INTRODUÇÃO

Este é um mês especial para nós, Cappazes, pois atingimos a Ciranda Número 100. Portanto, não poderíamos deixar de comemorar, rodando uma Ciranda Especial, para realçar este marco tão expressivo da CAPPAZ.
Durante esses anos, publicamos temas diversificados, alguns até polêmicos, como o de janeiro/2013 – “Somos Pacíficos ou Beligerantes? ”, outros mais profundos, como o de janeiro/2014 – “Holocausto Nunca Mais”.
Fizemos muitas homenagens à CAPPAZ, em seu mês de aniversário; elogiamos as mulheres, nas cirandas de março; em maio, nunca esquecemos as mães; em dezembro, lembramos sempre do Natal, sem contar as inúmeras Cirandas falando sobre a paz, a amizade, o amor, a preservação do planeta Terra etc.
É neste espírito de paz e bem que convido todos os membros da Confraria a participarem da Ciranda 100, um marco na história gloriosa da CAPPAZ!

Rosângela da Silveira Coelho.
Coordenadora das Cirandas.
Curitiba/PR.






PARTICIPANTES - CIRANDA TEMÁTICA(Índice)

01- Aila Maria Brito (06)
02- Carlos Reinaldo de Souza (05)
03- Celso Corrêa de Freitas (14)
04- Daniel Brasil (08)
05- Deomídio Macêdo (03)
06- Eda Bridi (25)
07- Edvaldo Rosa (15)
08- Eloísa Antunes Maciel (04)
09- Elzio Luz Leal (18)
10- Fátima Peixoto (23)
11- Fernando Alberto Salinas Couto (16)
12- José Maria de Jesus Raimundo Silva (10)
13- José Pereira da Silva (12)
14- Joyce Lima Krischke (02)
15- Lúcia Silva (19)
16- Malú Ferreira (24)
17- Marcelo de Oliveira Souza (01)
18- Marina Martinez (17)
19- Nádia Cerqueira (21)
20- Nena Sarti (09)
21- Neneca Barbosa (22)
22- Odilon Machado de Lourenço (20)
23- Rosângela da Silveira Coelho (07)
24- Roseleide Santana de Farias Silva (11)
25- Varenka de Fátima Araújo (13)




PARTICIPANTES - TEMA LIVRE(Índice)

01- Aila Maria Brito (08)
02- Akasha De Lioncourt (26)
03- Audelina Macieira (18)
04- Celeste Farias (24 e 25)
05- Dilson Poeta (10 e 14)
06- Eduardo Torto Meneghelli (21 e 22)
07- Gerusa Guedes (17)
08- Josue Ramiro Ramalho (09)
09- Judite Krischke Sebastiany (06)
10- Lúcia Silva (19)
11- Mariângela Repolês (13)
12- Marina Martinez (15)
13- Palmira Heine (20)
14- Renata Rimet (16)
15- Roseleide Santana de Farias Silva (11)
16- Sérgio, Beija-Flor-Poeta (03)
17- Sílvia Benedetti (04 e 05)
18- Tânia Maria de Souza (07)
19- Varenka de Fátima Araújo (12 e 23)
20- Vera Passos (01 e 02)





PARTICIPAÇÕES - CIRANDA TEMÁTICA

-01-
Cem cirandas Cappaz
Marcelo de Oliveira Souza


Nas cirandas não falta ninguém
Quem valoriza a paz tem tudo para participar
Desenhos, gravuras, poesias a dançar
Tudo é bonito e motivo para comemorar
Gente de todo Brasil a navegar,
Começamos com um poema a sonhar
“Não Aguentamos mais” tem o seu lugar!
O medo que criou coragem
Com seu texto a publicar.

Muito me orgulho daqui poder estar
Conhecendo muita gente a rabiscar
E o tempo passa, voa...
Da CAPPAZ não vou largar
Me chamando estou aqui a rimar
Poesia é a arte de sonhar
E no conto, a todos vou situar...
E agora o que vem?
Mais uma data a comemorar
E orgulhosos vamos ficar
A ciranda chegou sim
Cirandando pra mais de cem!

Salvador/BA



-02-
Cirandando Palavras... Cem Cirandas CAPPAZ!
Joyce Lima Krischke


Cirandando Palavras... Grandes e Pequenas
Cirandando Palavras... Sonhos e cenas
Cirandando Palavras... Escritas em poesia
Cirandando Palavras... Pronunciadas dia a dia

Cirandando Palavras... Vitória no pódio
Cirandando Palavras... Agressão e (talvez) ódio
Cirandando Palavras... Construindo miragens
Cirandando Palavras... Destruindo imagens

Cirandando Palavras... Afastando a solidão
Cirandando Palavras... Escritas com o coração
Cirandando Palavras... Com Amor e fantasia
Cirandando Palavras... Escritas e lidas dia a dia

Cirandando Palavras... Certo dia programei
Cirandando Palavras... Que jamais escreverei
Cirandando Palavras... Rosas da Paz e Esperança
Cirandando Palavras... Escritas por adulto e criança

Cirandando Palavras... Doce de mel
Cirandando Palavras... Amargas como fel
Cirandando Palavras... Que Li e Reli
Cirandando Palavras... Que nunca esqueci

Cirandando Palavras... Divulgando Cultura de Paz
Cirandando Palavras... Cem Cirandas CAPPAZ!

Balneário Camboriu/SC, 01/06/2017.



-03-
As Cem cirandas CAPPAZ
Deomídio Macêdo


Sem palavras
Cem cirandas
Sem medo de ser feliz
Cem poesias
Cem contos
Sem prosas não pode ser
O ser poético não vive
Sem fala
Sem parecer
Vive cem verdades
Sem mentiras
Sem ódios
Vive a expressão do ser
na nossa Ciranda Cem!

Salvador/BA



-04-
Cem Edições de Idéias Reunidas em Clima de Paz...
Eloísa Antunes Maciel


Uma centena, enfim, de pensamentos ...
Temas variados - diversificados...
Mantendo, sobretudo, os fundamentos
Das propostas de Paz como legados...

Em abordagens sempre convergentes
Para o alcance de uma paz Mundial,
Temas diversos foram convincentes
No intento de alcançar esse ideal...

E desde de datas ditas repisadas,
Propostas se fizeram consagradas,
Por todos integrantes da CAPPAZ...

E ao atingir meta desejada,
A meta centenária idealizada,
Vislumbra-se o escopo dessa PAZ...

São Martinho da Serra/RS



-05-
Ciranda Número 100
Carlos Reinaldo de Souza


São 100 Cirandas, garanto,
isso tem muito valor,
grande vitória, portanto,
frutos de muito amor.

Cada Cappaz escreveu,
um pedacinho da vida,
todo seu ser se envolveu,
nesta batalha aguerrida.

Ciranda Número Cem,
um resultado feliz,
muito trabalho, também,
e cada um pede bis.

Assim, depois dessa meta,
vamos partir, novamente,
numa postura seleta
e inspiração eloquente.

Bem-vindas trovas e prosas,
tudo com pura emoção,
canções e artes valiosas,
trazendo muita união!

Lafayette/MG



-06-
Centésima ciranda - Marca especial
(Dódeca – ABABBABABAAB)
Aila Maria Brito


Cirandas CAPPAZ - expressiva marca,
Ciranda de número 100; especial;
Infindos temas, que a inspiração abarca,
Alegria, tristeza, paixão, amor conjugal...
Numa corrente poética, fenomenal,
Erguem a bandeira da Paz, em logomarca,
Artistas e poetas, em harmonia total.
Hoje celebram o sucesso; e a alma encharca,
De amor e bem, num papel literal;
A emoção contagia e na alegria embarca
No abrigo onde a paz, com brilho demarca
E há fruto de amor, numa união sem igual.

Cocal/PI



-07-
Ciranda Cem
Rosângela da Silveira Coelho


Vem, cirandeiro, vem
Entra nessa roda,
Com versos de paz e bem
Nesta ciranda cem

Vem, cirandeiro, vem
Não deixe a roda parar
Comemore com a CAPPAZ
A ciranda número cem

Vem, cirandeiro, vem
Mostra seu talento,
Em verso ou prosa
Na ciranda número cem.

Curitiba/PR



-08-
As cem cirandas CAPPAZ
Daniel Brasil


As cem cirandas CAPPAZ
indo em direção a mil
percorrendo Brasil
na sua missão de paz
que lindo trabalho faz
essa grande confraria
são capazzes de magia
galgando no mundo inteiro
oriundo de um amor verdadeiro
as cem cirandas de mais bela poesia

As cem cirandas que acontece
sendo um marco na história
e eu refresco a memória
porque o tema enaltece
em homenagear quem merece
num gesto de gratidão
as cem cirandas no coração
de cada poeta e poetisa
até mesmo a própria brisa
brinda-lhe em oração

Parabéns por cem cirandas
é importante homenageá-la
ao mesmo tempo frisá-la
cumprindo essas demandas
poesias e poesias nas varandas
das nossas peças pensamentos
largando em todos os ventos
muitas chuvas de poesias
que florece em todos os dias
os mais sublimes talentos!

Porto Alegre/RS



-09-
A CIRANDA CENTENÁRIA
Nena Sarti


A ciranda sempre faz cirandar
Trazida de Portugal para criancinhas cantar
O português na gramatica aumenta
Com peneira, tamis e joeira
Para encanto que sedimenta.

A ciranda sempre faz cirandar
Joeira de vime que agita o trigo
Em um jogo antigo para o joio separar.
Tamis de seda para o farmacêutico usar,
De arame, de crina, a peneira é secular.

A ciranda sempre faz cirandar
Na CAPPAZ chegou ao número cem,
Para todos seus adeptos encantar
Sem rodeios de letras ensaiadas
Levando a quem lê o que mais agrada.

Campo Grande/MS, 2017



-10-
Cem
José Maria de Jesus Raimundo Silva


Cem cirandas...
Uniram o nosso Brasil.
Atravessaram fronteiras divulgando amor,
E os confrades.
Levaram mensagens de paz e alegria..
Cem cirandas hoje...
Milhares no futuro.
Pois de nossos corações,
Há de brotar poemas, crônicas e mensagens.
Em nome da CAPPAZ.

Varginha/MG



-11-
“As Cem Cirandas CAPPAZ”
Roseleide Santana de Farias Silva


As cem cirandas CAPPAZ
solene vou festejar

Com versos, poesia, grata alegria, vou participar,
entre o rio e a península que abraça este mar,
mirando-me no brilho do sol, nas ondas, o luar.

Com a certeza nas ações do abençoado tempo
infinito que é propenso á transformar tudo no Bem,
reflito em nós o amor e a justiça, santa fraternidade,
a calorosa amizade, e os princípios que nada têm
nos gestos de intolerância, orgulho e desdém,
desequilíbrios da alma que nunca trarão a Paz,
a harmonia, a prosperidade necessárias ao Bem,
serenidade, saúde, os nossos sonhos de felicidade!

Ciranda, cirandinha, ciranda de amor e luz,
Aqui procuremos juntos cirandar com Cristo Jesus,
Poesias e consciência, ternura em férteis amizades,
Perfumes de flores belas e brisas que esvoaçam,
Asas de anjos, carinhos, harmonia e criatividade,
Zelo e Paz noite e dia, meigos orvalhos da madrugada.


Parabéns á todos os que fazem á CAPPAZ!

Cabedelo/PB, 07/06/2017.



-12-
As Cem Cirandas da CAPPAZ
José Pereira da Silva


Ciranda me lembra de dança
E dança me leva à São João
A Ciranda Cem da CAPPAZ
Traz muito amor no coração!

Vem pra roda da ciranda
Vem poeta cirandar,
Você também é CAPPAZ,
É só você começar!

Está feito o meu convite
Foi assim que eu pensei
Participe da Ciranda CAPPAZ
Estou esperando vocês!

Parabéns para a CAPPAZ
Pelo incentivo que dá
Á cultura brasileira
E ao poeta popular!

Cabedelo/PB, 12/06/2017



-13-
100 Cirandas da CAPPAZ
Varenka de Fátima Araújo


Olá! Que vejo
do Planeta Terra
veloz a lua
escrito 100
igual a sanfona
com cada ciranda
rara visão
exulto poetas da CAPPAZ
mil cabeças pensantes
haja palavras
haja harmonia
haja paz.

Salvador/BA



-14-
As Cem Cirandas CAPPAZ
Celso Corrêa de Freitas


"Bem aventurados aqueles que puderam passar pelo tempo das excelências aqui ou acolá. Com certeza esses estão distantes e imunes as mediocridades dos dias de hoje." Atualizando este conceito...Bem aventurados a todos que vivem a excelência da CAPPAZ, e podem mostrar o melhor de si nas sua cirandas.

"Sinto as coisas ao meu redor não no tempo que elas duram, sinto-as na intensidade que elas acontecem. Meus momentos são inesquecíveis, sinto algo em mim, que não se explica, pois o que sinto, eu vivi e vivo com pessoas incomparáveis."

Os membros da CAPPAZ, são pessoas incomparáveis, é muito bom viver este momento com todos eles!

"Meu sangue flui Fluminense

Sou verso Praiagrandense

Lá da terra da promissão."

E hoje, sou mais CAPPAZ!

"Não existe caminho melhor do que aquele determinado pelo nosso coração."

Parabéns Confrades e Confreiras participantes desta ciranda especial da CAPPAZ.

Estar nesta Ciranda de número 100, para felicidade de nossos corações, será um marco na história de cada um de nós... com certeza.


Praia Grande/SP



-15-
Mensagem à CAPPAZ...
Edvaldo Rosa


Um trabalho bem feito dá frutos!
E o empreendido por todos da CAPPAZ demonstra isso de forma inequívoca, são Cem cirandas, aglutinando inúmeros poetas e poetisas, escritores das mais variadas matizes, compreendendo toda a pluralidade de pensamentos e sentimentos em torno de uma causa em comum; A Paz!
Nesta casa onde tenho transito aberto e franco, amigo e fraterno encontra-se o que há de melhor, e de humano, a sensibilidade á flor da pele de pessoas de todo o território brasileiro o que demonstra toda a nossa riqueza interior, de nossas almas e corações que se irmanam num grito pela Paz!
E o trabalho da CAPPAZ tem ecoado por todo o mundo, é sem fronteiras!
Foram Cem temas, cem estímulos para a criatividade, motes para a sensibilidade e por vezes para gritos pungentes oriundos da necessidade de se olhar para os outros... Para além de nós mesmos!
E a CAPPAZ é bem isso, bem assim, um olhar que toca os outros, sem aprisionamentos, respeitoso e amoroso! A CAPPAZ é amor!
Que tenha vida longa o grupo CAPPAZ, suas cirandas, suas antologias, pois em assim sendo, teremos um canal aberto a ecoar a nossa própria voz! Basta de silêncios!
Abraços fraternos sempre, agradecido pela vontade do grupo em receber reiteradamente a minha colaboração!


São Paulo/SP



-16-
CEM CIRANDAS
Fernando Alberto Salinas Couto


Cem cirandas de amor e paz.
Versos que abrandam corações.
Cem coletâneas de emoções.
Cirandas mensais da CAPPAZ,
fundadas em mais de mil temas,
expressas em crônicas, poemas,
músicas e fascinantes pinturas
que retratam as artes mais puras.

Cem cirandas, inspiração plena
de artistas e poetas especiais
que nos oferecem uma centena
de criações que induzem à paz,
com o sentimento muito profundo
de plantar só amor neste mundo.

Rio de Janeiro/RJ, 14/06/17



-17-
CIRANDANDO
Marina Martinez


Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar,
vamos girar mais de cem voltas,
mais de cem giros vamos dar.
O anel que não me destes
não era de ouro nem se quebrou.
O amor que prometias
rendeu belas palavras
e o vento veio e as levou.
Palavras em prosa e verso rodopiam pelo ar,
por cem vezes cirandamos e mais vamos cirandar.
Se somos Cappazes de tanto, não temos por que parar!

Porto Alegre/RS, 14/06/17



-18-
Ciranda da Cappaz
Elzio Luz Leal


De uma forma virtual,
Numa rodada poética, mensal.
Os poetas se manifestam.
Falam coisas de amor,
De seus anseios e da dor,
Que a todos na nação, afetam.

Relatam sobre o povo iletrado,
Que em vez do lápis, usa arado,
Na sua forma de cultivar.
De uma nação rica, promissora,
Mas que não valoriza a professora,
Nem a forma melhor de se educar.

E o povo, infeliz e explorado,
Desconhece seus direitos, e coitado,
Não tem um momento só de paz.
Denunciando essas atrocidades,
Os poetas, no campo e nas cidades,
Versejam nas Cirandas da Cappaz!

Rio de Janeiro/RJ



-19-
As Cem Cirandas
Lúcia Silva


Vem vamos cirandar
As mãos entrelaçar
Para as 100 cirandas comemorar.

Cem cirandas exalando amor
Em cada poema feito com primor
Por poetas de grande valor.

Cem cirandas de sensibilidade
Sendo elo de fraternidade
Unindo a humanidade.

Cem cirandas da CAPPAZ vamos aplaudir.

Currais Novos/RN



-020-
Cem Cirandas CAPPAZ
Odilon Machado de Lourenço


A voz da vida das flores
A terna luz dos amores
A lua que mais me apraz
É ciranda na CAPPAZ
O voo altivo do pássaro
A rua toda sombreada
Caminhante pela paz
É ciranda na CAPPAZ
A força vinda da terra
Brilhando ao sol rei do céu
Dando frutas ao rapaz
É ciranda na CAPPAZ
Água descendo ao mar
Borboleta pelo ar
Estrela linda de paz
É ciranda na CAPPAZ.

Pântano Grande/RS, 22-06-2017



-021-
Falando com o coração
Nádia Cerqueira


O centenário de qualquer feito
sempre será uma benção
que emociona, enchendo o peito de emoção...
Se fomos Cappazes de chegar a 100 edições
foi porque, Deus, com sua infinita sabedoria
nos conduziu e nos iluminou com inspirações...
Ser CAPPAZ é sentir o amor guardado
se transformar em versos para encantar
e ascender com beleza o Universo.
Mesmo com toda minha ausência, a essência
positiva, me reacendeu , com toda humildade
E aqui, parabenizo com meus versos e simplicidade!

Salvador/BA



-022-
CIRANDAR COM A CAPPAZ
Neneca Barbosa


Cem cirandas estamos completando
Nesse mês que traz muitas alegrias
É São João todos estão cirandando
Brincando com paz e com harmonia.

Os poetas são como belas borboletas
Que com seus versos ficam a bailar
Fazendo piruetas sobre as violetas
Conseguem as cirandas espalhar.

Vamos cirandar fazendo oração
Pra que haja tempo de fraternidade
E vermos na face de cada irmão
A tão desejada felicidade.

De mãos dadas vamos nós cirandar
Construir um novo mundo com poesia
Pra que possamos justiça alcançar
Mudando nos corações a energia.

João Pessoa/PB



-023-
Ciranda
Fátima Peixoto


A vida nos convida a cirandar,
Participar,
Não perder a oportunidade
De trocar ideias,
Conhecer novos autores,
Ler vários poemas fascinantes.
Essa rica aprendizagem,
Agradeço a CAPPAZ,
Agradeço a nossa Fundadora Joyce.
Agradeço a todos os confrades e confreiras,
Pelos encontros nas cirandas,
Pelo objetivo que temos de escrever e praticar,

O bem e a Paz.

Cabedelo/PB



-024-
REFUGIA-TE (Ciranda)
Malú Ferreira


Quantas estações passaram!
Quantas hão de passar.
Diante de plácidas margens
Das imensuráveis trilhas
Onde mariposas douradas esperneiam
Sensibilidades femininas.
Tatuando em seus corpos e mente
Cirandas ensolaradas e noturnas.

Rastreando o tempo e suas ruelas.
Onde hajam vidas ou semividas ignoradas.
Golpeando-as em traços doloridos
De abraços calientes e reais.
Na busca de amenizar tormentos
Que aflige o século atual.
- Nesse “tique-taque” acelerado dos relógios
E dos corações desordenados

Onde rostos se curvam
Diante de espelhos nublados
Pela força do pensar.
Refugia-te!
Observe folhagens, desprendidas e suaves.
Bromélias suculentas em seus caules
Afague-as com calma e proeza
Nas profundezas de suas entranhas

A energia que emana o amor
Como um concerto ancestral.
Entrelaça caminhos
Fecunda.
Sombras transformam-se em luzes.
E a orquestra com seus toques serenos
Anuncia...Paz.
...e o mundo embevecido agradece. (Ainda que seja um sonho).

- Somos Cappaz!
- Primavera, Verão, Outono, Inverno
Com Vidas
Com Cirandas
Corações
Compartilhando Paz.

Salvador/BA



-025-
Cem Cirandas
Muitas Emoções
Eda Bridi


Cem mensagens de luz, fé, amor e paz cirandam no espaço virtual para chegar aos corações que guardam um lugar especial para cultivar emoções.

A Festa das Cirandas inicia cada Novo Ano com mensagens de Paz e Bem. Canta o Carnaval: “Ó, Abre Alas”. Exalta a Mulher na Construção do Mundo. Dá às Mães o título de “Ser Divino”. E não esquece os Pais. Prega a Solidariedade, o Perdão, a Paz e a Gratidão como Fonte de Amor. Comemora: “Sou Brasil ... Sou Paz e Bem”. Canta a Primavera: “Flores, Magia e Alegria”. Também as alegrias de inverno e as alegrias de verão. Lembra a “nossa Criança Interior” e os “nossos Mestres”. No Natal: “Uma Poesia sobre o Berço”. E o Jubileu de Cerâmica ou Vime, ao completar a nossa Confraria Nove Anos, é comemorado com saudações especiais em prosa e verso. E, de mês a mês, formou-se uma grande ciranda - cem cirandas - expressão de paz, amor e arte.

Confrades e confreiras manifestam em cada ciranda o que lhes vai no coração e na mente. A cada ciranda, fica-se na expectativa do novo tema e, na sequência, deleita-se ao ler os poemas. É prazeroso retomar de uma em uma a leitura de todas as cirandas, na ordem regressiva, e chegar à origem. E indagar: de quem partiu a ideia de criá-la? Quem nos reuniu nesta confraria que prega a paz, o bem, o amor, o belo? Só podia ser uma pessoa muito especial para todos nós, confrades e confreiras, a grande poetisa e nossa líder, a Joyce, Presidente Fundadora da CAPPAZ.

Festejemos as Cem Cirandas, cirandando, num abraço coletivo, com as bênçãos do céu!


Sobradinho/RS





PARTICIPAÇÕES - TEMA LIVRE

-01-
Quando?
Vera Passos


Quando nossos campos produzirão fartura?
A terra ressequida sofre a força da erosão
O latifundiário despacha quem vive do chão

O lavrador cultiva, não colhe o fruto
Sobrevive com cuia na mão
Não come o que semeia, vive das migalhas do pão

O dono da terra é o Poder, disfarçado de patrão
Impõe a miséria, a injustiça, a incúria, a escravidão
Desconhece o valor da terra, a semente, o grão
Alimenta a segregação

Capitalista terrível, exporta o melhor que o mundo cobra
A nós, reserva as sobras da exportação
O povo coitado morre de fome e sede
Na ignorância mantém o poder dessa Nação

Salvador/BA



-02-
O voo
Vera Passos


Bate asas o pássaro feliz
Segue o azul interminável e desaparece no éter
De longe sonho com meu voo por enquanto no pensamento
Este me acompanha desde a infância quando elaboramos os sonhos
Mas é na lida constante e diária que os materializamos pouco a pouco
Sem temer as pedras do caminho, vencemos as correntezas
Enfrentamos os meandros contornando os obstáculos.
Meu voo nem de perto iguala ao pássaro que levemente plana no ar
Os predadores se aproximam daqueles que se deixam escrever sua história
Eu jamais segreguei alguém aos meus elos, sigo aprendendo a lição
Não quero ninguém grudado só por laços sanguíneos ou por que depende de mim
Quero pessoas livres me seguindo porque me amam
Porque querem a minha presença, meu aconchego.
Nasci livre, meu voo é solitário, mas completamente feliz como o pássaro que sobrevoa...

Salvador/BA



-03-
Seis horas da manhã
Sérgio, Beija-Flor-Poeta


Seis horas da manhã. Esperando o ônibus que chega a frear encima do segundo. Onde tudo parece funcionar, as pessoas se comportam como máquinas e terminam por sonhar com a queda de uma bomba atômica a distância de um quilômetro. Via-se quando o objeto de fogo rasgava o vento e sua parábola declinava no horizonte. Os estilhaços das janelas criavam asas: a matéria em sua plena vulnerabilidade era dizimada em pedacinhos. Somente depois de vagar pelas ruas da cidade ao chão, é que espíritos agoniados entenderam que já não mais habitavam corpo febril e cheio de esperanças parabólicas. No metrô, as lágrimas no escuro dos olhos negros, a mãe dá o seio esquerdo ao filho morrendo de fome. Passos apressados dos sapatos indo ao trabalho bem cedo. É o suficiente olhar as pessoas na cara para sabermos que estão todas mergulhadas num mundo interior profundo. Talvez o final de semana, talvez a morte, talvez o sorriso ou simplesmente um vazio na alma. E de repente surge um cavalo carregando duas malas em cada braço. Uma mulher se apressa comigo para pegarmos a porta ainda entreaberta do metrô em pressas. Um pulo e um grito de alívio.
A pressa foi tão rápida, que perdi a parada e tive que retornar no tempo: a bomba atômica destruiu todo o hemisfério cardeal.


Munique/Alemanha



-04-
Belo Entardecer
Sílvia Benedetti


Neste belo entardecer
A primavera me habita
E os pássaros cantantes
Rimam acordes de amor.

Neste belo entardecer
A brisa mansa que passa
Beija meus cabelos brancos
Tece poemas de amor.

Em tudo reina harmonia
Neste sonho-fantasia
De luz,paz... esplendor.

Há em tudo uma eperança
E o meu lado de criança
A deus,faz prece,louvor

Pela graça de, na vida,
Ser poeta e... comovida
Escrever temas de amor.

Porto Alegre/RS



-05-
Levando a Vida
Sílvia Benedetti


A vida levo na boa
Antes dela me levar
Temporal não me atordoa
Chuva é feita pra molhar...

Cobrança nunca me assusta
Só gosto de quem me quer
Ser alegre, nada custa
Sopa eu tomo na colher...

Não corro contrário ao vento
Busco o rumo da emoção;
Sempre dando"tempo ao tempo",
Seguindo minha intuição...

Enfrento as dores, tristezas,
A falta de lealdade;
Detenho-me nas belezas,
Que tecem felicidade.

Porto Alegre/RS



-06-
PEDIRAM-ME PARA
ESCREVER SOBRE PAZ...
Judite Krischke Sebastiany


O que posso dizer sobre a paz?
O que sei dizer sobre esse tema?
Dizer teorias? Dizer do que vivi?
Dizer o que experimentei?

As experiências contrastantes,
Na dinâmica da vida, vão traçando
Desenhando a Paz, e redesenhando
As linhas a cada instante, a cada dia.

A cada início de dia traço metas;
Que orientam meus passos como setas.
Imprevistos surgem: que desatino!
Aborreço-me. Irritada quebro as setas.

Paro. Olho em volta. Penso:
Não é possível controlar o pensamento,
Cada pessoa, cada sentimento.
Controle não é paz!

Cada minuto é criativo, misterioso...
Uma surpresa a cada instante.
Mas se há tempo para pensar,
È possível prever ou superar ... a dor.

Um novo olhar, com muito amor
Transforma em paz aquela dor
Que surgiu da frustração.
Da minha decepção, da tua opção.

A paz viva retorna ao perceber
A falta de controle inerente à vida.
Com amor, os limites de cada um ver.
Na ebulição de emoções, vivida

Porto Alegre/RS



-07-
A bike do 51
Tânia Maria de Souza


Foi o número 51. Da rodada 51. Coincidência... meu celular termina com 51.

Só não coincidiu a idade, pois vou completar 50. Mas foi assim que ganhei uma bicicleta rosa, na roda da fortuna, com apenas um número comprado, ontem, domingo, 04 de junho de 2017, na tradicional festa do Divino Espírito Santo, em Blumenau.

A última vez que lembro ter ido a essa festa foi quando era criança, com meu pai, que sempre nos levava. E aquela da qual jamais esquecerei foi a festa do divino na paróquia Santo Antônio, no bairro em que morávamos. Naquele domingo, saímos de lá com a Variant azul celeste de meu pai recheada de prêmios: almofadas, quatro ou cinco palhaços de pano (muito bonitos por sinal), acolchoado (hoje seria edredon), sopeira de porcelana, bola, vaso de cerâmica e outras coisas mais... Eu devia ter uns dez anos de idade, mais ou menos. Então ontem, depois de décadas, resolvi levar minha amiga que veio me visitar em Balneário, para Blumenau, e ir à festa, pois justo ontem soube que a mesma estava ocorrendo. Quase que eu não ia, porque não queria voltar sozinha depois; mas acabei decidindo ir, também por insistência da minha amiga. Não seria uma simples ida a uma festa de igreja. Seria também uma homenagem ao meu querido pai, que tanto gostava dessas festas, e por isso eu não poderia deixar de ir à atração mais empolgante: ao chegarmos fui correndo à primeira (e única) roda da fortuna que avistei, repleta de edredons. Estavam sorteando naquela rodada um cacho enorme de bananas também – que eu não queria ganhar! (risos). Comprei três bilhetes naquela rodada, e um noutra. Eram baratinhos, um e dois reais, e eu estava com pouco dinheiro. Não deu nada.

Então, ao nos encaminharmos para a área do churrasco – aquele delicioso e típico churrasco de festa de igreja –, vi uma roda da fortuna da bicicleta. Logo reconheci um rosto. Era um colega de escola, do ginásio, que estava vendendo os bilhetes. Comprei um apenas – pois esses eram mais caros, de dez reais cada –, e escolhi o número. Ainda comentei com minha amiga: “A gente escolhe e fica ‘p’ se sair o número que estava ao lado, né”, e ela respondeu: “Sim, melhor pegar o primeiro que vier”. Eram três bicicletas, duas de adulto e uma de criança. Saiu a primeira, número 91 (o qual, segundo o “rodador” da roda, já havia saído outras vezes antes... Comentei com minha amiga: “Xiii! A roda tá viciada! Rsrs”). Saiu a segunda, número 56, e a pessoa levou a de criança. Fiquei contente, pois sobraria ainda uma de adulto. Pensei no meu querido e falecido pai. Falei com ele em pensamento: “Pai, se eu ganhar essa bici (tinha modelo feminino também), vou começar a me exercitar (pois estou sedentaríssima), e doar aquela bike masculina que tenho em casa e que está parada há tempos. Me dá uma forcinha aí, meu pai!”

E eis que sai o 51! Foi uma sensação única. Senti como se ele tivesse me ouvido e atendido ao meu pedido. Com um número apenas. Resposta do mundo espiritual ou mera coincidência? Terminei meu domingo feliz, meio que “encantada” por esse acontecimento, envolta por um sentimento mágico, coisa rara na minha vida, ultimamente... Penso que não foi uma simples coincidência... definitily not!


Balneário Camboriú/SC



-08-
Minha terra - (filiorum)
Aila Maria Brito


Distante daquela Serra
Tanto tempo a imaginar
Saudade no peito encerra
Fico doida pra voltar
Belezas aqui não há
Como lá, na minha terra!

Têm rios, têm cachoeiras,
Têm coqueiros, têm mangueiras,
Têm cajus e muricis
Graviolas e pequis...

E eu aqui, fico a pensar;
Ô terra bendita e bela!
Só serei feliz com ela,
Outra vez a me embalar!

Saudades... Da minha terra!

Cocal/PI



-09-
FESTAS JUNINAS NO NORDESTE
Josue Ramiro Ramalho


No inverno dos nordestinos
Onde vivemos desde meninos
Trabalhando e cantando feliz
Ninguem segurava a alegria
Nas festas que se faziam

Alegres eu sempre quis

Quando Junho chegava na roça
Fogueiras em frente as palhoças
Nas noites que a gente ascendia
Tantos fogos a pipocar
Muito forró sempre a tocar
Num mundo de fantasias

Santo Antonio Comemorava
Depois São João remendava
Até são Pedro vir festejar
Nas rodas de danças faceiras
Minha gente bem brasileira
Dançava pra noite vibrar

Canjica, bolos, amendoins
Pamonhas, licores, enfim
Faziam a festa maneira
Sanfoneiros nos salões tocavam
E enquanto o povo todo dançava
Eu assava milho na fogueira

Frutos da época chegavam de montão
Alegrando o nosso São João
E todo nordestino agradecia
Com tanta fartura da terra
Ninguem ali pensava em guerras
Só festejando com alegrias

Nas roupas bem coloridas
A gente dançava com vida
Para as festas sempre dar certo
Depois do arraiá formado
Os pares dançavam agarrados
E todos ficavam espertos

Na roça, alguns tambem se casavam
E em volta das fogueiras juravam
Se amarem eternamente
Assim, todo São João deixa lembranças
Pois é festa cheia de esperança
Que nunca foge da nossa mente.

Salvador/BA



-10-
Dilson Poeta


"Namorados, namorados,
Neste instante de euforia
Saiam por aí abraçados,
Seja noite, ou seja dia!"

Natal/RN



-11-
Natureza amiga
Roseleide Santana de Farias Silva


Natureza amiga, simples, bela, pródiga e majestosa,
Aqui em tudo nos demonstras o teu trabalho, ações.
Tentativas de equilíbrio e adaptação és um exemplo,
Uma busca perfeita para a sobrevivência e evolução,
Reflexos da energia e luz do excelso Deus e Criador,
Ensinas o caminho da misericórdia, bondade e amor,
Zelo e cooperação e respeito mútuo são necessários.
A gratidão apague as maldades do humano coração.

Ai de nós quando tudo na terra se tornar solo estéril,
Milhares de vidas, fauna, flora, ficarem exterminadas,
Infelizes seremos se a água, alimento na Terra faltar.
Geração de loucos, malditos por não respeitar a vida,
Ame a natureza e bênçãos virão da Terra, Céu e Mar.


Cabedelo/PB



-12-
Assim, como meu pai
Varenka de Fátima Araújo


Acho que são cinco da manhã
não são quatro horas, Francisco Chagas
era a hora que meu pai acordava
dormia com os livros na cama
pegava religiosamente um livro, lia
para vencer a monotonia, tomava café
lá pela sete da manhã, era um defenssor
da leitura e educação igualmente para todos
bom dia pai, ele, você deve levar meus livros
é tão difícil viver sem meu pai
fico em pose como ele para senti lo aqui
uma dor incomoda, não posso olhar para trás
resolvi escrever, escrever
para escapar da dor, até hoje a arte do tropeço
resolvi me abanador de mim, por mim, para os outros
não pra mim mesmo, fora do tempo
com um papel e caneta sou risco em vermelho
ou, a rainha vermelha, cabelos de fogo
é assim, um amigo me chama
estou escrevendo porque fico lúdica
insisto nisso, sem saber o quê vai acontecar
nem aqui, nem no norte, nem no sul
não se ganha, não se é reconhecido
amigo, um livro pode abrir uma cabeça
entendeu a questão?

Salvador/BA



-13-
Conflito de sonhos e quimeras
Mariângela Repolês


Angelita, que sempre teve uma caminhada plural vestida com roupas contemporâneas, questiona o afastamento de sua melhor amiga nas redes sociais. Para cutucar a onça com vara curta ela usa de sua astucia e se embrenha nas transformações surgidas nesse século, mesmo sabendo que sua amiga nascera em outros tempos. Maria, que sempre teve uma caminhada singular vestida com roupas de pureza clerical, lhe diz que não é apenas a atmosfera de animosidade atual que a distancia das redes sociais, mas, sobretudo pela causa e consequencia que resultam constantemente na impressão de uma frieza insuportável, ofensas anônimas causando isolamento e solidão, castigo cruel para quem envelhece. Incisivamente Angelita lhe pergunta: afinal, você é contra as transformações vigentes? Claro que não, Maria lhe responde. Acontece minha cara confidente, que a inclusão digital -mal-usada- não democratiza o acesso ao conhecimento e à sabedoria, e sim fragiliza os princípios éticos e morais fazendo morrer -pouco a pouco- a cidadania, que no momento se sente paralisada e asfixiada. Com sua roupa metálica -quase de uma astronauta- Angelita lhe envia emojis, memes, emotions e tantos outros símbolos que dão ideia de crítica, de ironia ou mesmo de riso fácil, assim como tantos outros aplicativos que fazem parte de sua vida cotidiana moderna. Mas, nessa hora, tais desenhos não ganham espaço e nem comentários justamente porque sua amiga acredita que eles ameaçam o lirismo que se espera nos momentos de reflexão. Bem sei que a não existência das palavras nas conversas online busca pela subtração do tempo, mas onde fica o diálogo entre os interlocutores? É impossível responder com certeza, mas se pode imaginar o que Maria está pensando nesse momento: nas curvas de cada modernidade sei que vou derrapar, por isso não vou me arriscar buscando entender cada peculiaridade moderna, já que sou quase uma deficiente visual em matéria de tecnologia virtual.
Com sua lente bifocal imaginária Maria vê dois mundos: um microscópico onde a tecnologia consegue criar uma elite sábia, e outro macroscópico, onde a era digital dá corda a uma gama de inúteis. Perdoe-me, mas é o que sinto e na minha idade não vale mentir. Com sua calça jeans desbotada, cheia de buracos e desfiada Angelita resmunga para si mesma: ao que me parece, para essa septuagenária, a distopia está em voga. Vou testá-la. E lhe pergunta: renegando-se nas redes sociais você não estaria denegrindo a imagem de quem as utilizam? De maneira nenhuma. Sinto-me envergonhada em ter que admitir que eu seja analfabeta cibernética, mas eu seria imbecil em negar a necessidade das transformações. O que seria do computador se não houvesse a invenção da imprensa de Gutenberg, que se reverteu em revolução mãe para as demais vindouras? Definitivamente não posso ser contra os avanços tecnológicos depois de ouvir Bertolt Brecht e reconhecer que ele tinha razão quando disse: “do rio que tudo arrasta se diz violento, mas ninguém diz violentas as margens que o oprimem”, mas, qualquer tecnologia, por si só, não é um elixir para a inteligência nem sinônimo de sabedoria. Em seu olhar pensativo se estampa um sorriso e ela continua: lembro-me de quando eu era criança e apertei, pela primeira vez, as teclas de uma máquina de escrever -Remington, ou Olivetti não sei ao certo- e meus ouvidos, como um rápido radar no ambiente escolar e querendo escutar cada ruído que as teclas faziam, eles se sentiram eufóricos e tímidos. Eufóricos diante das teclas acionadas imprimindo letras, números e símbolos em um trêmulo papel, facilitando e dando maior agilidade no processo de escrita, e tímidos diante do manuseio de meus dedos acanhados dedilhando radiantes palavras transcritas trazendo a tênue verdade daquela tecnologia tão moderna. E a jovem Angelita deduz: percebo que a comunicação oral e a sociabilidade verbal para Maria não são um luxo, mas, uma necessidade vital.
Também com seus setenta e dois anos de idade os momentos indescritíveis na vida exigem presença física que nenhuma rede social não consegue traduzir, pensa Angelita. E Maria continua. Mesmo antes de completar um ano de idade, a intimidade de meus netos com aparelhos eletrônicos me surpreende. Eles mal aprendem a andar e a falar, e seus dedinhos já sabem qual caminho percorrer seja nas telas do computador ou manejar -sem ninguém ensinar- os comandos mínimos do smartphone. Não vou negar que não seja assustador. Sei que eles são fruto da geração Alpha e deles podemos esperar uma mudança ainda maior. Com mais acesso à Internet e suas tecnologias essa geração será mais esperta que nós duas, terá mais habilidades que servirão de alicerce para enfrentar os desafios do cotidiano futuro, assim como eu hoje os enfrento. Essa geração nasceu dentro de um contexto globalizado com novas formas de ultraconectividade, ainda que desafios diferentes -que nem consigo imaginar- haverão de surgir. Queira Deus que essa geração seja responsável e não seja vítima de crimes cibernéticos. Queira Deus que ela seja ética e livre da exposição excessiva para que a vida continue rodando, girando e seguindo mundo afora. Junto a essa geração Alpha espero escutar mais o poeta acima citado que continua sussurrando-me: “aprende o mais simples! /Pra aqueles cujo tempo chegou nunca é tarde demais! / Aprende o abc, não chega, mas aprende-o! E não te enfades. Começa! Tens de saber tudo, ” e obediente o pensamento de Maria, por certo, uma vez mais deixará a roupa velha para vestir outra nova, ainda que seja doloroso entender a rapidez pela qual o mundo caminha. Nesse conflito de sonhos e quimeras Angelita canta acompanhando Gonzaguinha: antes de tudo é preciso “ fé na vida, fé no homem, fé no que virá,” e Maria, na conspiração das horas sonolentas ou nos momentos preguiçosos, busca Albert Camus que lhe diz: “ no meio do inverno aprendi finalmente que havia dentro de em mim um verão invencível.”


Alvinópolis/MG



-14-
Dilson Poeta


"Foi numa noite igual a esta
Que tu me deste o coração
O céu estava assim em festa
Pois era noite de São João"
(Luiz Gonzaga/José Fernandes)


T R A D I Ç Ã O !

Neste São João, vou dançar, e dançar
Agarradinho ao meu belo xodó,
Pois não é bom que o macho dance só;
Melhor que ela pense em me namorar!

Neste São João, eu vou dançar forró
Bailando até o dia clarear
Na festa é proibido cochilar
Levantando a poeira em Caicó.

As quadrilhas dançam a noite inteira
Quermesses fazem parte do São João
Festa tipicamente à brasileira.

Milho, canjica, pamonha e quentão,
Adivinhações defronte à fogueira,
Pra manter acesa essa tradição!

12/06/2017 - DILSON/SPVA/NATAL/RN.



-15-
INFÂNCIA ENVELHECIDA - para JJ, com carinho
Marina Martinez


Minha infância envelheceu.
JJ

Quase todas as infâncias envelhecem, amigo.
E todos os velhos já foram infantes.
Alguns lembram aquele tempo antigo.
Outros se perdem em fatos tão distantes.

Alguns, como tu, aprendem a sonhar
e em sonhos retomam o passado.
Recordam uma criança a cantar,
jardins, saudades, uma vó ao lado.

Tens um tesouro inestimável, poeta.
Podes abraçar em versos tua criança
e levá-la a passear em tua caneta.

Feliz quem tem suas belas lembranças
e que as guardam consigo durante a vida,
pois viver também é acariciar mudanças.

Porto Alegre/RS



-16-
CIRANDA DE RUA
Renata Rimet


Vivo nesta ciranda
Rodando feito corrupio
Sou menino fugidio
Brinco de ter esperança
Mesmo tremendo de frio

Corro as ruas da cidade
Pés descalços e sem direção
Sigo o brilho do sol, procuro abrigo em afagos
Ou num tantinho de atenção

Seja dia ou seja noite
Meus olhos nem diferenciam
Só enxergo a esperança
Que pousa sem pre conceito, na palma da minha mão

Nem sei se durmo ou desmaio
Mas sonho sentindo fastio
Acordo revigorado, pronto para um novo desafio
No peito carrego a lembrança da esperança da noite passada
E sigo nesta ciranda, forjando a caminhada

O sol brilha para todos
A chuva limpa toda magoa
Vou caminhando sem medo
Rodando feito corrupio
Brinco de ter esperanças
Mesmo morrendo no frio.

Salvador/BA



-17-
Sem Ciranda
Gerusa Guedes




Cabedelo/PB



-18-
Poesia desenquadrada
Audelina Macieira


Não busco fazer poesias simétricas
busco uma poesia nova que possa
tocar as almas mais que as mãos possa
quero uma poesia não formosa
que possa invadir sem pedir licença
que abrace a vida impertinente
no apogeu de um fogo intenso
uma tocha vermelha ardente
que como carne adentre
rasgando a garganta a dentro
Não busco uma poesia perfeita
busco a eternidade na essência
A poesia louca desenquadrada
que não saia da mente
nem das almas
que travando as batalhas
seja a cerveja e o cigarro
embriague e rasgue.
Procuro a poesia que não é certa
deserdada das coisas certas da vida
então seja canto e encante em fé
seja apenas esperança.
Quero uma poesia da hora
que fora roubada no presente
aos que cala
e aos que recita
mas, um alguém grita
Exaltado e ferido pelas pontas afiadas
das palavras desavisadas de tudo
E as vozes são espadas cortando
o enquadramento perfeito
de fazer uma nova poesia.
Um texto livre.
Salvador/BA



-19-
Natureza triste
Lúcia Silva


Sou a mãe natureza
Nasci com a mata preservada
Meus rios não eram poluídos
Em mim só havia beleza

Então veio o progresso
Casas, prédios, rodovias
Trouxe para o homem sucesso
Para mim tristeza

Tudo perdeu sua beleza
Acabaram meus rios, matas e serras
A fumaça das fábricas
Destruiu minha pureza.

Currais Novos/RN



-020-
Palmira Heine




Salvador/BA



-21-
MENINOS!
Eduardo Torto Meneghelli


Esperados, eram!
E, nasceram!
Nasceram sem medo,
sem medo do futuro, do passado,
sem medo do presente e do futuro...
Cresceram, com personalidades firmadas!
O passado, para eles não existe!
O presente é só conseqüência,
para o futuro!
Suas histórias e destinos,
já foram narradas antes
dos seus surgimentos...
Seus pensamentos
são cravados por suas bocas...
O que ouvem!
Gravam...
O que enxergam!
Apagam...
O que acreditam!
Alimenta seus futuros
Meninos.
E que andem pelo mundo,
sem medo do futuro...
O que seria de nós; sem eles?
Os Meninos? Os nossos Meninos?
Os Meninos conquistadores!
Os Meninos futuristas, idealistas!
Os Meninos sonhadores e pensadores... !
Meninos, que andam pelo mundo,
sem medo do futuro...
zombando do presente...
esquecendo que o passado existiu... !
Pois o que lhes interessa,
é o momento em que respiram...
O que seria de nós?
Sem eles? Os Meninos?
Os nossos Meninos... !
Os nossos Filhos... !

Balenário Camboriú/SC, 28/01/1999



-022-
PERNAS
Eduardo Torto Meneghelli


Pernas que andam...
Pernas que se arrastam...
Pernas paradas...
Pernas que levam...
O corpo de alguém...
De algum ser...
A algum lugar...
Pernas perfeitas..
Pernas bem torneadas...
Pernas bonitas...
Lindas...!!!
Mas... são apenas Pernas...
Onde o cérebro ocasiona
Seus movimentos...
Intercalados...
Pernas com vidas...
Pernas sem vidas...
Pernas estáticas...
Sem vidas...
Mas... estáticas ou não...
Estão sempre presentes...
Vivas ou não..
Mas...! Estão ...!
Pernas que deixam,
quase tudo de pé...
Pernas que embelezam...
Pernas que estragam...
Mas... São as Pernas...
Que fazem os seres...
Pernas... Pernas...
Ho...! Pernas...
Pernas...

Balneário Camboriú/SC, 18/12/99



-023-
Noiva do São João
Varenka de Fátima Araújo


Vestida de noiva
com a cor da pureza abraçada
uma carroça, mãos entrelaçadas
ela soltava beijos para às nuvens
Sanches, corcunda sorridente, acenava
um pelotão de carroças em disparadas
gritos, se fugiu tem de casar
toda cidade com tochas clareando
caminhos, pedras permanecem quietas
os cavalos no mesmo ritmo
como se fossem convidados importantes
o padre sisudo, com voz firme
aceita a donzela Varenka como sua esposa
não aceito, senão perco minha patente
ela, vai te catar, sou noiva do São João.
E, animação tomou conta da festa.

Salvador/BA



-024-
MINHA ALMA PEDE SILÊNCIO
Celeste Farias


Minha alma pede silêncio!

Sim!

Não entendi.

Mas hoje ela pede silêncio.

Quer refletir sobre a vida
Cicatrizar as feridas
Que não mais lhe restam.
Desfrutar da natureza
Contemplar a beleza
E saborear a paz.

Foi muito difícil
Mas compreendi
O por que da minh'alma silenciar em si.

Ela quer rever os amores
Lembrar das paixões
E não viver em dissabores.

A minha alma quer ser...

Uma pétala em flor
Uma paixão em amor
Um cheiro em nostalgia
De um brotar em paz
Do viver em harmonia.

Ela agora quer...
Refletir
Sentir
Chorar
Sorrir
Brincar
Amar
Curtir
Andar
Crescer
Voar
Viver...
...e apreciar desse exato momento
Que ela vive o total silêncio!

Por favor não incomode!

....

O que fazer agora...? Psiuuuu...

A minha alma pede silêncio
Hoje, somente hoje...!

Belo Horizonte/MG



-025-
E SE EU MORRER AMANHÃ...?
Celeste Farias


O sol continuará a brilhar?
A lua na noite iluminará?
Você se lembrará de mim?
Enfim...

Será que as flores perfumarão
E os sonhos continuarão
A ser o combustível da vida?

A música será a musa dos sentimentos?
Você se lembrará de mim por um momento?
Lembrará do brilho dos meus olhos
E da meiguice do meu sorriso?

Mas... e se eu morrer amanhã?
As lembranças serão o seu acalanto?
As lágrimas cairão em prantos
Ou será uma mera fingidora?

Eu não sei o que seria de mim,
Se eu morresse amanhã...

Eu ficaria triste, infeliz,
Arrependido do que não fiz,
Perderia a lucidez.

Como num filme enxergaria,
Os abraços que não dei,
Os beijos que não beijei.

A fuga do carinho,
As horas longe de ti,
Os momentos que perdi.

Seu sorriso, sua voz,
A saudade, a simplicidade,
O não ter dito: - Eu te amo, com sinceridade!

Se eu morresse amanhã...
Lembraria do hoje, do agora.
De não ter vivido em intensidade constante.

Mas como hoje eu não morri,
Continuo amando, me apaixonando, com lealdade ao presente.
Porque o amanhã ainda é tão distante e talvez nem exista!

Belo Horizonte/MG



-026-
De Volta à Terra do Nunca
Akasha De Lioncourt


No vendaval dos meus sonhos me perdi da realidade,
Acabei viajando para lugares inimagináveis,
Meus olhos viram o que ninguém mais verá,
E agora trago comigo só uma enorme saudade.

Na Terra do Nunca meus desejos se realizaram,
Meus amores foram correspondidos,
Meus castelos foram levantados,
Agora, no mundo real, eles se consolidaram.

Não tive medo de sonhar, não tive medo de buscar,
A vida é feita de oportunidades, não as deixe passar.
Sonhe, lute, vá aonde sentir ou necessitar.

Cante, dance, faça dos dias uma rotina de amar,
Não se esquive das voltas que a vida dá,
Talvez seja uma oportunidade para seu caminhar.

São Paulo/SP, 15/09/2007 – 21:10 h.





ENCERRAMENTO E AGRADECIMENTOS

Queridos(as) confrades e confreiras da Cappaz:
Saudações fraternas!

Encerramos, com brilhantismo, nossa centésima Ciranda.
Sem dúvida, mais uma grande vitória da Cappaz!
Lindos poemas e textos em prosa evidenciaram a inspiração dos(as) Cappazes, mostrando que a nossa Confraria segue sua trajetória com os olhos voltados para o futuro, sem esquecer as lutas e conquistas do passado.
Tivemos a grata satisfação de encontrar companheiros e companheiras que estavam há longo tempo afastados das nossas Cirandas.
Sejam todos(as) bem-vindos!
Raras instituições culturais atingiram as suas metas com tanta abnegação e entusiasmo, este Deus Interior que invade nossos corações.
Em nome da Diretiva Nacional, agradeço a cada um(a) que contribuiu para o êxito da nossa Ciranda Número 100, e conto com todos vocês para os novos embates da CAPPAZ.
Vem aí a nossa oitava Antologia, que certamente terá os mesmos sucessos das sete anteriores. Mas, para isso, é necessário que estejamos presentes em todas as iniciativas da nossa Confraria.
Continuemos irmanados na suprema luta pela paz, pela preservação do meio ambiente e pela plenitude da vida em nosso Planeta.
Obrigado, mais uma vez, e avante Cappazes!

Carlos Reinaldo de Souza
Presidente Nacional da CAPPAZ.






MÚSICA DE FUNDO

Ciranda
Composição: Moacir Santos e Gilberto Gil
Voz: Simone Rasslan


Vem de um lugar chamado Flores
Esta ciranda
De tantas cores
Vem nos aliviar as dores
Os maus olhados
Os dissabores

Ó, cirandeiro, cirandeiro
Que faz ciranda o tempo inteiro
Só por folia
Só por amor

Vem de um lugar chamado Flores
Esta ciranda
De tantas cores
Vem nos falar dos trovadores
Dos bem-amados
Dos benfeitores

Ó, cirandeiro, cirandeiro
Que faz ciranda o tempo inteiro
E só por isso
Tem seu valor





SELO DE PARTICIPAÇÃO







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