Paulo Antonio Fonseca
(In memorian)

Natural de São Gabriel, é funcionário público inativo e atualmente músico e poeta em exercício. Sócio da Academia Gaúcha dos Poetas de Cordel e do Clube Literário Vila Jardim.
Participante ativo do programa “Vozes da Cidade” transmitido pela Rádio Pampa de Porto Alçegre/RS.
Atuou por 35 anos em reuniões dançantes da “Jovem Guarda” e em bailões nativista gauchescos.
É filiado a SBACEM – Sociedade Brasileira de Autores, compositores e escritores de música, na categoria autor, intérprete e músico.
Foi diplomado pela COOMPOR – Cooperativa Mista dos Músicos de Porto Alegre/RS.





Pago Bendito
Paulo Bugrão

Lá para o lado que o sol desmaia,
Um rancho grande e o VACACAÍ,
Rio que nadei, nas águas da praia
Molhando as melenas, tempo de guri.

Minuano geme, saudade anda solta,
Nuvens repontam, em pleno infinito
Troteiam canoas nas “crinas” revoltas,
Guasqueando lembranças do pago bendito.

Vejo tropilhas em nuvens de pó
Lenço estandarte, colorindo a paz
Aceno pra “China”, o adeus da sua voz
Terra da Fronteira e seu grande cartaz.

Sou célula viva, sou de “Farrapo”
Que ultrapassou as nascentes do rio
Eu choro em silêncio a perda do guapo
Patrão do outro mundo, a presença exigiu.

Era meu papai o dono do rancho,
Resta mamãe, revolvendo espinhos.
Distante, apenas, sou mais um crancho,
Conselhos, as flores deste meu caminho.

Quando no braço, geme o pinho
Junta-se ao eco, o próprio grito.
Cavalga a alma pra ver o ranchinho,
Que é vulto lendário do pago bendito.