CAPPAZ - Confraria Artistas e poetas pela Paz




Editorial/01-18
Fim de Ano e o Ícone da Poesia!
Autoria: J.J. Oliveira Gonçalves




O cavalo é o Ícone da Poesia. E a cor da Poesia é a Verde. É a Esperança esmeraldina de teimosas e Poéticas Utopias! Desde criança, esse nobre animal me chamou a atenção. Me fascinou. O cavalo, para mim, é Príncipe e é Rei. Nestas Terras gaúchas do Índio Sepé Tiaraju, o cavalo é o companheiro do suor das lides do campo. Das invernias regadas a gedas e chimarrão. É o companheiro alegre das domingueiras. É o companheiro destemido e fiel das contendas travadas neste Pago – parido do entreveiro de espadas, do tiro tonitruante do canhão e da valentia feita a cascos de cavalo. O cavalo é animal guerreiro e vai, valente, digladiar com a morte – ainda que ele morra em combate! (Ele oferece sua preciosa vida em holocausto!) A esse tipo destemido e honrado de guerreiro dá-se o predicativo mais-que-perfeito de Herói!

Infelizmente, e apesar do predicativo que merece por tradição, beleza e valentia, é vergonhoso acreditar que, no Estado do Rio Grande do Sul, esse companheiro – fiel e valente – está sendo abatido por indústrias de carne! E não sei de nenhum CTG que tenha se manifestado em defesa do tradicional e querido companheiro do gaúcho. Sequer do MTG! (Da mesma forma que nunca se manifestaram a favor dos “cavalos carroceiros” – maltratados por seus carrascos que os obrigavam a puxar pesadas carroças, sob gritos raivosos e relhos que sangravam o corpo dos animais, aniquilando-lhes a Alma! Quantos pobres cavalos morreram exaustos, caídos ainda atrelados às cadeias de suas carroças, aqui, em Porto Alegre? Quantos??? Com certeza, esses que estão assassinando os cavalos para a gula do comércio sempre insaciável – dinheiristas de plantão– não são gaúchos! Nada têm de gaúchos. Nada têm de coração. E suas Almas são arremedos destroçados da Alma Gaúcha! A cada cavalo que abatem, vão necrosando a Cultura Rio-Grandense. Vão dizimando a Liberdade! Vão despedaçando a Poesia! E o que é Liberdade para esses gaúchos de araque? Para esses rio-grandenses sem entranhas? Para esses homens estranhos, ignorantes da própria História da Pampa – Bela, Telúrica, Generosa e Sagrada??

No último dia deste agitado e frustrante 2017, bisbilhotando no arquivo de imagens, esse belo e enluarado cavalo me prendeu a atenção – assim como num chamado silencioso para meu coração franciscano e esta minh’Alma gaúcha! Então, soube que esse cavalo branco “mexia” com as cordas de minha Lira... Nesse momento, eu já sabia o que escrever. Sabia o tema e o jeito de apresentá-lo. Deveria unir dois temas em um só! Porque, procurando imagens para ilustrar um texto sobre o final de ano, o cavalo branco me apareceu... E foi mais forte que todas as outras imagens – apesar de belas, e, igualmente, adequadas.

Quando mais um Ano Novo bate à porta do meu rancho, não digo adeus, Ano Velho, Feliz Ano Novo... Digo: adeus, Ano Velho, apesar dos machucados que, durante teu reinado, machucaram-me a Alma e deixaram sem rumo meu coração... Obrigado, por mais um ano de aprendizado duro, complexo, difícil, que tive que aprender a duras penas! Mas, sei que não tens culpa. Vamos dizer que a culpa cabe ao Destino que nunca me deu moleza... Nem sequer ouvidos às minhas queixas, aos ais de meus versos, às dolências inquietantes de minhas palavras! Digo: Bem-Vindo, Ano Novo... Desejo que não me machuques tanto, como os dois últimos anos! Sei que não te posso decifrar. Todavia, espero que, igualmente, não me devores, pelo simples fato de eu não saber ou poder decifrar-te. Digo isso porque 2018 é um Ano de Justiça. E eu sou um cara com fome e sede de Justiça! Por quê? Simplesmente, porque a injustiça dói!! E a Justiça pela qual clamo é a Justiça de Deus. Porque a dos homens, (com raríssimas exceções!), está corrompida. Maculada! Vendida. Transacionada. Virou prostituta de bordel de última categoria! A Justiça de que falo enxerga muito bem. Apesar de dizer-se “cega”! E é descaradamente preconceituosa. Apesar do Art. V, da Constituição!

Ah, o fim do ano e o Ícone da Poesia... Espero ter-me saído bem nesta nova e maluca empreitada. Aqui, conclamo poetas e poetisas: sempre que virem um cavalo, digam-lhe algum repente, em verso ou em prosa. Não importa. Façam-lhe uma reverência alegre e Amorosa, pois, nele, está nosso Ícone: em Carne-e-Osso e Alma! As palavras, os versos e a reverência também podem ser por via mental. Pois a mente tem enormes poderes, embora nem tantos quanto o coração – segundo minha sensação e vã filosofia! Com certeza, com nossa saudação, sincera e franciscana, estaremos dizendo:

“Salve, ó, Liberdade! Te sou grato, por fazeres cavalgarem meus versos em teu dorso de Éter e Amplidão! E por fazeres minhas palavras galoparem nas Franjas Poéticas do Vento – que crias com tuas Asas Invisíveis e Infinitas!”

“Minhas palavras são como as Estrelas... Jamais empalidecem!”
(Grande-Chefe Seattle)


Porto Alegre, 31 de dezembro/2017. 14h33min
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