CAPPAZ - Confraria Artistas e poetas pela Paz




Editorial/03-2013
Dr. Bode Expiatório
Jonas Krischke Sebastiany




Não se trata de nenhuma teoria da conspiração ou complexo de perseguição, mas a maneira como o Governo Federal vem tratando os médicos brasileiros é digna dos notórios processos medievais de martirização. Apenas nos mais cruéis regimes de exceção os direitos e deveres que regulam os exercícios profissionais são suprimidos. Somente nas ditaduras mais autoritárias os profissionais são impelidos compulsoriamente a trabalharem para o sistema público sem que isso ocorra por ser profissionalmente atraente ou compatível com as convicções filosóficas de cada cidadão. E é este o destino decretado aos nossos futuros médicos recém formados.

Não vejo outra denominação para estas arbitrariedades senão escravidão nua e crua. Até que ponto nossa categoria pode ser ultrajada e tacitamente responsabilizada pelo abandono desesperador em que se encontra a saúde pública no nosso país? Pois, se a principal atitude salvadora imposta aos brasileiros é trazer médicos do exterior, alegando que os médicos brasileiros viraram as costas às populações carentes, isto é eleger-nos como os vilões do genocídio!

É cruel sermos expostos a execração pública perante uma população para a qual foi ardilosamente sonegado o direito a uma instrução escolar decente, que permitisse discernir entre as falácias midiáticas de um governo superlativamente corrupto e a consciência da manipulação premeditada da opinião pública.

É perverso mascarar as mortes nas emergências abarrotadas das grandes cidades, onde não faltam excelentes médicos, mas sim ambientes de trabalho que não sejam moedores de gente e fábricas de fazer loucos, onde nem o profissional mais idealista resiste por muito tempo. Ocultam-se os fatos atrás de uma cortina de fumaça que quer institucionalizar a mentira de que os médicos não gostam dos pobres e necessitados.

É grotesco querer fazer crer que não haja uma parcela de médicos interessados em optar uma vida pacata, longe do turbilhão dos grandes centros, revivendo os tempos em que se podia gozar da boa reputação que a profissão oportuniza construir nas pequenas comunidades. Mas para ser capacho de prefeito e secretário de saúde? Para ser usado como trampolim em projetos eleitoreiros e depois descartado pela próxima administração? Para viver permanentemente com medo de ser processado por trabalhar sem as condições adequadas, que potencializam as chances de erro?

Não estou apenas decepcionado com a Sra. Dilma e sua corja demagógica (vide ministro Padilha). Estou perplexo, atônito e revoltado com a forma vil e covarde como ela terceiriza sua incompetência para mim e para a imensa maioria dos meus colegas médicos que são profissionais decentes, expondo a incauta massa de manobra a pseudo-médicos, com os quais ela jamais permitiria que seus familiares consultassem.

Jonas Krischke Sebastiany
Medico brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!



















Copyright® 2008/2015 - Confraria Artistas e Poetas pela Paz - Todos os direitos reservados
Formatação e layout por Rosângela Coelho

Site melhor visualizado pelo Internet Explorer
com resolução 1600x900px.