INTRODUÇÃO - 76ª CIRANDA MENSAL CAPPAZ
ALEGRIAS DE INVERNO
FESTAS JUNINAS


São tantas as alegrias de inverno... “Curtir” o frio do sul, apreciar a chuva através das vidraças e os campos e pinhais cobertos de geada, fazer bonecos de gelo, aconchegar-se ao calor da lareira, no lar, e sentir o prazer do calor humano.
São tantas as alegrias de inverno... Festejar os santos de junho, na mais pura tradição rio-grandense. No arraial, são lembrados com três fogueiras e com a disposição das lenhas de acordo com o santo. A retangular – Santo Antônio, o casamenteiro. A redonda – São João, o festeiro. A triangular – São Pedro, o padroeiro do Rio Grande do Sul. E em torno delas, a dança das quadrilhas.
O nordeste realiza as maiores festas juninas do país. Por ser uma região árida, os nordestinos agradecem os santos pelas chuvas e pelas colheitas da época, especialmente do milho, que é a base de muitas comidas típicas das festas juninas. Nos arraiais, lindamente decorados, acontecem as tradicionais fogueiras, as quadrilhas, os forrós, os leilões, os bingos, os casamentos matutos, shows com grandes artistas, reunindo toda a comunidade e atraindo muitos turistas.
São tantas as alegrias de inverno... E em todo o território brasileiro, os santos de junho são comemorados nos arraiais com grandes festas, enriquecidas pelas tradições de cada região.
São tantas as alegrias de inverno... São tantas as lembranças das festas juninas de nossa infância: do arraial todo enfeitado com bandeirinhas de papel colorido, barracas de brincadeiras, barracas de quitutes, as quadrilhas que dançávamos, os meninos vestiam camisa quadriculada, calça com barra curta e chapéu de palha, e as meninas vestido colorido de chita e chapéu de palha, no compasso das marchinhas.
Vamos festejar os santos de junho! E nós, da CAPPAZ, vamos participar da Ciranda e poetar as alegrias de inverno!
Vamos, especialmente, festejar, no dia 29, o aniversário da querida e iluminada Presidente Fundadora da CAPPAZ, Joyce Lima Krischke, com nosso abraço e votos de amor, paz, bem, saúde e felicidade!

Sobradinho-RS / 15/06/2015
Eda Thereza Piccinin Bridi





PARTICIPANTES

01- Audelina Macieira (04 e 13)
02- Carlos Reinaldo (43)
03- Celso Corrêa de Freitas (12)
04- Daniel Brasil (21)
05- Eda Bridi (46)
06- Eliene Dantas de Miranda (23 e 24)
07- Eloisa Antunes Maciel (05)
08- Estela F. Braud (18)
09- Fátima Peixoto (41)
10- Fernanda Carvalho Veiga (45)
11- Fernando Alberto Salinas Couto (08)
12- Humberto Rodrigues Neto (07, 35 e 36)
13- J. J. Oliveira Gonçalves (16 e 17)
14- Jacira Pereira (20)
15- João Kleis (26 e 30)
16- Josue Ramiro Ramalho (09 e 34)
17- Joyce Lima Krischke (01, 14 e 27)
18- Judite K. Sebastiany (31 e 32)
19- Marcelo de Oliveira Souza (06)
20- Maria Julia Guerra (Maju Guerra) (44)
21- Marina Martinez (39)
22- Michelle Franzini Zanin (42)
23- Paola Rhoden (47)
24- Paulo Rodrigues (37)
25- Regina Kreft (19)
26- Saturnino de la Torre (28)
27- Silvia Benedetti (03, 29 e 33)
28- Soninha Poetisa (02 e 22)
29- Vanda Ferreira (38)
30- Varenka de Fátima Araújo (40)
31- Vera Passos (15)
32- Wellington Costa (10 e 11)
33- Wilton Costa (25)



PARTICIPAÇÕES



01.
Junho - Dos Santos, Festas e Alegrias
Joyce Lima Krischke


Junho - santos festejar!
Festas, sorrisos e poesias
Fogueiras: vamos pular?
Danças e muitas alegrias

Dia treze Santo Antônio
Vinte e quatro é São João
São Pedro - meu apoio
Todos do meu coração

São Paulo que não esqueço
Dia vinte e nove seu dia
Sua proteção não dispenso
Pregava Paz e Harmonia

São Pedro que mais confio
Vinte e nove seu dia
Ele conduz meu navio
São Pedro - Dia de Alegria!

15/06/2015 – 04h24min

Balneário Camboriú/SC



02.
Dia dos Namorados
Soninha Poetisa


Em meus braços te protejo,
Das coisas tristes do mundo.
Com muito amor e carinho,
Padecemos juntos.

Neste Dia dos Namorados.
Uma data propicia,
Vamos curtir, e dar colorido a vida,
Sentir o cheiro da terra, e o frescor da brisa.

Com um toque de amor,
Não vamos deixá-la passar.
Vamos curtir este momento,
Fazer disto tudo um acontecimento,
Porque Deus está no nosso lado.

07/06/2015
Campo Grande/MS



03.
Oficina de Trovas
Silvia Benedetti


Se você gosta das trovas
Se admira a inspiração...
Venha buscar as mais novas
Com as rimas da emoção


Verás que não é difícil
Metrificar nem rimar
Vai ficar ainda mais fácil
Quando nos dedos contar


Te esperamos quinta feira
Lá no grêmio literário
Verás que a trova matreira
Gosta é de vocabulário.


15/06/2015
Porto Alegre/RS



04.
Procuro um Tempo
Audelina Macieira


Procuro um tempo, que não é este tempo, um tempo dos poetas esquecidos,
um tempo dos velhos amigos, um tempo menos agressivo.
Procuro um tempo que não ficou para trás, vive em algum tempo
esquecido em um mundo magico nada mais. Talvez em uma caixa chamada coração.
Foram as cantigas inocentes e as batidas do sino da igreja
foram dias de euforia, do balançar da
rede na varanda e do som do chinelo na sala.
Foram dias inesquecíveis, da fogueira na porta em noite de São joão,
da dança que entorta a cintura de pilão.
E os assombros das histórias perdidas no retomar da vida ao fim do dia.
Procuro não esquecer e lembrar me faz viver
sinto que outros tempos virão e outros tempos não
mas, na grande partida lembrar como é linda a vida.

Salvador/BA



05.
RECADO DE JOÃO... PARA SÃO JOÃO...
Eloisa Antunes Maciel


Escuita meu tocaio lá de cima!
Eu sou uma coitada criatura...
Não faço verso, não escrevo rima...
Não vivo de festança ou de fartura...

Sei que no inverno tem uma festança,
A tua linda Noite de São João...
Que nessa festa tem as comilança,
Muita pipoca e também quentão...

Eu moro nos quintão lá de um abismo...
Sou anarfabeto – e serei sempre assim...
Gravei teu nome pelo catecismo
Que fessora da vila leu pra mim...

Mas sei que escuitarás o meu pedido,
Pois não te negas de atendê ninguém...
Recebe o meu recado comovido:
Eu peço a bênção pro teu... João Ninguém!

São Martinho/RS



06.
São João dos Milagres
Marcelo de Oliveira Souza, IWA


Existe uma cidadezinha muito pequena perto de Salvador, que se chamava Ruinópolis, o lugar era uma verdadeira ruína como sugere o seu nome, ou até seria pelo comportamento dos seus moradores, ninguém sabe.
No centro desse lugarejo existia a comunidade mais influente, com empresários e funcionários da prefeitura, grupo que não se misturavam, eram verdadeiros rivais.
Onde um dizia que era para construir abrigo, outro queria construir mercado e vice versa.
Um dos mais influentes era o tal Zé dos Pombos, funcionário público aposentado, como o nome sugere, o homem administrava agora uma criação desses animais alados que sujavam a praça inteira, incomodava todo mundo, mas ele continuava no seu intuito de criar os animais a céu aberto, construindo um pombal no centro do obelisco.
Sua amiga mais próxima chamava Célia, que por sua vez amava os caninos, onde surgia latido, estava ela cuidando dos danados.
O seu primo Zé dos Bodes resolveu imitá-la, investindo numa criação desse animal na garagem, mas ali os caprinos só passavam a noite, porque eles dominavam a praça do centro da cidade.
Os animais sujavam tudo, nem adiantava o padre Gonçalves pregar em praça pública sobre tolerância, pois dava a maior confusão.
Nessa cidade ninguém se entendia, todos queriam fazer o que desejassem, os empresários, assim, resolveram inaugurar uma boate na praça junto à igreja que dava a maior confusão, pois André, o mais influente deles, coletou assinaturas da maioria das pessoas, dizendo que iria fazer um centro social urbano, mas na verdade fizeram um mini centro comercial, que depois de construído ninguém se manifestou contra, pois o lugar era um terreno da prefeitura e como as pessoas pensam que o que é público não é de ninguém, deixaram para lá, só fazendo resmungar entre os seus vizinhos.
Nesse centro comercial existia uma boate que dava a maior confusão, pois vinha gente de todos os lugares, até de Salvador, para provar o caldo de sururu do Seu Bernardo. O pior é que não tinha mais lugar para estacionar, o que gerava mais confusão ainda, pois o estacionamento era mesmo na rua ou na porta de garagem da vizinhança; não tinha fiscalização nenhuma que desse jeito, resultando em muitas brigas.
Assim a sociedade seguia no seu daltonismo sentimental, onde ninguém era amigo de ninguém, sempre queriam algum de troca, pensando ser mais esperto do que o outro.
A cidade ia se destruindo com o tempo, o lixo era acumulado logo na entrada da cidadezinha, chamado até de “lixão dos desesperados”, pois ali se encontrava de tudo, onde vinham muitos badameiros de tudo quanto era lugar.
Certo dia, apareceu um homem chamado João, dirigindo um caminhão de laranjas, ele percorria a cidadezinha toda oferecendo o seu produto.
O senhor era hostilizado, porque naquele lugar não cabia mais nada, era boate, estacionamento, bodes, pombos, cães e tudo que você pudesse imaginar.
Ao chegar a data magna do município, São João, padroeiro da cidade, eles não sabiam mais o que fazer para organizar a tradicional quermesse junina, evento tão comemorado quanto o Natal.
Dona Zélia e Seu Luan, moradores mais idosos do lugar, eram os responsáveis pela organização há décadas, só que o lugar onde faziam o festejo era o antigo terreno da Associação dos moradores, que agora se transformara na oficina de Seu Nelinho.
- Agora o que iremos fazer?
Disse seu Luan.
Eles marcaram uma reunião com a comunidade, sabendo do grande risco que era, pois ninguém aceitava ninguém como vizinho tampouco como amigo.
A data marcada para o dia doze de junho foi estratégica para ver se o amor prevalecia entre os cidadãos daquela triste e complicada cidade.
Chegando no dia, a turma toda estava reunida:
Seu Zé dos Pombos logo disse que não iria dar certo, pois iria atrapalhar o pombal que tinha construído do lado da estátua do criador da cidade; Dona Célia ratificou que seus animais não iriam sair prejudicados, começando o maior burburinho; foi quando o padre Geraldo gritou por socorro, dizendo não aguentar mais por tamanha desunião.
Nessa hora o vendedor de frutas tomou a palavra, dizendo ter chegado a pouco tempo e nunca viu uma cidade com tamanha desunião, com tantos problemas, que a cidade estava sendo mal falada em toda as regiões que passava, que Ruinópolis estava se destruindo, não possuía mais um serviço que funcionasse corretamente.
Ele lembrou do negativismo que permeava o lugar, onde nem as crianças são felizes, pois não tem mais pracinha para brincar, porque o lugar era habitado por todos os tipos de animais.
O homem saiu vaiado do lugar, onde os próprios seguranças da prefeita Nilda, defensora dos animais, trataram de colocá-lo para correr, terminando assim a reunião, resultado na suspensão da festa por tempo indeterminado.
O nosso amigo Luan saiu consternado, até passando mal, dizendo que as pessoas pensam que o que é público não é de ninguém, muito pelo contrário, que só irão se unir quando acontecer uma tragédia, pois tem muita gente que é assim, só se une depois dos desastres.
Passados alguns meses Seu Luan adoeceu e ninguém sabia o que ele tinha, teve que ir às pressas para Salvador, pois ali nada funcionava, descobrindo que ele estava com uma doença grave por causa das fezes dos pombos, deixando muita gente consternada.
Foi uma verdadeira comoção, a praça foi interditada pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, que fez uma verdadeira limpa.
Muita gente falou que foi por causa do padroeiro da cidade que não teve a sua festa, mas agora nada adiantava, pois o nosso moribundo passou dessa para melhor, sendo um grande grito de alerta para todos, que de uma hora para outra passou a se organizar, gerando muita confusão no início mas no final resolveram se unir e até mudar o nome da cidade para São João dos Milagres onde o novo prefeito, o tal João das frutas, resolveu organizar a cidade, plantando árvores frutíferas e organizando o serviço publico, tornando o lugar muito conhecido no seu maior evento: a festa de São João, com o Festival das Laranjas.
O nosso prefeito chegou até a criar uma pracinha com o nome do morador mais querido da cidade, o Seu Luan, onde ele deixou a célere frase:
- As pessoas só se unem depois dos desastres.


Salvador/BA



07.
VIVA SÃO JUÃO!
Humberto – Poeta


Cumé bão festa junina,
Pois, véia, moça i minina,
Tudas éla entra na dança!
Nu pôntu ninguém num drómi,
Us cabôco mata a fómi
I túdu múndu ênchi a pança!

Eu vô cumê uma canjica
C’a minha cunhada Chica
Mais a cumádi Zabé...
I adispois di um bão quentão
Eu vô vê si inda to bão
Pra caí nu arrasta-pé!

U Tonho puxa a sanfona,
I a Bilica sorterona
Sórta prá Zéfa as fofoca...
Dissi qui viu u Zé do quêju
Na Candinha pregá um bêju
Cos bêiçu chêi di passoca!

Da fia du Zébedeu
Tudu mundu iscafedeu
Co’a farta di inducação!
Adispois qui arregalô-se
Di pinhão, batata dôci,
Garrô di sortá rojão!

I tântu fidia aquilo,
Nas venta, nus gragumilo,
Qui dava inté cumichão!
Mai dêxa u fedô pra lá,
Vâmu São Juão festejá
Cum rojão o sem rojão!

São Paulo/SP



08.
ARRAIAL DA PAZ
Fernando Alberto Salinas Couto


Ao primeiro acorde da sanfona,
começa toda movimentação,
na frente da nossa igreja matriz.
Barracas cobertas com lonas,
para brinquedos e alimentação,
prometendo uma festa feliz.

Vestindo aquelas saias rodadas,
as mocinhas vão chegando,
de rostos pintados e a sonhar
que assim, hão de ser admiradas
e conquistar algum namorado,
para trocar carinhos e para amar.

Calças rancheiras, camisas xadrez,
botas de couro e chapéu de palha,
vestem os rapazes na pracinha.
Todos na mesma esperança, talvez.
em conseguir realizar a escolha
de uma linda e formosa caipirinha.

Amendoim, algodão doce, pipoca,
pamonha, pé de moleque, paçoca
e brincadeira de correio do amor.
Batata doce preparada na fogueira
e, ao lado, uma mulher rendeira,
com amor, vai costurando uma flor.

Assim, depois da quadrilha dançar
deixando toda a tristeza pra traz,
quando a cidade toda se cansar,
ficará, apenas, aquele clima de paz.

INÉDITO

RJ – 18/06/15



09.
FESTAS JUNINAS NO NORDESTE
Josue Ramiro Ramalho


No inverno dos nordestinos
Onde crescemos desde meninos
Trabalhando e cantando feliz
Ninguém segurava a alegria
Nas festas que se faziam
Nas noites que eu sempre quis

Quando junho chegava na roça
Fogueiras em frente às palhoças
Nas horas que a gente a(s)cendia
Tantos fogos a pipocar
Muito forró sempre a tocar
Num mundo de fantasias

Santo Antonio iniciava
São João comemorava
Até São Pedro vir festejar
Nas rodas de danças faceiras
Essa gente bem brasileira
Dançava pra noite virar

Canjicas, bolos, amendoins
Pamonhas, licores, enfim!
Faziam a festa maneira
Sanfoneiros nos terreiros tocavam
E, enquanto o povo todo dançava
A gente assava milho na fogueira

Frutas da época chegavam de montão
Para alegrar as festas de São João
E todo nordestino agradecia
Com tanta fartura da terra
Ninguém ali pensava em guerra
Só festejando com muita alegria

Nas roupas bem coloridas
E todos curtindo a vida
As festas sempre iam certo
Depois do arraiá formado
Os pares dançando agarrados
Contentes, felizes, espertos

Na roça, alguns também se casavam
E, em volta das fogueiras juravam
Se amarem eternamente
Assim, todo São João deixa lembranças
Pois é festa que traz esperanças
E nunca foge da nossa mente.

Texto inédito
Salvador/BA



10.
Saudade do meu amor
Wellington Costa


Se saudade fosse verbo,
Amor seria sujeito.
Eu seria predicado,
Ao invés de pronome, perfeito.

Mas, como amar é verbo,
E saudade uma sensação que me assola;
Então, eu serei o sujeito
Que guarda teu amor no peito,
E com o frio da saudade se enrola.

Inédito
Cabedelo/PB



11.
O São João da minha infância
Wellington Costa


Quando lembro
Do São João de quando era criança
Retorno no tempo,
Me contento
Com a saudosa lembrança.

Rosinha, flor do sertão,
Com seu vestido, todo enfeitado,
Fazia meu coração pulsar
Chegava até a pular
Dentro do meu peito apaixonado.

À noite, se fazia uma festa
A rua toda enfeitada
Com balões, bandeirinhas e a fogueira
Ali, se brincava a noite inteira,
Até ao chegar da madrugada.

A gente, namorava escondido
O coração explodia constante,
Sem maldade, eram só beijos de brincadeiras
Que aconteciam, por traz das bananeiras
Meninos viravam homens por um instante

O tempo passa, a gente cresce,
Ficam as memórias que nos visitam com frequência,
Diferentes das práticas do presente
Onde os casais só ficam, sem se saber o que sente,
Diferente do São João da minha infância.

Inédito
Cabedelo/PB



12.
BÃO MESMO É NA CAPPAZ!
Celso Corrêa de Freitas




Praia Grande/SP



13.
Nesta Noite
Audelina Macieira


Nesta noite de São Pedro
dançar sem medo ao redor da fogueira
lembrar do arrasta pé com você.

Nesta noite levar a alegria
vestidos de caipira em um balanço
perfeito, cores avermelhadas nas bandeirolas
até a madrugada.

Maria e Antonio vão casar
sob a luz e calor da fogueira acessa
que esquenta os dançadores
que exaustos gritam
anarié..

E a noite vai seguindo sem tristeza
afinal é noite iluminada onde a euforia
acaba quando amanhecer.

Salvador/BA



14.
CARROÇÃO DA ALEGRIA
Joyce Lima Krischke


Andamos felizes no carroção
Fazendo da vida uma canção
No balanço gostoso deste dia
Sinto-me feliz: pura alegria!

No caminho encontro quero-quero
Ao longe no gramado verde...
Chegou São João que tanto espero
De dança tenho sede

Quitutes, amendoim e quentão
Entra o som para alegrar meu coração.
Alegria e festa... a vida se revela.

Sim, vivemos na Paz e na harmonia
Seguimos dançando neste dia
Rodam o baile junino... ele e ela!

Palmas- Celso Ramos-SC, 11/06/2015



15.
Festas juninas
Vera Passos


Quando eu era menina usava vestido de chita
Tranças no cabelo e laços de fita.
Era a festa mais bonita, era tamanha alegria!
Meu Pai fazia fogueira, minha Mãe a canjica
Minhas Tias, a fantasia
Na sala, bandeirinhas coloridas
Balões voavam no pensamento
Na mesa, laranjas enfeitadas,
A meninada tocava fogos, a vitrola tocava baião.
A gente pulava fogueira, marcava na bananeira,
O futuro da palma da mão
Éramos tão felizes! ficaram cicatrizes e raízes do coração
O tempo pode passar a vida correr
Saudade, saudade... sempre hei de ter:
Das rezas de Santo Antônio,
Das noites de São João,
Do São Pedro das viúvas,
Do licor de jenipapo, do milho e do quentão
Do forró e da sanfona, das quadrilhas no salão.

Salvador/BA



16.
Meu Bom São João!
J.J. Oliveira Gonçalves


Então, era São João... quanta alegria
Na rua pobre e quieta – onde cresci!
No céu azul-marinho... que Magia
Aos meus olhos contentes – de guri!

O fogo da fogueira era Poesia
Um Poema a crepitar, ali, eu vi...
São João era o Clarão que me Ungia
A Alma – e o Estro com o qual nasci!

E ia a noite alta... E a Lua-Cheia
Musa e Fada-Madrinha era a Candeia
Que, de Prenda vestida, me sorria!

Hoje, meu Bom São João, quanta Saudade
Das antigas canções... Daquela idade
Da Vida que era, então, Ruiva Guria!

Na memória do olhar... olho o Passado
E o coração resmunga... acabrunhado!

Inédito

Porto Alegre, 21 de Junho – Inverno/2015. 12h27min
jjotapoesia@gmail.com – www.cappaz.com.br



17.
São Pedro das Fogueiras!
J.J. Oliveira Gonçalves


Padroeiro deste Pago, que Amo tanto,
São Pedro que as Chaves tens do Céu:
Protege, dia e noite, este Recanto
Pois, acredita, em Ti, mesmo o incréu!

São Pedro das fogueiras... do pinhão
Do busca-pé moleque... da estrelinha
Que, alegre, segurava em minha mão:
Saudade Alma me aquece e acarinha!

Clarões pela cidade... Noite fria
Os tempos eram outros... Quem diria
Os Santos sem a Antiga Tradição!

Mas eu, remanescente de outra Era
Carrego, em meu triste olhar de espera:
As brasas da fogueira ao coração!

Ledas Festas Juninas... lá, da infância...
Fogueiras que ainda brilham na Distância!

Porto Alegre, 21 de Junho – Inverno/2015. 14h39min
jjotapoesia@gmail.com – www.cappaz.com.br



18.
GOSTO DE INVERNO
Estela F.Braud


Como me agradam estes dias frios...
Sinto-me mais disposta, nariz gelado,
Botas, cachecol, mesmo assim uns calafrios...
E gosto tanto, por que será?
E a cama então, com seu chamado,
Ninho quentinho me aguardando
Com um livro... e mergulho, viajo, conheço...
Conversa-se mais, no aconchego em roda de chá
Onde encontro amigas e falamos de poesia
E contamos piadas e nos desmanchamos em risadas...
Sopinha quente, que belo convite Joyce,
Como combina frio, sopa e boa companhia:
Pode aguardar-me, estarei lá.
Levando "tapetinhos" e minha alegria.

Inédito
Balneário Camboriú/SC



19.
Festa de São João!
Regina Kreft


Noite estrelada, vai começar a festança
Abraço apertado, corações eufóricos
Sanfona gritando, espocam fogos
É noite de São João, todos nesta dança!
Compadres e comadres se alinhem
Acertem o passo que dança já está fervendo!
Cavalheiros de chapéu e damas de chita se agitem
Sigam o compasso da alegria que está efervescendo!
A quadrilha bem marcada...Faz o mundo girar
Todos se esquentando com o quentão
Tudo girando feito peão!
A velha sanfona arrancava notas de euforia
Ninguém sentia o chão, todos flutuando!
A festa rolava solta...O sol participando!

Inédito
Joinville/SC



20.
SAUDADE
Jacira Pereira


A saudade é algo assim:
Uma agonia sem fim,
Uma dor dentro da alma,
Que chora dentro de mim.

Saudade é rio pequeno
Que corre pra dentro do mar,
É como a minha ilusão
De um dia te encontrar.

Há saudade!...
Por que me atormentas tanto?
Deixas-me assim neste pranto
Como um pássaro sem poder voar?

Como a rosa sem perfume
Que todos gostam de cheirar?
Enfim, a saudade é tanta
Que faz a gente pensar,

Para sentir saudade
Não precisa se esforçar!...

Cabedelo/PB



21.
Alegrias do Ano
Daniel Brasil


São as festas juninas
Com fogueiras e quentão
Folguedos e balão
Alegria se ilumina
A festa nos fascina
Com sua religiosidade
Entre campo e cidade
São lindos os foguetórios
Entre nobres e simplórios
Há festa a sociedade

Nestas festas juninas
Sempre se tem pinhão
Mas existe outra razão
Com elas eu me afino
Com outras sintonias
Cada qual com simpatias
Alegrando o Coração
São alegrias de verão
Que são outras Alegrias...

Inédito
Porto Alegre- RS



22.
Outro lado da Vida
Soninha Poetisa


O silêncio aproxima-se,
Flutuando pelo oceano,
As nuvens vão e vem.
Logo vejo,
Muitas pessoas rezando.
Surge na minha mente uma pergunta,
Cadê o campo com as margaridas?
Mas adiante,
Ouvi alguém recitando poesias.
Fui a segunda a recitar,
Pessoas cabisbaixas, mas atenta,
Pergunto,
_ Algo para acrescentar, alguém responde,
_ Coloque no seu papel, sinto saudades da família.
Tantas outras começam a dizer juntas,
Mande lembranças, aqui rezamos todos os dias.
Uma sirene toca,
Todos se levantam, e despedem-se.
Alguém lá do fundo da sala, pede para eu ir embora,
Sem entender nada, sou acompanhada até uma luz,
Uma porta se abre,
Percebi que viajei para o outro lado da vida.

Campo Grande/MS -23/06/2015



23.
Parabéns Joyce
Mensagem de aniversário da
Presidente Fundadora da CAPPAZ
Joyce
Eliene Dantas de Miranda


Joyce símbolo de ternura e carinho.
Grata a Deus por existir alguém
Com a extirpe, garra, que pregue
Amor e Paz como você, tão bem.

Agradeço-lhe em nome da irmandade
Rogando a Deus que sempre conserve

Dedicação às crianças exploradas
E aos CAPPAZes sua amizade preserve

São Paulo/SP



24
SAUDADE
Eliene Dantas de Miranda


Lembranças de outrora
Quando tudo era tranquilo
Barulho?
Não como agora.

Infinito azul e estrelado,
Lua brilhando no céu.
Crianças correndo pra todo lado
Felizes, viviam ao léu,

Saudade... saudade...
Dos cânticos maviosos dos pássaros
Do badalar do sino... que felicidade!
Da canoa que atravessava o rio,
Do pequeno coque da vozinha,
Do som da tia que ralhava

São Paulo/SP



25.
ORAÇÃO DO SOLDADO
Wilton Costa


O sol vem despontando e com ele a natureza,
Desperto sentindo a Tua grandeza,
Para enfrentar os desafios das incertezas,
Pois é assim que pensa o soldado ao levantar.

Ao acordar bem cedinho,
De mansinho a despertar,
Logo me posto de joelho para contigo orar.

Te agradeço por Tua existência,
Pois sem a sua benevolência,
O soldado não sobreviveria,
As armadilhas do inimigo que minha vida que tirar.

Oh! Meu pai, vou ao teu encontro buscar,
A proteção e guarida, para que não me permitas
Que o inimigo possa minha vida tragar.

O mundo precisa de Ti, da Tua segurança,
Pois, buscando o teu escudo sinto a confiança,
Com este sentimento vou a peleja, com tanta certeza,
De salvar vidas e levar a paz aos aflitos
Que tem nos seus soldados a esperança.

22/05/2015
(SAP/CE)



26.
DESCUIDO DE DEUS
João Kleis


            O planeta estava se transformando. A massa ardente que escapara de alguma fornalha do Universo, girando violentamente, fora captada pela atração do Sistema Solar e agora passava a ser uma grande bola que se solidificava.
            Ventos violentos sopravam em todos os quadrantes, esfriando aos poucos a brasa viva e fazendo os gases dela desprendidos, serpentearem em todas as direções do céu formando as nuvens.
            Aos poucos, tudo foi se acalmando e o Arquiteto do Universo começou a trabalhar a Sua Obra. Fez os mares, a luz, a noite e o dia, os animais, os peixes, os rios e tudo o mais que existe em nosso globo.
            Trabalhando incansavelmente, o Grande Escultor dava forma às coisas e procurava ser o mais preciso em todos os detalhes, pois que, era Sua idéia fazer uma experiência nova e que se aprovasse, iria fazer-lhe um grande bem. Criaria um ser a Sua semelhança e o faria habitar ali, tendo desta maneira alguém para dialogar.
            Fugiria assim, um pouco da solidão milenar em que vivia.
            Imaginou tudo de bom para este ser que viria tomar conta de Sua Obra Prima, pois era Seu desejo, que nada faltasse ao mesmo.
            Todas as coisas maravilhosas de nosso mundo foram criadas nos momentos mais felizes do Ser Supremo, alegre por ter em breve com quem se comunicar.
            Em Suas divagações, imaginava o homem vivendo no paraíso que para ele fora criado e o quanto tudo isto, seria bom para este ser privilegiado.
            Lembrando-se de que a solidão é muito triste, Deus também pensou em alguém para fazer companhia à criatura que estava prestes a surgir e, num momento de grande inspiração, imaginou a mulher.
            Mas, esta segunda criatura que receberia Dele os dons da formosura, precisaria de um lugar onde pudesse livremente expor o seu corpo aos raios do sol e gozar as delícias da brisa amena soprada pelo vento do mar.
            Com o dedo indicador, fez Ele uma leve curva numa certa parte do globo terrestre criando uma linda enseada, onde as águas verdes do mar vinham beijar a branca areia da praia, brilhando sob os raios do sol.
            E, foi antevendo a beleza incontestável de nossa linda Camboriú que o Criador de todas as coisas, extasiado, descuidou-se e deixou escorregar por entre Seus dedos, bem no meio da enseada, um pouco da massa que ficara em Suas mãos quando projetava este lugar encantador.
            Quis apanhá-la, mas observou ter ela se transformado num minúsculo rochedo que completou de forma harmoniosa a beleza paisagística daquele belíssimo lugar. Deixou-a ficar.
            Foi assim, que surgiu esta nossa linda ilha.


Balneário Camboriú/SC



27.
Quadras de Paz
Joyce Lima Krischke




Balneário Camboriú/SC



28.
BELLO SUEÑO DE ATARDECER
Saturnino de la Torre


Palpando a tientas en la distancia
busco tu mirada fugitiva
y en sueños sentí que tu alma
estaba unida a la mía.

Como una rosa desgranada
es el aroma de tu sonrisa,
y al rozar mis labios en tu frente
se incendió la tarde de mi vida.

Son dos ascuas tus labios rojos,
cuyo roce adormece y excita,
son volcán con espada de fuego
que estremece, mata y resucita.

Estrellas de noche son tus ojos,
son cielo, son mar, son esquilas,
son ojos que incitan y acogen,
ojos que hablan, ríen y espían.

Hacía la ronda en la noche clara
la cálida luna de tu sonrisa,
yo salí de mi vida para verla
y se encontraron la tuya y la mía..

Qué hermoso es poder soñar
aunque sea al caer del día,
pues nada hay más bello que un sueño,
cuando ese sueño vale una vida.

Barcelona-Espanha



29.
TROVA- ANIMAL
Oficina Literária - CAPPAZ
Silvia Benedetti




Porto Alegre/RS



30.
TUA IMAGEM
João Kleis


Quando já for um tempo bem distante
E as rugas, em teu rosto, insistirem em ficar
Peço-te, não mudes o teu semblante,
Tão lindo, que meus olhos gostavam de admirar.

E se a neve chegar aos teus cabelos,
Transformando-os em flocos de algodão,
Não fiques triste nem procures escondê-los
Pois, refletem eles teu nobre coração.

E, se nos teus olhos lágrimas surgirem,
Deixe-as correrem por tua face linda
Até em teu colo de marfim, sumirem.

Não temas o tempo, manda-o embora!
E lhe diz, que no Vale das Luzes, alguém ainda
Vê tua imagem tão bela, como o foi outrora.

Balneário Camboriú/SC



31.
Flores Alegrias de Inverno
Judite K. Sebastiany




Porto Alegre/RS



32.
Frutas Cítricas-Alegrias de Inverno
Judite K.Sebastiany




Porto Alegre/RS



33.
FESTA JUNINA
Silvia Benedetti


Assim que a noite caia
Acesa era a fogueira
Entre grande animação.
Bandeirinhas coloridas
Dançando ao sopro do vento
Cartazes em profusão.
Chegavam os convidados
Caipiras acanhados
Em suas camisas xadrez.
Moças belas e enfeitadas
Babados laços de fitas
Em seus vestidos rodados.
Que alegria o casamento!
Em versos belos, rimados,
Quando o brabo delegado
Trazia o noivo no arrasto,
Por ter tentado fugir.
O quentão cheirava forte
Fervilhante na panela:
Cravo, gengibre e canela...
Gostosura sem igual.
Tinha canjica engrossada
Com coco e amendoim
O pinhão o milho assado,
Bolo de aipim e paçoca.
Ah que saudade sem fim!
No auge da festa a quadrilha
Quando a moçada brilhava
"Fugindo alegre da chuva
Pelo caminho da roça"!...
Era festa sem violência
Que hoje, pouco se vê.
O foguetório enfeitando
De luzes o negro céu.
Era ruidosa alegria
Indo do traque ao rojão
Saudável festa junina,
De Antônio, Pedro e João!

14/06/1989
Porto Alegre/RS



34.
FESTAS JUNINAS NO NORDESTE
Josue Ramiro Ramalho


No inverno dos nordestinos
Onde crescemos desde meninos
Trabalhando e cantando feliz
Ninguém segurava a alegria
Nas festas que se faziam
Nas noites que eu sempre quis

Quando junho chegava na roça
Fogueiras em frente às palhoças
Nas horas que a gente a(s)cendia
Tantos fogos a pipocar
Muito forró sempre a tocar
Num mundo de fantasias

Santo Antonio iniciava
São João comemorava
Até São Pedro vir festejar
Nas rodas de danças faceiras
Essa gente bem brasileira
Dançava pra noite virar

Canjicas, bolos, amendoins
Pamonhas, licores, enfim!
Faziam a festa maneira
Sanfoneiros nos terreiros tocavam
E, enquanto o povo todo dançava
A gente assava milho na fogueira

Frutas da época chegavam de montão
Para alegrar as festas de São João
E todo nordestino agradecia
Com tanta fartura da terra
Ninguém ali pensava em guerra
Só festejando com muita alegria

Nas roupas bem coloridas
E todos curtindo a vida
As festas sempre iam certo
Depois do arraiá formado
Os pares dançando agarrados
Contentes, felizes, espertos

Na roça, alguns também se casavam
E, em volta das fogueiras juravam
Se amarem eternamente
Assim, todo São João deixa lembranças
Pois é festa que traz esperanças
E nunca foge da nossa mente.

Inédito
Salvador/BA



35.
HEBREUS VS ASSÍRIOS
(Isaías - 37:7 - II Reis, 19:7)
Humberto Rodrigues Neto


No Velho Testamento, em “Isaías”,
há um fato interessante a analisar
de invasões que então eram correntias
sem que o leigo as consiga interpretar.

Portanto, a todo espírita compete
dissecar, sem paixões e sem delírios,
o item trinta e sete, alínea sete,
sobre o cerco a Israel pelos assírios.

Rabsaqué, com suas tropas invencíveis,
já atingira as fronteiras dos hebreus,
mas destes, os profetas mais sensíveis
clamam aos céus pelo poder de Deus!

Então vem-lhes a fala do Senhor:
“Não temais e confiai na vossa fé;
dentro dele um espírito hei de pôr
que fará ir embora a Rabsaqué,

o qual, ouvindo sobre si um rumor,
dará então início à retirada;
e já em sua terra, sem glória e honor,
farei com que ele caia morto a espada”!

É claro que os espíritos influem
nos que se encontram vivos e saudáveis,
e os maus por muitas vezes se imiscuem
nos nossos atos vis ou reprováveis.

Portanto, amigo as suas crenças reveja
e com falsas assertivas não se iluda,
pois nem Deus – diz a Bíblia – pestaneja
de a um mau espírito pedir ajuda!

São Paulo/SP



36.
INCONGRUÊNCIAS BÍBLICAS
Humberto Rodrigues Neto


Perdoem-me, mas não dá pra confiar
no que parecem bíblicos pastichos;
que Deus, pra Humanidade preservar,
salvou-a num navio cheio de bichos!

Que em Jericó a muralha abaixo pôs-se
ao toque de clarins, cheira a lambança;
desfez-se em nada, assim como se fosse
algodão doce em boca de criança!

Ao lado de algum texto irregular,
a Bíblia também tem o que é coerente,
mas ninguém vai fazer-me acreditar
na anedota da maçã e da serpente!

De sábio eu pouco tenho e nem de astuto,
mas mesmo usando de simples coerência,
não sei onde Eva creu que um simples fruto
desse a alguém raros dons de inteligência!

Expulso do Éden, vai Caim pra Nod,
cidade de existência já longeva,
onde se casa – mas como é que pode? –
com uma mulher que não nasceu de Eva!

Tais dúvidas cruéis ainda persistem
nos raciocínios vãos da mente minha,
pois piadas boas assim somente existem
nos contos infantis da Carochinha!

São Paulo/SP



37.
Entre a razão e a paixão
Paulo Rodrigues


Oh, deus dos corações apaixonados!
Nas suas leis sempre protestei meu viver!
E assim tenho feito. Por isso, não entendo o porquê
De tamanha maldade com esse pobre coitado!

Por que um belo olhar sereno e afeiçoado
Converteu minha via em pleno anoitecer
Deixando-me a amargura de sobreviver
Com o coração em plena loucura mergulhado?

Agora metade de mim é pura paixão;
Olhar sem castidade e desejo sem pudor.
E a outra contempla seu olhar sereno com amor.

E se metade de mim é pura paixão
A outra se equilibra no frágil fio da razão
Com medo de machucar-se no torpor.

Inédito
Sorocaba/SP



38.
EMBORNAL
Vanda Ferreira


Tudo passará pelos vãos do calendário,
Por entre os olhos,
Nos parênteses da pele,
ressonâncias auditivas,
Ponta da língua e garganta.
Tudo passara!
Depois, ficará somente o rastro
reto, torto, curto ou longo.
Até minguar silenciosamente,
a lembrança sangrara de uma canção manchada de xizes,
cor jabuticaba,
perfumado risco na brandura sentimental.
Depois ficara apenas o rastro
aguada tinta em céu histórico;
Renda nevoa tocara o hino de notas outonais.
Sons leves,
superficiais,
vagam, sem lumes, lunático escuro.

Campo Grande/MS



39.
Ousadias
Marina Martinez


Nunca pulei fogueira,
nunca soltei rojão,
nunca rezei na missa
prá São Pedro ou São João.
Neste ano ousarei:
vou falar com Santo Antônio,
Santo bom, casamenteiro:
pedirei fartura de amor,
num homem bom e parceiro
Pularei uma fogueira,
soltarei algum rojão.
Na missa irei rezar
prá São Pedro e São João.

Inédito
Porto Alegre/RS



40.
SEGREDO
Varenka de Fátima Araújo


Noite iluminada
Guardou nosso segredo
Mas a lua prateada
Sumiu com enredo

Esse meu intimo sente
E com volúpia dizer
Esse segredo da mente
Que é preciso esquecer

Salvador/BA



41.
Vem pra cá
Fátima Peixoto


Animação é o que não falta,
Pé de serra até o Sol raiar,
Vamos ralar o bucho,
arrastar pé.

Vem pra cá
Comer canjica,
Comer pamonha, milho assado,
Tapioca,
E mungunzá.

Vem pra cá,
Quadrilha, vamos dançar,
Você vai adorar,
Depois de uma boa pinga tomar.

Vem pra cá
Vamos andar no trem do forró
Vamos assistir o Pôr do Sol,
Conhecer as maravilhas,
Que a Paraíba tem para mostrar.

Cabedelo/PB



42.
Inverno
Michelle Franzini Zanin


O que dizer dessa monotonia que me abate?
Combina com o tempo frio e molhado.
Enquanto esse inverno perdurar permanecerá as desilusões.
Não há raios de sol para iluminar.
Falta luminescência em mim.
Onde está o eu ofegante avido por descobrir os grandiosos mistérios da vida?
Não sei, tenho que me aquecer.
O frio me domina, faz com que perca a consciência,
esqueça quem sou, subjugue a história, mude o enredo.
É difícil ter entendimento da situação,
tenho que sobreviver, encontrar forças,
manter acessa a chama de esperança abatida pelo sereno.
Sobreviverei ao inverno, passei por situações piores,
enfrentei a morte por diversas vezes e voltei intacta.
Hibernar talvez seja a solução, poupa energia,
evita mais danos ao intelecto.
Tento sentir os cheiros das flores, recordar a primavera,
o florescimento de novas ideias marcadas pelo juvenil entusiasmo.
Ouço uivos, matilhas se apoderam do meio exterior,
o interior talvez não seja o mais luxuoso,
mas, é confortável e seguro.
A neve acumulada na janela tenta me atrair, parece inofensiva,
carrega uma beleza singela, não me engana.
Sei que irá queimar ao tocar, poupo o tato,
os olhos se encarregam de admirar a fúria natural.
A chaleira apita. Uma xicara de chá,
uma lareira a lenha e um livro confiável marcam a passagem do tempo,
na companhia de meu sempre fiel cão.
Por que viver em um ambiente inóspito é uma escolha?
Não é.
Entenda que o inverno persistirá se instaura de tempos em tempos,
rouba o calor armazenado, deixa o ambiente sombrio
faz imperar a tristeza.
Libertar-se tem um preço alto, impagável para seres mortais.
Aprendi desde muito cedo a respeitar as forças da natureza,
contra elas nada podemos fazer, nossas ações são inúteis, tolas.
O céu cinzento voltará a ser azul. Retomarei meu caminho,
meus princípios e sonhos se despertarão novamente.
Por agora fico aqui a mercê da melancolia que me trancafiou.
Suspirando.
Recordando o verão.

Inédito
Araraquara/SP



43.
FESTAS J.NINAS
Carlos Reinaldo


Festa junina é inocente,
é simples , bem arrumada,
por isso tem muita gente,
humilde e bem animada.

Lá tem canjica e quentão,
amendoim queimadinho,
pipoca não falta não,
tudo gostoso e quentinho.

O que desponta e desvela
são as morenas trigueiras,
mulatas cor de canela
e louras, todas brejeiras.

Festas juninas suplantam,
joias de grandes valores,
belas e puras encantam,
tem o perfume das flores!

Conselheiro Lafaiete/MG



44.
À beira da fogueira...
Maria Julia Guerra (Maju Guerra)


Eu pedi a Santo Antônio
Que trouxesse o meu amor
Na noite de São João.
Quis um homem carinhoso
Trazendo na mão uma flor,
No coração, a paixão.
Na festa de São João,
Sozinha, esperei em vão,
Não perdi a esperança,
Meus santos de devoção
Sempre cumpriram o prometido.
É que Santo Antônio, caprichoso,
Junto com o meu São João,
Com critério, escolheram
O homem certo pra mim.
Na noite de São Pedro,
À beira da fogueira,
Lá veio na minha direção,
Com uma rosa na mão,
Olhos irradiando ternura,
O homem da minha vida.
Agradeci aos meus Santos
Por tamanha consideração.

Salvador, junho de 2011.



45.
Saudade
Fernanda Carvalho Veiga


Saudade dos olhos que me encantam,
Dos olhos que me seduzem,
Dos olhos que despertaram em mim,
O sentimento mais doce que já senti.

Saudade do dono deles,
Do som daquele sorriso fofo,
Daquela voz...A mais linda que já ouvi.

E se hoje, eu pudesse ter um desejo concedido,
Desejaria apenas vê-lo pela última vez,
Só para gravar mais um momento em mim,
Para servir-me de consolo, nessas madrugadas sem fim.

Salvador/BA



46.
AS ALEGRIAS DE INVERNO
Eda Bridi


O outono despede-se deixando nas calçadas
um colorido tapete de folhas amareladas.
O sol desaparece mais cedo no horizonte.
Não é nostalgia. É o anúncio de novas alegrias.

Chega o inverno, triunfal!
Frio, muito frio, no Sul. Noites de geada...
Ao amanhecer, a paisagem de um belo visual:
Vegetação colorida de branco
Fumaça nas chaminés.
É o fogo nas lareiras, nos fogões à lenha,
Aquecendo as casas, os corações.

Alegrias de inverno...
Ao calor da lareira, a família reúne-se
Os amigos vão chegando
Para o bate-papo descontraído
Para o chimarrão
Com pipoca, rapadurinhas, bolo de milho
e pinhão assado na chapa do fogão.
Vovós tricotam cachecóis.

É tempo de festas juninas, de alegria!
De comemorar Santo Antônio
As donzelas faceiras fazem simpatias
Para o Santo casamenteiro.
De comemorar São Pedro, do céu o porteiro
São João, o Santo festeiro.
Nos arraiais decorados com bandeirinhas,
balões, palha de bambu e de coqueiro.
Barraquinhas de comidas típicas e quentão
As fogueiras...
Reza a lenda que, quando nasceu João Batista,
Isabel mandou acender uma fogueira
Para avisar a prima Maria.

Lenda... Tradição... Comemoração...
Os nordestinos agradecem a São João Batista
Também a São Pedro
Pelas chuvas e pelas colheitas.

Nos arraiais, em torno das fogueiras,
tendo à frente os “noivos”
Moços vestindo camisa quadriculada,
calça de barra curta, chapéu de palha,
e as moças com vestido colorido de chita,
trancinhas com laços de fita,
e faces bem rosadas,
dançam a quadrilha na maior animação.

E os visitantes vão chegando...
Participam das quadrilhas e brincadeiras,
dos forrós
Ninguém fica só
E aos pares divertem-se...
Saboreiam os deliciosos quitutes
Preparados pelas prestimosas doceiras.

Todos os recantos do Brasil
De norte a sul, de leste a oeste,
Homenageiam os Santos de junho.
Mas as maiores festas são as do Nordeste!

Inédito
Sobradinh/RS



47.
Quadrinha Junina
Paola Rhoden




Brasília/DF




ENCERRAMENTO - 76ª CIRANDA MENSAL CAPPAZ
MARINA MARTINEZ


Fomos cappazes de cirandar novamente. ‘Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar, vamos dar a meia volta, volta e meia vamos dar.
Creio ser isso o que fazemos em nossas vidas, girando com o girar do mundo.
Juntamos nossos pensamentos em letras, palavras, sinais e os entregamos àqueles que buscam menos críticas, menos dores, menos sofrimentos e, se surgirem essas sensações, que sejam oferecidas –e recebidas- com respeito e carinho.
Considero-me uma eterna aprendiz (creio ser expressão do Gonzaguinha –caso não seja, desculpem-me) e aprendi, numa crônica de Alcione Sortica, o termo ALDRAVIA –poemas constituídos por seis versos univocabulares, numa formação de termos empilhados, cuja essência é o máximo de poesia com um mínimo de palavras.
Vou me permitir explorar esse novo (para mim) nicho. Se for cappaz de produzir algo expressivo, que essas palavras se tornem o encerramento dessa ciranda e, quem sabe, o início da próxima. Luz e Paz.


01

Amor

Sincero

Vida

Luz

Paz

Espero


02

Janela

Rua

Passantes

Desastre

Fotografias

Desisto


03

TV

Ligada

Espírito

Longe

Liberada

Adormeço
04

Gato

Telhado

Barulhos

Prevenido

Tira

Botas




AGRADECIMENTOS - 76ª CIRANDA MENSAL CAPPAZ

Agradecemos a participação dos confrades e confreiras que com esmero e carinho fizeram desta Ciranda das Festas Juninas um arraial alegre e colorido.
Abraços juninos de PAZ E BEM.

São Paulo/SP, 07 de julho de 2015

Eliene Dantas de Miranda
Coordenadora das Cirandas - CAPPAZ


SELO DE PARTICIPAÇÃO











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Fotos do top: Festa Junina - Organização SESC - Balneário Camboriú - Local do evento: Hotel SPA Palmas - Celso Ramos
Arte e Formatação Rosângela Coelho
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