Do Mestre Ainda Será Dia?
J.J. Oliveira Gonçalves

Hoje, o céu está nublado!
Nublado como se fosse o gêmeo espelho de minh’Alma...
É Dia do Professor... E tenho muitos pensamentos zanzando na cabeça...
Muitas lembranças nas ramagens recônditas do coração...
Muitas Saudades nas trilhas emocionais e escondidas da Alma...
15 de Outubro... Já vi e vivi essa Data – outrora muitíssimo festejada!
E é triste e amargo ver que conjuguei o verbo no passado!
Verdade: vi e vivi!
Hoje, (quando os tempos mudaram, sim, para pior!), vejo e vivo outros momentos. Outras cenas. Outras “coisas”. Outras “comemorações”... “Comemorações” do tipo: tapa na cabeça do professor... Entre tantos outros tipos de agressão ao mestre “sem carinho”... (Ou, de repente, seja o “carinho” que restou dentro de alunos e pais – cúmplices na mesma vezeira e mui solidária irresponsabilidade, pois, no fim das contas, “não dá nada”... assim como as CPIs dão em pizza...) Nestes tempos tão decantadamente modernos dos “ficares” da vida, o mestre também ficou... no fim da fila! Ah, e é alvo de “carinho”, também, de quem deveria proteger (e enaltecer!) o professor que pune (sem ferir!) o aluno que sabe, perfeitamente, a diferença entre o Bem e o Mal! Todavia, a mesma autoridade que “acaricia” o aluno/infrator, lamentavelmente, mostra coragem suficiente para censurar o professor e, mesmo, puni-lo, dentro dos rigores e da frieza de um código que, se é legal, é impressionantemente cruel, imoral, injusto, desumano!
Ora, mas não é o fim da picada??
Passei 30 anos de minha Existência na sala de aula. Passei por 12 escolas públicas estaduais por ter este temperamento. Temperamento de quem, embora tímido, sempre mostrou não ter dobradiças na coluna! De quem não disse “amém” ao que considerava errado, ou injusto! Mas disse “não”, enquanto os bajuladores e bajulados queriam ouvir “sim”.
Sinto saudades da sala de aula. É verdade. Poderia voltar. Mas, não! O aluno de hoje, com raríssimas exceções, não é para mim. Com certeza, pais que conheci, igualmente, são raridade na busca de entendimento, de troca de idéias, sugestões – visando ao melhor desempenho filho/aluno. Além do que, fui professor de Português e Literatura. E aonde anda ( e como anda?) o Português nosso de cada dia? E a Literatura – o que vale, nestes tempos bicudos de quase tudo, em que a Beleza da leitura reduz-se a quase nada? Além do mais, sou poeta. E quem está, ainda, disposto a ouvir o poeta? Quem quer com ele descobrir versos, rimas, imagens, metáforas, enfim, os escassos Lirismos que ainda podemos receber/perceber entre a violência do cotidiano... onde, dolorosamente, se dissolve a Vida em prolongada agonia? Voltasse eu a pisar a sala de aula, quem sabe, receberia voz de prisão... Eis que o (mau!) aluno é intocável. Eis que o professor é um mero “tio” ou “trabalhador em educação” – termos que, pessoalmente, abomino! Ah, o mestre perdeu o direito ao respeito e ao “status”! Lamentavelmente!
Entre tantas reminiscências e frente a um presente chumbado feito o céu, ante a vidraça, (os olhos perdidos em distâncias e o Espírito docente rebelde!), pergunto, cá, aos meus bons botões: do mestre ainda será dia?


Porto Alegre, 15 de outubro - Dia do Professor - 2009. 12h33min

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Imagem: Grupo Imagens Diárias
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