(Imagem – enviada por Celso Correia de Freitas)

Quando completei 18 anos, isto no ano de 1972, já com minha mochila pendurada ao ombro disse para minha mãe: Mãe, Vou conhecer meu pai! E ela sem pestanejar respondeu-me: Não faz mais que sua obrigação.

E lá fui eu! Não por achar tão somente que aquela era a minha obrigação, mas por faltar ao meu coração o reconhecimento paterno dele. Por não o conhecer crescia em mim um enorme vazio, e ele por não me conhecer aumentava a distância inclusive geográfica que nos separava.

Todo este preâmbulo para ressaltar a importância de ser, e de se ter este personagem que ao lado de sua mulher, nossa mãe nos concede o dom da vida.

Ser Pai, e ser um pai capaz de preencher todos os espaços possíveis na jornada existencial de um filho, é a maior missão que o Deus pai deu ao seu filho homem.

Não é uma missão fácil, mas é necessária e prazerosa.

Que neste dia dos pais, os pais CAPPAZes recebam o merecido reconhecimento dos seus filhos e filhas por seus esforços de também com a Poesia preencher suas vidas e contribuir para uma humanidade melhor.

Esta Ciranda é em sua homenagem Pai CAPPAZ, sempre!

Celso Corrêa de Freitas
Confrade Efetivo
Praia Grande/SP




1ª PARTE - CIRANDA TEMÁTICA

01- Aila Brito (20)
02- Carlos Reinaldo (29)
03- Celeste Farias (08)
04- Celso Corrêa de Freitas (15)
05- Deomídio Macêdo (12)
06- Dilson Ferreira (17)
07- dinapoetisadapaz (06)
08- Eda Piccinin Bridi (30)
09- Edvaldo Rosa (25)
10- Eloisa Antunes Maciel (02)
11- Estela Braud (16)
12- Fátima Peixot0 (03)
13- Fernando Alberto Salinas Couto (04)
14- Francisco de Assis Vitovski(31)
15- Haydée S. Hostin Lima (11)
16- Jacira Pereira (33)
17- J. J. Oliveira Gonçalves (28)
18- Jonas Krischke Sebastiany (19)
19- José Pereira da Silva (22)
20- Josimar Cardoso (07)
21- Joyce Lima Krischke (05)
22- Judite Krischke Sebastiany (09)
23- Marcelo Oliveira de Sousa (01)
24- Márcia Poesia de Sá (32)
25- Neneca Barbosa (13)
26- Odilon Machado (26)
27- Regina Kreft (18)
28- Rosana Carneiro (23)
29- Roseleide Farias (21)
30- Sílvia Benedetti (10)
31- Soninha Poetisa (24)
32- Vera Trindade (27)
33- Wellington Costa (14)




2ª PARTE - CIRANDA LIVRE

01- Aila Brito (08)
02- BRita BRazil (15)
03- Conceição Castro (16)
04- Daniel Brasil (01)
05- Dilson Ferreira (07)
06- dinapoetisadapaz (05)
07- Edvaldo Nunes (11)
08- Gerusa Guedes (10)
09- Haydée S. Hostin Lima (06)
10- Jacira Pereira (12)
11- J. J. Oliveira Gonçalves (02)
12- Joyce Lima (09)
13- Judite Krischke Sebastiany (03)
14- Marina Martinez (19)
15- Neneca Barbosa (14)
16- Odilon Machado (13)
17- Valter Bitencourt Junior (18)
18- Vera Passos (17)
19- Saturnino De La Torre(04)




01.
O pai,
Marcelo Oliveira de Sousa


O pai,
Que criou o mundo
D' um só clarão.
O pai,
Senhor dos senhores
Estendendo a mão.
O pai,
do minuto, do segundo.
O pai
dos amores.
O pai dos sonhadores.
O pai
da cidade, do sertão.
O pai
do Espírito Santo.
O pai,
do espanto
O pai,
Que eu quero tanto!
O pai,
Meu painho.
Que está bem quietinho
no meu coração.

Salvador/BA



02.
Aos Pais, um preito de Louvor...
Eloisa Antunes Maciel


É possível que eu esteja a cometer uma violação do princípio da Parcimônia aplicado ao plano científico-social, bem como de outros princípios que defendi ao longo de minha atuação docente em nível universitário…

Que o digam meus (inúmeros) ex-alunos, sempre atentos a um possível deslize de minha conduta neste particular…

Admito que, em se tratando de abordagem de nível afetivo essa indesejável possibilidade se faz mais presente… Sei que estou a arriscar. Contudo, disponho-me a assumir as consequências ante a indicios dessa possível ocorrência. Portanto eis as razões e as motivações do preito de louvor que dirijo aos (verdadeiros) pais – pais que realmente honram o termo PAI – não se detendo na condição de mero genitor/provedor… (Ou talvez mais genitor do que provedor)… Refiro-me ao Pai-desvelo - sem exageros, claro, sem distorções em seus papéis – como o criticado papel pai - mãe, por vezes circunstancialmente imposto em situações excepcionais.

Pai- desvelo? Ainda que esta expressão possa parecer esdrúxula, adoto-a no sentido de um desvelamento traduzido por zelo vigilante e, em certa medida, exigente sem que exclua o diálogo e as necessárias medidas educativas reconhecidas como indispensáveis à formação global dos filhos(as) - tarefa difícil que demanda vigilância e, talvez, algumas “idas e vindas” , principalmente ao longo das mudanças que ocorrem no desenvolvimento bio psíquico da prole, ou do filho(a) único(a), ou seja qual for a condição em que se encontrem os filhos – naturais, adotados ou “protegidos”- figura, esta, em desuso atualmente.

A essa altura, impõe-se uma pertinente observação em forma de pergunta: o Pai - desvelo se “enquadraria em determinado padrão ou modelo pré-definido? Jamais. O Pai- desvelo é, sem dúvida, um ser humano normal e, nesta condição poderá emitir certos trejeitos como “um olhar de soslaio”, um “muchochos” e outros vários comportamentos que revelam o “pai humano” sem descaracterizar a sua genuína condição de Pai desvelo… (E, diga-se, como o Pai - desvelo não se enquadra em nenhum modelo típico, difícil – se não impossível - seria traçar o seu “perfil comportamental” exclusivo).

Ademais, o Pai - desvelo tende a ser reconhecido por seus testemunhos concretos de dedicação em situações que requeiram tais testemunhos, como o desvelo especial por ocasião de doenças, situação de mudança – ou imprevistos, entre outras. Pode ser esta a situação do pai que “dorme sentado” junto a uma cama de hospital – ou que somente consegue dormir se souber que os filhos estão seguros quando ausentes… Estão atentos em todas situações, como que em prontidão para atuar em favor do bem-estar, do êxito (ou felicidade) dos seus rebentos.

Em suma: o Pai – desvelo que se faz alvo desta homenagem tende a superar a ultrapassada imagem do mero genitor-provedor – tendendo à louvável condição de primar por testemunhos autênticos de desvelo e, destarte, conquistar o respeito, a consideração e o apreço a que faz jus perante os filhos e à perenidade…

Portanto, a esses pais, de um modo especial, um preito de louvor…


São Martinho/RS



03.
Meu Pai!!! Meu Herói!!! Um guerreiro!!!
Fátima Peixoto


Orgulho de ser sua filha,
Me ensina tanto,
Sempre de bem com a vida.
Pensamentos firmes,
Decidido,
É exemplo,
Mostra o caminho
Deixa todos caminharem com seus próprios pés...
Quando soltamos as mãos disse "Siga em Frente”
O mundo é seu !!!
Você é capaz!!!
Conquiste com seu esforço e honestidade...
Estarei aqui sempre que precisar,
Para ouvi-la ...Não para levá-la no colo
Mas para lhe dizer "Siga em Frente”
Seja feliz!!!!

Meu Pai, te amo muito!!

Cabedelo/PB



04.
Obrigado, meu Pai
Fernando Alberto Salinas Couto


Não me deixastes fortunas,
nem me destes regalias.
Só me mostrastes o labor.
Mas sempre na hora oportuna,
me ensinastes, com sabedoria,
tudo que, realmente, tem valor.

Pai, a ti, com emoção agradeço
o caráter que de ti recebi...
Coisa que jamais terá preço.
Herança pela qual estou aqui.

Rio Janeiro/RJ



05.
Pais... Criaturas que Amam!
(Para os pais- confrades da CAPPAZ)
Joyce Lima Krischke


Pais brancos, negros ou amarelos...
Pai ator, poeta, escritor, advogado!
Pai que afaga seu filho amado
Sim, pais hinos de amor singelos!

Pais professores ou varredores,
Pais que perderam os filhos na vida!
Pai sempre pronto para dar guarida
Pais donos de casa, pais doutores!

Pais que, na realidade, são pais-mães
Ah! Pai que a família da alimenta!
Pai cuida seu filho – vida atenta
Pais que trazem aos filhos pães!

Pais, distribuindo Amor e Paz
Pai nem sempre por seu filho amado!
Pais... Pai... mesmo não sendo respeitado
Pais... Criaturas que amam! Pai CAPPAZ.

Releitura - Balneário Camboriú/SC - agosto-2016



06.
Pai... Não ignore minha Existência
dinapoetisadapaz


Não renegues minha existência,
Não negue meu direito paternal,
Conceda-me de forma natural.

Preciso da sua presença,
Dos seus ensinamentos,
Do seu carinho,
Da sua companhia,
E das suas asas para me abrigar
Nos momentos de vulnerabilidade
Que a vida impõe.

Sem a sua proteção
Serei como pássaro
Sem asas, com medo de voar.

Várzea/PB



07.
Ser Pai
Josimar Cardoso


Ser pai é cuidar, respeitar e aos seus filhos proteger,
Ser pai é amar incondicionalmente os filhos que venha a ter
Ser pai e ensinar, educar sem medo de para o mundo os perder
Ser pai é doar amor mesmo que dos filhos o mesmo não possa ter.

Ser pai é mostrar para os filhos o bom caminho da vida a ser seguido
Ser pai é dar guarida aos seus filhos de braços abertos e estendidos
Ser pai é ter coragem de dar sua vida pelo seu filho querido
Ser pai é nunca ter que cobrar dos filhos quando por ele for esquecido.

Ser pai não se aprende nos livros e nem numa escola escolhida
Ser pai é passar para os filhos uma personalidade definida
Ser pai é estar sempre presente quando os filhos dele precisa,
Ser pai é dar para os filhos os melhores ensinamentos da vida.

Porto Velho/RO



08.
Meu Querido Pai
Celeste Farias


Que engraçado...
Hoje é Dia dos Pais
Lembrei de ti Papai
Parei para pensar
E vim recordar...

Nunca escrevi um poema
Que falasse o quanto te amo
Te admiro e te respeito
Meu querido Pai.

Eu nunca coloquei nos versos,
Aqueles protestos
De horários
Nem os seus honorários
De por mim, cuidar.

Tão pouco escrevi
Dos conselhos e apelos
Ciúmes singelos
Dos momentos a navegar.

Eu bem que queria
Um dia, oh Pai!
Falar o quanto te amo
E te chamo, no momento ímpar.

Falar que junto a ti
Vivi o aconchego
O cuidado em segurança
Com amor e a paz.

Mas hoje...
Meu querido Pai
Preciso agradecer a Deus
E dizer para o Universo
Em versos
Que Te Amo Infinitamente Mais!

Belo Horizonte/MG -11/08/2013



09.
Pais de Hoje
Judite Krischke Sebastiany


Mais autênticos e sensíveis. Livres de estereótipos. Levam os filhos e filhas nas pracinhas, compartilham momentos, divertem-se
Apreciam a natureza e os pequenos progressos de seus pequenos
Representam a segurança, a afirmação e vivência dos valores dizendo o sim e o não
cruzam na rua com outros pais
Esses angustiados com a crise e o desemprego, sem conseguir sorrir para seus filhos.
Fico a imaginar um gesto de solidariedade, de apoio, consolo, diálogo iluminado pela esperança. Logo, ambos conseguem sorrir para seus filhos e seguir em frente fortalecidos para continuar na luta diária e sentir- se filhos do PAI do CÉU.
Desejo um feliz e abençoado Dia dos Pais a todos

Sobradinho/RS



10.
Esta Saudade
Silvia Benedetti


Esta saudade me naufraga em pranto
Banhando as faces lágrimas sem fim
Triste amostragem deste meu tormento
Pela distância que o levou se mim.

Na miragem te vejo em todo canto
Pura ilusão que me mantém assim
Sofrendo o desatino do tormento
Na dor sentida que não tem meus fim.

Gravado n'alma teu olhar ternura
Teus gestos tua voz... jeito de sorrir
No proceder muita atenção ternura.

O teu viver foi constância de exemplo
A tua lembrança então- verdade pura
Da paz que inunda o interior de um templo.

À memória do meu pai com o meu carinho.

Porto Alegre/RS



11.
Aos pais
Haydée S. Hostin Lima


Pai, a cada filho, inaugura um país.
Então, acarinha o teu país. Dá-lhe pão
e depois tua mão e, mão na mão, dá-lhe coração.
E não é só coração, dá-lhe afeição.
O filho, pai, precisa da repetição do pão,
da mão, do coração, da afeição.
O filho, pai, é um país, precisa de estrada,
trata de sinalizá-la, ensina-lhe a desviar,
acelerar e saber parar.
O filho, precisa de saúde, dá-lhe a cura do beijo,
e algum remédio amargo, ele vai precisar.
Ele precisa de segurança, dá-lhe o apreço do abraço,
a cobertura do teto e nada de agressão.
O filho é um país, precisa de educação,
dá-lhe a ternura do exemplo, o ensinamento da aurora,
o caminho das estrelas, o pé no chão,
a esperança, o cristal da água pura.
O filho é um país, precisa compreensão.
Dá-lhe o jogo dos elos - coloridos, como os continentes
dá-lhe pertinente, os instrumentos da paz:
a solidariedade e compaixão, a alegria de se saber irmão.
Pai, dá ao teu filho, a felicidade do perdão.

Feliz Dia dos Pais.

Santa Maria/RS



12.
Gunema
Deomídio Macêdo


Amanhã é o grande dia.
Ele não está mais aqui neste contexto material.
Resolveu partir, sem me pedir, como se eu fosse interferir na sua grande decisão.
Partiu sorrindo, feliz, deixando a sua roupa carnal, envelhecida, carcomida pelo tempo.
Ele a deixa, como a lagarta deixa o casulo e voa feito borboleta em busca de flores aromáticas.

A noite, ao dormir, percebo que ele debruça sobre mim, sussurrando aos meus ouvidos, como se eu fosse uma criança que um dia embalou e fala com emoção:
"Estou feliz"!
Com um sorriso vibrante, encantador, continua a me falar: "A vida continua. O corpo envelhecido que deixei, RENOVOU.

As forças que desapareceram com a enfermidade, REVIGORARAM.
E o horizonte se apresenta perante os meus olhos, me enchendo de felicidades,
nessa Vida após a Vida".

Assim, acordei ouvindo as suas últimas palavras: VIDA APÓS A VIDA.
Parabéns Gutemberg Neves de Macêdo - GUNEMA, pelo seu dia, DIA DOS PAIS.
Receba o meu abraço aconchegante e até breve, quando embarcar na locomotiva, que me conduzirá para a inevitável viagem astral.

Até breve PAINHO.


Salvador/BA



13.
Homenagem ao Centenário do Nascimento do meu Pai
(IN MEMORIAN) 27/01/2011
Neneca Barbosa


Pai, comemoramos o centenário.
Pelo seu nascimento especial.
Foram gravados em nosso relicário
Valores que perpetuarão no astral.

Deu-nos lições de sua honestidade
Que acompanharam nossos caminhos
Ensinou-nos a solidariedade
De amparar o próximo com carinho.

Praticava a responsabilidade
Desde as primeiras horas da aurora
Seu intenso caráter de dignidade
Serviram de base aos tempos de outrora.

A sua sabedoria nos encantava
Sabia usar a razão e o coração
Pros desafios que na vida encontrava
Onde seu bom senso era a solução.

Hoje estamos felizes com seu amor
Que em nossos espíritos foi esculpido
Ficando a saudade em nosso interior
De cada momento que foi vivido.

João Pessoa/PB



14.
Hoje é Dia dos Pais
Wellington Costa


Hoje é Dia dos Pais, mas bem que poderia ser o Dia do Herói, Dia do Amigo Fiel, Dia do Meu Exemplo de Vida, e por aí vai. Nosso pai é aquele que tem um pouco de tudo isso. Quando todos se afastaram da gente, ele estava lá dizendo: - Vai filho, eu acredito em você.

Então hoje, eu quero, em nome do meu pai, do meu herói, do meu amigo fiel, do meu exemplo de vida, Seu Wilson Florentino Machado, parabenizar todos os pais cabedelenses, paraibanos e brasileiros. Muito obrigado pela dedicação, pela formação e por sermos quem somos, homens e mulheres de caráter, honestos e conscientes da sua responsabilidade para com a sociedade.

A todos os pais, parabéns! Parabéns! E... Parabéns!

Agora, peço licença, pois vou dar um abraço recheado de afago em meu pai e dizer-lhe o quanto o amo!


Cabedelo/PB



15.
Pai
Celso Corrêa de Freitas


Puxava a orelha
Como era bom nisto!
Bom conselho
O dava com sabedoria
Meu pai
Parecido com o seu?
Sim, acredito!
Mas era o meu
Marcante guia
Homem que sempre consertou
Meu mundo

Praia Grande/SP



16.
Alberto
Estela Braud


A sua lembrança é forte,
Ligada sempre a compreensão,
Bondade nas palavras presente,
Ensinando o bom caminho.
Rumamos os 9 filhos,
Tomando cada um estrada diferente,
O seu bom exemplo como ponte.


Balneário Camboriú/SC



17.
Pai Verdadeiro
Dilson Ferreira


Meu pai da terra nunca me deu nada...
Mas, meu Pai do céu sempre me deu tudo
E com Ele certamente me acudo
Quando acontece alguma coisa errada.

Esse Pai, veste-me se estou desnudo
De amor, de fé, e da paz tão sonhada,
Assim por tanta bênção alcançada
Posso dizer: sou um filho sortudo!

Na terra, pai inútil, tem que sobra...
Mas, também tem o pai demais guerreiro
Igual a mim... pai pau para toda obra.

Tem pai só no nome levando a fama
Porque na verdade, pai verdadeiro,
É aquele que educa, cuida e ama.

Natal/RN.



18.
Pai Gil
Regina Kreft


Pai Gil! O tempo passou, a saudade sempre presente!
Lá no passado encontrei tua dedicação e proteção.
Ensinaste o valor do respeito, da sinceridade,
E principalmente do caráter ilibado.
Pai soube nos educar com desvelo e serenidade,
Nos ensinou o valor ao próximo e o altruísmo!
Te amo pai! Um dia estaremos todos juntos!

Joinvile/SC



19.
O Não Pai
Jonas Krischke Sebastiany


Quando converso com meu pai, lamentavelmente não posso contar com a propriedade de argumentos de quem tem conhecimento de causa. Filho que não foi pai jamais entenderá integralmente as razões do seu. Penso que isso nos faz requerer ainda mais amor para aceitar atitudes mesmo sem entendê-las por não as ter vivenciado. Não dar um neto ao seu pai é uma falha quase indesculpável, uma alegria negligenciada que gera um débito eterno. Mas ser um não pai pode ter várias razões que atenuam ou agravam a culpa, minimizam ou amplificam a solução de continuidade no ciclo da vida.
Peço perdão sincero ao meu pai por não ter proporcionado a ele esta justa felicidade e o pleno entendimento de tudo o que ele fez por mim.
Como disse Machado de Assis nas Memórias Póstumas de Brás Cubas: “Não tive filho, não transmiti a nenhuma criatura o legado na minha miséria”.


Brusque/SC



20.
Conversa íntima - Pai (in memorian)
Aila Brito


Pai
Um corpo ausente, e uma lembrança viva...
Sinto no amanhecer, mãos que conduzem
o meu viver, e com fervor traduzem,
a mais bela expressão de amor.

Sabe pai,
Ao me dar conta de tua falta,
percebi a falta que tu fazes em mim;
chorei, reclamei, não aceitei; enfim,
quis entender o porquê da partida;

Os dias que não mais se alinhavam,
seguiam sem rumo, sem orientação;
à noite, tinha brilho fosco, a constelação
e nem mais festejam, a aurora, os sabiás.

Lembra? Pássaros que amanheciam,
e seus trinados em ecos alegravam...
Partiste, e as aves tristonhas definharam;
seguiram ao encontro de ti!

Tudo mudou... Restava o clamor!
Mas agora, pai, sinto tua forte presença;
e em Deus, deposito a crença,
de receber de ti, a mais bela expressão de amor.

Todos os dias... Sempre!
Pai,
Te amo eternamente!

Cocal/PI



21.
Ao meu pai Leovegildo Cavalcante de Farias.
Roseleide Farias


Ontem, 15 de agosto, seria data do teu aniversário
No tempo em que o Céu te permitiu estar entre nós,
Agradecemos á Deus todo o teu legado
De amor e de honra, transferidos dos nossos avós.

Tu, meu pai, fostes um homem trabalhador,
Muito amoroso no lar, era tão bom te ouvir.
Você foi um exemplo de superação, venceu a dor,
Nós, tuas Histórias e estórias, a brincar e a curtir.

Entre o tempo em que partistes
E o tempo do nosso reencontro,
Eu sei meu pai, que estás vivo e latente
Em nosso s corações que não te esquecem.

Teu espírito parecia sentir, tivestes sonhos,
Que o teu tempo de partir estava próximo,
E o usastes em mais benefícios aos que de ti
Poderiam ainda receber o teu saber e bondade.

Teus seis filhos e descendentes te amam, dileto pai.
Nunca te esquecemos, e sempre procuramos estar
Vivendo com dignidade. Merecer o reencontro contigo,
Ao voltarmos um dia, ao Celeste Lar na Eternidade.

Cabedelo/PB



22.
Ao meu pai, Pedro Pereira, "Repentista Pedro Marreco"
José Pereira da Silva


Ao pensar na minha mãe,
Não esqueço o meu pai,
Pois já não estão comigo,
Mas do pensamento não sai.

Meu pai vive no meu coração,
Onde sempre morou,
Meu poeta repentista,
Mestre de grande valor.

Pai, nesse momento de pensamento bem vivo,
Com os olhos lacrimejantes,
Abro o meu coração
Para conversar contigo.

Pai, que pra mim não foi bandido,
Simplesmente um herói
No seu jeito de ser.
No trabalho e na honra,
Devo tudo á você!

Cabedelo/PB



23.
Meu Pai
Rosana Carneiro


Há muitos e muitos anos atrás eu conheci um homem sério, muito sério.
Não me lembro dele sorrindo.
Ele só falava o necessário.
Chegava tarde, saia cedo.
Eu cresci e percebi que a cada passo que eu dava, ele se distanciava ainda mais e isso me fazia pensar...
O tempo passou, eu vi aquele homem sério se transformar na velhice.
Um dia, ele caiu e quebrou o braço.
Depois desse dia ele precisou ficar em casa, sem trabalhar, sem dirigir, sem sair.
Esse homem se transformou.
Ele primeiro se escondeu dentro de si, fazendo-se de forte e ainda sisudo.
Hoje, sem nunca mais dirigir, sem nunca mais sair e sem nunca mais trabalhar, esse homem sorriu, brincou, fez gracinhas, se mostrou como ele realmente é.
Hoje, com quase 83 anos, esse homem se mostrou frágil, dependente, carinhoso, amoroso, verdadeiro.
Apesar de portador de Alzheimer, doença maldita que só percebemos por causa do braço quebrado, onde precisou ficar em casa e mostrar mesmo o que acontecia com sua saúde.
Deus preparou sua queda para que ele ficasse em casa e a família percebesse o que estava acontecendo com ele. A falta de memória atual, a maneira como andava, como comia, como dormia, como se portava, fez com que a família percebesse o Mal de Alzheimer e tomasse as devidas providências.

Hoje a doença está controlada, não avançou muito e o MEU PAI, apesar de ter passado boa parte longe, hoje está muito presente, se sentindo o homem mais bonito do mundo.
Meu pai, meu amor...


São Paulo/SP



24.
Meu Pai em forma de Prece
Soninha Poetisa


Pai que cuidou de nos aqui na terra,
Júlio era o seu nome.
Colocava todos nos em uma só prece.
Minha infância, os domingos, às vezes era na cidade de Pirapora,
Cidade em que tem a Igreja de Bom Jesus.
Andávamos de barco em volta da cidade,
Contemplando nosso querido Jesus.
Na hora do almoço em um pequeno quiosque,
Um lanche pra toda família, amigos também compartilhavam,
Da harmonia e da alegria.
Meu pai não era perfeito, mas tinha muitas qualidades,
Uma delas era ser parceiro sempre que alguém precisava.
Desde pequena me ensinou, que tudo poderia se transformar em poesia,
Basta ver tudo com os olhos da alma.
Escrevíamos poesia para minha mãe aos domingos,
Enquanto ela na cozinha cozinhava guloseimas,
O macarrão mais gostoso, que comíamos entre família.
Foram muitos anos juntos, até Papai do céu chamar ele de volta pra casa,
Aqui, ficou um vazio sem fim, mas agradecemos pelo tempo que ficou aqui conosco.
Pai da terra, Junto com o papai do Céu,
Olhai pela nossa família, e amigos,
Nos de força, para suportar a sua partida,
Assim que ficamos órfãos do meu amado Pai da terra.
Que Deus ilumine o seu caminho para junto dele,
E resplandeça sua luz aqui na terra para todos os corações.


Dourados/MS



25.
Meu querido Pai
Edvaldo Rosa


Eu trago você comigo,
Em cada instante de minha vida!
Você é tudo em meus caminhos,
Traz sentido, em cada passo, da caminhada minha!
Meu pai querido,
Tua voz me indica os rumos,
Tua visão me indica possíveis perigos...
Tuas mãos me apoiam,
Teus braços me enlaçam...
Teu coração, tenta controlar teu amor por mim,
Tua inteligência, tenta controlar as tuas preocupações...
Temos caminhado lado a lado,
Algumas vezes como amigos,
Outras como irmãos...
Meu pai querido,
Temos caminhado lado a lado,
Mas com destinos distintos;
E para seguir o meu, tens me preparado!
Esquecendo-se de si, em vários momentos,
Tudo para encaminhar o teu rebento,
Para ir bem mais longe,
Do que te levará os teus próprios passos...
Meu pai querido, tu me deste esta vida,
E nela me preparas, com todas as forças em tuas fibras,
Para que eu alcance o espaço,
E faça das estrelas, com que sonhas,
Uma a uma, todas minhas...
Mesmo que teus olhos negros,
Nunca vejam, até onde foi a caminhada minha!


São Paulo/SP



26.
Lembranças de meu pai, Olizon Rocha de Lourenço.
Janela para o azul
Odilon Machado


Daqueles pôr-de-sóis ficaram o silêncio
e as cores de horizontes lavrados de estrelas
Passos no veludo verde da pampa
caminharam trilhas de formigas e lavouras
Quem sabe a sonoridade das noites
ainda tenham nossas vozes
Luares vaguem nuvens azuladas de negro
e sonhos acesos nas velas se iluminem
Serenos cristalizem invernias e ao monte do
lenheiro iniciemos a luz do novo dia
Cousas como livros à sombra
Sementes à terra em tardes de cigarras
Ventos mornos entrecruzando milharais
Enxadas capinando ao sol esperanças da terra
Sabores de frutas no entorno da velha casa da
infância onde berram os terneiros nas manhãs
Rios levando águas para o mar quase sempre
ao fim da tarde, quase sempre sem nós
Penso que tenhamos alongado o caminho
das distâncias sem avisar-nos...

Maceió/AL



27.
Em nome do Paitrix:
Vera Trindade


Pai do Céu
Pai da Terra
Pai Nosso...

Salvador/BA



28.
Diálogo (sem Voz!) das Mãos...
J.J.Oliveira Gonçalves


Às vezes,
Quando na muda solidão da casa
(Em minha indiscrição involuntária!)
Espio meu pai – pensativo e só
O olhar fixo sobre as mãos cansadas
Calejadas das agruras deste andar
Sinto saudades de nós dois - outrora
Em doce calmaria existencial...
(Reconstituo a família ao Sol da Vida
e em seu seio germinavam Sonhos...)

Fico a imaginar
Assistindo ao vivo quadro – comovente
O diálogo sem voz daquelas mãos
Na tessitura de febris reminiscências:
Flores e Pedras
Lutos e Perdas
Safras tardias...

Outras vezes,
Surpreendo-me, quando (como a imitá-lo)
Na benfazeja Saudade que me abriga
No mesmo gesto, posição – igual diálogo
(no monólogo desigual de cada história):
Perscruto as próprias mãos
vendo que Chronos delas se apropria
E as admiro
E as consolo
E as encorajo
A carregarem o Fardo que crucia...

Caído o lábio
O olhar a esmo...
Os ouvidos prenhes de Passado
Consolo minhas pobres mãos vazias
Antes semeadas de Esperança e Aurora...

Hoje, sou eu de mãos com minhas mãos vazias
Com minhas mãos saudosas e tão frias
Com minhas mãos escravas da Poesia
Com minhas mãos pendidas e cansadas
Com minhas mãos vencidas e enrugadas
Com minhas mãos tão sós – abandonadas
Com minhas mãos do Amor desiludidas
Com minhas mãos na contra - mão perdidas
Com minhas mãos chegando ao fim da Estrada
Com minhas mãos voltando ao Pó e ao Nada!

(E sepulto no jazigo de minh’Alma
abissais metáforas de irreversíveis Mágoas!)

Porto Alegre/RS



29.
O Verdadeiro Lar
Carlos Reinaldo


Nada supera o lar,
ninho de amor e ternura,
ele é o abrigo sem par,
da paz, do amor e candura.

O pai é o centro de tudo,
ele comanda com amor,
defende como um escudo,
a prole com destemor.

A mãe é a mestra que ensina,
toda lição com carinho,
possui a voz que fascina,
a todos mostra o caminho.

Os filhos desde pequenos,
aprendem com devoção,
a se tornarem serenos,
o amor é a grande lição.

Eis a família completa,
que ao sol supera em calor,
de luz está tão repleta,
elos de paz e de amor!

Lafayette/MG



30.
UM AMOR DE PAI: O MEU PAI
Eda Piccinin Bridi


Uma homenagem ao meu querido e saudoso pai, Guilherme Piccinin, contando um pouco de sua extraordinária história e de seu imenso carinho para com seus filhos.

Na Comune de Chiarano, província de Treviso, região do Vêneto, Itália, nasce o menino Guglielmo. Sua história é marcada desde tenra idade pela dor, por desafios, conquistas e vitórias. Ainda criança, com apenas 12 anos, durante a Primeira Guerra Mundial perde sua querida mãe Giovanna, enquanto seu pai Fortunato, é convocado pelos aliados para trabalhar na construção de pontes.

Em 1922, juntamente com o pai e os irmãos deixa com tristeza a terra mãe que enfrenta sérios problemas econômicos e sociais, para tentar uma nova vida no Brasil, porém cheio de esperanças e expectativas. O pai e os irmãos vão trabalhar nos cafezais, em Santa Adélia, interior de São Paulo. Ele dirige-se à Capital São Paulo, e emprega-se em uma indústria de móveis. Em 1928, decide mudar-se para o Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, trabalha na Fábrica de Móveis Gerdau. Em 1929, visita primos no município de Sobradinho/RS. Na residência do primo Policarpo, conhece Rosa, moça bonita e recatada, irmã de Mariana que é esposa de Policarpo. Rosa é filha de Luiz e Lúcia Librelotto. Rapaz elegante, simpático, de bom caráter, Guilherme tem seu amor correspondido por Rosa.

Casam-se no dia 16 de agosto de 1931, na Capela Nossa Senhora do Rosário, em Arroio Bonito, interior de Sobradinho. E nessa localidade, instala sua marcenaria e carpintaria, que transfere para a sede do município no ano de 1935. Empreendedor, dez anos depois, amplia seus negócios com comércio de ferragens, vidros, tintas, rolamentos, louças, e constrói um engenho de serrar madeira. Em 1959, passa a investir no ramo de tecidos e confecções. Tem um dom especial para esculpir madeira. É o artista, entre outras obras, da bela porta - estilo da arte gótica - da Igreja Matriz da cidade.

Pai exemplar, juntamente com a amada e virtuosa esposa, num ambiente de harmonia e desvelo, com firmeza e sensibilidade, sabe conduzir os filhos (Fortunata, Alarico, Eda, Augustinho, Lourdes, Maria Joana e Teresinha) à vivência dos verdadeiros valores, sobretudo o amor, a fé e o trabalho. Homem de visão, autodidata, dono de uma ampla cultura, preocupa-se com a formação de seus filhos, e colhe a alegria de vê-los realizados, profissionais atuantes nas suas comunidades

Os desígnios divinos teriam trazido Guilherme da Itália para o interior do Brasil, para quê? Uma missão? Homem de fé e coragem, destemido, de princípios éticos e cívicos, batalhador, com sabedoria, constrói seu “universo” de realizações, principalmente de amor, com humildade, nunca buscando louros.

Cidadão consciente, íntegro, Guilherme deixa para sua família um legado de vivência de cidadania, de comprometimento com a verdade e de integração com a comunidade, através da participação em ações dinamizadoras que visam ao crescimento e ao progresso do município.

Guilherme falece em 23 de janeiro de 1996, aos 91 anos de idade, deixando sua vida vinculada à história de Sobradinho. Por força de Lei Municipal, o Distrito Industrial localizado à margem da RS 347 é denominado “Guilherme Piccinin”. Essa homenagem é um tributo de reconhecimento do Poder Público ao industrialista pioneiro de Sobradinho.

O protagonista desta história é um guerreiro. Um herói. Um sábio. Um amor de pai. É o meu pai. A ti, querido pai, a minha homenagem.


Sobradinho/RS



31.
Meu velho pai
Francisco de Assis Vitovski*


Meu velho pai, um imigrante vindo da Ucrânia quando tinha apenas 20 anos, faleceu aos 91 anos de idade.
Mesmo na velhice – como bom eslavo – não desprezava uma cachacinha diariamente, que bebia em um bar próximo de sua casa.
Depois de sua morte, certo dia o proprietário deste botequim me falou:
- coitado do seu Estefano... todo dia ia no meu bar tomar sua pinguinha. Lá, se dirigia aos outros frequentadores, mas estes não lhe davam atenção. Então, só, ele sentava em uma mesa com seu copinho de pinga e as lágrimas corriam-lhe no rosto. Com pena, eu perguntava: por que o Sr está chorando... saudades dos filhos? e ele respondia: não, é que eu tenho tantas coisas para contar aos mais jovens, mas eles não me dão ouvidos.
Foi então que percebi que tudo o que a vida me ensinou não pode ser desperdiçado em uma simples conversa de botequim. Deve ser escrito e publicado, pois só assim outras pessoas poderão obter dali algum conhecimento e se beneficiar com isto.
Por isto os meus livros.


Saudades meu velho pai
Do seu tempo que já se foi
Do meu tempo que também se vai
Das coisas que você fez
Das coisas que eu não fiz
Daquilo que você disse
Tão certas que ainda se diz.
Saudades meu velho pai
Do grande amor que você teve
E que me trouxe para a vida
Mas contigo também partiu
Deixando lembranças sentidas.
Saudades meu velho pai
Do seu tempo que já se foi
Do meu tempo que também se vai.

ESTEFANO VITOVSKI

Nascido na Ucrânia, chegou ao Brasil em setembro de 1929, desembarcando no porto de Santos-SP, junto com outros imigrantes.
Sem falar o português e sem dinheiro brasileiro, foi trabalhar na construção da ferrovia Santos/São Paulo (na serra do mar), junto com quatro companheiros que tinham vindo no mesmo navio.

Lá trabalharam durante 3 meses sem receber salários.

Comentava-se naquele local, que na cidade de São Paulo bastava permanecer sentado na Praça da Luz e as carrocinhas (charretes) passavam recrutando trabalhadores para as indústrias paulistanas. Por isto resolveram vender os 3 meses de salário para o “feitor”, que lhes pagou a metade (1 mês e meio) e partiram para São Paulo.

Ocorre que o Brasil estava em crise, às vésperas da revolução de 1930 e ao contrário de admissão de empregados, a indústria paulista estava demitindo.

Foi assim que, sentados nos bancos da Praça da Luz ouviram os apitos das fábricas anunciando o ano novo de 1930.

O dinheiro que tinham estava acabando e ainda foram roubados no quarto da pequena pensão em que estavam, enquanto procuravam trabalho.

Foi então que souberam que em Curitiba-PR já tinha uma colônia ucraniana e resolveram partir para lá, à exceção de um dos companheiros que havia desaparecido, provavelmente aquele que os furtara.

Tinham que fazer a viagem de trem: São Paulo /Sorocaba /Itararé/ Porto União da Vitória/ Mafra/Curitiba.

Mas ao chegarem em Porto União-SC já não tinham mais dinheiro e suas roupas tinham sido roubadas das malas no vagão de bagagens. Então jogaram as malas às margens da ferrovia e consultando um mapa de como chegar à pé em Curitiba, viram que a única opção era através da ferrovia.

Caminhando, chegaram às imediações de Felipe Schmidt, um distrito do município de Canoinhas, região norte de Santa Catarina. Cansados e famintos, encontraram um ferroviário que falava sua língua. Então Estefano trocou suas botas (forrada com lã internamente como se usava na Ucrânia) por um pão caseiro (broa) e um colega seu trocou uma jaqueta por um cacho de bananas e dormiram em um pequeno depósito da estrada de ferro.

O ferroviário lhes disse que na manhã seguinte um trem “lastro” passaria coletando trabalhadores para trabalhar no término de um ramal que ligava Canoinhas-SC a Ouro Verde (hoje distrito de Marcilio Dias, do mesmo município).

Pegaram este trem e aportaram em Canoinhas-SC.

A partir dali muitas histórias se sucederam.


Balneário Camboriú/SC

*Convidado Especial da Presidente Fundadora Joyce Lima Krischke



32.
Eu tive um pai maravilhoso.
Márcia Poesia de Sá*


E neste dia que se achega devagarinho,
é inegável dizer que meu coração não aperta
...mas...
eu tive tempo para ser a princesinha dele
a garotinha que o acompanhava
em seus mergulhos no fundo do mar,
e em seus passeios pelas matas
me ensinando sobre passarinhos...
ou quando em nosso jardim deitávamos na grama
e ele me contava as histórias gregas das constelações...

a menina rebelde que ele sempre abraçou
e com aquela voz rouca, grave e mansa me dizia
das verdades da vida...
com a calma de quem sabe o que diz.

tive a grande sorte de nunca tê-lo rude...
quanto mais doce, mais me adentrava
e ele sabia disso...e usava.
é, eu duvidei dele...
e com a maturidade dele, ele sorria...
mas graças ao tempo.
eu tive o meu tempo de achar que ele estava errado...
mas por sorte, tive tempo nesta vida com ele ainda presente,
para saber que ele estava tortamente certo.

meu pai me guardou de muita coisa...
(hoje penso no quão duro foi para ele)
até do que só agora eu sei...

ele me afastou das festas de sociedade
que eram de certa forma, o mundo dele
mas ele não o fez por mal...
ele o fez por amor...

Por já não crer neste tipo de relação...
e os poucos amigos do meu pai
que considero amigos...
são mesmo
e estão até hoje
anos após o seu falecimento.

não a enxurrada que ocupava nossa casa
em meus aniversários no dia 31 de dezembro

enfim... meu pai foi meu mestre de vida
e me é impossível não emocionar
todos os dias dos pais

embora para mim, o dia dele
é todo dia em que tomo uma posição
quando dou um conselho a um dos meus filhos
ou só quando acordo e respiro

Pai... obrigada por cada pequenina coisa
até tu me cobrir em noites frias...

e eu sei que onde quer que tu estejas...
estas curando e sendo amado
pois este era teu dom.

e prometo meu velho,
não importa em qual vida estejamos
eu sempre vou te amar...

e até hoje painho.. eu tento te imitar
talvez nunca chegue lá...
mas eu tento.

Recife/PE

*Convidada Especial da confreira Coordenadora das Cirandas
Diná Fernandes - dinapoetisadapaz




33.
AO MEU PAI
Jacira Pereira


Com o coração partido de saudades infindas,
Hoje como todos os dias sem a tua presença carnal ao meu lado,
Estou eu a desejar felicidades aos filhos e pais que comemoram
As alegrias que outrora eu sentia ao lado teu.
Como gostaria de te ver sentado na mesma mesa
Onde nos reuníamos para te ouvir cantando e tocando o teu violão
A me encantar e me alegrar a alma.
Quantas vezes usastes os teus dons artísticos e poéticos
Para amenizar o nosso sofrer pela carência do bem viver.
Quantas vezes deixei calar minha emoção e orgulho de ti.
Como seria bom se estivesses aqui
Para ouvir tudo que hoje escrevo por não poder te falar.
É quase insuportável a dor da saudade e a mágoa de mim mesma
Por não ter te abraçado mais, te beijado mais,
E falado tudo que deixei se calar dentro de mim.
Do mesmo jeito que hesitei tantas vezes em escrever sobre ti,
Se minha escrita não fosse sobre uma tela,
Com certeza já teria estragado diversos papéis molhados
Pelas lágrimas que do meu rosto caem agora.
Essas lágrimas que seriam de felicidades pela tua presença,
Hoje são de dor pela tua ausência.
Ah! Meu pai...
Quantos anos sem te chamar assim, pai,
E quanta falta tu me faz.
Sinto neste instante a presença de um anjo espiritual
Tocar em meu ombro e enxugar as minhas lágrimas,
Me dando certo conforto interior.
Ao mesmo tempo em que vejo em meu pensamento
A tua presença ao lado do senhor.
Estás lindo como anjo em vestes brancas
Que deixam transparecer o teu coração,
E vejo dentro dele eu e meus irmãos aos teus cuidados de pai,
Assim como Deus te determinou.
Obrigada, pai!...
Por tudo que sou.

Ao meu pai: PEDRO PEREIRA DA SILVA
Autoria: Jacira Pereira da Silva.




01.
Semeando Poesia
Daniel Brasil


Falar em CAPPAZ
Com toda sua categoria
CAPPAZ Confraria
Que é buena demais
Em homenagem aos pais
A mesma homenageia-os nesse dia

É o Pai Universal
O criador do Universo,
Deste Pai não me disperso
Porque ele é soberano.
Oh Pai eterno Deus soberano
Proteja a CAPPAZ e seus versos...

Mas agosto é o último mês
Que não tem a vogal érre
A CAPPAZ encurta a BR
Para semear Poesia
Entre a noite e o dia
Que o verso nos encerre

Que nos encerre
Num mesmo coração
De Paz Amor e União
E dentro deste espaço
A CAPPAZ no compasso
CAPPAZZes num aperto de mão...

Porto Alegre/RS



02.
PA-ZE-AR!
J.J. Oliveira Gonçalves


Quisera o poema meu... uma canção
De Amor semeando Paz em cada verso!
A mão sempre estendida à de outro irmão
Amenizando as Dores do Universo!

Ah, a Paz Universal - é essa Utopia
Porque o sim o homem troca pelo não!
Não vê na Alva Lição de cada dia
Que Deus é a Acesa Luz na Escuridão!

Quisera conjugar... como em prece
O verbo que o homem desconhece
O que aplaca a guerra e acalma a Dor:

O verbo Pa-ze-ar... Do Criador!
E da Paz abraçado ao Pavilhão
A Vida celebrar em Comunhão!

Em Comunhão com Homem e Animal
Em Harmonioso Acorde e Universal!

Porto Alegre/RS



03.
Do tabaco ao Crack
Judite Krischke Sebastiany


O tabaco já foi elemento de ritual
Religioso, comercial, cultural,...
Por seu efeito semelhante ao
Da cafeína, por sua nicotina

O tabaco simbolizou
Status, sucesso, fama.
Hoje, para quem se conscientizou,
Simboliza morte, doença, cama.

Na verdade, ele foi uma porta
Abrindo outras possibilidades.
Caminho fácil para emoções falsas
Sensações forçadas, sem razões.

Para a juventude, parte do ritual de passagem,
Para os sem esperança, fim mais rápido,
Para os aflitos, tabaco, maconha, crack...
Qualquer coisa pra acalmar, iludir, aturdir.

Onde falta amor, sensibilidade,
Vínculo, carinho, comunidade,
Sempre tem alguém fraco e alguém
Se aproveitando de outro alguém.

Porto Alegre/RS



04.
Parapente
Saturnino De La Torre


Ondea tu sueño como arco de lona,
vive, atrévete y grita tu emoción al viento,
saca de dentro de ti la fuerza contenida.
doblega tus temores, da vida a tus sueños;
atrévete a vivir experiencias nuevas,
pues ellas dejaran marcas indelebles en el recuerdo.
Sé tu mismo, encuéntrate, date la oportunidad
de conocer tu potencial y vencer tus miedos,
indaga los límites de lo posible, de valor y de volar,
y habrás experimentado lo cuántico como reto,
como posibilidad discreta y energía por redimir.
Toma las cuerdas de tu vida, sal a su encuentro,
pues si con ellas controlas tu vuelo en el aire,
con tu mente como piloto llegarás lejos,...
más lejos... muy lejos... al otro lado de ti,
al ser creativo, liberado, confiado, pionero,
pues al posar en tierra ya no serás el mismo,
en ti habrá nacido un ser nuevo.

<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<

Texto traduzido

Suas ondas de proa sonho como lona,
vivo, ousar e gritar a sua emoção ao vento,
chama de dentro de você o poder contido.
esmaga seus medos , dá vida a seus sonhos;
Atreva-se a viver novas experiências,
pois eles deixam uma marca indelével na memória.
Seja você mesmo, encontrar-se , dar-se a oportunidade
a conhecer o seu potencial e superar seus medos,
explora os limites do possível , de coragem e de voar,
e você já experimentou o que o quantum como um desafio,
energia discreta quanto possível e para redimir .
Tome as cordas de sua vida , venha ao seu encontro,
-los, porque se você controlar o seu vôo no ar,
com a sua mente como um piloto que você vai longe ...
mais longe ... longe ... através de você ,
para ser criativo , livre , confiante, pioneiro,
posando como o solo não será mais o mesmo,
em que você vai nascer um novo ser.


Barcelona/ES



05.
Meu apreço à nobre amiga Roseleide Farias
dinapoetisadapaz


Um ser mulher de alma cor do céu
É a Rosa Azul de perfume inebriante
Deus, a ela concedeu um grande troféu.
A simplicidade de pessoa original e constante

Cativante e promotora do Bem para com todos.
Essa Rosa Azul traz em seu nobre coração
A semente da bondade que semeia sobremodo
Deixando por seus caminhos e sem distinção

Sua sabedoria, sua docilidade e seu carisma.
Nessa oportunidade em que lhe escrevo amiga
Externo meu apreço e carinho sem sofismo.
És suave como rosa e não há quem contradiga.

Várzea/PB



06.
Sobre o amor II
Haydée S. Hostin Lima


Se o amor fosse uma flor
seria gerânio e, nascido
do fundo dos tempos,
seria o introvertido escorpião.
De olhos profundos
seria cerca viva, cardo selvagem,
mistério de vinhos sensuais.
Seu voo (se houvesse voo)
teria a rapidez das águias.
Fatal, queimaria energias
de sexos suplicantes.
Ousado, morreria de ciúmes e martírios.
Amor, flor de ferro, escravo da ambição
(coisa de capricórnio que depois eu conto)

Santa Maria/RS



07.
Soneto de Aparências
Dilson Ferreira

"...
Composição:(José de Ribamar Cury Heluy)
e (Fátima Regina da Silva)
GRAVAÇÃO: Márcio Greyck
"Aparências, nada mais, sustentaram
nossas vidas, que apesar de mal vividas
tem ainda uma esperança de poder viver."

Às vezes responde que está tudo bem
Tudo belo, mesmo que não esteja...
Torta de fel com caldo de cereja,
Por certo, para não preocupar ninguém.

E ora bastante... Até vai à igreja...
Ler livros, recebe conselhos de alguém
Mas, nada preenche o vazio que tem
E continua ao "Deus que lhe proteja!"

Grana não é problema; a consequência
É a depressão, medo e ansiedade,
Ora riso, ora choro, e ora clemência.

E assim, quase toda a humanidade
Segue com máscaras de aparência,
Em busca dessa tal felicidade!

Natal/RN



08.
Indesejada
Aila Brito


Decassílabo heroico – (6, 10)

Se ao chegar sorrateira e indesejada
Em minha vida sendo madrugada
Mesmo que seja assim tão caroável
Terá ela, atitude imputavel

Mas se de um modo lépido acontecer
Em minha vida mesmo ao entardecer
Não estarei de modo preparada
Terá ela, conduta reprovada

Oro, pra que de mim, ela se afaste
Por longo tempo disse esse adeus
Suas garras frias tão cedo me engaste

Noutro momento, enfim, seja ela a chance
De me fazer, ver face a face, Deus
Pois que abrirei os braços ao seu alcance.

Cocal/PI



09.
Ordem e Progresso
Joyce Lima




Balneário Camboriú/SC



10.
Espalhe a Paz
Gerusa Guedes


Espalhe a paz isso é bom de mais,
Jogue semente de amor seja onde
Quer que vá.
Semeie a bondade em qualquer
Lugar por onde passar.

A terra é muito fértil, plantando
Tudo dá, plante na terra seca o
Que importante mesmo é plantar.
Acredite que é preciso semear.

Plante semente de amor, bondade
E paz, plante aqui e acolá, espalhe
Semente boa, o importante é plantar.
Não espere a chuva molhar e nem
O sol esquentar para crescer e brotar.

Plante e a natureza se encarrega
De cuidar, você terá boa colheita,
Que bom é a paz espalhar.

Cabedelo/PB



11.
Utopia
Edvaldo Nunes


Ai quem me dera
Poder falar de uma nova era
Pressentir os anseios de uma certa quimera
Pregar uma sociedade livre, limpa e não mera.

Ai quem me dera
Tirar da mente a bomba
Poder acabar com a miséria
No céu ver revoadas de pombas.

Ai quem me dera
Viver uma vida sadia
Poder conceder ao mundo uma anistia
Conseguir acreditar nessa utopia
Ai quem me dera.

Eu,
Que não busco o infinito
Se assim esqueço uma rosa.

Não quero horas fechadas
Se assim não me percebo.

O que quero, o que busco
Está num livre proceder
Por entre uma noite mansa.

O que quero, o que busco
Está num trabalho humano
Dando vivas à vida.

Está, enfim,
Na existência da paz,
Numa percepção sutil de viver
Inteligentemente feliz.

João Pessoa/PB



12.
Gratidão
Jacira Pereira


Onde está a gratidão?
Já não a encontro mais com a mesma frequência de outrora.
Será que foi ela foi embora como fez a cortesia que não a vejo á alguns dias?
Ou será que foi trocada pela troca de favores, como fantasia,
Que triste seria essa conclusão!
Mas felizmente,
Ainda sei onde encontrá-la todos os dias.
Em minha oração á Deus,
Quando agradeço por toda a beleza de minha vida,
Nos sorrisos que me alegram,
Nas palavras que me emocionam,
No carinho que recebo dos seres que amo,
Na natureza em sua plenitude,
E principalmente por não deixar morrer
Esse maravilhoso sentimento.
Quando a arrogância dos soberbos tenta destrui-lo,
Trocando-o por ingratidão.
Ingrato, agradece teus dias, por tua vida,
Tua perfeição.
São muitos que agradecem calados por não poderem falar,
Muitos que agradecem de olhos fechados por não poderem enxergar.
Tantos que não vão à um Templo por não poderem andar!
Grita! Aprende e ensina a agradecer,
Com uma oração ao Deus do teu coração.
Grita ingrato,
Contra a tua ingratidão!

Cabedelo/PB



13.
Guaxuma
Odilon Machado


Nesse vai e vem de ondas
Um barco assume o ritmo azul
ancorado entre a praia e os recifes...
Os cocais antecedem a cidade
Dançam os juncos volúpias ventadas
À Leste, nuvens, águas, céus, mundos de estrelas...

À Oeste, vagas ideias das cousas do Leste
Farfalhar de folhas num poema ao sol.

Praia de Guaxuma, Maceió./AL



14.
A Poesia e o Beija-Flor
Neneca Barbosa


Acordei alegre com o brilho do sol
Que serve aos viajantes como um farol
Seus raios parecem uma bela aquarela
Perplexa, fitei o céu azul da janela.

Vi no jardim um fugaz beija-flor
Que me encantou com sua graciosa cor
Veio, beijou meu rosto, mas logo voou
Doeu a saudade que no peito ficou.

Olhei para a flor que estava sorrindo
- Não fique triste, ele vai voltar!
Meu coração começou a palpitar
Acreditei, ela não estava mentindo.

Meu beija-flor voltou com uma poesia
No seu mágico balé só para mim
Feliz, minha alma sorriu enfim
Sorvi da flor seu néctar com alegria.

João Pessoa/PB



15.
Orgânica
Poesia BRita


Nada traz a felicidade que era garantida.
Nem o passarinho pousado
nem o Sol iluminado.
Pai, mãe, filho e meu grande amor
porque me deixaram pra trás?
Estão vivos nos sinais
e como se esforçam pra dizê-lo;
e como agradeço por fazê-lo.
Mas pai, mãe, filho e grande amor,
sou filha, mãe e mulher
sou burra, imbecil, limitada, terrena e orgânica,
preciso saber.
Não sei não cuidar....não sei relaxar,
não sei me ausentar, não sei não pensar, não sei omitir, não sei disfarçar, não sei não sofrer.
O que comem, como dormem, como veem, como andam
como falam, onde moram? Há dia, há noite? Sentem frio,
correm, dançam, cantam, tocam, são livres?
E porque não podem aparecer?
Quem cuida de vocês?
Porque sou orgânica, burra, Terra, cega e limitada, não sei saber.
Quem manda aí, saberá me entender?
Alguem manda? Existem ordens, leis, limites,
ou atingiram a liberdade falada, que não existe neste plano?
Ou só daqui pelo corpo, cérebro, veias, matéria
sentimos esta bruta separação?
Onde vocês estão?
Posso ir neste lugar?
Quem inventou esta separação? Esta limitação?
E os que serão deixados pra trás?
Vocês sentem o coração dos humanos,
tão desumanos?
Ou a visão fica diferente, quando se transcende os corpos?
Ou será isto só coisa do sistema nervoso central?
Olhos, bocas, cheiros, nariz, respiração?
Onde está o fim do muro?

Rio Janeiro/RJ



16.
Simplicidade e Perdões Implícitos
Conceição Castro


Hoje uma fera
Foi na feira
Feriu-me
Atacou o tornozelo que me leva
ao zelo
Despiu-me de todos os cuidados
E me fez ficar assim
Com cara de gatinho mimado
sem saber como miar
diante de verdade tão limiar
Tudo que machuca é tão simples
Tudo que fere é tão frágil
Fico na preguiça e esqueço
Que sou ágil
Perco-me no pratinho das decepções
Que nunca serão DE
mas simplesmente
A
Cepções
E por incrível que pareça
Ainda acho que você mereça
Um grande abraço,
Vem cá!

Salvador/BA



17.
Felicidade
Vera Passos


Felicidade é algo tão íntimo, que ninguém consegue invadir.
É poder cantar, dançar, sorrir... sorrir de nada
É viajar no éter dos caminhos inacessíveis
É uma saudade gostosa de uma era, um espaço, um tempo...
Felicidade é saber que o amanhã é surpreendente
É o poder de estar só, quando se quer
É rever nas fotos e linhas de um cartão colorido e antigo a mensagem de alguém muito especial
É conquistar amigos e saber que no momento de dor pode descansar num ombro solidário
É estar bem e consequentemente passar boas energias a quem está ao seu lado.
É bater papo com alguém desconhecido durante uma viagem e no final ter certeza que não mais serão estranhos
É deitar todas as noites e refletir sobre a página escrita durante o dia e dizer prá si mesmo: mandei bem. Muito obrigada. Depois dormir.


Salvador/BA



18.
Pureza
Valter Bitencourt Júnior


Dizem que a gente tem que dá valor
A quem nos ama,
E quem não nos ama
A gente tem de abandonar.
Dizem que existem várias maneiras de amar,
Já li isso em um conto do Drummond.
Se a gente tem de amar
Quem nos ama, por que não
Amar a quem não nos ama?
Que venha a ser mesmo
A palavra amor?
Quem sabe o amor cantado por Camões...
Dizem que a felicidade
Está naquele que sabe amar
E tem um grande amor.
Já embriaguei-me nas poesias do Charles Baudelaire.
Não há um bem tão grandioso
Que a vida, e a arte de viver.
Dizem que o mundo está perdido
E precisa de amor.
O amor circula em nossa volta
E precisa ser visto por todos.
É mais que necessário amar
Uns aos outros, as flores, as árvores,
Os animais, as cachoeiras, as montanhas,
Os céus, as terras (que são muitas), a sabedoria das pedras...

Salvador/BA



19.
Quadraturas
Marina Martinez


Vendaval. Magnético. Atraente.
Namora quem o olha. Intrigante.
Alguém disse que, se enxergarmos o precipício,
sem dúvida ele nos descobrirá, também.
Quero ver, me aproximo. Falsa coragem.
Planetas rodopiam loucamente. Quadraturas?
O abismo me chama, na forma de redemoinho.
Sinto o zodíaco me afogando, num espaço além.
Água, fogo, terra, ar, juntos, agem. Conjunturas?
Paro de observar as cartas. A astróloga se cala.
Confusa, levanto, agradeço, saio.
Nos primeiros degraus, pressinto um olhar irônico:
o precipício, voraz, rindo, me engole, quando caio.

Porto Alegre/RS




Aos que na Ciranda fazem o seu pousar, quero apenas dizer: acreditem enquanto nossa lira estiver viva " haverá pássaros, no silêncio das coisas", e é o silêncio que equilibra as asas do poema. "Quando os poemas saem dos livros" o mundo entra em estado de melhorias e aí todos os "rios saem dos" e a poesia vai cercando a vida. E escrevemos "como quem assovia no escuro" e plantamos sementes e nos deslumbramos ao som das nossas rimas. Somos apenas um, quando escrevemos juntos nossas dores, alegrias, desejos e saudades. Somos "colibris a beijar a flor do poema", somos a resposta aos que não acreditam na humanidade, na felicidade das metáforas. Somos poetas, despertos como fontes, sem a mediação das máquinas, das violências, das traições, discórdias e preconceitos: somos apenas poetas. E como poetas vamos dizendo: Muito gratos aos que aqui estão, porque acreditam na nossa loucura.

Haydée S. Hostin Lima
Confreira Efetiva
Santa Maria/RS







Sou pai poeta

Lembro-me de quando comecei a participar da CAPPAZ. Eu era apenas uma pessoa que gostava de descarregar e registrar ideias, sonhos, vontades e até dificuldades. Assim, comecei a organizar as informações de forma rimada, tornando-me assim, ao olhar de muitos, um poeta.

Não sonhava em ter filhos, apenas imaginava como poderia ser.

Os anos se passaram e, então, a boa notícia veio: “- Você será pai!”.

Tudo aquilo que era abstrato, tornou-se concreto: “ideias, sonhos, vontades e até dificuldades”.

O que mudou?

Bom, atualmente não tenho parado muito para pensar e escrever poesias. Minhas reflexões são curtas, rápidas e momentâneas, pois optei por ser um bom pai e dedicar todo meu tempo “livre” ao meu filho. As reflexões tornaram-se conjuntas, uma troca de ideias a aprendizado constantes, com a ajuda de um menino que acabou de completar quatro anos na última quarta-feira.

Claro, continuo trabalhando, cuidando dos afazeres de casa e pensando sobre a vida. A questão é que a poesia agora mudou e tem nome: Vinicius. Pois é, agora sou pai e, ao invés de escrever poesias, tenho vivido uma.

Agradeço e parabenizo a todos que participaram desta Ciranda.

Sandro Nicodemo
Confrade Efetivo
Santo André/SP


AGRADECIMENTOS DA CAPPAZ

Agradecemos a especial atenção dos confrades e confreiras que aqui estão a prestigiar o nosso encontro mensal virtual com suas participações explicitando seus nobres e saudosos sentimentos.

Diná Fernandes
Coordenadora Nacional das Cirandas.









Meu Pai
Letra: Daniel


Não é porque ele é meu pai
Que eu escrevi esta canção
Fiz bem mais pela beleza
De um senhor com uma grandeza
Além da imaginação
Não é porque ele é meu pai
Que eu o exalto tanto assim
É que pela minha idade
Esse anjo de bondade
Ainda cuida bem de mim
Me aconselha a todo instante
Me dá carinho dá amor
Ele é um raro diamante
De indiscutível valor
É meu amigo do peito
Eu tenho orgulho de falar
Esse homem tão direito
Diplomado em respeito
É um exemplo em nosso lar
Não é porque ele é meu pai
Que eu escrevi esses versos
É que ele se sobressai
Entre os pais do universo
Queria ser mais que um poeta
Nessa rima que se encerra
E essa canção ser um troféu
Pois pra mim é Deus no céu
E o meu pai aqui na Terra









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Arte e Formatação Rosângela Coelho
Exclusivo para CAPPAZ - Confraria Artistas e Poetas pela Paz
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