Humberto Rodrigues Neto
(In memorian)
 11/11/1935
 04/06/2017


Nasci em São Paulo - Capital, em 11 de novembro de 1935.
Desde muito cedo, já nos bancos do grupo escolar, adorava folhear aquelas cartilhas e encontrar poesias ainda simples, mas que me encantavam sobremodo, interesse esse que aumentou ainda mais quando passei para o ginásio e descobri que havia poesias muito mais interessantes que as primeiras, passando, daí para a frente, a ler todos os grandes poetas brasileiros e portugueses.
E o que mais me agradava era ver com que técnica tais poetas compunham seus sonetos! Chegava mesmo a sentir inveja deles, por aquelas coisas magníficas que escreviam, verdadeiras gemas literárias engastadas no magnífico acervo de nossas letras.
Passei, então, a compor minhas poesias, em especial sonetos, e ficava muito triste quando recorria a um editor para editá-las e ele me pedia uma remuneração, sem a qual meu intento não poderia ser atendido.

Como achava aquilo um absurdo, desisti e nunca publiquei livro nenhum, exceto três e-books expostos ao público na Net poética: “Rabiscando Rimas” e “Metrificando Sonhos”, editados, respectivamente, por Olga Kapatti e Teka Nascimento, detentoras de sites poéticos, além de “Solfejando Sonetos”, em conjunto com a poetisa Regina Coeli, constantes de duetos em forma de sonetos, num trabalho elaborado pela “Del Nero”.
Penso que o soneto seja o que de mais transcendental exista em matéria de poesia, pois é muito difícil de compor, mas compensa todo o fosfato que despendemos na sua elaboração. Pela versatilidade com que se adapta a qualquer tema, seja lírico, romântico, épico, e até mesmo satírico, não há, a meu ver, outra forma de composição em verso que se lhe compare, tanto na emoção como na expressividade daquilo que o poeta deseja extravasar de si.

Confrade Efetivo.





PREITO À NATUREZA
Humberto Rodrigues Neto

Ah... Natureza! Que cruel regime
te impõe o homem, perdulário e ateu!
Agride fauna e flora, alheio ao crime
de estragar o que Deus nos concedeu!

O ar, o sol, o azul que esmalta o espaço,
o homem faz réus de equívocos critérios;
enche os céus desse trágico bagaço
de pós mortais e gases deletérios!

Quando se rouba à mata a ave inocente
e polui-se a mercúrio a água dos rios,
é nessas horas que o Senhor pressente
o quanto somos maus e somos frios!

Da árvore que estala, vindo ao chão,
evola-se um lamento ao infinito,
mas não o ouve o autor da infanda ação,
pois só Deus é capaz de ouvir tal grito!

Natureza: viemos de outras plagas
pra crescer nos reencarnes sucessivos,
mas te enchemos de pústulas e chagas,
inda presos a instintos primitivos!

Falhos que somos desde os cromossomos,
de nós tirai, Senhor, machado e serra;
lembrai-nos que, afinal, nada mais somos
que meros forasteiros sobre a Terra!












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