Apresentação da Trupe Tralálá da confreira Rosana Paulo da Seccional Salvador/BA

Salvador/BA

02/04/2013



E o grande dia chegou!
No camarim o nervosismo e a ansiedade, o diretor nos ajudava e tranquilizava, mas para fazer drama basta a assistência ficar quietinha assistindo e bater palmas ao final e está tudo certo, já com a comédia, ainda mais apresentação de palhaços, o termômetro são as risadas, que é algo muito espontâneo. A medida que eu vestia a fantasia, fazia a maquiagem e o palhaço ia aparecendo no espelho era como se o palhaço também surgisse dentro de mim. E quando olhei meus companheiros Boinga e Pirulito, que estavam muito engraçados também,a segurança íntima aumentou junto com a confiança que foi construída com Pirulito há mais de uma década e com Boinga desde quase o nascimento, sim, os palhacinhos já existiam, apenas não tinham ainda se apresentado. E o dia havia chegado. O nervosismo deu lugar à emoção quando escutei da coxia, sendo lida pelo apresentador, trechos da poesia que escrevi para nossa trupe de palhaços. Então, o encantamento e a alegria se fizeram presentes, despertadas pelo sentimento. Estávamos prontos para entrar no palco. Pirulito e Fuinha entraram no palco se cumprimentando de forma desastrada e atrapalhada mas enfim se abraçaram felizes e Boinga chegou para completar a nossa trupe de três. O espetáculo começou! Fomos contentes saudar e brincar com o público que sorria, a receptividade foi maravilhosa. Ninguém fica indiferente a um palhaço, é isso é muito bom. A plateia estava completamente lotada, encontrei alguns rostos conhecidos, amigos e queridos, o que aumentou o meu contentamento. Logo depois Voinha entra no palco, com sua bengala mais velha que ela, segundo a própria. Ela conversa com o público presente, querendo aparecer e "causar", disfarçada na sua falsa modéstia, que não consegue controlar, mostrando o seu “talento” e “dotes” artísticos, interagindo e mexendo com a os presentes, fazendo pilhérias, declamando, dançando e cantando (acompanhada pelo público com palmas). Consegue arrancar da plateia risos, aplausos e gritos. Sai Voinha e entra a Bailarina dançando desengonçada, mas com graça e encantamento. Ela escolhe uma pessoa do público e eles dançam como se tivessem ensaiado, tal a sintonia, depois a bailarina faz seu solo final e surpreendente, mais aplausos e risos que acompanham a Trupe Tralálálá até o final. Nos bastidores uma cena de palhaços, o óculo escuro, elemento essencial para a próxima cena, desapareceu misteriosamente, olhei em todos os lugares e nada, pedi ajuda a Boinga que solícito veio me ajudar e ao olhar para mim deu a maior gargalhada e apontou: o óculo estava preso na minha blusa, mais risos. Entrei no palco e sentei, Boinga entrou e deu seu show particular, foi o maior sucesso, a plateia foi ao delírio. Boinga dançou, deu cambalhotas, andou de skate, tentando a todo custo chamar a atenção do palhaço que continuava impassível e ao final da cena a surpresa: o palhaço era cego! Depois entra a cena da dupla sertaneja Boinga e Bolinha(dublando e dançando) e suas Boinguetes(dançarinas) com suas coreografias malucas e confusas, tentando dançar uma melhor que a outra, agarrando Boinga (que não está nem aí), flertando com a plateia e brigando em cena. Sentimos o prazer de fracassar e errar e isso significar sucesso e acerto(ou não). A cena final Fuinha e Pirulito sentandos em duas cadeiras, fazendo movimentos “sincronizados” cada vez mais absurdos e loucos, até que fizeram o improvável: cocô em cena. Em vez de se envergonharem pelo ato reprovável deram gargalhadas como bobos que são(será?) e chegaram ao ponto de limparem o traseiro um do outro, ultrapassando os limites do socialmente aceitável completamente. O confronto com o grotesco. O diretor esteve no palco, em cena conosco, todo o tempo, mas sem aparecer. Mais música, danças e brincadeiras com o público, sorrisos e aplausos. Veio ao meu encontro o sentimento que eu tinha quando o meu pai e minha mãe me levavam junto com minha irmã, crianças, para o circo, nas matinês do domingo. Senti o cheiro da pipoca, o aperto da mão forte e calejada do meu pai querido, o gosto do algodão doce, ouvi as risadas da plateia e vi seus rostos felizes, mas dessa vez era como se eu estivesse no picadeiro do circo, eu era um palhaço também!
“Hoje tem marmelada? Tem sim, senhor!
Hoje tem goiabada? Tem sim, senhor!
E o palhaço, o que é? É ladrão de mulher!”

Rosana Paulo(Pallhaço Fuinha e Voinha)


















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