe indígenas, dos homens que são pardos
Tem a classe dos ricos e dos pobres coitados.

Como conseguir a paz em meio a tanta desigualdade?
Uns tem aviões, para ser rápido, viajam pelos ares,
Os carros são bem luxuosos e bem equipados,
Outros pedalam nas ruas com a sua bicicleta,
Há os que andam a pé e nem são atletas.
Aqueles que nem podem caminhar pela terra!

A comida é uma grande e feia descriminação
Uns enchem a pança, jogam até comida fora
Outros catam os restos que ficam pelo chão
Trabalham feito uns burros e não tem o pão
Alguns, engordam de tanta alimentação
Outros, a magrém dá dó de ver, meu irmão.

As vestes de poucos são absurdos,
Milhares e milhões para cobrir um corpo
A roupa rota e a nudez é para o outro,
Dezenas de pares de sapatos, guardados
Enquanto há aqueles que andam descalços
Comer, vestir e calçar é um direito, amado.

Mas o homem quer sempre encontrar um culpado
Quem dividiu a terra foi um homem mal intencionado
Os que plantam com lágrimas e dores ficam com fome
Os atravessadores endinheirados é quem consome,
Ainda assim pousam de homens bons e nobres
Desse jeito meu irmãozinho, a paz não se resolve.

A paz não é uma bandeira branca na porta tremulando
Não é também a falta de atitude é cobrando e cobrando
A paz não é todo mundo pensando junto, matutando.
Não é ausência de conflitos, somos diferentes, mano!
A diversidade de pensamento é bom para o comando
A PAZ É O RESPEITO E O AMOR SE IRMANANDO!

-31-
À primeira vista
Fernanda Carvalho Veiga

Nunca acreditei em paixão à primeira vista
Até o momento em que apareceu em minha vida
Não digo que lhe amei naquele instante
Mas sei que foi algo forte e simplesmente incrível.

Foi como se todos que estavam ali, sumissem!
Foi como se a minha visão não tivesse mais, cento e
oitenta graus e o único foco fosse você!

Coragem faltou para ir até o seu encontro
Porém, sem explicação, para minha surpresa,
caminhou em minha direção,
E imediatamente me fez voltar a sorrir
Sem que eu soubesse o porquê de tantos risos.

Sem que eu me desse conta, as horas estavam
passando e nós cada vez mais nos aproximando
Quando despertei, percebi que a cada segundo
me apaixonava mais por você,
E quanto maior era a intensidade dessa paixão, mais
eu sonhava, imaginava e desejava tê-lo pra mim.

-32-
Dia dos Avós
Sílvia Silva Benedetti

-33-
Veladas Sensações!
J.J. Oliveira Gonçalves

Navega o Lampião de Éter no Infinito
E a Caravela flui... no Mar da Vida
Imagens de Beleza e Despedida
Metáforas de Deus... Silente Rito!

O Mar ela alumia – Alva Candeia
E o Mar reflete a Luz do seu Clarão
E, cá, no peito meu – em Solidão:
O Mar, a Caravela e a Lua-Cheia!

Do Mar o coração tem os rugidos
Dos Sonhos que se quebram – e partidos
Espalham seus pedaços pelas águas!

Da Lua a Alma embala as Emoções
Herméticas – Veladas Sensações:
As Fases, o Lirismo - e escuras Mágoas!

Dentro de mim, navega a Caravela
Leva Saudades minhas que são dela!

Porto Alegre, 31 de julho/2014. 13h
jjotapoesia@gmail.com – www.cappaz.com.br

-34-
Fantasia
Michelle Zanin

Não sou a caçadora de dragões
Ou a princesa que espera pacientemente
Sou a expectadora
Que vê o castelo de cartas desmoronar
Perguntam-me se acredito em finais felizes
Digo apenas que não sei
Não presenciei o meu
Conheci pessoas que acharam os seus
Mas ninguém voltou para contar-me o fim
Fui à criança que acreditou em magia
Fugiu para a terra do nunca
Hoje vejo-me andando em meio a alcateia
Conheci vampiros e bruxas
Descobri o lado que não está escrito em contos de fadas
Não se engane meu fiel amigo
Há sempre o porquê
O lado obscuro que é manipulado
Não existe o bem ou o mal
O bom ou o mau
O certo ou errado
Há uma mistura
De sonhos e fábulas
Que vivem dentro de cada um
Aos poucos amadurecemos
Mas não matamos a criança
Que ainda corre pelo bosque
Sentindo medo, angustia
Não sabe ao certo onde encontra-se
Quem nunca fez um desejo a uma estrela
Por alguns instantes tentou fugir da realidade
O imaginário é belo
É perfeito
Esconde a verdade
Transforma o lobo em vilão
E a menina em vitima
Esconde as mascaras
Aos poucos adormeço
Sou tomada pelo eu lírico
Que esconde a visão
Faz real a ilusão
Torna possível a imaginação
Eterniza a fantasia
Que ficará para sempre gravada no papel
Enfim, viveram
Felizes para sempre?

-35-
Janelas da Alma
Akasha De Lioncourt

Acordo com os olhos em festa, pensando que mais um milagre aconteceu. Sim, é o milagre da vida que em mim renasceu. Sentada na cama, olho pela janela e penso: essa poderia ser a janela do filme da minha vida e, de repente, uma grande tela surge na minha frente e começa a projetar o vídeo da minha história. Pela janela passam as cenas mais inusitadas, aquelas que sequer meu consciente se recordava. Começo a pensar que muitas coisas poderiam ter sido diferentes se eu tivesse optado por outro caminho, por outra forma de pensar. Vejo momentos que me levam às lágrimas de tanto rir e outros que realmente me fazem chorar. As vitórias, as conquistas, essas que costumamos tratar como coisas naturais e nem sempre damos o devido crédito por acharmos que é autopromoção e isso se chama vaidade ou orgulho. Mas por que não sentirmos orgulho de nossas vitórias? São nossas, são os frutos das nossas conquistas, dos nossos esforços, é preciso que eu aprenda a valorizar esses momentos pois eles são a força propulsora que nos impulsiona a continuar tentando, mesmo que haja o risco de errar da próxima vez.

A ausência forçada de reconhecimento e amor-próprio pode ocasionar a hipocrisia. Somos sim, hipócritas, quando nos lançamos no limbo com medo de estarmos em evidência e assumirmos nossos feitos. Eu mesma tenho sido hipócrita por toda uma vida buscando ficar o tempo todo na sombra sem me dar o devido e reconhecido valor. Pela janela entram as imagens que demonstram que eu acertei muitas vezes, mas esqueci-me de contabilizar essas ocasiões. Entretanto, cada erro, por menor que fosse, não só foi adicionado à minha lista de “fracassos” como serviram de escudo para que eu simplesmente parasse de buscar atingir meus sonhos e meus ideais. Isso sim é hipocrisia pura! Culpar os erros, os pais, os irmãos, os amigos e os inimigos pelo marasmo que se instalou na minha vida. Os erros servem para ensinar que temos opções, precisamos tê-las para saber o que nos serve e o que é descartável. O erro nada mais é do que o resultado de uma tentativa e o que somos nós nesta nossa existência do que meros aprendizes?

Pela janela do filme da minha vida vejo momentos dolorosos que gostaria de apagar, mas não posso. Tenho que aprender que a dor faz parte do processo evolutivo da minha alma e a intensidade dela dependerá do quanto me comprometo com a minha felicidade e com a prioridade que coloco em mim e na minha existência. Pela janela passam também momentos intensamente felizes que ficaram cobertos de teias de aranhas simplesmente porque eu decidi que o quartinho escuro do meu inconsciente era o melhor lugar para elas. Hoje, é o dia de trazê-las novamente à tona e fazer disso um momento em que me conscientizo de que a minha felicidade é única e exclusivamente da minha responsabilidade. Preciso me conscientizar dessa realidade e parar de simplesmente seguir o instinto humano de sempre achar um culpado pelas minhas incertezas e insucessos.

E, diante da mesma janela, observo que até o momento só permiti que por ela saíssem todos os meus desejos, meus monstros interiores, minhas dúvidas... Tudo isso projetado na tela do meu livro pessoal. De repente, percebo que estou novamente boicotando a minha vida, pois pela janela existe fluxo de entrada e saída e até agora eu só vi o que passou para continuar lamentando o passado que não posso mais adulterar. Começo a projetar nela desejos e sonhos futuros tentando não me deixar dominar pelo medo do desconhecido que se avulta na minha frente e não uso o crivo da autocrítica, que é muito rígido comigo, permitindo apenas que as imagens se projetem na minha frente. Nesse exato instante, percebo que não perdi a capacidade de sonhar e que se um dia isso acontecer eu perderei a motivação para viver. O sonho é inerente a todo ser humano e sem ele ainda estaríamos na Idade da Pedra. Deixar então, que entrem a esperança, a fé, a Luz... E até mesmo a sombra, para que eu possa valorizar cada extremo quando com eles me deparar.

E, ao final disso tudo, volto a pensar que o futuro depende do que eu semear aqui, agora, no presente, pois é sempre esse tempo quem mais sofre com a nossa negligência e descaso. Vivemos presos aos fantasmas do passado e sonhando com o futuro e nos esquecemos de que é aqui e agora o momento para tudo isso ser realizado. De agora em diante, vou fazer desse tempo o meu real presente, por estar vivenciando o milagre diário da vida, do amor, da esperança e da vontade de crescer e trilhar mais e mais caminhos, desde que eu os possa escolher. Isso é o que torna a vida repleta de oportunidades e magia. A magia real, palpável, chamada ESCOLHA. Sair do casulo, olhar pela janela e permitir que ela seja tão ampla quanto a porta que insisto em olhar apenas porque foi fechada.

Abro a janela, salto por ela e entro de cabeça na experiência de viver sem medo de ser atropelada pela roda da vida! Assumo com firmeza o meu crescimento e deixo de agir como a criança assustada que sempre fui. Esse é o meu desafio para o hoje. O Amanhã, este depende tão somente das escolhas que eu fizer agora!

-36-
Egotrip
Akasha De Lioncourt

Eis-me aqui, diante de mim!
Desprovida de todo o sentimento,
Alma nua, num eterno lapidar,
Buscando meu ego, meu EU, meu pensamento.

Olho-me no espelho, mas não me reconheço,
Há muito já não vejo em nós as semelhanças,
Quem sou eu??? Olho, analiso, repenso,
Sou alguém que sobrevive de esperanças.

Desnudando os sentimentos, a alma em festa,
Sobrevoando, leve, por todos os meus dias,
Revendo dores, alegrias, sonhos e dissabores,
Redescobrindo um velho baú com antigas poesias.

E, nessa egotrip de proporções poderosas,
Vejo tudo de mim: o belo e o feio...
Muito me assustam as sombras obscuras,
Mas, também me consolam as luzes maviosas.

Uma busca incessante, alucinada,
Mas, que a cada dia mais me entusiasma.
Afinal, sou eu dentro daquele espelho,
E, a qualquer momento, será inevitável, nos encontraremos.

Nessa luta, não há vencidos ou vencedores,
Apenas guerreiros cansados e enlutados,
Choram suas perdas, mas, festejam suas glórias,
Será sempre assim, sem vitória e sem derrota!

-37-
Familia de Bugios
Judite Krischke Sebastiany

-38-
Cachorrinha Abandonada
Judite Krischke Sebastiany

-39-
A Secretária CAPPAZ
Carlos Reinaldo - MG

É sempre bom ter amigos,
eles nos tornam felizes,
afastam todos perigos
e não permitem deslizes.

Na Confraria CAPPAZ,
encontro amigos de fato,
eles semeiam a paz,
e disso sou muito grato.

Posso provar prá vocês,
isso é uma grande verdade,
uma atitude cortês,
eu recebi, com saudade.

Uma surpresa gentil,
chegou no meu note book;
a secretária, sutil,
alertou: não se “machuque”.

Lembrou-me da “Antologia”,
e da “Ciranda”, também;
findou-se assim o meu dia,
salve os amigos: Amém!

-40-
Flores do meu jardim
Tânia Maria de Souza



Flores do meu jardim
cada qual com seu charme
umas graúdas, outras miúdas,
vermelhas, cor de rosa, amarelas
brancas, azuis, singelas...
elas são assim:
presentes de Deus pra mim!

-41-
Mais um Milagre
Rosana Carneiro

Ele estava montado em seu pangaré, sentindo que era um alazão.
Sua armadura toda quebrada, lhe parecia de aço...
A flecha em sua mão estava sem ponta e a estaca fraca, pequena, porém ele a erguia e partia em passos lentos para cima do mal.
O dragão, que ele queria matar lá na lua, era forte, grande e poderoso.
Vertia fogo e maldição.
Num piscar de olhos, a armadura cintilava, a flecha se elevava e o pangaré se mostrava forte e robusto, alado.
Ah...o dragão ficou minúsculo e ele venceu mais uma batalha, porque sua fé fez mais uma vez, um milagre acontecer.

Todos os dias temos um dragão para matar, basta se armar de fé e ir confiante.
Deus é fiel.






SELO DE PARTICIPAÇÃO













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