Sônia Maria de Araujo Rêgo

Nasci no Rio num dia quente de Janeiro (22) o ano já nem lembro mais. Cresci ouvindo minha mãe recitar Navio Negreiro de Castro Alves. Ficava encantada de como ela gesticulava e não esquecia uma palavra de tão grande poema.
E foi por aí que veio o prazer de escrever, devo tudo isso a mamãe que me fazia ler e escrever sempre.
Ainda menina ja fazia trovinhas bobas para as coleguinhas de escola e depois da primeira paixão explodiu a inspiração. Houve tempos que mal tinha tempo para pegar uma caneta, mas sempre depois de uma calmaria, nascia poesia. Sem compromisso com a intectualidade procuro escrever com a maior simplicidade possivel, sou assim gosto de ser bem entendida por todos.
O que tenho de importante é a vivencia desses anos, sete filhos, vinte e três netos (por enquanto) e duas bis-netas. Vim para Paquetá a serviço no ano de 1985 e aqui me encontrei, fluiu com grande intensidade a inspiração e fui começando a escrever novamente.
Um dia uma professora de Literatura me viu escrevendo, leu gostou e me perguntou porque eu não escrevia um livro, eu ri e disse que achava que não tinha capacidade para tal, ela disse que sim e foi mostrando o que eu escrevia para outros amigos. Todos foram me convencendo de que eu era uma poeta... eu acreditei e agora aqui com a licença de vocês... Sônia Rêgo.

Confreira Efetiva.






Cidadão
Sônia Maria de Araujo Rêgo

Oi!!!
Você aí cidadão...
No estômago, nada...
Cadê o pão?
Nada no coração, nada nas mãos
só calos de trabalhos sem remuneração.
Procuras o que fazer, um emprego, um achego ?
Que desassossego!!!
Roupa nenhuma, nenhuma esperança
mágoas na alma de duras lembranças
Sem amor, sem tostão, sem tesão.
Caminha por nossas ruas, este cidadão.
Sem alegria nem simpatia, com os pés desnudos no chão
Pensa, procura, resmunga, rasura, muita amargura
no peito do cidadão.
Já se foi a dignidade
Já não sabe bem o que quer
Se é ou esmola, ou o olhar de uma mulher
Se sente fome ou se come
O ânimo já não se faz
A vergonha já se perdeu, se foi...
Caminhando andrajoso, por muitos evitados
Por outros penalizado
Lá vai ele coitado, de contra o vento , contra tudo
Cansado em busca de sobrevivência
O pobre não tem paciência, só quer comer, amar , dormir , um lar
Ora se faz de surdo, de mudo
Quando fala ninguém ouve
Continua o cidadão, com um fio de esperança
A procura de pão, amor , calor , gratidão
Desculpe-me desconhecido, por não me lembrar de ti
Mas ao correr para vida com o nosso egoísmo
Tropeçamos, desviamos,esbarramos mas nem te olhamos
Por que você não é , você não tem, você Ninguém...