INTRODUÇÃO

74ª Ciranda Mensal CAPPAZ

Roseleide Santana de Farias


        É com carinho e apreço que cumpro a missão que me foi dada para fazer a abertura da Ciranda Mensal da CAPPAZ, que se inicia a partir de 20 de abril de 2015, com TEMA LIVRE. Em um mundo de tanta violência e degradação humana, nos é dada a oportunidade de estímulo á nossa criatividade poética, participação e interação através dos nossos textos poéticos, que buscam exalar o perfume da Fé nas possibilidades do Bem e da Paz para a harmonia de todos em nosso plano terrestre. Se os poemas forem inéditos, deverão acrescentar a informação abaixo do texto, para que os mesmos possam participar da segunda eliminatória do Concurso dos Poemas das Cirandas.
Desejamos á todos que a Luz Celestial nos ilumine na seara desta sublime ação!
Carinhoso abraço com votos de Felicidades á todos os confrades e confreiras da CAPPAZ!
 
Cabedelo/PB/Brasil





PARTICIPANTES

01- Audelina Macieira (27)
02- Carlos Reinaldo (38)
03- Celeste Farias (34 e 35)
04- Cristiano Ferreira de Sousa (29)
05- Daniel Brasil (37)
06- Deomídio Macêdo (36)
07- Eliene Dantas de Miranda (14)
08- Eloisa Antunes Maciel (20 e 25)
09- Estela Braud (02)
10- Fernando Alberto Salinas Couto (13)
11- Haydee Hostin (10)
12- J. J. Oliveira Gonçalves (23 e 55)
13- Jonas Krischke Sebastiany (32 e 33)
14- José Pereira (53)
15- Josue Ramiro Ramalho (07 e 08)
16- Joyce Lima Krischke (04 e 19)
17- Judite Krischke Sebastiany (52)
18- Kauane (Aparecida Alves de Oliveira )(06)
19- Marcelo de Oliveira Souza (11)
20- Michelle Zanin (42)
21- Mirian Arceno Rocha (15 e 16)
22- Nádia Cerqueira (28)
23- Narciso Nilo Sebastiany (46)
24- Nena Sarti (39)
25- Paola Rhoden (12)
26- Paulo Rodrigues (26 e 45)
27- Regina Kreft (49 e 50)
28- Regina Sant'Anna (21)
29- Reginaldo Meana (30 e 31)
30- Roseleide Santana de Farias (54)
31- Saturnino de la Torre (01 e 17)
32- Sérgio, beija-flor-poeta (05)
33- Sidney Poeta dos Sonhos (43)
34- Silvia Araujo Motta (24)
35- Silvia Benedetti (03 e 18)
36- Sônia Rêgo (44)
37- Tânia Maria de Souza (09)
38- Vanda Ferreira (40 e 41)
39- Vera Passos (47, 48 e 51)
40- Vera Trindade (22)




PARTICIPAÇÕES

01.
PLEGARIA DE AMANECER
Saturnino de la Torre(PoetaEducation)

Te damos gracias, Señor,
por darnos un nuevo amanecer,
por ser conscientes de que la vida
es lo más hermoso que tenemos.
Un nuevo día es como renacer,
como despertar a nuevas ilusiones,
a nuevas sorpresas y descubrimientos.

Te damos gracias, Señor,
porque has ordenado la vida en etapas
porque has puesto en cada día
un desafío por afrontar,
porque cada amanecer
es una hoja en blanco por escribir,
un camino por recorrer,
un vacío por llenar.

Te damos gracias, Señor,
Por habernos brindado tu obra
al bajo precio del esfuerzo,
por regalarnos tanta belleza
como existe en el alma humana,
por poner a nuestro alcance
la ansiada felicidad
y dar a nuestra conciencia
el poder de acrecentarla.

Te damos gracias, Señor,
por hacernos sentir en cada amanecer
el albedrío de nuestra libertad,
la flaqueza de nuestra inteligencia,
la fuerza de nuestra voluntad,
el poder inmenso que tiene el amor
y la grandeza de la felicidad,
por sentir que somos creativos
para beneficio de los demás.

Barcelona-Espanha

02.
SAUDADE
Estela Braud
 
Aquele batom
No meu sorriso,
Era para você,
Que nem viu.
O  que cantei
Dançando lento,
Abraçando-me,
Você não ouviu
E nem sentiu.
Meus olhares,
Buscavam os seus,
Que estavam alhures.
Sinto saudade
Daquele passeio
Que nunca fizemos.
Sorrio ouvindo,
O que não falamos,
Mas ficou gravado.
Aquele quase
Ainda faz falta:
Deixou marca
Sem ter sido.
 
(Inédito)
Balneário Camboriú-SC

03.
Na noite...
Silvia Benedetti

Há pouco escureceu. O céu coberto com um manto escuro não deixa passar nenhum brilho estelar.
Um vento fresco embala as cortinas.
La fora o incessante ruído dos carros me faz pensar no trabalhador cansado que retorna ao lar após a jornada diária.
Morando longe, levanta cedo e assim após a refeição noturna só pensa em dormir, se dando ao luxo de tentar ouvir o noticiário da TV Globo que o deixa a par dos últimos acontecimentos do Brasil e do mundo.
As noticias possuem sempre o mesmo teor: ROUBALHEIRA, MARACUTAIA, ASSASSINATO...

Será que nada de BOM existe para ser divulgado?

Nenhuma atitude digna de louvor? Só se fala em lixo e sangue sem pensar que é bom, também, mostrar que nem tudo está perdido...
Por certo o trabalhador cansado quer ter uma noite de paz; quer ir dormir na certeza que o B E M ainda viceja no coração do HOMEM que trabalha e luta na esperança de dias melhores e noites de sono tranqüilo.

(Inédito)
Porto Alegre-RS

04.
TIRADENTES
Joyce Lima Krischke

Tiradentes herói sem pedestal...
Teve seu pensamento rasgado!
Soldado sem batalhão... desarmado
Desejou livrar o Brasil do mal

Viajando para o Rio – Capital
Sem posto, insígnias... sem platéia
Sem dinheiro ou teatro na estréia
Traído e denunciado, deu-se mal

Só, assumiu a Inconfidência...
Livrando os outros condenados
Inconfidentes... não enforcados
Lutou por ideais- sua consciência!

21 de abril de 1792 foi enforcado
Em 1822, declarado Mártir da Inconfidência
Um reconhecimento ao seu valor e competência!
Não atraiu fanatismos... nem foi amado!

Morto na Lampadosa*, afinal
Tornou-se em 1890 herói nacional!

Balneário Camboriú-SC

* Lampadosa- atual Praça Tiradentes

Publicado “IN” INTERFACES DE AMOR E PAZ- Antologia CAPPAZ
VOL.II-2011-PÁGINA/80


05.
Mensagem
Sérgio, beija-flor-poeta

O cego sente no paladar o perfume da poesia
O surdo enxerga as rimas com o ver coração
O mudo traz a vida na palma da mão os versos
O louco se faz de cego, de surdo, de mudo

Eis que nasce um poeta.

Alemanha
 
06.
Mensagem
Kauane (Aparecida Alves de Oliveira)
 
Um  dia pensei em tudo e mesmo assim
Não sabia de nada.
Coisas que vem e vão
E nem ao menos prestamos atenção.
Portando lhe digo querido(o) amigo(a):
Viver é aprender um pouco a cada instante,
a cada segundo e mesmos assim
jamais conseguiremos aprender tudo,
pois o tudo é nossa vida.
A paz e o amor...
 
(Inédito)
São Paulo- SP

07.
ÚLTIMA PASSAGEM
Josue Ramiro Ramalho
 
Lutar para não sucumbir
Enquanto vida ainda resta
Na efêmera passagem do tempo
Não lamentar
Os caminhos mal resolvidos
Não lamentar
Os amores questionados
Não lamentar
A ciência das palavras não ditas
Lúgubre
A eterna juventude se foi
Suavizar a ternura
Com o vento da inquietação
Já não é poesia
Sonhos, sonhos, sonhos...
Pesadelo todo dia!
As folhas caem ao sabor dos ventos
A terra gira sob a revolta dos deuses
O tic tac no relógio
Afugenta a noite de encantos sob a lua
Nessa minha fosforescência
Sinto que é hora de acordar
... Para a última passagem!
 
(Inédito)
Salvador- BA

08.
U T O P I A
Josue Ramiro Ramalho
 
Todos os dias
Um galo canta num terreiro solitário
Todos os dias
Alguém levanta depois de uma prece meditar
Todos os dias
A vida passa e eu observo andarilho
Todos os dias
O sol brilha para outro caminhar
Todos os dias
Em minha alcova, alguém finge me amar
E todos os dias
Eu permaneço inconvenientemente
Acreditando que todos os dias
Meu DEUS!
Que Todos os dias
Eu quase ainda existo!

(Inédito)
Salvador- BA

09.
Retrato dos meus nonos (restauração)
Tania Maria de Souza

 
O retrato
Tânia Maria de Souza
 
O retrato velho, surrado, arranhado
De vidro sujo, fundo rasgado
Asas de cupim na moldura,
Pobre coitado!
 
Renasce.
Nas mãos da artista
que pacientemente o vai salvando,
limpando, retocando,
pintando, envernizando...
 
Novo papel cartão pro fundo
Um pequeno retoque na pintura,
outrora molhada, riscada...
 
E assim, eis que surge
renovado,
o retrato!
Feliz
por ter sido amado,
reparado,
volta à parede
contente
reluzente.
 
Ele não é mais um velho retrato, desfigurado, mulambento;
ele é agora um retrato novo de um velho tempo.

(Inédito)
Balneário Camboriú- SC

10.
Olhos
Haydée Hostin

Iluda-me oh! olhos de ver alegrias.
Olhos e sua cor de ser romance,
olhos de veludo na aridez dos dias.
Olhos de amanhecer ao som das ondas...
Como te amo, olhos de atrair gentes,
olhos em contas pingentes enganando
as horas ao reviver pássaros e infâncias.
Olhos que não esquecem os que partiram.
Olhos refúgios a escalar montanhas
dos secretos segredos.
Como te amo, olhos de muletas
nos óculos da ensolarada varanda.
Olhos de revoadas e serpentinas
nas pandorgas, vestidos de menina.
Iluda-me oh! olhos de luas, antenas
assaltando manhãs entre lençóis e poemas.

(Inédito)
Santa Maria-RS

11.
Amor insuportável
Marcelo de Oliveira Souza
 
Uma se chamava Binha
Que vivia num castelo como Rainha
Outro se chamava Dão
O filho de um pobretão.
Numa festa de São João
O amor veio como rojão,
Mesmo com as famílias contra
O amor suplantava tudo, então.
Mas quando tudo se acalmou
Aí que veio a confusão!
A rainha era de escorpião
E o pobre nem tinha signo na mão.
As famílias se entenderam na frente do fogão
A palma da mão estalava como caldeirão
Um casal que se amava com beijo e empurrão
Tumultuava todos em circulação.
Amigos, vizinhos e todos num raio de ação.
A garota gritava, esperneava, era uma confusão
O ciúme, a briga e a paixão
Tudo era motivo para aquela resenha
Depois acalmava e os estalos continuavam
Na mais perfeita gamação.
Na fila para o Festival de Verão
Um chamava o outro de insuportável
Dirigiam-se palavras de baixo calão
Contudo no outro dia ...
Encontravam-se dividindo o mesmo colchão.
Uns dizem que o amor é doente
Outros dizem que é imaginação,
Pois um casal não aguenta tanta briga não!
Mas esse amor insuportável
Caminha a passos largos
E todo mundo na indignação
Porque um reclama do outro
Sai chuvas, raios e trovão
Uma não larga o outro
Num amor de cangaceiro
Que domina o sertão!
 
Salvador – Bahia

12.
A importância de amar
Paola Rhoden
 
Ser importante para alguém,
não é estar sempre presente,
porque mesmo estando ausente,
basta estar no coração,
para se fazer feliz também.
Ser importante pra alguém,
é só fazer doação,
de um pouco de carinho,
com palavras, ou um pouquinho,
da sua atenção.
Um ser vivo apenas precisa,
de que alguém lhe mostre flores,
onde só se veem espinhos.
Percebi que a vida,
é feita de esplendores,
não importa o caminho,
que temos de escolher.
Basta o coração querer.
 
(Inédito)
Brasília –DF

13.
TEMA LIVRE
Fernando Alberto Salinas Couto

Fazer poesia parece complicado,
pois depende da tal inspiração,
para poder bons versos compor.
Mas, tratando de um tema livre,
como estou, por ti, apaixonado,
basta ouvir meu próprio coração
e falar sobre o nosso louco amor,
pois não existe tema mais nobre.
 
Nobre, fascinante e até sublime,
porque revela em seus termos,
como se fosse uma linda canção,
toda delícia desse teu perfume,
 
momentos de grande emoção
e todo o prazer que nós vivemos.

(Inédito)
Rio de Janeiro- RJ
 
14.
Desejo
Eliene Dantas de Miranda
 
Desejo ser livre novamente
Convencer-me que nada temo
Não pensar se estás bem ou mal
Voltar a sorrir, tristeza por termo
 
Almejo amar e também ser amada
Se assim não for, que  não venha
Pois esse amor por mim  desejado
Não passa de ilusão e mais nada
 
Possuir amigos fieis que sem rancor
Ofereçam ombro para eu chorar
Junto comigo diminua a minha dor
Nas difíceis horas, não me abandonar
 
Viver sem ranzinzas nem implicância
Envelhecer com amor e tolerância
Mesmo senil e cansada, sempre sonhar
Ver o sol nascer e o brilho do luar
 
Espero viver em paz...ter serenidade
Semear amor  e honestidade
Para quando me for desta vida
Lembrando de mim, sintam saudade.
 
Suplico não rasguem meus versos
Rezem missa de sétimo e trigésimo dia
No meu aniversário sorriam, não chorem
Declamem um texto de minha autoria.
 
São Paulo, 08/07/2010 20:09 hs.

15.
Criando o Pescador
Miriam Arceno Rocha

O Pescador - Fase de criação-Óleo sobre tela
Autora - Mirian Arceno Rocha
(Na Foto - A Artista e sua Obra)
 
Camboriú/SC

16.
Peixes Multicoloridos
Mirian Arceno Rocha

Óleo sobre tela
 
Camboriú/SC
 
17.
PARAPENTE
Saturnino de la Torre

Ondea tu sueño como arco de lona,
vive, atrévete y grita tu emoción al viento,
saca de dentro de ti  la fuerza contenida.
doblega tus temores, da vida a tus sueños;
atrévete a vivir experiencias nuevas,
pues ellas dejaran marcas indelebles en el recuerdo.
Sé tu mismo, encuéntrate, date la oportunidad
de conocer tu potencial y vencer tus miedos,
indaga los límites de lo posible, de valor y de volar,
y habrás experimentado lo cuántico como reto,
como posibilidad discreta y energía por redimir.
Toma las cuerdas de tu vida, sal a su encuentro,
pues si con ellas controlas tu vuelo en el aire,
con tu mente como piloto llegarás lejos,...
más lejos... muy lejos... al otro lado de ti,
al ser creativo, liberado, confiado, pionero,
pues al posar en tierra ya no serás el mismo,
en ti habrá nacido un ser nuevo.

Barcelona-Espanha

18.
A BELEZA DAS FLORES
Silvia Benedetti
 
Belas sao as flores!
Onde quer se encontrem
Sao exuberantes.
Enfeitam, alegram,
Tecem sinfonias de cores.
Elas nao se deixam influencuar...
Sem discriminar
Passam e deixam
Todos receberem
Seu perfume.
 
Porto Alegre-RS
 
19.
Justiça e Paz No Brasil- Hoje!
Joyce Lima Krischke

Dúvida que hoje nos invade...
Brasileiros dão o melhor dos seus dias
Buscando a Justiça e a Paz- Realidade!?
Teia do “mensalão” e burocracias.

Leis e julgamentos – triste realidade!
Poderes em discordância... com teorias.
Onde está a aplicação da verdade?
Sim, até quando quimeras e fantasias?

Ah! Brasileiro - hoje- pergunta:
Sem carnaval – Mascarado se ajunta ?!
Congresso seus interesses decide...

Oh! Justiça e Paz - Hoje - cabide?

Brasileiro segue seu caminho...
Mesmo que o seu - hoje- seja mesquinho!
 
Balneário Camboriú-SC

20.
VOZES RESSONANTES...
Eloisa Antunes Maciel
 
Há vozes ressonantes em meu ego,
Que emergem de um desvão do inconsciente...
E se a escuta–las por temor me nego,
Elas persistem nos desvãos da mente...
Há vozes ressonantes que me induzem
A repensar as situações vividas
E a refletir questões que se traduzem
Em esperanças sempre ressarcidas...
E as vozes que persistem bravamente,
Provindas de um desvão do inconsciente,
Insistem que eu repense a realidade...
São vozes que traduzem chamamento,
Que tendem conduzir meu pensamento
A um plano além da transitoriedade...
 
São  Martinho - RS

21.
Quero armas!
Regina Sant’Anna
 
Quero arma, quero armas!
Quero armas sem balas
Quero armas facas
Em destemido tecido afiadas
 
Quero arma, quero armas!
Quero armas não metálicas
Quero armas flechas
Não bélicas, no alvo, sem vexas
 
Quero arma, quero armas!
Quero armas sem o fim de tantas Parras
Libertas como o vento
eternas nos rumos do tempo
 
Quero arma, quero armas!
Quero armas sem clero e raças
Sem ranços, sem vício
Um “real” arsenal fictício
 
Quero arma, quero armas!
Das que sangram de dentro para fora
Quero arma, quero armas!
Com estas “vou-me embora pra Pasárgada”
 
Rio de Janeiro – RJ

22.
Estranho
Vera Trindade
 
Eu nunca durmo
nem tampouco amanheço.
Na estranheza do meu mundo
eu vivo para acordar a noite.
O meu prazer é ininterrupto
como o barulho do mar.
 
Quando criança,
eu perguntei quantas estrelas havia no céu,
e mamãe calou-me com uma chupeta.
Papai desviou-me com um sorriso.
 
Estranho...
Muito estranho...
 
Se o mundo não gosta de interrogações
por que responde com perguntas?
 
– Ah! o mundo...
 
O mundo é um pequeno carrossel
onde os homens gostam de brincar:
Van Gogh, com os seus Girassóis...
Dom Quixote, com o seu Rocinante...
Da Vinci, com a sua Mona Lisa...
Nietzsche, com o seu Niilismo...
E eu no seu eterno retorno(?)
Não tenho sequer mania.
Eu sou um sujeito estranho:
Apocalíptico
Silogístico
Signatário do poema.
 
Salvador- BA

23.
*Do Amor!
J.J. Oliveira Gonçalves
 
O Amor – nos versos meus, hoje, é o tema
Um misto de Clausura e Liberdade!
É Alegria esfuziante e Dor suprema
Amor - só quem o sente tem Saudade!
 
Sentimental demais é meu poema
Embora eu seja, eu sei: um fim de tarde!
Ama o Amor: do coração é o Lema
Que ele não tem distância nem idade!
 
Conheço as nuanças do Amor
Inexplicável... Cálida Loucura
Um misto de Ciúme e de Ternura!
 
Textura tem da pétala da flor
E o Azul deste meu Céu-Interior...
Amor é Orpheu regendo a Partitura!
 
Do Amor a Quintessência é a Devoção...
Duas Almas numa só... em Comunhão!
 
*Inédito – para a ciranda/JJ!
 
Porto Alegre, 27 de abril/2015. 09h
 
jjotapoesia@gmail.com – www.cappaz.com.br

24.
TIRADENTES-MÁRTIR, LOUCO OU AGENTE DE MUDANÇA?
Soneto clássico-decassílabo-sáfico-heroico: Nº 1439
Sílvia Araújo Motta    
 
Às vezes, sonhos são impulsos fortes,
nas ondas levam loucos, prantos, dores
ou então trazem risos, grandes sortes;
perfumam vidas, colhem lindas flores.
 
O Tiradentes Mártir, corpo em cortes
espalhou força, garra, sem temores,
confissão, luta, novos rumos! Mortes...
mineiros presos, fatos são clamores.
 
Inconfidência trouxe vez, lição,
caminho para tantos outros, gênios!
Independência deu a luz à ação.
 
O ousado tenta, muda e o mundo alcança!
Aplaude! Vence o Nobel, ganha prêmios:
Os MITOS são agentes de mudança!
 
Belo Horizonte-MG

25.
O OUTONO E SEUS “ENIGMAS”...
Eloisa Antunes Maciel
 
Outono, em seu cenário de mudanças,
Na imensa flora vai-se refletir...
Como um vagante que nas suas andanças,
Evita algum percurso repetir...
 
E assim, ao desfolhar o arvoredo,
Após mudar a sua coloração,
Parece predizer algum segredo,
No seu percurso de transformação...
 
Manhãs geladas, tardes mais amenas,
Indicam suas virtuais alterações...
E as vozes da natura, mais serenas,
Dão seu recado para multidões...
 
No entanto esse outono tão saudado
Num clima de prenúncio animador,
Evoca algum preceito contestado,
Algum enigma desafiador...
 
O frio e o calor vão se alternando,
Lançando advertências pelo ar,
Como a indicar que o clima está mudando,
Que logo o frio inverno vai chegar...
 
E a assim o manso outono vai plasmando
Enigmáticas confrontações...
E aos crentes e descrentes vai lembrando
Que a vida muda como as estações...
 
(Inédito)
São Martinho da Serra, abril de 2015.
                   
26.
Poeminha
Paulo Rodrigues
 
Meu coração sorriu sereno
ao contemplar a doçura
do seu olhar moreno.
 
Seu olhar moreno
repleto de ternura
respondeu com um tímido aceno.
 
Um tímido aceno
que demonstrou de forma pura
um amor nada pequeno.
 
Um amor nada pequeno
vigorado por dias de amarguras
e desejos amenos.
 
(Inédito)
Sorocaba/SP

27.
As mulheres de hoje e de Sempre
Audelina Macieira
 
Elas as mulheres de hoje são um fruto doce
que leva  em seu ventre a vida
que nela está e nasce.
As mulheres são o eixo  da criação
exprime uma versão de fè e perdão.
Não são as vezes Santa, são apenas Mulheres
que organizam  o jardim da terra
e enfeitam a vida ao redor em uma aquarela
para encantar  os olhos masculinos
que as cercam.
Elas são o passado vivo na testa da humanidade
e são o presente verdade, estão a florir por ai
espalhando toda feminilidade
ensinado força e dignidade
hoje sempre mulheres são fertilidade
e sem elas tudo vira saudade.
 
Salvador-BA

28.
Trançando-me nas letras
Nádia Cerqueira
 
Oh minhas letras, você voltou
e sempre será dona da deserta madrugada
fazendo rir minha alma quase esmagada.
Não importa que digam que tu és banal
feia, bonita, concreta, irreal...
Você sempre ressurge das minhas entranhas
resiste à todas armadilhas, bloqueios e
ignora as façanhas...
Não me deixa ser mendigo
que se entrega à garrafa, sem ter forças
para a sorte, adiantando a própria morte.
Orgulho-me de ti, fortaleza do meu espírito
e, quando mais nada existir
as palavras explicarão o meu sussurro o meu grito.
E ludibriando o inferno que persegue e provoca
resolvi sair do ócio
pus fim na escravidão dialética, delirante e oposta.
Aqui estou e nada mais me consome,
trançando-me nas letras sem citar nomes.

Nádia Cerqueira
 
(Inédito)
Salvador -Bahia

29.
Mais um Craque
Cristiano Ferreira de Sousa

O menino corre
Corre atrás da bola
Mas a bola não quer o menino
Morreu mais um Craque
Mais um crack querem lhe passar
Mais um crime para praticar
Mais uma bala para lhe matar
Mais um menino para tudo isso negar.

Esse texto foi produzido no dia 23/ 04/ 2015
na oficina de literatura do projeto BOCA DE BRASA
realizado em Sussuarana,

Salvador/BA

30.
Jasmim!*
Reginaldo Meana

Jasmim que enfeitas os dias
E perfumas as noites... jasmim!
Tu és testemunha dos que aqui passam
E daqueles que já passaram (pelo jardim desta casa).

Estático observas o amor...
O amor que recebes dos que aqui vieram
E daqueles que ainda virão... (imperas de alegria).
Vês a pequena casa simples... cheia de amor

Lembras-me os momentos felizes
Que aqui vivi ao lado de meu velho pai.
Lembro-me com nitidez as risadas contagiantes
Que só ele sabia tirar de nossos corações.

Folhas verdes dão-me a esperança...
De continuar o legado desse professor
Flores brancas vejo em ti a paz...

Ah! Pai sinto neste perfume a tua presença.

*Para meu pai
“ In” Tempo de Amor
Direitos autorais-ISBN 85-903148-2-0
2004- página-58


São Paulo-SP
 
31.
SALTO PARA A VIDA
Reginaldo Meana
 
Presa em meu peito a mágoa de um passado próximo.
Quero com jeito explodir em alegria o que sinto agora.
Soltar as cordas e pular pra vida, sem medo de errar.
Estar com você neste salto, amparado por seus carinhos.

Sentir seu corpo junto ao meu e viver... minha vida
Junto com você, construindo uma história diferente.
Estar presente em todas as suas emoções.
Ver em seu rosto a alegria de sentir minha presença.

Sinto-me amparado pelos seus braços neste salto
Como ancoras que me ajudam a parar pra respirar.
Alivio, suspiro profundo, inspiro felicidade...
Saltei para o nada - um abismo e encontro você.

Universo profundo de belezas raras...
Vejo você saltando, dançando feliz a música da vida.
Uivam os ventos, trovões, relâmpagos... neste momento
Caem sobre nós os mistérios que a vida nos preparou.

Direitos autorais reservados
"In" Tempo de Amor-Página 37
ISBN- 85-903148-2-0


São Paulo-SP

32.
Quintana, este ser humano
Jonas Krischke Sebastiany

Quintana, inteligência infinita
Teus versos me fazem pasmar
E, ao olhar no fundo de teus olhos,
Teu sorriso me agracia com a luz
Que emana do teu olhar
Do teu lento andar
Da tua caneta ingênua
Que desconhece a harmonia de teus traços

Que delineam a vida
Dos teus e dos que esperam
Um dia te conhecer
Para tecer o amanhã
Que tu conheces  de ontem

De teus versos
De tamanha expressão
Não sinto inveja
Mas profunda gratidão
Aliada à vontade
Do impossível
De encontrar-te
Quem sabe,
Um dia, neste teu sangue
Em que verte a poesia.

Brusque-SC

33.
Amigo
Jonas Krischke Sebastiany

Amigo é muito
É aquilo que nasce com o sol
E que nuca vai morrer

Tê-los é,
Por si  só, existir

Abraço de amigo é força
Que levanta o moral
E gera a esperança

É a confiança ilimitada
É a solidariedade eterna
É a mão estendida que segura o hoje
E que não mede esforços
Para criar um amanhã
Não caminho só
Ando sempre em parceria,
Por entre os bailes da vida,
E os corredores de “shopping centers”

Brusque-SC

34.
Sabarabuçu
Celeste Farias

No passado, lenda
Hoje realidade,
Realeza e escravatura,
Gritos e cânticos,
Sofrimentos e fé,
Manifesta-se em vale.

Subo as montanhas,
Desço as lembranças,
Fixada nos ouros
Das paredes e dos tetos,
Em meio à extravagância
Cultuo-te e choro.

Bebo as lágrimas
Dos negros, santos,
Olhos fecham,
Ouvidos sentem,
Beleza e pranto,
Fábula? Verdade?

Da empáfia humana,
Do Barroco ao Rococó,
Hoje uma lindeza
E guardada está,
Entre os Rios da Velhas
e o Rio Sabará.

Sabará, Minas Gerais, 06 de janeiro de 2015

35.
Belo Horizonte
Celeste Farias

É uma moça brasileira,
Uma cidade tão fascinante,
Praças, parques, pássaros,
Beleza, exposição, aquarela.
Vai e vem, sobe e desce,
Pressa, correria, nostalgia...
Sem olhar nos olhos, segue
E o povo nem percebe,
Mas o poeta, entende e sente
O horizonte, que é tão belo.

Belo Horizonte, Minas Gerais, 01 de janeiro de 2015

36.
QUEM PLANTA COLHE!
Deomídio Macêdo

Andei por estes caminhos
Por muitos anos a fios
A plantar espinhos
tempestade e muito mais!

Agora retorno a estes caminhos
Que só eu poderei trilhar
Colhendo os frutos que plantei
Das sementes que semeei!

Esta é a Lei Divina
Que não poderemos fugir
Porque está escrita
Na consciência fiel, que diz:
QUEM PLANTA COLHE!

(Inédito)
Salvador - BA

37.
GRANDE CIRCO
Daniel Brasil
 
Brasil é um grande circo
E o povo é seu elefante
Tendo força de gigante
Mas permanece maneado
Pelo governo manobrado
Num papel de ignorante

Vamos nos desamarrar
Para ter um futuro feliz
E a realidade nos diz
Com gestos mais abruptos
Espulgaremos os corruptos
Os maléficos deste país

Eliminando esta corja
Queremos mais respeito
Corruptores não aceito
Manchando nossa nação
Bradamos com a razão
Em prol do nosso direito

Peleio pelo meu país
Derramo sangue e suor
Não quero amanhã pior
Quero Pátria diferente
Em honra da minha gente
E pelo um mundo melhor

Porto Alegre- RS
25\03\15

38.
O Outono Chegou!
Carlos Reinaldo

Tapetes verdes refletem o céu,
no meu quintal nestas tardes frugais,
folhas de outono caindo ao léu,
mensagens vivas retratam meus ais.

O vento sopra inquieto e hostil,
nas copas frágeis do meu arvoredo,
anunciando a chegada em abril,
do mago outono com seu passaredo.

Árvores secas balançam e clamam,
folhas perdidas, milhares, milhões,
que sobre o solo gentil se esparramam.

A natureza festeja este outono,
tempo de brisa que traz emoções,
e põe o amor em belíssimo trono!

Conselheiro Lafaete – MG

39.
PEDRA
Nena Sarti

Acham-me monólita?
Aparências, nada mais.
Sou frinchas,
Cicatrizes abertas,
Sangramentos...
Tumores malignos
Esperando a cura.

Curar é Divino!
Moro na Terra.
Sou pó,
Sou lama nas lágrimas,
Sou só
Uma mulher!
poema inédito.

Campo Grande- MS

40.
MARCADOR DA INFÂNCIA
Vanda Ferreira

Quando bugrinha espiava encantamentos,
Ideias saltavam de quadrado olho
Travessia nos vãos da franginha loira
Enviesados ângulos de curiosidade
Para encher o pensamento
Com o espetacular “Relógio do Quatorze”.
Algo mágico instalou o monumento...
Vi a torre pronta,
Gigante fé conectada ao céu,
Marco histórico de meu tempo de criança.

Naquela torre, povoada de fantasia minha,
Caminhava o tempo feito bussola
Apontadora dos descuidos infantis,
Para passos sem norte,
curto trajeto em andança discreta
Tímida leitura no vento que soprava da imaginação.

Retos ponteiros circulavam sacramentando passos
Até a esquina próxima da praça de fonte luminosa
Para apanhar o buque de gelado creme branco,
Hora marcada para a despedida com desfile de sorvete
Delicia devorada com demoradas lambidas para retardar o retorno ao lar.

O relógio da Quatorze marcava história,
O nobre personagem coroou a cidade,
Reina extraordinariamente na memória dos passeios,
Das esquinas de encontro,
Dos capítulos da Avenida Afonso Pena.

Lembrança que dança,
Sinais de ouro,
Som de cobre quente,
Tom ensolarado,
Marcas de capítulos de minha vida,
Tatuagens do templo assassinado pelo futuro
Popularizado de forasteiros

Era na Rua Quatorze, o relógio da Quatorze.
Era na Rua Quatorze...

Campo Grande - Ms

41.
Rastro de Lobivar Matos
Vanda Ferreira

Sou da terra inteira
Mato de Lobivar Matos,
rio aberto para abusos,
quintal de lama social.

Cheiro a peixe,
invasivo feixe de sol,
caudalosa sucuriosidade.

Nuvens de garças,
carregadas de desejos,
inundâncias poéticas.

Campo Grande - MS.

42.
Comadres
Michelle Zanin

Você me conquistou
Retirou o vazio
Que imperava em meu núcleo
Não falo de apreço
Entre homem e mulher
Nossa relação é diferente
Somos comadres
Sei diferenciar
Os distintos gêneros
Que subdivide o amor
Sua companhia
Faz-me sorrir
Gosto de cavaquear
Trocar receitas
Simpatias
Para atrair o oposto
Aprendemos
Trocamos experiências
Compartilhamos vivencias
Discutimos narrativas
Espero que não se perca
Seja repassada
Nossa surpreendente amizade
Quero ver nossos filhos
Aprendendo a compartilhar
Amando-se
Aceitando-se
Por seu inigualável
Diferencial.

Araraquara – SP

43.
FALÁCIA
Sidney Poeta Dos Sonhos

Versos quebrados
Em rimas tortas
Triângulo quadrado
Fechaduras sem portas

Amigo que é falso
Nunca se apruma
Esteio sem calço
Validade, nenhuma

(Inédito)
Santos – SP

44.
HOJE
Sônia Rêgo

Hoje te escrevo um verso,
mas quero mesmo te ouvir.
Amanhã te conto uma prosa,
mas quero mesmo te sentir.

Espero GANHAR , eu confesso,
um simples botão de rosa.

Hoje...amanhã...depois...
é um querer sem fim,
cada dia que passa,
te quero perto de mim.

Rio de Janeiro -RJ-  20/01/14

45.
Cidade quase Maravilhosa
Paulo Rodrigues

Por quê?
Te pergunto.
Oh, poderosos Senhores do Tráfico!
Senhores do adultério!
Senhores da devastação!

Cadê a alegria
que outrora
pulava carnaval
na Sapucaí?
Cadê o calor humano
de olhos puxados,
pele rosada,
cabelos dourados
da praia de Ipanema
que outrora passeava
em Copacabana?
Cadê o malandro sambista
que outrora brindava o amor
na Bohemia
dos Arcos da Lapa?

Não sei...
Só sei que o Cristo Redentor não sorri
chora o MEDO
que habita os subterrâneos,
que invade as muralhas
do inconsciente humano
causando infortúnio,
eternos danos...adúltero total.

(Inédito)
Sorocaba/SP.

46.
Cheio de amor
Narciso Nilo Sebastiany

Estava com bastante saudade
Quando trouxeste teu carinho
Amenizando minha dor

E te digo com sinceridade
Não me sinto mais sozinho
Mas muito mais cheio de amor.

"In" Por falar de Amor- 2014 pag 28

Sobradinho-RS

47.
Ver o mar
Vera Passos

Toda vez que eu vir o mar
Uma doce lembrança vem me cuidar
Como brisa beijando as flores
Como folhas a chacoalhar
Como cheiro de jasmim
Como água que mata sede
Como vento que embala a rede
Como eu dependo do ar.

Salvador – Bahia

48.
Perguntem à vida
Vera Passos

Se tu queres saber quem eu sou
Pergunta ao tempo onde deixei meus sinais.
Pergunta ao rio, às flores que ofertei
Pergunta ao vento do que sou capaz
Se tu queres saber onde andei
Pergunta aos caminhos por onde passei
Pergunta aos passarinhos por onde voei
Pergunta aos mares por onde pelejei
Se tu queres saber onde vivo
Pergunta às letras agrupadas nos livros
Pergunta às sílabas que no vento juntei
Pergunta às palavras que às ondas levei
Se tu queres saber o que faço
Pergunta aos amigos que estenderam seus braços
Pergunto aos sonhos que me velaram o cansaço
Pergunta às veredas que testemunharam meus passos
Ainda queres saber quem eu sou?
Pergunta às crianças que às vilas levei
A quem ensinei o valor de viver
Os rabiscos sem jeito eu fingia entender
E pedia que o autor fosse ler.
Pergunta a ti mesmo
Se não foi amor que um dia te dei
Eu era mestre, o amigo perfeito
E um dia tu tiveste respeito
Hoje, restam apenas lembranças
Arquivadas bem dentro do peito.
 
Salvador - Bahia

49.
Pausa!
Regina Kreft

Há sempre uma pausa
um sonho aprisionado
num coração em descompasso
Um tímido sorriso!
Em linha reclusas...Um caminhar
persistente, divagando em ondas
no cálido mar. Uma estrela distante
te fazendo crer que a esperança
é a maior força que um coração
pode sentir!

Joinville - SC

50.
Você!
Regina Kreft

Você podes me pedir para sorrir
Misturando lágrimas ofegantes.
Para voar para bem distante
Sumir na escura noite, sem sentir!
Deixar meus versos reclusos
Podes me pedir para velejar
Nos rios da saudade, e caminhar
nos desertos perdidos!
Podes me pedir para emudecer
Esquecer teus encantados versos
Deixar o canto padecer!
Podes rogar para que voe no infinito
Num desalento sempre sentido!
Mas não podes me pedir para esquecer-te!

(Inédito)
Joinville - SC

51.
Se minhas lágrimas falassem...
Vera Passos

Se minhas lágrimas falassem pintariam estrelas nas vielas, trariam o encanto em forma de aquarelas, adornariam de verde as vias paralelas aportadas nos becos.
Se minhas lágrimas falassem trariam os amores perdidos nas estradas e fariam dos meus braços redes sob as velhas palmeiras, desfraldadas como bandeiras.
Se minhas lágrimas falassem navegariam em mares longínquos, mergulhariam em águas profundas onde a luz não se atreve alcançar
Se minhas lágrimas falassem entrariam em sono profundo voariam em outras dimensões onde pudessem encontrar a paz desse mundo.
Se minhas lágrimas falassem vagariam pelas ruas como um vagabundo e lá semeariam as flores mais belas que o vento trouxesse.
Se minhas lágrimas falassem trariam a luz aos olhos lacrados pela ignorância e abririam caminhos onde a sabedoria pudesse acasalar.

Salvador - Bahia

52.
ROSAS...
Aroma,cores,beleza sem igual.
Judite Krischke Sebastiany

Na infância conheci roseiras solitárias.
Destaque no jardim para sua beleza e odor.
Romance no ar inspirando musicas, poemas.

Na adolescência conheci roseiras/grupos
Lindos galhos entrelaçados habilmente.
Rosas miúdas, em cachopas, perfumando o ar.

Passados alguns anos, destaque para as cores:
Rosas brancas, rosadas, alaranjadas e vermelhas.
Rosas como pinturas divinas, com matizes.

Vida adulta, trabalho, responsabilidades,
Rosas com espinhos e rosas sem espinhos
Espinhos defesa, limites, Amor e Dor...

Rosas em festas, casamentos e funerais.
Sempre como expressão de Amor.

Porto Alegre-RS

53.
MINHA PRAÇA
José Pereira

Minha praça tá
sem graça,
não tem beleza
pra se ver!...

Foi-se o tempo
de alegria,
de grandeza
e ostentação!

Se no passado
foi pulmão da cidade,
Hoje o que a impulsa
são os buracos
e lixo no chão!

É triste dizer,
pior é ver,
que recursos eles têm!

E porque nossa cidade
Está a mil!
A mil buracos,
quero dizer!...

A cidade estava feia,
depois do saneamento
ficou pior!...
Tinha ruas com poucos buracos,
hoje tem ruas que é
um buraco só!...

A praça é do povo!...
É para um descanso,
para uma caminhada,
sentar, namorar
e ter alegria!
É para curtir nas noites quentes
e admirá-las nas noites frias!

(Poema inédito – 04/05/2015)
Cabedelo-PA

54.
Meu aniversário
Roseleide Santana de Farias

Amanheceu, o sol resplandece, brilha no céu,
é tempo de festa, eu sinto alegria e gratidão!
Hoje, 26 de abril de 2015!...Há 65 anos, sons,
belos e luminosos foguetões explodem no ar!
Meu amado tio, Osvaldo Joaquim de Santana,
e o meu pai, Leovegildo Cavalcanti de Farias,
festejam naquela tarde do meu nascimento!...

Na Rua Siqueira Campos, 31, em Cabedelo-PB,
neste lar, doce Licor “Cachimbo” estava feito,
para receber as visitas de amigos e parentes!

Tudo na vida é passageiro, mas, tão sagrado!
Os dias trazem convivências, as experiências
nos tropeços e nos acertos deste nosso viver.
Criancinhas, nós somos a engatinhar na vida,
mas, a luz do estado d´alma, a acender tocha
em nosso coração, nos leva á sentir ternura,
misericórdia, e o fogo sagrado da indignação!

Cada dia é dia de gratidão, dores, superação,
perdas, ausências queridas, percurso e vida.
Não percamos a Fé, o poder de sonhar, amar,
crer na promessa eterna e redenção no Bem!
Aos cataclismos advém o sol, chuva no solo,
germinando entrega e vida, boa cooperação.
Deus abençoe os laços da paz em todo viver!

26 de abril de 2015

Cabedelo/PB
Poema Inédito

55.
O Massacre do Paraná!
J.J. Oliveira Gonçalves
 
Hoje – 1º de Maio – Dia do Trabalho, o que há para comemorar? Pois, bem, sem querer ser o pessimista que alguns teimam em ver em mim, mas o realista que sempre fui e serei, (apesar de poeta-sonhador, mas de homem-comum com os pés bem fincados no chão!), posso afirmar que... nada! Ou quase... Até quando escrevo “quase”, tal já me soa como generoso exagero... Então, chego à tardia e triste conclusão de que o dia de hoje – carente de festas e comemorações – deveria ser um dia voltado e ocupado apenas por reivindicações dos (verdadeiros!) trabalhadores deste Brasil sugado, diuturnamente, pelos sanguessugas ardilosamente vestidos de verde-e-amarelo: ou seja: pelos 171 da vida brasileira! Sanguessugas que se instalaram no coração do País, e, daí, espalharam-se – feito metástases cancerosas – por todos seus órgãos, por todo seu corpo gigantesco, continental! Com certeza, vivemos dias extremamente difíceis e noites de profundas e roxas olheiras... Vivemos num cotidiano de acintosa e bárbara violência, em que nem nos “cárceres privados” de nossas casas temos paz, tranqüilidade, segurança – eis que a bandidagem “faz e acontece” porque, lamentavelmente, “não dá nada”! Então, (e por isso mesmo!), todo cidadão de bem, decente e trabalhador deste País – de uns execráveis tempos para cá – está no corredor da morte, só que nenhum sabe a data de sua execução! Execução esta pelas mais variadas formas adotadas pela bandidagem – cruel, hedionda, impune! Estarei sendo pessimista, de novo? Exagerado, de novo? Vítima de um surrealismo insano? Não! Vejo apenas o que me permitem ver os olhos... E sentir apenas o que me permite sentir o Espírito. Só isso! E já que escrevi a palavra vítima, acima, lembro que, no nosso Brasil, a bandidagem – o assassino mais cruel! – é considerada a “vítima” para essa gente dos chamados, equivocadamente, “direitos humanos”. Enfim, para essa gente, o bandido, o assassino, o estuprador, enfim, é a “vítima social”. Afinal, aqui, por razões óbvias, insistem em nos impor e assimilar a “cultura do coitadismo brasileiro”!
Impõe-se que eu esclareça que o longo parágrafo inicial é uma espécie de preâmbulo, de introdução ao título, ao tema deste comentário: “O Massacre do Paraná!”. E já começo com “que vergonha”!! Que vergonha li, ouvi e assisti pelos órgãos de comunicação brasileiros! Confesso que senti um misto de vergonha e de indignação! Qual a autoridade que tem um governo de ordenar bombas de efeito moral, atirar balas de borracha e atiçar cães ferozes em seus professores ?? Tenham paciência: mas que governo é esse? Que governador é esse? Que homem é esse? Que cidadão é esse? Será um “César” com polegar para baixo, numa arena bárbara e sanguinária? Respondam-me, por favor: que cara é esse, gente?? Ora, tenham dó: esse governador irresponsável, insensível e raivoso não usou e abusou de sua autoridade? Não mostrou o “buraco negro” que já lhe tomou quase todo o coração? Não escancarou o sentimento explícito de “desamor” que tem pelo seu próximo – no caso, pelo seu professor?? Mas, até onde vai o descaso, o menosprezo pelo povo, pelo eleitor, pela cidadania, por uma classe inteira de trabalhadores? Pela classe que – todos sabemos! – é a salvação da nossa infância, da nossa juventude, da nossa velhice? Afinal, se os professores forem extintos, o que será de nossa gente? O que será da nossa Cultura? O que será do Brasil? O que será da nossa História, perante a História das Nações?? Ah, o Brasil do futuro... nunca o verei. Brasil,  a “Pátria do Evangelho”... só se for em filme de ficção.
Dia 29 de abril de 2015: vergonheira total e desatino no massacre – hediondo e doloso – a que a polícia militar do Paraná submeteu o Magistério Estadual daquele Estado. Campo de guerra. Batalha campal. Em que os “donos” do povo se impõem pela força “imperial” aos que, desarmados, protestam porque lhes estão surrupiando direitos trabalhistas conquistados – numa verdadeira demonstração ditatorial de força bruta, abusiva, desumana, odienta! Como se tudo isso não bastasse, ainda tenho que ler declarações oficiais da porta-voz da PM paranaense, “justificando” as ações violentas dos policiais militares, como esta: “Desproporcional seria usar armas letais.” Mas, o que essa tal Márcia Santos pensa que é? Como uma mulher dessas – com tal índole – pode desempenhar um cargo de relevo, (coordenadora de imprensa), de um governo que diz democrático?? Uma interpretação, dessa declaração irresponsável e infeliz, é que ela ainda achou pouco os abusos desavergonhados contra os professores. Outra – entre outras tantas interpretações de suas declarações catastróficas – é que ela gostaria de ver os mais de 200 professores feridos, mais do que feridos, ou seja: mortos! Impõe-se lembrar que esses professores feridos em sua pele, em seu corpo, fisicamente, também e mais, ainda: foram feridos em sua Dignidade, em sua Honra, em sua Moral, em seus Ideais, em sua Alma, em seu Espírito!! E que os professores que não sofreram ferimentos em sua carne, sofrem dos mesmos “ferimentos íntimos” de seus colegas agredidos farta e covardemente!! Ora, meu Deus: não é mesmo o fim da picada?? Paralelo a toda esta explícita manifestação insensata de violência, ainda ouvi que todos os PMs que se negaram a cumprir a ordem de agredir os professores serão exonerados da PM do Paraná: será mentira??
Governador Beto Richa/PSDB: TUA BATATA TÁ ASSANDO! Esta é uma forma popular que achei para lembrar da Lei do Retorno. Lembrando, ainda, que, às vezes,  “O Castigo vem a cavalo...” E, finalmente, sugerindo que o dia “29 de abril” seja lavrado como triste efeméride – em homenagem aos colegas Professores paranaenses – de “O Massacre do Paraná”. Eis que não devemos renunciar ao passado, pois aprendi que o passado nos ensina, nos educa, nos faz mais vividos e mais alertas ante os espertalhões e manipuladores da coisa pública e do povo!
Aqui, nesta imensa e altiva Pampa Gaúcha, o quero-quero é a ave-sentinela que nos dá sinais de alerta... Seu grito é um clarim para que não nos descuidemos. O quero-quero traz, em sua garganta, o grito valente e amoroso de Sepé! Apesar disso, quantas vezes esse grito nos alertou, mas o grito da manipulação, da demagogia e do tal “marketing” foi mais forte e embarcamos numa canoa furada? Professor que fui, fiz muitas greves. Ouvi muitas injustiças. Cheguei a ficar com raiva de meus ideais. Mas prossegui. Porque aprendi que não podia deixar que quebrassem meu Espírito. Meu Espírito de professor. Porque, se o inimigo nos mata o Espírito, aí, sim, morremos. Podem crer!
Neste Dia do Trabalho, cumprimento a todos os trabalhadores desta imensa Pátria chamada Brasil. E especial, ao Magistério Estadual do Paraná. Infelizmente, vivemos um País do absurdo. Onde os bandidos de todas as idades são tratados como se fossem cidadãos de bem. Obtêm regalias mesmo quando são presos e raramente punidos. Com certeza, os colegas do Paraná foram tratados como se fossem bandidos – ou não? Também, minha gente, num País onde um técnico de futebol é chamado de professor e um professor é chamado de trabalhador em educação, muita coisa está errada – não é mesmo? Afinal, sem desmerecer ninguém, nem cargo, professor é professor. Para bom entendedor meia palavra basta. Concordam? Seja como for, dou a todos a liberdade de discordarem. Afinal, apesar de aposentado, continuo sendo um professor. Pois, apesar das tantas e humilhantes tentativas, (ao longo de 30 anos!), não quebraram meu Espírito – este Espírito indomável de professor!!
 
“Minhas palavras são como as Estrelas... Jamais empalidecem!”
(Grande-Chefe Seattle)

 
Porto Alegre-RS, 1º de maio de 2015.

*Direitos autorais reservados aos autores participantes da 74ª Ciranda CAPPAZ
*A CAPPAZ NÃO SE RESPONSABILIZA PELA REVISÃO LINGUISTICA




ENCERRAMENTO E AGRADECIMENTOS
74ª Ciranda Mensal CAPPAZ


É com afeto e consideração que cumpro a missão que me foi dada para fazer o encerramento da Ciranda Mensal da CAPPAZ, com TEMA LIVRE!
Todos os confrades e confreiras participaram com seus textos poéticos, de maneira brilhante, espalhando a união, harmonia e principalmente a fé.
Cada participante deixou o perfume mais raro, a Paz que cura corações desvalidos!
Que a fé seja sempre nossa luz!

Regina Kreft

Joinville, 02 de maio 2015




SELO DE PARTICIPAÇÃO














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Exclusivo para CAPPAZ - Confraria Artistas e Poetas pela Paz
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