CIRANDA CAPPAZ - REGIONAL RIO DE JANEIRO
DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 

Mulher andando nua pela casa
Carlos Drummond de Andrade

Mulher andando nua pela casa
envolve a gente de tamanha paz.
Não é nudez datada, provocante.
É um andar vestida de nudez,
inocência de irmã e copo d’água.
O corpo nem sequer é percebido
pelo ritmo que o leva.
Transitam curvas em estado de pureza,
dando este nome à vida: castidade.
Pêlos que fascinavam não perturbam.
Seios, nádegas (tácito armistício)
repousam de guerra.
Também eu repouso.

Mulheres Sobreviventes
Ilka Vieira


Cubro o peito de flores,
regando a esperança pela estrada.
É hora de recolher as dores,
deixar estirada a história fragmentada.

Que me espiem de longe as amarguras...
Que me fortaleçam as lágrimas inocentes...
Quero poder doar minha doçura,
Esquecer que fui vítima do mundo combatente.

Vi morrerem crianças que mal nasceram...
Velhos desprotegidos... cegos... surdos...
Vi mulheres suplicando vida, não atendidas...
Vi a dignidade exterminada por absurdos.

A terra chorou e tremeu...
O mar se revoltou, avançou e venceu...
As chuvas alagaram as cidades...
A natureza, antes mansa, se doeu, e não convenceu.

Na guerra, há um equívoco não esclarecido:
a vitória não é deixar corpos estendidos,
mas conseguir cicatrizar quem sobreviveu.

Sou dessas mulheres testemunhas da dor,
fugindo de toda parte do mundo,
sangrando de corpo e alma,
desenterrando sonhos moribundos.

Choremos, mulheres sofridas!
Ergamos nossas mãos reaquecidas
em prol de vida mais justa,
que a verdade muito nos custa.

Abracemo-nos, mulheres carentes,
que mal nos livramos das correntes,
já penamos sem limite estabelecido,
mas agradecemos a Deus por termos sobrevivido.

Mulheres, Apenas MULHERES!
Regina Coeli Rebelo Rocha

Umas saem de suas infâncias,
encurtado o seu tempo de criança,
fazem-se mães ainda tão cedo,
trocam fraldas.. sonhos em degredo...
Meninas... Mães... Mulheres...
Três fases que se enlaçam...
Realidades que se embaraçam...

Outras embarcam no imaginário,
fazem da lida suave relicário;
mãos e braços prontos para servir
e um hibernado desejo de ir e vir...
Mulheres... Mulheres-mães...
Simplesmente mulheres...
Gigantescas, lavando talheres...

Fêmeas, parindo os seus rebentos
Extremosas, entre risos ou lamentos
Defensoras, gentis e indulgentes,
Tantas vezes ignoradas como gente.
Mães-guerreiras, águias de asas cortadas
em aterrissados vôos de Amor e Devoção,
respingam em cada ato lágrimas de paixão...

Mulheres de úteros nobres e benditos,
gerando Vida no silêncio e no grito,
acarinhando mãozinhas de delicadeza,
em doação ímpar de carinho e de nobreza.
Mães-mártires, mães-de-ouro...
Vestindo andrajos, farrapos ou trajes finos,
entoando cantigas de ninar em forma de hinos...

Mães-parideiras de criaturinhas...
Anjos hoje, amanhã... ervas-daninhas...
Mães de filhos assassinos de outras mães...
Mães de filhos estraçalhados por danados cães...
Mães-aflitas, mães-descrentes, mulheres tristes...
Mães, fonte de Vida, fonte de morte, sem sorte...
Mães sofridas, mães perdidas e sem norte...

Mulheres sem filhos, úteros silentes...
Mulheres fortes, mulheres valentes...
Almas ternas, almas femininas,
encharcadas de desvelo, sua sina...
Mulheres, boas mulheres... São tantas...
Mulheres naturalmente afetuosas,
atentas, amantes, prestimosas...

Mulheres, de todas as raças e idades!
Sabeis de vós, todas as vossas verdades!
Sabeis dos perigos e dos destinos,
dos atos heróicos e dos desatinos!
Viveis bastante orientadas por cordões...
... cordões que vêm dos corações,
silenciando o vosso íntimo querer...
... sem que chegueis realmente a ser...

Vossa é a função hábil e silenciosa
que transcende toda e qualquer prova...
Amais o Amor, ele até vos dói, mas vos renova
e vós o tendes dentro, tal qual uma rosa,
com perfume, cor e essência dadivosas...
Sois únicas, sobreviveis a tudo, todos os dias
... aos embates, às traições, às renúncias,
às perdas, aos ganhos pré-estipulados...
Sois mulheres, fortes e lutadoras...
Mulheres com a energia do sol...
Mulheres com a beleza e a claridade da lua...
Mulheres de hoje e de sempre, na noite ou no dia...
... inquestionavelmente lindas por primazia!...

Trovinhas sobre a MULHER
Regina Coeli

Deus pintou minha cidade
Em mui ricas aquarelas
Mas vou dizer a verdade
A MULHER é a melhor delas!

Mulher-cidade-mulher
Assim é o meu Rio-Luz
Encante-se quem quiser,
Pois essa MULHER seduz!

MULHER-RIO é aquarela
Que passa bem devagar
E com os pezinhos dela
Chamega as águas do mar!

Mulher, seis ricas letrinhas
Que não dizem quem tu és;
És Amor nas tuas linhas
Da tua cabeça aos teus pés!

MULHER CAPAZ
BRita BRazil

Parabéns à Mulher-Cappaz
pelo seu dia,
por levar a vida na harmonia
lutando, e ainda fazendo poesia.

Amém, para que todas se multipliquem
deixando rastros de amor
por todo caminho
aonde for,
bjs BRita BRazil





VOCÊS, MULHERES...
Marco A. Amado

Não sei fazer trova, poesia,
Canção ou prosa,
Só sei rascunhar...
Peço então deferimento
Para através deste simples rascunho,
Vocês, mulheres,
Neste dia homenagear...
São mil faces...
Mãe gentil...
Não desejo que sejam endeusadas...
Raça, força e liberdade...
Fonte de luz, história!...
Ventre fértil
Que semeia a humanidade...
Puro sentimento,
Generosidade à flor da pele...
Em sua diária labuta,
Nunca foge à luta...
Suave e delicada...
Esteio da vida...
Transmite num simples olhar
A doçura e a esperança;
Sabe ser dura
No momento exato,
Mas é suave como uma pétala de flor...
É pela criação abençoada,
Devendo ser também mais respeitada...
O que posso mais rascunhar
A seu respeito?
Mesmo neste mundo cão,
Vocês não são guerreiras da paz
Em extinção!...
São mulheres extraordinárias e capazes
De num simples gesto
Transmitir, amor, paz e emoção!

(Ocram, Rio de Janeiro (RJ), 01/03/09)



MULHER: MÃE, AMANTE E MENINA...
Marco A. Amado

Do mar retirei meu verso...
Mãe, amante, uma menina...
Do Arquiteto do Universo,
A mais perfeita obra-prima!

(Ocram, Rio de Janeiro (RJ), 02/03/09)



LEOA!
Marco A. Amado

São negras, pardas, orientais, brancas
Consideradas o sexo frágil
Mas fragilidade é o que menos
encaixa em suas vidas...
Cadê a sua fraqueza
no momento da gravidez?

Onde anda sua debilidade
quando como uma leoa...
luta por sua cria?
Por que será que chora...
quando sente a falta de carinho?

Ou sua fraqueza é dosada
nos momentos em que ela na sua sanidade
batalha por seus objetivos?
Cadê a fragilidade que tantos bradam?

Será que é na insanidade
de quando luta por seus direitos...
e não respeita os preconceitos?
Ou, quando num momento de adversidade
esquece as divisões e procura com palavra amiga...
a força da união?

Tímida, talvez... mas não frágil!
Hoje, século vinte e um
continua meiga, carinhosa, otimista, política...
Persistente e companheira!
Nunca deixou de ser mãe... Útero do planeta!
Reverencio vocês: Mulheres Guerreiras
pois coragem é algo pertinente a vocês!

(Ocram 17/02/09)



Recriando-se Mulher
Ilka Vieira


Por amor, foi tirando de si
as peças que compunham sua alma...
Uma parte delas entregou ao vento
Outras, sem alento, deixou descolorir

A alegria já não brotava sorriso
A segurança dependia de respostas
Sonhos desencontrando-se do paraíso
Carisma pendurando-se nas suas costas

Quando o sinal chega tarde demais
Faz-se escuro quando ainda é dia
Não há janela que mostre os varais
Sustentando peças sem agonia

Sobrando-lhe a tristeza de nada sobrar
Ergueu-se na força de se recriar
Não bastava renascer como uma qualquer
Imbatível, fez-se gigante... inatingível mulher!

SELO DE PARTICIPAÇÃO

Pegue seu selo de Participação na Ciranda em Homenagem ao Dia Internacional da Mulher - 2009, clicando com o botão direito do mouse e em salvar como.

 

 

 

 

 


|| Página Inicial | Voltar | Livro de Visitas ||

 

Arte e formatação by Rosângela Coelho
Exclusivo para CAPPAZ - Confraria Artistas e Poetaas pela Paz
Todos os direitos reservados.

Esta página é melhor visualizada pelo Internet Explorer
com resolução 1024x768.