CAPPAZ - Confraria Artistas e poetas pela Paz




Editorial/02-2014
Monólogos do Espírito...
Autoria: J. J. Oliveira Gonçalves




"A medida de um homem é a medida de seu coração."
(Dominique Lacordaire - Monge)


Certamente, quero continuar dizendo o que penso. Assim como sempre disse. Mesmo quando assumi, pela primeira vez, uma sala de aula. E isso foi lá nos primeiros dias de abril de 1973. Os pesados “anos de chumbo” já pesavam há 9 anos em meu coração. Afinal, meu coração também nasceu sob o “Direito Natural” de nascer livre e morrer livre. Além do que, tenho André Chénier nas ramagens das lembranças: “A arte faz versos. Só o coração é poeta.” Se poeta é aquele que canta feito um pássaro, não entendo um poeta encarcerado. Assim como não admito um pássaro na prisão de sua gaiola. Fora eu alguém de relevante poder, decretaria crime hediondo aprisionar-se um pássaro. Neste meu campeonato longo e duro da Existência, sempre fui pelo direito à Vida e à Liberdade. Como pode alguém apossar-se da vida do outro? De seu corpo físico? De seus Sonhos? De seus Sentimentos? Não importa seja o outro um humano ou um animal! Me criei entre o Catolicismo e a Espiritualidade. E jamais pude imaginar Deus, ou Criador, nas cruéis e frias indumentárias de ditador! Ou, então, será mentira quando lemos que Ele nos criou à Sua Imagem e Semelhança?? Se Sua Face é de Bondade, Deus não é ditador, nem autoritário, nem padrasto! É pura e simplesmente Pai! É assim que imagino o Seu Ser Etéreo. É assim que o sinto. É assim que me dirijo para Ele - com meus olhos molhados ou com meu sorriso tímido e escasso. Enfim, para mim, Deus é a mais Excelsa LUZ! Não é escuridão! Nem é verdugo!! Sendo assim, não mandaria executar, covardemente, o poeta Federico Garcia Lorca. Lembro de Lorca e também de Lord Byron. Este deu sua vida na luta pela Liberdade do povo grego. Ah, a pena que Deus aos poetas é é a Pena da Palavra, da Metáfora - mesmo da Justiça! Sua mais lídima e poderosa arma. E, ainda que essa Pena exalte o Amor e a Liberdade, a nos falar de flores, pode “ameaçar” a mão tirana que, temerosa, decrete: “mate-se a Pena!”

Ah, sim. Sempre disse e escrevi o que penso. Espero que seja assim. Até o final de meus dias. A vida já é tão triste! Tanta Dor! Tanta fome no mundo! Tanto Sofrimento! Da mesma forma que sempre disse e escrevi o que penso, digo também que nunca fui otimista. Tampouco, pessimista. E sempre hei de me considerar um realista. Minha visão é a visão que tenho da realidade. Se minha linguagem é dramática - como se queixaram colegas e diretores de escolas por onde passei - é que nunca entenderam que sou um Aquariano com características exaltadas. E que, sequer entenderam que a vida é um Drama que vivemos, individualmente, em um coletivo maluco que costumo chamar de “Desvairada e Irreversível Torre de Babel”! A vida é, sim, dramática. Todavia, há que se entender o significado ou o porquê desse termo - não é mesmo? Na vida, se ri e se chora. E a mistura de risos e lágrimas é que tece os Fios da Teia e nos mostra a dramaticidade da vida.

Pessoalmente? Sou um cara diferente. Mas, quem não é? Não somos todos diferentes? Eu, todavia, sou um cara do tipo meio, (ou muito?), na contra-mão. Na contra-mão da vida. Do tempo. De mim mesmo. Sou tímido. Mas, conservo um pouco de humorista, para meus escassos e compreensíveis amigos. Esses que eu sei que me Amam. Como eu os Amo. Porém, são bem poucos. Sei disso. E eles também. Infelizmente, fui amigo de alguns. Que o Tempo me mostrou que eram apenas de faz-de-conta... Felizmente, esses - um dia, deixam cair a máscara... E os deixei de lado. Eis que já haviam me deixado de lado, há muito tempo... Exatamente assim vou levando esta esquisitice. Feito um animal exótico. Sou um fauno. Em acelerado processo de extinção!

Beleza? Nenhuma. Pelo menos, beleza física. Apesar disso, não me posso queixar de minha vida amorosa. Muito cedo. Muito precoce. Tive muitas namoradas. Muitos amores. Algumas paixões. Só uma, no entanto, permanece acampada em meu peito. E ela vive, nele, como se o anteontem fosse ainda hoje. É posseira - eu sei. Mas, me invadiu e tomou conta de mim porque também consenti. Não foi agressivamente invasora. Foi sutil e candidamente sedutora... Agora, tanto tempo faz, que o próprio tempo lhe deu, por direito, usucapião! Hoje, ainda, olhos e bocas me sorriem... E eu lhes retribuo o olhar e o sorriso... Todavia, as Ilusões não têm mais as cores de quando eu estava vivo! Nem os Sonhos valem mais a pena! Vivi intensamente esse lado alvorecido e lírico de minha vida. E o Romantismo ainda carrego em cada veia, em cada pedaço de meu corpo, em cada lembrança suspirosa de minha Alma, em cada verso que compõe meu coração poeta. Um coração recheado de ingenuidades. De maluquices. De suspiros. De Saudades... Da meninice, lendo sobre a vida de poetas, escritores, compositores, pintores, enfim, observei que os românticos sofrem pra burro! E não deu outra. Hoje, longas décadas caminhando sobre a Linha Etérea do Tempo, volto àquelas leituras, àqueles ensinamentos, àquelas silenciosas (e tristes) premonições que meus olhos-meninos não poderiam enxergar... Destino é destino. E eu acredito nele. Além do que, presa fácil do Destino, já sou, hoje, quase fato consumado. Deus é que sabe. Eu? Não! Eu não sei nada. Não sei de nada. Nem sei até por que vim parar aqui... Quem sabe, Jesus me permita - na Hora do Vôo ao Infinito - dizer também ao Criador: "Pai, em Tuas Mãos, entrego o meu Espírito!"

Esta música de fundo, por que a escolhi? Porque é a trilha sonora de um dos mais belos filmes que já vi: "Em Algum Lugar do Passado." Porque conta uma história belamente amorosa. História que me faz bem à Alma. E me acarinha e alivia o coração. E também porque acredito em reencarnação. E me acende uma chama esperançosa para o Advir Espiritual. Embora não seja eu espírita. Aliás, já nem sei se ainda tenho religião. Entretanto, tenho certeza (absoluta!) de que sou religioso! Meus Mentores Espirituais sabem disso. E isso, por si só, me basta!

O Sol esboça seu sorriso bochechudo por entre nuvens largas e esbranquiçadas. Vejo o Vento balançar-se, silenciosamente, na cabeleira Outonal das árvores. Parece que a Chuva foi embora. Faz frio. Prenúncios de invernia. Vou arrematando esta crônica onde escrevo algumas coisas sobre mim. Com certeza, não é por vaidade. Não sou vaidoso. Nem nunca fui. E escrevi o que escrevi porque me deu vontade. Ou porque gosto de dizer e escrever o que me dá na telha. Sem ofender a ninguém, é claro. E em respeito ao que sou - embora não seja famoso. São fragmentos do meu modesto e sincero olhar sobre a Vida, o Mundo, o Homem. Na verdade, sou uma espécie de filósofo, (em vão!), de mim mesmo

Agora, vou olhar algum filme. Ou brincar com meus animais friorentos e preguiçosos. Logo mais, tem jogo. Como é no Gigante da Beira-Rio, talvez assista pela tevê. Admirar, pelas imagens, o novo Estádio, (e não arena!), do meu Colorado. Aliás, o único jogo a que assisti foi ontem, entre Inglaterra e Itália. Sabem a Copa pela qual eu torceria - ardorosa e civicamente para conquistarmos enquanto Povo e Nação?? Seria a “Copa Brasil Primeiro Mundo!! E isso, lamentavelmente, não vou ver. Nunca! Fosse outra nossa realidade sócio-econômica, hoje, eu torceria por esta Copa/2014. Com certeza! Mas, me recuso a torcer para uma poderosa, arrogante e criminosa máfia chamada “Fifa”. Eis que seria torcer para que nova ditadura se instale no País. Ditadura e ditadores? Jamais!! Seja de milico ou de civil. Por quê? Porque DEUS me mandou, aqui, livre. E quero morrer livre. Só por isso!

(Ah, a imagem da Musinha? Recuerdo dulce de tiempos otros... Viejos tiempos de entonces...)


"Minhas palavras são feito as Estrelas... Jamais empalidecem!"
(Grande-Chefe Seattle)


Porto Alegre, 15/06/2014. 14h22min
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