Utilize esse comando para parar
a música de fundo e o respectivo
comando para ouvir o poema
declamado.



ENCERRAMENTO E AGRADECIMENTOS

68ª CIRANDA MENSAL- CAPPAZ

Criança-Interior
J.J. Oliveira Gonçalves

Diuturnamente, ela me acompanha.
Acorda, comigo, Levanta, comigo. Deita, comigo. Dorme, comigo. Sempre riu e sorriu para me deixar mais alegre. Sempre chorou e soluçou em minhas lágrimas de transparente Emoção. Foi, comigo, ao grupo escolar. Ao ginásio. Ao colégio. À Universidade. Mas, sabia ela – mais do que eu – que nossa Escola era, mesmo, a Escola da Vida!
Repartiu, com ela, minhas tristezas, decepções, carências, frustrações... E, comigo, foi agraciada com os raros momentos de felicidade que vivemos. Me olhou com olhos de candura. E penetrou em meus olhos de Distância. Curtiu Saudades e, como eu, quase morreu de Saudades... (Embora ela seja Imortal!)
Todavia, é o costume. O apego. A parceria. A solidariedade. Às vezes, comigo, recordo meus doces e inocentes tempo de criança, de menino. Embora, mesmo agora, eu não passe de um menininho, de um curumim... para ela.
Às vezes, me convida para cantar uma cantiga de roda, com ela. E eu canto. Outras, vezes, eu a convido para que ela brinque em minha infância. E ela adora! Então, fazemos uma viagem colorida e fabulosa por um Túnel de Tempo. E voamos, ambos, nas Asas velozes e Etéreas do irmão Vento! (E o Vento canta e dança e assobia!)
Ah, ela me acompanha – sempre! Jamais se afastou do meu lado. Sempre fiel e Amorosa! Quem será ela em quem tanto falo? Quem será ela que vive assim silenciosa e escondida? Que vive anônima e me acaricia e me consola as Dores?
Ah, essa que vive em mim – e não me esquece... Essa que nas Invernias da vida, minh’Alma aquece... Essa que gosta de brincar e me acarinha o peito... Ah, essa que minha Dor abraça e me beija as Chagas... Essa? Essa Companheira de Devotado Amor se chama “Criança-Interior”! Ela que, quando me for embora, fará sua trouxinha e se irá comigo... Essa que não morrerá – nunca! – ainda que eu morra. Feliz de quem alimenta sua Criança-Interior – diuturnamente! – do Maná – Doce e Infinito – do Amor! Do Amor feito de Luz e Gratidão!
Cumprimento, parabenizo e agradeço a todos participantes desta 68ª Ciranda da CAPPAZ – cujo tema nos convida a olharmos um pouco mais para dentro de nós mesmos. Para dentro do nosso coração. Para dentro da nossa Alma. E refletirmos sobre esse “pequenino eu”, ou seja: sobre nossa Criança-Interior. Essa Criança-Interior tão desprezada, tão maltratada, tão esquecida e tão desamada – nestes tempos bicudos e escassos de quase tudo: escassos, principalmente, de Amor ao próximo!!

Porto Alegre, 22 de outubro/2014. 12 – HV
jjotapoesia@gmail.com – www.cappaz.com.br



 






68ª CIRANDA MENSAL CAPPAZ
Tema- A Nossa Criança Interior

INTRODUÇÃO

Caríssimos confrades e confreiras:

Mais uma Ciranda surge no horizonte da CAPPAZ!
Vamos participar com grande alegria, pois ela nos convida a percorrer os inocentes caminhos da infância, com sua exuberante imaginação.
Cada um de nós guarda no mais íntimo recesso da alma ora vestígios, ora marcas profundas da criança que um dia preencheu parte de nossas vidas.
Como toda criança tem a plenitude da simplicidade, da pureza e da ternura, é agradável e honroso reverenciarmos nossa criança interior e tratá-la com todo carinho, zelo e respeito que ela merece.
Peter Pan conservou dentro de si a imagem da criança e jamais permitiu que a fantasia desse lugar à realidade. Assim, deu asas à imaginação e permitiu que a fada Sininho povoasse seus sonhos e, através de artifícios, flutuou no espaço para enfrentar o terrível Capitão Gancho. Num momento de ternura, falando ao pai de Wendy, sua linda namorada, poeticamente optou pelo sonho de criança:

"Eu não quero sua filha,
que tanto lhe custou criar,
quero a nau Catarineta,
para nela navegar.”

E,ao fim de sua bela história, comandou a nau Catarineta, “com as velas enfunadas pelo vento da poesia, deslizando pelo azul do céu rumo tão caro às almas simples, apontando sempre para a estrela que prenuncia o alvorecer.”
Portanto, cuidemos com carinho da criança que existe dentro de cada um nós, embalando seus sonos e vivenciando seus sonhos.
Este é um dos caminhos que conduz à felicidade, sentimento que parece tão distante, mas está sempre ao nosso alcance, oscilando entre os tênues limites da fantasia e da realidade.

Carlos Reinaldo de Souza
Regional de Minas Gerais
Primavera de 2014.




 


PARTICIPANTES

01 Akasha De Lioncourt 33
02 Ana Maria Cardoso 38
03 Andrade Jorge 29
04 Carlos Reinaldo de Souza 19
05 Daniel Brasil 04
06 Deomídio Macêdo 26
07 Dinapoetisadapaz 47
08 Eda Thereza Piccinin Bridi 31
09 Eliene Dantas de Miranda 49 e 50
10 Élio Cândido 30
11 Eloísa Antunes Maciel 10
12 Estela Braud 11
13 Fátima Peixoto 37
14 Fernanda Esteves 20
15 Fernando Alberto Salinas Couto 28
16 Gerusa Guedes dos Santos Marques 34
17 Jaqueline do Rocio Alves Coelho 22
18 J. J. Oliveira Gonçalves 03, 12, 21 e 23
19 JODellaCosta 40
20 José Pereira 42
21 Joyce Lima Krischke 17, 18 e 48
22 Judite Krischke Sebastiany 35
23 Kátia Pérola 41
24 Marina Martinez 01 e 02
25 Michelle Franzini Zanin 07
26 Nena Sarti 16
27 Odilon Machado de Lourenço 24 e 25
28 Paola Rhoden 13
29 Paulo Rodrigues 05 e 06
30 Regina Sant'Anna 36
31 Reginaldo Meana 45 e 46
32 Rosana Carneiro Bado 43 e 44
33 Roseleide Farias 39
34 Sidney Santos 14
35 Silvia Araújo Motta 09
36 Sônia Rêgo 32
37 Tânia Maria de Souza 27
38 Valter Bitencourt Junior 08
39 Vera Passos 15


 


68ª CIRANDA MENSAL CAPPAZ
A Nossa Criança Interior
PARTICIPAÇÕES



01- Abertura
CRIANÇA INTERIOR
Marina Martinez

"Em todo adulto espreita uma criança - uma criança eterna,
algo que está sempre vindo a ser,
que nunca está completo,
e que solicita atenção e educação incessantes.
Essa é a parte da personalidade humana
que quer desenvolver-se e tornar-se completa"
Carl Gustav Jung (1875-1961)


Sempre a percebi, de um modo ou outro. Custei a entender quem era, mas não tinha medo daquela invisível mas permanente presença. Eu cresci, ou melhor, amadureci; por vezes quase esquecia dela, mas, bem no fundo, sempre soube que seu recolhimento era para me dar espaço, evoluir. Confesso: eu a amo, na sua forma de menina de olhos vivos, miúda, atenta, sensível e que, a sua maneira, cresceu sem perder suas virtudes. Não sei quando aprendo com ela ou lhe ensino algo.
Hoje não importa: somos apenas uma mulher de cabelos já brancos de mãos dadas com uma garotinha despenteada, de vestido cor de rosa.
Nem precisamos falar: a vida nos ensinou a completude do silêncio.

Porto Alegre/RS

02
CRIANÇA INTERIOR
Marina Martinez

Na vitrine,
brinca de carrinho o meu reflexo.
Segue e busca, em outra esquina,
o menino que, saltando,
provou doces, lambeu os dedos,
abraçou amigos.
Transformou-se em adulto,
desapareceu, sem nexo.
Comemorar o quê,
se me perdi de mim.
Deixei, da vida, a dança,
me transformei em vulto,
e nunca mais me encontrei
pois esqueci de ser criança.

Porto Alegre/RS

03
Minha Infância Envelheceu...
J.J. Oliveira Gonçalves

Minha infância envelheceu...
Ela é o meu "eu" que se perdeu nos ermos
das distâncias...
Entre as poeiras dos tempos!

Minha infância envelheceu... mas não morreu...
E vive, assim, na nostalgia... nas relembranças...
Alimenta-se de saudades... de suspiros
de cenas inapagáveis
no coração de minha criança-interior!

Minha infância envelheceu... encaneceu os Sonhos
que eram verdes...
Apagou o riso... o sorriso... a Inocência!

Do doce fez-se o Amargo
Do contente fez-se o Triste
Dos que amei, lá, então, fez-se a Ausência
Da algazarra infantil fez-se o Silêncio
Da alegria vivaz fez-se a Dolência
Da boa avó materna fez-se o Pranto
Que até hoje guardo nos olhos já cinzentos!

Minha infância envelheceu...
Não há como voltar... eu sei: não há!
Todavia, do Tempo que não pára, não espera
eu me vingo... e lá eu volto
num acesso de loucura (sem ser louco!)
nas Asas sutis do Pensamento
na memória fiel do coração...

Então, eu pego meus brinquedos - e brinco
Corro no jardim da boa avó entre flores,
cores e perfumes...
Abraço o Amiguinho Imaginário
Saltito com a arteira carochinha...
E, nesse transe assim, nessa Emoção
um a um - acaricio meus bichinhos de estimação!

Minha infância envelheceu... eu sei!
Mas quando eu volto lá - em pensamento
Nas Asas diáfanas do irmão Vento
alquebrado, perdido, envelhecido
no arrepio febril que acende a Alma
a Infância que vivi trago comigo:

Cúmplice de meus Sonhos nacarados
Singela, amorosa... doce abrigo!

Porto Alegre, 06 de outubro/2007. 21h16min
jjotapoeta@yahoo.com.br - www.jjotapoeta.art.br


04
CRIANÇA ADORMECIDA
Daniel Brasil..

Todos somos crianças
Com fé carinho e amor
Da criança sou defensor
Este ser me enaltece
A criança que adormece
Em nosso ser interior!
Somos crianças adormecidas
Além da nossa existência
Esta criança em permanência
Alimentando nossa vida
A inocência percebida
Deste bonito ser
Criança noutro viver
Uma criança despercebida!
Somos eternas crianças
Com certa conformidade
Ou então com ansiedade
Nestes anseios da vida
Esta criança querida
Faz bem à humanidade!
Neste mundo criança
Tem-se espiritualidade
Crescemos na verdade
Porque é a lei da vida
Esta criança preferida
Levamos para ETERNIDADE!

05
Dona abelhinha
Paulo Rodrigues

Dona abelhinha
De nome Belinha
Tem o corpo amarelinho
E muito pequenininho.

Com listras pretas,
Bem discretas,
Que parecem aquarelas pintadas a mão
Por alguém de um bom coração.

Ela é muito trabalhadora
Porque não conseguiu ser cantora.
Sai toda manhãzinha
E só volta de tardinha.

Ela voa de flor em flor
Coletando com muito amor
O pólen para fazer o seu mel
Que nos leva por céu.

Sorocaba/SP

06
Senhor Caracol
Paulo Rodrigues

Veja só que emoção
Na folha seca no chão
Um pequeno caracol
Tomando seu banho de sol!

Sorocaba/SP



07
A Poesia dos Brinquedos
Michelle Franzini Zanin.

Um dia escrevi um versinho que se tornou uma folha inteirinha de poesia que encantou o mundo.
E até a bailarina da caixinha de música aprendeu a sorrir e sorriu pela primeira vez.
E a boneca de pano ganhou vida e saiu contente a saltitar.
E o urso Tede começou a contar piadas.
E as bolinhas de gude não paravam de rir.
E o aviãozinho feliz voava sem o controle do menino o comandando.

Todos indo felizes para a poesia dos brinquedos onde podem ganhar vida.
Pelo menos uma vez na vida os brinquedos podem ser amigos e ter sentimentos.
Na eterna poesia dos brinquedos onde todos podem ser felizes.

Michelle Franzini Zanin.
Escritora e Jornalista
Araraquara/SP Brasil

Poesia escrita com 07 anos


08
Somos utopia
Valter Bitencourt Júnior

Dentro de mim mora uma criança,
Vejo os carros a caminharem pela estrada,
Lembro quando brincava com estes carros
Tão pequenos na palma da minha mão.
Lembro-me quando uma bacia se transformou
Em um oceano, era tão bonito meu barquinho
De papel, e coloria da cor que eu quisesse,
Até não querer mais, meu barquinho de papel tinha
Um coração... Lembro-me quando corria
Na chuva para chegar na escola,
Talvez hoje não venha a ser mais
Uma diversão.
Com o tempo fui passando a enxergar o mundo,
A ver a realidade de vida,
Fui crescendo, e fui descobrindo
Que não sou mais uma criança,
Sou um jovem, um jovem com coração de criança,
Sou adulto, um adulto com coração de criança,
Sinto o peso da maldade humana,
Da destruição da natureza,
De tudo que mexe por dentro,
E nada se pode fazer, e muitos fecham o peito,
Morre por dentro, e
Não existe mais o outro, o outro
Ser que também foi criança,
Que viveu, no fundo existe, amamos os nossos
Irmãos, gostamos de nossos irmãos,
Pertencemos um ao outro,
Somos de todos,
Todos nós já fomos crianças,
Somos crianças, sonhamos
Imaginamos,
Construímos, destruímos, construímos,
Somos utopia, utopia que sonha, busca,
E ama.



09
CRIANÇA QUER CALOR E LUZ
Silvia Araújo Motta

Gesto de infância, quer calor e luz!
Pisco, amanheço, rezo sem demora;
mágoas esqueço, dia à luz conduz;
olhar traz brilho, mas às vezes chora,

recorda a dor, mas tem pequena cruz.
Ter pensamento puro, quero agora;
sonhos encenam, curtos, fim reduz,
pois entardeço, tez terrena cora;

Na mão que acena vela ao sol que queima,
carinhos chamam... voz do peito clama;
na despedida faz pirraça e teima.

Toda tristeza emana adeus causal...
Paisagem clara põe beleza e ama:
-Flor não esconde sua cor real.

Silvia Araújo Motta/BH/MG/Brasil

10
À CRIANÇA - ALVO DA ESPERANÇA...
ELOISA ANTUNES MACIEL

Criança que brinca, que corre e que canta,
Que a todos conquista com sua singeleza.
Criança espontânea, que a todos encanta,
Tua vida é um sacrário de luz e beleza...

Criança confiante no adulto perdido
No mundo confuso, na senda sombria...
À vida conferes um novo sentido,
Ao mundo ofereces a tua alegria...

Criança – esperança, saudamos teu dia,
Por tua presença, tu és poesia
Que inspira o desejo de um mundo sem dor...

Criança – esperança tu és mensageira
Da paz que se inspira na fé verdadeira,
Da paz que se embasa nos atos de amor!

São Martinho da Serra/RS



11
NÃNA
Estela Braud

Quantas mãos carinhosas tive
A acolher-me, criança dengosa
Pedindo nãna, colo, cafuné...
E minhas mãos nessa lembrança,
Multiplicam-se carinhosas
Retribuindo o muito que recebi.
Hoje quase não me apavoro
Com o estrondo dos trovões,
O fulgor lacerante dos raios
E as intempéries da vida...
Mas lembrando-me menina,
Descubro-me querendo ouvir

"Já vou chegar e ficar te abraçando
durante a tempestade.."

Balneário Camboriú/SC



12
Criança-Interior!
J.J. Oliveira Gonçalves

O Dragão que sonhava e que sorria
Que em rimas espontâneas eu cantei
Em suas verdes asas eu voei
Vivi o Imaginário da Poesia!

Se fez adulto e belo o meu Dragão
Metáfora de meus perdidos Sonhos!
Criei-o à imagem e à Emoção
De meus olhos-de-espera... tão tristonhos!

Olhei dentro de mim: vi u’a criança
E do Dragão fiz Verde Utopia...
Um misto assim de Crença e de Lembrança!

A criança-interior é o Dragãozinho
Companheiro de meu azedo dia:
O serelepe e lépido Amiguinho!

Ó, meu tão terno e interno Dragão:
Tão manso, inocente e brincalhão!

Porto Alegre, 02 de maio/
2008. 13h51min



13
A criança que existe em mim
Paola Rhoden

Sei que ainda sou criança,
A idade não importa,
Minha alma ainda dança,
Por margens certas ou tortas.
Como o vento de onde venho,
Com Fadas e canarinhos
Circulando ao meu redor,
Soando sons de sininhos,
Pois os sonhos da infância,
Deram à vida o melhor.
Mesmo com muita inconstância,
Canto sons em tons risonhos,
fico a pensar bem baixinho,
Pra não estragar meu sonho,
Levo tudo com carinho,
Pois ainda sou criança.

Brasilia-DF



14
DIA DE ALEGRIA
Sidney Santos

Pipas coloridas
Alegrando corações
Brincadeiras e corridas
Doces e muitos balões

Vida, esperança
Dia de alegria
Futuro, temperança
Teu sorriso é poesia

Santos-SP



15
Eu criança
Vera Passos

Eu criança, estou aqui trancada, nessa grade humana
Sigo nessa clausura à procura dos risos que da alma emana
E o tempo leva sem pena e dó
Como posso escapar desse campo minado se fora a guerra impera?
Como libertar a criança que jogou bola na rua, empinou arraia, brincou de boneca?
E o mundo, era só PRIMAVERA
Como deixá-la cair na estrada, se as balas perdidas, consomem vidas?
Eu quero a criança que sonha e brinca nas praças
Que as escolas sejam campos do saber
Que eu possa ouvir e ler estórias com finais felizes
Que minhas CICATRIZES, SEJAM MARCAS DE AMOR e possam voar nas portas de casa
Que todas elas tenham o direito de escolher o caminho a seguir
QUE vejam a chuva fora da vidraça,
Que seus barcos de papel sigam a enxurrada
Porque os sem noção não querem sorrisos?
Eu quero minha esperança de volta.
Eu quero minha infância de volta pra casa.

Salvador-BA



16
A criança que mora em mim
Nena Sarti

Ensina-me a ter coragem,
Impede-me de dizer bobagens,
Da palmadinhas em minhas costas
Quando me recolho em ostras,
Com medo dos bichos papões
Aqueles que se acham patrões.

A criança que mora em mim
Sussurra em meus ouvidos assim:
Acalma tua alma, olha ao seu redor,
A cada sono virá um dia melhor...
A serenidade tem guirlanda de flores
Aguce as narinas sinta seus odores,
Exalando perfume, abafando dores.

A criança que mora em mim
Sempre me afagará sem fim,
Apagará da mente as coisas ruins,
Trará à tona sabores frutoses,
Mesmo que seja em pequenas doses,
Cantará canções de ninar,
Para eu descansar enfim.

CAMPO GRANDE-MS



17
Ode à Minha Criança Interior
Joyce Lima Krischke

Ah! Minha criança interior...
Brinca de casinha e planta flor
Alimenta galinhas e pardais
Coelhos, cavalos... muitos animais!
Passarinhos do vovô, seus prediletos...
Trata-os com carinho e muitos afetos.

Ah! Minha criança interior...
Limpa seus bibelôs com amor
Sim, zela seus bichinhos de cristal
Pois, como eles não há igual
"Santinhos" vindos de outros mares
Guarda em santuário, nos seus altares.

Ah! Minha criança interior...
Deseja ao Mundo muita Paz e Amor
Tem nos armários, paredes e coração
Dezenas de vaquinhas... coleção!
Mas, é sua linda boneca “Morena”
Que na casa, hoje, rouba a cena!

Ah! Minha criança interior...
Não aceita ódio ou desamor.
Criança que esteve encarcerada
Quando a fizeram silente... Calada
Oh, mas isso foi em outra era.
Sim, quando havia a Segunda Guerra!

Ah! Minha criança interior...
Como toda criança, sente dor
Resiste a tempestades... vendavais
Sempre sorrindo, silenciando ais
Passam anos... quase cinquentenário
Até que um dia... voa a criança-canário!

Ah! Minha criança interior
Trata às árvores com grande amor...
Hoje liberta, presente se faz,
Cantando poemas de Amor e Paz...
E pra terminar sua apresentação
Posa com cavalos de estimação.

11/10/2014
Balneário Camboriú/SC



18
Minha Criança Interior e Seus Amigos:
Os cavalos Joli e Tobias
(adotados por Jéssica e Judite)

Joyce Lima Krischke
Lami-Porto Alegre-RS


Balneário Camboriú-SC

19
Criança Interior
Carlos Reinaldo de Souza

Tu és a criança que embalo,
dentro do meu ser maduro;
perto de ti sou vassalo,
pois teu amor é tão puro!

Tu és a criança que vive,
adormecida em meu ser;
trazes o alento que tive,
promoves meu renascer!

Simplicidade me ensinas,
fazes o bem, com ternura;
mesmo as leis pequeninas,
cumpres com muita candura!

Assim, criança interna,
trazes a felicidade;
tu és criança eterna,
me causas muita saudade!

Saudade da minha infância,
todos felizes no lar;
havia paz e abundância,
era um alegre sonhar!

Hoje, com todo respeito,
minh’ alma inteira bendiz,
pois guardo dentro do peito,
esta criança feliz!

Conselheiro Lafaiete/MG -12 de outubro, Dia da Criança.



20
Sonhos de menina
Fernanda Esteves

A maciez da tua pequena mão
aperta, forte, a conchinha
que a onda do mar te trouxe
E enches de riso o sol (estrela maior)
que dourou o teu cabelo
em longos cachinhos de ternura
A areia é o teu brinquedo
nela constrois o teu segredo
num alto castelo de espuma
E sonhas que és a princesa
que esta praia é teu reino
ensolarado de amor
Que nunca se esfumem teus sonhos
E o teu barco de papel
rume às tuas fantasias
Que os teus olhos puros
sempre brilhem, como pérolas
em teu rosto de menina

Confreira CAPPAZ
por Portugal



21
Cataventos...
J.J. Oliveira Gonçalves

Cataventos catando lembranças...
De um tempo sem tempo
Singrando distâncias
Perdidas, partidas
Tão dentro cravadas
Gravadas no peito...

Ah, cataventos
Dos ventos da infância
Tão leves, tão puros
Soprando na Alma
Canções de ninar
Sussurrar de acalanto...

Cataventos na praça
Florida magia
Girando Esperanças
De humildes crianças
Correndo e gritando
Felizes sonhando...

Cataventos de agora
Lembrando-me o Outrora
Da minha Existência...
Quando alegre eu brincava
E contigo saudava
Minha Rósea Inocência!

Porto Alegre/RS - Outono/2000



22
CRIANÇA FELIZ
Jaqueline do Rocio Alves Coelho

No sorriso da criança
Surge a paz no ser humano
Que resgata a esperança
Nesse mundo tão insano

Há de ser criança feliz
O ser humano de riso fácil
Coração de aprendiz
Que se faz forte, mesmo frágil

Percebe além do espelho, sua alma.
Alma criança que jamais envelhece.
E numa dança com anjos gira e se acalma
Num ritmo inspirador que lhe rejuvenesce.

Como num conto de fadas motivador
Usufrui da resiliência
E passa a sonhar e agir pelo amor
Com coragem e persistência

A mensagem é singela,
Mas lhe faz refletir.
Preze o verso que diz:
Seja eternamente uma criança feliz.

Mantenha sempre viva a criança que existe em você,
através da...
Coragem para sonhar,
Ousadia para conquistar,
Simplicidade ao avaliar,
Sabedoria para recomeçar e
riso fácil para a tristeza espantar!!!

Joinville-SC



23
Fragrâncias e um Querubim!
J.J. Oliveira Gonçalves

Minha Criança-Interior
No Dia de Aparecida
Vestiu-se de furta-cor
Foi cirandar... Esquecida

Da tristeza e da Dor
Que por decênios carrega!
Fez-se em pássaro cantor
Foi brincar de cabra-cega!

Foi ao Passado distante
Inocente Curumim...
De novo, tornou-se infante
Em seu fragrante Jardim!

A Boa-Avó encontrou
Vestida de Anjo e de Luz!
Com ela, então, rezou
Com versos para Jesus!

Neste Dia das Crianças
E de nossa Mãe-Morena
Cultivo ternas lembranças
Cada uma Alva Falena!

Ah, que Saudades tão belas
Tão doces que não têm fim:
Do arvoredo às janelas
O Vento a dançar pra mim!

Ledas flores tão singelas
Com textura de cetim!
Guardo as fragrâncias delas
E de um velho Querubim!

Porto Alegre, 12 de outubro/2008. 19h34min
jjotapoeta@yahoo.com.br - www.jjotapoeta.art.br



24
Criança que vai...
Odilon Machado de Lourenço

Um dia a criança percebe seus olhos
Os olhares no entorno são dádivas da luz
Seus olhos vão pondo cores nas coisas
E seus lábios se abrem com sorrisos de pássaros
As crianças crescem de dentro dos olhos
Seus passos, uma corrida feliz nas retinas
Os olhos tomam cores próprias
A realidade salta aos poucos em vagares de garoa
Garoa que vai crescendo como os olhos da criança
Que logo nem tão criança vai à levar seus olhares
Suas buscas, seus caminhos, sonhos, seus olhos de liberdade
A garoa vai chovendo, por vezes turva os olhares
Embaça as cores da vida dessa criança crescida
que vai indo pela chuva escorrendo em seus olhares
Vai indo com calma e fé nas estradas e paradas
E quando a criança velha só correr em suas lembranças
Seus olhos serão dois pássaros voando em felicidade.

13-10-2014.
Balneário Camboriu-SC



25
Um índio
Odilon Machado de Lourenço

Quando criança antes de aprender a ler lia imagens
Folheava livros, revistas, gibis e coisas da imaginação
Gostava de ver como viviam os indígenas nas florestas
Então teve uma lança que ganhou de outro índio do outro lado da sanga
Passou de guerreiro à guerreiro esta lança de madeira
Esta lança matou muitas feras na floresta imaginada
Trouxe muita comida para a oca este índio possuidor desta lança
Nunca feriu nada fora do sonho essa lança
Nunca teve sangue essa brava lança de criança
Teve também um poderoso arco da madeira flexível do angico
verde e borracha da câmara da bicicleta do pai
Suas setas eram terríveis aos inimigos de sua tribo
Quando chegou mais próximo de acertar uma
pomba pousada no galho de pau-ferro
A seta acertou o galho abaixo da pomba
A pomba olhou o caçador e voou para além da
outra seta que perdeu-se no ar
A criança riu e voltou para a oca com outros pombos
flechados antes de perder suas setas
Essa criança às vezes olhava para o pai e dizia querer ser índio
O pai ria um sorriso sempre aberto e feliz
E sem comentar poder ou não ser o sonho da criança uma possibilidade
Pois os sonhos de criança sempre são possíveis
E crianças têm direito de sonhar ser índio, sonhar ser digno
Sonhar por ter vontade de sonhar qualquer coisa além dos olhos da realidade
Dizia sempre o pai nessa hora de sonho ao abraçar seu curumim
– Meu terno e querido filho.

26-10-2012.
Balneário Camboriu-SC



26
DIÁLOGO DO PASSADO COM O PRESENTE
(Deomídio Macêdo)

Aqui estou sentado em minha cadeira de balanço.
Com o óculos a iluminar minha visão;
Uma bengala para sustentar minhas pernas;
E uma sandália que ajuda a conduzir meus passos.
Observo a natureza que encanta a varanda da minha residência.
Ouço os pássaros que cantam e embalam o ambiente primaveril;
De repente a cabeça pende sobre o pescoço e ponho-me a sonhar.
Viajo no túnel do tempo e me deparo com uma criança sapeca, inteligente, feliz.
Ele corre atrás de uma bola vindo em minha direção.
A bola pára em meus pés e o menino um tanto quanto assustado pergunta:
Quem é o senhor, que surge assim num piscar de olhos diante de mim?
É alguma alma penada?
Sorri ao ouvir a sua indagação.
- Não filho eu sou você amanhã.
O menino gargalhou como se estivesse gozando da minha aparência e foi logo dizendo:
Se o Senhor sou eu amanhã, o que o senhor deseja que eu faça.
Parei por um instante. Observei o garoto. Analisei toda a minha existência e acrescentei:
Desejo que você seja um filho obediente para com seus pais;
Um menino respeitador, um estudante exemplar.
E que você possa ser um piloto de avião conduzindo passageiros pelos céus brasileiros, bem como, em voos internacionais.
Quero que você case com Flavinha, lá está ela de mãos dadas com D. Lourdes, sua mãe. Ela é linda, não é?
Vocês vão ter cinco filhos: Mónica, Jéssica, Jayme, Luiz e Miguel e dez netos lindos.
- Olá Senhor, acorde! Casar com Flavinha isto é muito bom. Mas, na minha opinião esta exigindo demais, não?
Sorrimos!
Observo o menino e ele me observa.
Agacho e o abraço com ternura.
Estendo-lhe a mão, e assim, deslizamos por um caminho florido.
Ao aproximar de Flavinha, nove anos de idade, ela sorri para nós, como se advinhasse nossa conversa.
Pisquei para o menino Enzo Morais, dez anos, e me despedi batendo continência e desapareci do mesmo jeito como cheguei.
Acordei em minha cadeira de balanço, sendo acariciado por Flavinha que estava agora com oitenta e quatros anos de idade.
Sorri para ela, beijei-a emocionadamente e fomos para o interiror da residência com passos vacilantes.
Sobre um móvel uma foto minha com roupas de comandante e ao lado uma miniatura de um boeing.
Mais adiante, na parede uma foto da familia: Flávia Morais, Enzo Morais, os filhos e os dez netos, que naturalmente enriqueceram a familia.
Olhei para minha querida Flavinha e percebi a criança que ainda existe em nós.
Eternamente!

Salvador-BA



27
AMIGAS
TÂNIA MARIA DE SOUZA

Balneário Camboriú/SC

28
A NOSSA CRIANÇA INTERNA
Fernando Alberto Salinas Couto

Na minha mente,
de repente,
não existe celular,
mas sobre o muro
de meu próprio lar,
usando luneta,
vejo aves no céu
e sonho com o futuro.
Adultos gritam ao léu
e vejo gente correndo
em uma bicicleta
e vou entendendo
coisas que não queria.
Jogando amarelinha,
Sinto crescer enfim,
essa triste ironia
da criança que tinha
e tenho dentro de mim.

RIO/RJ



29
MEU VELHO NOVO AVÔ
Andrade Jorge

Muito “sóis” já despontaram
nas auroras dos janeiros,
muitas rubras rosas desabrocharam
perdidas pelos grandes canteiros;
A poeira da estrada da vida recobriu
a luz da juventude que passou,
os dias voaram quase ninguém viu!
A capa acetinada reluzente
esvoaçou entre trinta, quarenta, cinquenta anos,
hoje o brilho é diferente,
não suporta mais tantos panos;
Ali sentado naquele banco,
perdido em devaneio mil,
gracejos de um saltimbanco
___ Olha lá um senil!
Nem liga, nem ouviu,
a alegria vem num instante
pelo jardim correndo distante
o seu momento predileto,
o petiz esbaforido chega e diz: “meu vovô!”
O velho com voz embargada retruca: “Meu neto!”
Abre um largo sorriso envolvente,
O sangue se agita nas veias,
a juventude flui novamente.

Andrade Jorge
SP



30
A criança e a lembrança
Elio Candido

Brincando nos quintais, traçando seu destino
Na mente inocente, quase um vulto na esquina
Pedra da atiradeira, idéia de menino.
Sorrateiro a deslizar no caminho, é sua sina.

Infância que se funde, que se vê distanciar.
Entre o tempo, a busca do pouco alimento
Um grito do quintal a se ouvir, filho vem almoçar
Corpo franzino, há, tem que ter suprimento.

Das bolas de gude, quantas tem que angariar,
Na disputa quase irracional, alguém ludibriar
Do genitor sempre se vê a ausência.
Visão pregressa de falta de vigilância.

Brinquedos de épocas, uns se destacar.
É, porém a escola tem que forçado ir.
A primeira lição tem que digerir.
Para evitar a bronca, quando de lá voltar.

Dos natais a espera com ansiedade.
Presente, oh! Este tão esperado.
Dentro das posses, o imaginado.
À criança, o menino à eternidade.

MG



31
LEMBRANÇAS... ENSINAMENTOS... MARCAS... DA INFÂNCIA
Eda Thereza Piccinin Bridi

Recordar-me da infância é reviver momentos felizes, é voltar a ser criança, é viver a criança que existe dentro de mim.

Concentro-me e vejo-me, criança, entre papai, mamãe, minhas irmãs e meus irmãos, no aconchego do lar, num ambiente de harmonia e desvelo. Lembro meus pais que, com sabedoria, firmeza e sensibilidade, nos conduziam à vivência dos verdadeiros valores, sobretudo, o amor e a fé, a prática do bem e a dedicação aos estudos.

A hora dos estudos era sagrada. Mamãe acompanhava os temas de casa, tomava a “tabuada”, tanto que nunca precisei contar nos dedos para resolver as questões. Papai, diariamente, nos reunia para a leitura do jornal “Correio do Povo” e cada um, por sua vez, lia em voz alta, para praticar o exercício da leitura e para tomar conhecimento do que acontecia no mundo.

Volto à infância para, na imaginação, estar na sala de aula, na Escola Lindolfo Silva, e sentir a emoção de aprender a ler e escrever, com a cartilha “Queres Ler” – da uva, ovo, Ivo, Eva... E poder acompanhar a leitura do jornal em casa.

Volto à infância para, por momentos, sentir-me a menininha, magra, tagarela e “veloz”, que subia nas pitangueiras, cerejeiras e outras tantas árvores silvestres e nas árvores do pomar, abundantes em nossa chácara, disputando com minhas irmãs e meus irmãos quem alcançava maior altura.

Volto à infância para recordar que brincava com minhas irmãs e meus irmãos nas serragens da marcenaria de papai, e após atravessávamos a estrada, e nos jogávamos nas águas do Arroio Carijinho – límpidas e cristalinas – e nadávamos por horas.

Volto à infância para buscar no meu coração a atenção de papai e mamãe para com nossa saúde. Uma ocasião, acometidos de “tosse comprida”, coqueluche, papai nos levava a caminhar pela estrada que contornava nossa chácara ou pela estrada à margem do Arroio Carijinho, trajetos com muitas árvores nativas, para que respirássemos o ar puro da manhã. As caminhadas eram longas. Com curiosidade, perguntávamos ao papai para onde íamos. Ele respondia: À casa da Brambila. Mas nunca chegávamos à casa da Brambila, personagem fictícia, usada como motivação para as repetidas caminhadas. E, a cada dia, estendia-se o trajeto até curar a “tosse comprida”.

Volto à infância para dar grandes gargalhadas do “Gordo e o Magro”, nas matinês, no Cine Guarani.

Volto à infância para juntar minhas mãozinhas, e em família, à noite, antes de deitar, rezar para o anjo da guarda nos proteger e abençoar.

Tantas lembranças, tantos ensinamentos, tantas marcas na memória, na alma, no coração, de um tempo que não volta no calendário, mas existem na essência de meu ser (e definem meu modo de ser), pois a gente cresce, porém não se perde o jeito de ser criança, aquela criança interior que sempre se fará presente em toda minha vida, com plena felicidade.

Sobradinho/RS

32
NOSSA CRIANÇA INTERIOR
Sônia Rêgo

Dentro de nós
vive um pouco de cada criança
que transborda esperança,
que não cansa de sonhar,
que corre, sem saber pra onde,
que se esconde,
mesmo querendo se mostrar,
que se mostra, incompreendida,
muitas vezes, tão querida...
Outras vezes tão sofrida...
Essa criança que grita dentro de mim,
Quer correr, fazer traquinagem...
Mas que bobagem.
Ela dormiu...

Sônia Rego

RJ – 20/10/14



33
Almas Pequenas... (Não quero mais ser gente grande!)
Akasha De Lioncourt

Cada vez mais compreendo porque prefiro estar entre as crianças... a explicação é muito simples: por mais pequenas que pareçam, elas possuem uma grandeza de alma que a maioria dos adultos perde conforme cresce... essa perda se dá porque nos deixamos influenciar por sentimentos negativos, como a inveja, a cólera, a raiva, e apequena cada dia mais as nossas almas... as crianças, em sua ingenuidade, a mantém intacta, pura, plena... e isso me faz amá-las cada dia mais, em detrimento desse meu estado adulto que não se conforma em ver as pessoas se devorarem feito lobos famintos... aonde foi parar o sentido da palavra irmão? Perguntem às crianças!!! Quero voltar pro ventre da minha mãe e nascer de novo.. será que o mundo se tornará melhor quando eu crescer?

São Paulo/SP

34
MINHA CRIANÇA INTERIOR
Gerusa Guedes dos Santos Marques

Dentro de mim mora uma linda criança
Que corre, pula, salta e tem doces lembranças
Da praia, dos coqueiros, do mar e da areia branca,
Dos parentes, da família, dos vizinhos, das festanças.

Minha criança não dorme, está acordada,
É ansiosa, bondosa e ás vezes raivosa.
Menina bonita, cabelos presos com laços de fita,
Branquinha dos olhos verdes e muito bonita!

Ainda sinto saudades das brincadeiras de roda,
De manja pega, passa o anel e pula corda.
Vejo o mundo tão bonito, cor de rosa.
Agradeço a Deus e fico toda prosa!...

Quero conservar a criança que há em mim,
Ela me dá a paz, esperança e alegria sem fim.
Guardo boas recordações do passado, amor, paz.
Com Jesus no coração, dores se vão, a vida me satisfaz!

Gerusa Guedes dos Santos Marques



35
Minha criança interior
Judite Krischke Sebastiany

Minha criança interior
Deita na grama, abraça uma árvore
Observa pássaros, ama a vida.

Observa a lua pela janela
Raspa o doce da panela,
Aprecia, diverte-se, vive
Toma banho de chuva.

Também se irrita quando contrariada
Enfurece quando sente-se frustrada.
Odeia ordens, regras, ser mandada.

Tem especial senso de justiça
Em que todos são inocentes
Até que se prove o contrário.
Não quer ser prejulgada.

Ama, perdoa, se alegra sempre
Não guarda rancor, não deseja mal.
Quer para todos paz e bem.

Porto Alegre-RS



36
A criança que mora em mim...
Regina Sant'Anna

Na voz do vento
Corre o tempo
Tantos anos idos
Nem todos vividos

Na voz do vento
Não há lamento
Há rios intensos
Doces pensamentos

Na voz do vento
Corre o tempo
Passado e presente
Futuro ausente

Na voz do vento
Flutua a alegria
Revive a fantasia
Doce momento

Na voz do vento
O adulto “morfeja”
A criança viceja
Sempre há tempo...37

Rio-RJ



37
A criança interior
Fátima Peixoto

Desde criança,
O que não perdemos nunca,
São nossos sonhos,
Eles são ampliados, modificados, idealizados,
De acordo com nosso crescimento.
Os sonhos motivam-nos, deixam- nos corajosos, ousados...
Quando criança sonhamos com heróis, fadas, castelos...
A vida é um grande parque de diversão.
Queremos alegria, divertimento,
Depois de adulto a criança interior fica adormecida,
Perdemos um pouco das fantasias,
A realidade exige amadurecimento, firmeza,
Responsabilidade...
O nosso parque fecha as portas, já não temos tempo,
Vem à velhice, a criança desperta, mas já sem muita saúde,
Mas com vontade de saborear a vida que lhe resta,
Os sonhos continuam,
Agora sonha todo dia com o novo amanhecer,
Sonha em poder viver cada dia mais e feliz!
O parque de diversão abre as portas,
Muitas vezes vamos acompanhar os netos,
Temos oportunidade de relembrar nossa infância,
De ver em cada criança um sorriso no rosto.

Fátima PeixotoCebedelo-PB



38
A criança interior
Ana Maria Cardoso

A criança interior
Que dentro de mim existe
Com netos, meu amor maior
Brincando, nunca me deixa triste.

O meu lado criança
Com os netos me encanto
Sempre com confiança
Brinco, danço e canto.

Com a minha presença
Sem tristeza e muita alegria
O meu interior criança
A todos contagia.



39
NOSSA CRIANÇA INTERIOR
Roseleide Farias

“Conservai a alma pura de uma criança
Que existe dentro de cada um de vós”,
“Deixai vir á mim as criancinhas porque
delas é o reino dos céus”, dizia o Mestre
Dos mestres. “Criancinhas” referia-se à
nós Paulo de Tarso, Príncipe dos Gentios.
Nós e as crianças, Jesus Cristo elucidava.
Nas Cartas aos Coríntios, como crianças,
(Paulo nos amava!...

Neste universo infinito....
Somos pequeninos grãos de areia,
Mas, que no milagre da vida estamos ligados,
Tal quais crianças no espírito engatinhamos.
Que nunca deixemos de olhar buscando o alto,
E assim pelo Pai Celeste, Senhor do Universo,
Seremos eternamente abençoados!...

Ah!... Quantas loucuras na vida nós fazemos.
Tantas vezes tropeçamos, caímos, levantamos,
Por conta desta nossa tão importante liberdade.
As nossas paixões e as ambições desenfreadas,
Não nos dão tempo para o amor e as amizades.
Se vão á distância a pureza, ternura, aconchego,
Brincadeiras, travessuras de crianças, saudades!

Mas para fugir a esta dor guardada dentro de nós
A nos enlouquecer um dia, veja meu bom amigo,
Protejamos a criança interior que existe em nós!
Conserve a alma leve, trabalhe, ajude; é preciso!
Ser como o beija flor atraído pela magia da vida,
Um “menino passarinho a amar com vontade voar”
Sejas amante da natureza e da senhora liberdade,
Paladino da Justiça, em eterna busca da Felicidade!

Poder contemplar as cores da terra, o azul do céu
Ensolarado ou de luar, tomar banho de cachoeira,
De chuva, nadar no rio ou no mar, no cheiro verde
Do mato, ali quero estar. Ouvirmos pássaros livres
No céu a voar e cantar, nos seus ninhos pousarem,
Eu e o meu amor a rir, poetar, passarinhos a cantar,
A manga e o caju a comermos e fazermos cantorias.
Nossas satisfações, almas de pássaros a se amarem!
Ser feliz com amigos, família, coração limpo, namorar!

Ai, Jesus, isto é ser adulto e criança de verdade!...



40
A CRIANÇA INTERIOR
JODellaCosta-Poeta

Todos nós havemos de procurar
Renascer no interior de cada um
De nós
A criança que no decorrer da vida
A deixamos
E na vida adulta somos impelidos
A nos incorporar num mundo
Assás sério e nos sobrecarregamos
Muitas vezes de coisas que nos saturam

Para fugir a essa realidade até podemos
Levar em considerção as palavras
Do Nosso Amigo e Senhor JESUS CRISTO
Que disse: "Deixai vir a Mim as criancinhas
Porque dela é o Reino dos Céus!"
"Quem não se fizer criança novamente não
terá direito ao Reino!"...

Portanto mediante a recomendação cristã
Como na Convivência Social, devemos
Nos tornar esta Criança
Considerar as agrúrias do dia a dia
Como o meio de superá-las
Ao relembrar quão felizes fomos
E ainda a podemos ser
No dia de hoje

Olharmos o mundo pelo lado espiritual
E divino
E não deixar de seguir a recomendação
De São Paulo Apóstolo:
"Não olheis o mundo com os olhos da Carne
Mas do Espírito!"
Deixar brotar em nós a inocência
E alegres convivermos
Num novo mundo de sonhos infantis
E de amor cristão.



41
A CRIANÇA INTERIOR
Kátia Pérola


Ser criança é a forma de nos tornar
Novamente, portadoras da meiguice
Inocência, candura e alegria
Dos pequeninos seres que vêm
Através de nós, ao mundo
Sendo o convite a nos sensibilizamos
Ao ponto de até imitá-los...

São esses seres a felicidade
Que se revela nos seus olhos
Nas suas inocentes atitudes
E a curiosidade de conhecerem
Tudo aquilo que os rodeiam
São eles as crianças brincalhonas
Lindas e atraentes
Que nos desinibem...

Fazendo com que nos voltemos
Ao passado e relembremos
As crianças que fomos
E que no mundo de hoje
Repleto de indiferenças
Demos o exemplo de ao vê-las
E com elas convivermos
Sermos CRIANÇAS também!

KÁTIA CLAUDINO CAETANO PEREIRA
OURINHOS-SP



42
Minha Criança dentro de mim
José Pereira

Amanheceu!...
Toma café, amola a foice,
Bate a enxada e pela estrada,
La vai José, o agricultor! ...

Chapéu na cabeça,
Roupa encardida e remendada,
Chinelo no pé,
Na mão o cigarro de palha
No canto da boca, sai nuvens de fumo!...

Um trabalhador alugado
Sem salário,
Sem carteira assinada,
Sem patrão!...

Apesar do sofrimento,
Um homem de Fé sente
O frescor da brisa
E a beleza da floresta.
Um defensor da fauna e da flora,
O amante da natureza,
Está sempre com a alma em festa!

Nessa vida sofrida do José,
Tem momentos de alegria,
De grande prazer e emoção.
Alegria do conviver na natureza,
Emoções de encontrar filhos e netos
Receber abraços, beijos, dar bênçãos,
Se darem o respeito e consideração.

O amor á natureza e a magia do encontro.
Dar e receber carinhos são ternura, magia!
Chegar á casa ter a amada em seus braços,
José é feliz e grato a Deus pela vida!...

São resultados de uma vida
Educação bem aplicada
Isso me leva ao tempo de criança
Onde rezar o Pai Nosso e pedir Bênçãos
Fazia parte da Infância.
Esta é a criança que busco guardar dentro de mim.
Um coração inocente, alegre e carinhoso,
Simples.

Brincar de pega
Bola de gude
Cavalo de pau
Jogo
Peteca
Passa anel
corre chave
Doces lembranças.

José Pereira da Silva.
31/10/2014.



43
CRIANÇAS
ROSANA CARNEIRO BADO


Criança, diamante polido
Sagrada criatura
Adultos em formação
Com sabedoria pura

Alma alva, clara e límpida
Sem preconceitos e pudores
Leve, voa pela vida
A procura de sentido, de amores

Criança, alma pura
Expressão da vida na terra
Que traz a alegria pra alma
Como anjos de Deus em festa...

São Paulo/SP



44
As verdades que escrevo
Rosana Carneiro Bado

Sinto muito em decepcioná-los, mas não posso deixar de dizer.
O ser humano perdeu a noção.
Sim...Perdeu a noção de que ele ainda é humano e que tem alma, que tem sentimentos, que o semelhante possui as mesmas necessidades

dele e que nunca haverá comparação entre atitudes humanas com atitudes animalescas.
Animalescas, porque não posso escrever ''animais''.
Os animais não tem atitudes que ferem a dignidade, que transpassam os mais nobres conceitos de humanidade.
Descrevo atitudes de adultos que tratam crianças como seres autossuficientes, como se não precisassem de proteção, como que se as crianças fossem apenas seres quase desprezíveis

até que conseguem sozinhas seguir os caminhos que ''o mundo'' lhes traça.
Infelizmente sou apenas uma, que num bando de abutres, consegue enxergar estes seres tão indefesos, fora da realidade familiar,

consigam ter ali na frente, um futuro um pouco mais brando, mais ameno, mais delicado, mais protegido.
Infelizmente sou apenas uma que acredita que o carinho, a ternura, o amor e a proteção é que consegue fazer com que os seres em formação, estão sim, precisando disto tudo e muito mais.
Amor, pra qualquer um nunca é demais.
Os animais cuidam de suas crias até que estejam independentes e possam cuidar de si, porém... "Viver é sempre dizer aos outros o quanto eles são importantes. Por que um dia eles se vão e ficamos com a nítida impressão que não amamos o suficiente." (Chico Xavier).

São Paulo/SP

45
O MENINO E O POETA*
Reginaldo Meana

Sentado no alpendre da porta... vejo o sorriso
Inocente, chega sorrateiro, e quer colo
Encanta-me com suas travessuras e vou com você
Neste momento viajo através do tempo

Sinto-me inebriado com sua presença junto a mim
Está no inicio de uma longa jornada pela vida
Nesses dois anos que já completou... o menino
Não imagina o bem que me faz

Quando fico um dia sem lhe ver meu coração palpita
Sempre me alegra e dá força pro meu viver
É criança ainda, mas um dia entenderá
As poucas palavras que lhe dedico agora...

Estamos aqui, agora o menino e o poeta
Você, garotinho bem esperto, procura aprender
Pronuncia as primeiras palavras, dizendo o que sente
Dança, brinca e enche de graça os que nos rodeiam

E o poeta, por sua vez, procura ensinar o amor
E dedica carinho e afetos nestas poucas palavras
Um dia entenderá e verá com certeza... a vida
Seguiremos juntos e um dia saberá a história
Do menino e o poeta

* Para Khalil

"In" Tempo de Amor
Pág. 22- 2004
Direitos autorais ISBN-85903148-2-0


SÃO PAULO/SP



46
Jasmim*
Reginaldo Meana


Jasmim que enfeitas os dias
E perfumas as noites... jasmim
Tu és testemunha dos que aqui passam
E daqueles que já passaram pelo jardim desta casa.

Estático observas o amor
Que recebes dos que aqui vieram
E daqueles que ainda virão... imperas alegria
Vês a pequena casa simples... cheia de amor.

Tu me lembras os momentos felizes
Que aqui vivi ao lado de meu velho pai
Lembro com nitidez as risadas contagiantes
Que só ele sabia tirar de nossos corações.

Folhas verdes, viçosas, me dão a esperança...
De continuar o legado desse meu professor
Flores brancas vejo em ti a paz...
Ah! Pai sinto neste perfume a tua presença

*Para o meu pai
São Paulo/SP

"In" Tempo de Amor
Pág. 58- 2004
Direitos autorais ISBN-85903148-2-0


SÃO PAULO/SP



47
Adulto também precisa ser criança
dinapoetisadapaz

Se bem observarmos
o sorriso duma criança,
podemos sentir a verdade
que há em sua expressão.

A criança é autenticidade, quer,
e precisa viver livremente
sem controlar suas mais diversas emoções.
É isso que origina sua felicidade.

Assim deve ser o adulto,
manter conexão com
as memórias da infância
para que, os fracassos,
tristezas e as adversidades
não oculte o prazer de querer
ser como criança, feliz!

Estabelecer um monólogo
com seu estado pueril,
brincadeiras e tudo que
desperte seu desejo
de viver seu lúdico tempo.

Ame e faça-se ser amada (o),
com a autoestima aguçada
a criatividade vem à tona.
A criança interior resgatada,
a vida passa a ser um eterno encontro
com o belo, isso é ser criança.
com um corpo crescido, jovem
ou maduro, não importa.

PB

48

Arvore-vovó! Relembranças de Infância!*
Joyce Lima Krischke


Árvore-vovó minha vizinha
Mora ao meu lado está velhinha
Chamo-a matrona... Copada e viçosa!
Da Rua da Praia é a mais frondosa.

Nela brinquei de esconde-esconde
Quando eu andava de bonde
Depois para outro lugar mudei
Sem perceber dela me afastei.

Certo dia de volta a minha cidade
Recordei-me da Árvore... saudade!
Ao vê-la tão velhinha, mas forte
Disse-lhe com carinho: Que sorte!

Raízes como troncos - alados
Ah! Parecem dos contos de fadas
Árvore–vovó neste seu dia
Meu poema pra você com alegria!

Hoje, muito longe... afastadas
Relembro: felizes horas passadas!!!

Balneário Camboriú-SC

*Releitura em 30/10/2014



49
CRIANÇA QUE FUI
Eliene Dantas de Miranda

Hoje trago comigo
A saudade daquele tempo
Onde eu era uma esguia garota,
Esperta, travessa, e marota.

Hoje não voo, nem imagino coisas mirabolantes
Mas quando tudo se torna difícil
Um fio da imaginação infantil
Vem e, espelhando em meus netos
Sinto-me mais feliz e varonil.

Através de mil lembranças
Retorno aO tempo de criança
Sonhando ser infante pura e ingênua
Não perdendo a fé e a esperança.

Eliene Dantas de Miranda
São Paulo- SP



50
"CRIANÇA QUE FUI"



DECLAMAÇÃO
NA VOZ DA AUTORA
ELIENE DANTAS DE MIRANDA
São Paulo/SP



 


SELO DE PARTICIPAÇÃO




 











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