CAPPAZ - Confraria Artistas e poetas pela Paz




Editorial/01-2016
Eu Vi a Cara do Vento!
Autoria: J. J. Oliveira Gonçalves




“Sou filho da Chuva e irmão do Vento...”
(JJotaPoeta)


Na noite escura e obscura de sexta-feira, passada, eu vi a cara do Vento. Afastei a cortina da vidraça e ali estava ele. Poderoso. Forte. Imenso. Intenso! Um Ser gigante que uivava feito um Lobo! Não sei se uivava de revolta ou de Dor! Mas sei que uivava – com certeza! Entre estupefato e fascinado, eu continuava à janela. Olhando pela vidraça. Ante mim, raios eram riscados no negrume do céu. Por Mão Poderosa. Invisível e invencível. Eram riscos, claros, níveos e multicores, feito fogos de artifício. Uma noite tenebrosa? Uma noite de terror? Ou uma noite em que os Justiceiros do Astral vieram à Amada Porto Alegre mostrar aos arrogantes, aos da ostentação, aos que dizimam os irmãos-animais e consideram lixo a Mãe-Natureza que – ao contrário do Art. V da Constituição Brasileira – o Criador, (ou Grande-Espírito, como o chamamos no Xamanismo), em Sua Constituição-Superior, nos garante que todos somos iguais perante Seu Ato Criador, Sua Excelsa Sabedoria e seu Desmedido Amor! Do meio humilde de onde eu venho, aprendi isso muito cedo. Por isso, faço parte daquele anônimo Grupo que acredita, visceralmente, que só a BELEZA salva o Planeta, dentro da Igualdade e do Evangelho de Paz-e-Bem de Francisco de Assis. Por isso, também, sempre digo – quando tenho oportunidade – que não vim a este Plano para ser entendido. Todavia, sei que vim, aqui, para cumprir meu “script”. Um “script” com falas muito doídas, difíceis e contundentes! Quem sabe, numa preparação para o Grande Vôo ao Infinito... Aquele em que Sonho caminhar entre as Estrelas... Aquele momento derradeiro em que o Espírito me dirá: “Pronto, João... agora, és Ave-de-Arribação..."

Sim! Eu vi a cara do Vento! Senti arrepios! Mas, confesso: numa espécie de Êxtase e Coragem, falei com o Vento. Falas que só o Coração pode falar. Que só a Alma pode entender. Que só a Fé e a Crença podem intuir – numa hora tão difícil e apavorante em que Ele (re)lembra a todos nós que somos simples Seres da Natureza. Então, disse ao Vento: “Salve, irmão Vento... Compreendo tua fúria... tua revolta... Se puderes te acalmar, te acalma... Esta é minha casa. Olha e protege minha família. Meus manos-animais. Minhas árvores. Meu diminuto jardim.” E do Vento – velho e calejado Irmão – ouvi: “Não te preocupes, João!” Depois, fechei a cortina, preocupado com o uivo do Vento, com os raios, que eram “flashes” incessantes e violentos. E com o ribombar dos trovões que estavam brabos... Até a tempestade se dissipar, passei fazendo a ronda de minha casa: olhava pela janela. olhava pela porta da sala. olhava pela porta da cozinha, enfim... Nesse ritual – real e de encorajamento – minha pequena e valente “Polly” me seguia, apesar de sua dificuldade de caminhar... E, ainda, minha gatas – também corajosas – me acompanhavam... Nessas andanças-de-ronda, voltei à minha Tribo Espiritual. Àquela que tem a Águia, o Lobo, a Coruja e os Urso. E que me permite, ao Coração, ter todos os animais do Planeta. Que me permite à Alma se encantar com a Exuberância e a Generosidade de Mãe-Natureza. E me permite, assim, beijar-lhe, respeitosa e agradecidamente, o Ventre!

Eu vi a cara do Vento. Seu rosto. Sua face. Seu semblante. Um semblante tenso, carregado. Um semblante contrariadamente agressivo. Um semblante de ataque... e de defesa! E o Vento voava e uivava a uns 150k/h! Interessante que, ante um quadro pavoroso e pesaroso de devastação, lembrei-me do beija-flor que, pela manhã, quando chegava à janela, veio direto e pairou bem na minha frente - como se estivesse executando um ballet singularmente Belo! Por alguma razão, aquele passarinho venho me visitar, de forma inusitada. Ah, veio me relembrar que a vida é dual. Veio preparar-me o Espírito para a antítese de sua leveza, de sua doçura, de sua calmaria... Dois cenários contundentemente opostos tendo como fundo o Jardim da "Branquinha - a Kika"! De manhã, a Luz. De noite, a Escuridão. Eis a Dualidade - explícita e irreversível da Existência! A Lágrima e o Sorriso. O Aprendizado e a Dor. A Iluminação e o Preço! (Ah, as Dores de Crescimento não têm idade...)

Naquela noite de sexta-feira, eu vi a cara do Vento! A impressão que tive? Que o Vento queria entrar pela janela. Que o Vento queria entrar pela porta da sala. Que o Vento queria entrar pela porta da cozinha. Que o Vento queria entrar pela garagem. Ah, na garagem - que é aberta - o Vento tocou em mim. Soprou em minha pele. Me deu um empurrãozinho. Como quem diz: "Chega pra lá, João. Não vem aqui. Entra!" (E eu obedeci ao que o coração ouviu. Ao que a Alma intuiu.) Em minhas multicoloridas leituras, em meus estudos, em minhas leves e curiosas viagens Xamânicas, aprendi que a Águia plana, soberana e corajosa, no Infinito, por entre as trevas e a violência dos temporais. Esse Ensinamento (concreto) da Águia quer nos preparar para a Vida. Vem nos preparar para os Temporais, para as Tempestades, para a Devastações da Alma! Tendo aprendido isso, e vendo o estado triste e lamentável desta tristonha Porto Alegre, vi, claramente, as Metáforas dolorosas das Devastações que podem aniquilar, despedaçar uma Alma!

Eu? Eu sei que sou um simples ser da Natureza. Não passo de um aprendiz. E, até, agora, tenho consciência de que aprendi muito, muito pouco! No entanto, até meu último momento, aqui, estarei aprendendo. Pois, aprendi, também, que esse é um Aprendizado que não tem fim! Enfim, pelo que escrevi - com Sentimento e Crença - é que digo que sou "filho da Chuva e irmão do Vento"!

Ah, Vento, meu irmão! Essas Tempestades, esses Temporais, essas Devastações todas deixam machucados, feridas, cicatrizes... No corpo... e na Alma! Sabes disso. E eu também sei. Porque me ensinaste!!

“Minhas palavras são como as Estrelas... Jamais empalidecem!”
(Grande-Chefe Seattle)


Porto Alegre, 01 de fevereiro/2016. 11h55min
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