Oneide Maques da Silva

Advogada, pós-graduação em direito do trabalho e apta para o exercício de magistério superior e tecnóloga em processos gerenciais.

Confreira Efetiva.


 


Uma fraternidade real
Oneide Marques da Silva


     Em momentos como o que estamos vivenciando atualmente com variadas formas de manifestação do pensamento de uns e de grupos me surge na mente a necessidade de poder entender o que é “fraternidade”.
     A palavra fraternidade deriva da raiz do latim fraterno, que por sua vez tem a sua origem no italiano que quer dizer: “fratelo”, ou seja, irmão.
     Portanto, a fraternidade é o sentimento e a ação de praticar a ligação, união e convivência. Tendo ainda como pertencente a essa expressão o significado de amor ao próximo, harmonia, paz e concórdia, como bem elucida o novo dicionário Aurélio.
     A aspiração dessa sublime virtude, a fraternidade, tem sido ponto essencial e perseguido por todas as escolas filosóficas religiosas e o conselho constante de homens santos e sábios desde que o ser humano percebeu essa necessidade de sobrevivência digna em comunidade.
      Na série histórica de representantes filosóficos e ou religiosos como Mahabharata (Bramamismo), Udanavarga (Budismo), Anacleto (Confusionismo), e simplificando até chegarmos ao cristianismo quando vamos encontrar varias citações envolvendo o conceito de fraternidade desdobrando o conceito na máxima:
     “Não faças nada a outrem que te causaria dor se fosse feito a ti.”
     “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lhes também vós, porque esta é a Lei e os Profetas.” Matheus 7,12.
     Tantas palavras sábias, de tão confiáveis fontes, não têm produzido o resultado que aspiramos, infelizmente. Não, o mundo ainda não conhece em sua plenitude a fraternidade como nos aconselham tantos homens santos e sábios.
     Voltemos ao conceito de valores.
     Os valores são sempre metas em nossa vida, sinalizando nosso caminho, mas a palavra valor designa realidades múltiplas. O Homem tem uma noção muito complexa das suas necessidades, desde as mais baixas até as supremas. Dessas necessidades surgem os valores.
     Estamos sedentos de fraternidade e não nos cabe perguntar, como o doutor da lei na parábola do Evangelista Lucas, “quem é meu próximo?” Porque há aqueles que pregam a fraternidade, a moral, a justiça, mas não são fraternos, nem moralistas, nem justos. São como os postes que indicam o caminho, mas não o percorrem.
     Sejamos peregrinos, percorramos o caminho. Caminho esse, que nunca está ausente de grandes provas e testes.
     Os pedregulhos (nossa arrogância), a areia falseante dos instintos ignorantes (orgulho e vaidade) que adquirimos nos primeiros trechos de nossas vidas, podem fazer com que nos percamos escorregando à beira do caminho pela fragilidade de nossas pernas emocionais em construção.
     Portanto, importa considerar que somos todos irmãos perante o Pai celestial que como Suas centelhas divinas trilhamos o caminho de uma evolução indiscutível e inevitável. “Vós sois deuses”, João 10:34, não é mera citação bíblica, mas forte presunção de causa e destino de nossas vidas.
     E me pergunto: Será que ainda não saímos do grande redemoinho de nossos atavismos mentais e preconceitos retardando o grande despertar de nossas mentes? Até quando?
     A família é a expressão, até então, máxima da célula da nossa humanidade.
     Uma família numerosa, com muitos filhos, não constitui, necessariamente, uma fraternidade, mas apenas uma família. Mas podemos ter uma família fraterna! E essa fraternidade tem que tocar os corações dos Homens para que possamos pertencer a Grande Fraternidade Universal!
     Ainda devemos dizer que no grande tripé da maior revolução político-moral deste planeta, a revolução francesa no ano de 1789 tem: IGUALDADE, LIBERDADE E FRATERNIDADE. Lema e direção para toda uma colônia de almas que habitam esse planeta.